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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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25
Jan17

Perde-se tudo


alex

Todas as pessoas que me rodeiam me dizem que eu sou uma sortuda por viver com pessoas amigas. E é verdade que o sou. Mas por vezes, é mais complicado do que viver com pessoas que nos são desconhecidas ou pouco próximas.

É como quando vivemos com a nossa família de sangue. Porque somos família e nos conhecemos desde sempre, os momentos em que rimos são mais do que aqueles em que discutimos; contudo quando discutimos é a sério. E enquanto que, com pessoas que não conhecemos não corrermos o risco de desperdiçar uma amizade por assuntos triviais, quando se vive com amigos há sempre a própria da amizade em risco se alguma coisa dá para o torto. É especialmente difícil quando vivemos com pessoas cujas personalidades não podiam ser mais diferentes umas das outras. Mesmo que os interesses sejam comuns, quando se trata de lidar com assuntos sérios e a forma como cada uma de nós lida com eles, há diferenças que podem ser prejudiciais à amizade.

Para simplificar, ontem houve uma discussão das grandes cá em casa. Bom, não sei se muitos lhe chamariam discussão, pois foi mais eu a gritar para as paredes do que outra coisa, no entanto a verdade é que foram feridas susceptibilidades e a coisa não está bonita. Eu sou aquela pessoa aqui de casa que, se existe algum problema ou se existe algum assunto mais sério sobre o qual temos de falar, eu sou a primeira a trazer o assunto para a mesa e a tentar resolver as coisas a conversar. Sempre tive imenso jeito para dar sermões. E prego-os, tal e qual como Santo António os pregou aos peixes, eu prego-os aqui em casa. Não tenho problemas em falar sobre as coisas porque, para mim, é assim que elas se resolvem e não existem mal entendidos. Contudo, a pessoa oposta a mim, com quem tive a desavença, é exactamente isso: o oposto de mim. Enquanto que eu prefiro falar sobre as coisas para o assunto ficar arrumado, a pessoa em questão prefere ignorar e não falar sobre o assunto. O que me irrita profundamente. Porque não falar, se só assim é que sabemos a posição e os sentimentos de ambas as partes? A verdade é que eu ontem envolvi-me num monólogo extenso e a pessoa em questão continuava a fazer coisas na cozinha e a ignorar-me, dizendo que não ia falar sobre o assunto "nem hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã". O problema é que, com esta pessoa, é sempre assim. É das pessoas mais acessíveis que já conheci, dá o braço em vez da mão se precisarmos mas, no que toca a encarar os factos e a realidade e a discuti-la como a pessoa adulta que é, tá escasso. E isso deixa-me profundamente irritada. Pior fico ainda quando me faltam ao respeito.

Assobiou. Atreveu-se a assobiar enquanto eu falava com ela, num tom calmo e composto. Assobiou-me enquanto eu lhe dizia que tinha feito algo para a ajudar e lhe facilitar a vida. O coro da discussão nem sequer importa. Deixou de importar a partir do momento em que ela me começa a assobiar. Esqueci completamente qual era o assunto sobre o qual tínhamos de falar. Perdi a cabeça. Fiquei cega de raiva. E se a C. não me tivesse agarrado, tinha feito algo do qual me iria arrepender, apesar de tudo. É das piores coisas que me podem fazer, especialmente pessoas minhas amigas, é faltarem-me ao respeito. Não admito. Não posso admitir. Seja quem for. Fui educada para ouvir a outra parte de forma respeitosa e bem educada. Fui educada para ouvir as pessoas até ao fim e depois, se então achar por bem que não estou para aí virada e não quero falar sobre o assunto, digo com todo o respeito: percebo o que me queres dizer, mas por favor vamos falar sobre isto noutro dia.

Não assobio. Não dou as costas. Não falto ao respeito. 

Magoou. Porque já não é a primeira nem a segunda vez que a pessoa em questão faz algo do género. No que toca a falar sobre assuntos sérios ou quando é preciso nós todas sentarmos-nos e discutirmos algo que é do interesse de todas, esta pessoa age sempre como uma miúda de 12 anos. Não, retiro o que disse, que a minha irmã tem 12 anos e acho que nem ela agiria como esta pessoa agiu. Se tivesse apenas permanecido calada e no fim de eu falar tivesse dito: "okay, percebo mas falamos amanhã", eu ainda aceitava. Mas virar-me costas e andar pela casa a assobiar como se eu nem sequer me estivesse a dirigir a ela? Ultrapassou os meus limites. Eu já gastei muito do meu paleio e da minha saliva a pregar sermões a esta determinada pessoa e ontem tive a prova de que, ela nunca vai aprender com os seus erros. Por muito que eu me passe da cabeça com ela e quase lhe mande um soco à boca, ela nunca vai aprender. E é por isto que, por vezes, viver com amigos não é assim tão bom quanto se pensa. Porque tal e qual como numa relação, o respeito vai-se perdendo. E se o respeito se perde, perde-se tudo, para mim pelo menos. A fé também já a perdi. E são essas as duas coisas que eu preciso de perder para a relação de amizade que eu tenho para com essa pessoa, o deixar de ser. Se me faltam ao respeito e eu perco a fé em vocês, não há volta atrás. Até pode haver, se calhar, mas só com muito esforço e depois de me provarem que, conseguem realmente, aprender com os erros.

Senão... perdeu-se tudo. O respeito, a fé e a amizade.

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