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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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21
Jun18

Nunca partirás de mim


alex

Este vai ser um daqueles textos que há muito tempo que ando para escrever. Digo muito tempo porque, refere-se a um acontecimento que já se passou à nove meses. Nove meses é o tempo que demora para os bebés se formarem por completo na barriga das mães. Pode ser uma analogia estranha, mas este texto é um bocado como um bebé a nascer, passados nove meses. Debati bastante se deveria publicá-lo, sou sincera, pela simples razão de que a pessoa em questão tem acesso ao meu blog e pode a qualquer altura ler o que vou aqui escrever. Mas cheguei à conclusão de que já não interessa. Já passou tanto tempo que acho que já não há mais nada a perder ao fazer este texto público, que é no fundo um longo desabafo e uma grande reflexão sobre uma amizade que durou muitos anos e que sempre foi, no mínimo, conturbada e diferente de todas as outras que já tive ao longo da minha vida. Porquê agora? Não sei, não tenho uma razão em especial. Simplesmente cheguei do trabalho, sentei-me na cama, abri o computador na página do blog e... aqui estou.

Eu acredito que todas as pessoas que entram na nossa vida servem um propósito e que nenhuma relação é em vão. Seja qual for o propósito dessas pessoas, a diferença entre elas é se elas causaram impacto suficiente nas nossas vidas para, anos depois, ainda nos lembrar-mos delas ou se o que resta delas no fim é apenas a lição que aprendemos quando a pessoa seguiu o seu caminho e nós o nosso. Desde pequena que sou uma pessoa introvertida no que toca a fazer amizades ou a conhecer pessoas novas. Nunca dou o primeiro passo e nunca, jamais, abordei fosse quem fosse primeiro. Com os anos, acho que piorou, também porque tive experiências que não me ajudaram a confiar nas pessoas com facilidade. Quem acompanha o blog desde o seu inicio pode saber isto (ou não) mas foram poucas as pessoas que mantive na minha vida depois de ter vindo para Londres. Não vou arranjar desculpas, vou apenas dizer que as coisas são como são. As pessoas crescem e mudam e a vida continua, com ou sem elas. E novas pessoas entram, no meu caso tal não é verdade porque, como disse, sou péssima a fazer novas amizades. Mas acredito que sou boa a manter aquelas que importam. Excepto esta sobre a qual vos escrevo hoje. 

Ás vezes não é fácil conhecer alguém por muito tempo e ser-se amigo dessa pessoa durante uma década, duas ou três... não é qualquer pessoa que pode dizer que viu o seu amigo crescer, que fez as primeiras asneiras de pré-adolescente com essa pessoa, que viveram os anos de adolescente ao lado um do outro e que se apoiaram quando a vida deu uma volta de 360 graus e foram "cuspidos" para o mundo dos adultos; o mundo real. Não é qualquer um. Eu tive essa pessoa. E perdia-a, várias vezes, ao longo dos anos. Mas de alguma forma, fui sempre capaz de encontrar o meu caminho de retorno até ela. Até não haver mais caminhos de retorno. Ainda hoje, passado este tempo todo, sinto-me injustiçada. É algo que ainda me custa a engolir de cada vez que penso nisto; nessa pessoa. Porque ainda penso nela, sim. Ainda penso em ti, se estiveres a ler isto. Constantemente, até porque hoje em dia com as redes sociais, não há forma de evitar o nosso passado e as pessoas que ficaram nele. Custa-me até hoje ainda porque foi tudo tão...abrupto. Tão parvo. Tão...estúpido. Num dia estava tudo bem, no dia seguinte, tudo mudou. Foi como se tivessem ligado e desligado um interruptor qualquer, deixando-me no escuro por momentos de um dia para o outro,e quando voltaram a ligá-lo, aquela pessoa que me acompanhou durante uma década já não estava lá. Estalou-se os dedos e puff...acabou. 

Eu sou o tipo de pessoa que não admite os seus sentimentos com facilidade. Aliás, eu sou aquela pessoa que podia ter uma faca apontada ao pescoço e mesmo assim, a muito custo diria à pessoa como me sinto verdadeiramente. Uso o humor, as piadas e o sarcasmo para esconder muito daquilo que sinto na realidade e tudo aquilo que queria dizer. É o meu maior defeito, não há dúvidas disso. Mas por esta pessoa eu tentei. Tentei ser mais expressiva, mais aberta, mais comunicativa. Não porque me senti na obrigação de tal, mas porque...não sei. Não é o que se faz pelas pessoas de quem gostamos verdadeiramente? Tentamos moldar-nos a elas de forma a podermos coexistir de uma forma melhor e mais harmoniosa? Contudo, não sei quando é que passou de não ser uma obrigação, a ser a maior e mais penosa tarefa (não contado com a escrita) que eu podia fazer. Ou se calhar até sei. Se calhar foi quando essa pessoa começou a ver apenas a parte moldada de mim e não o meu eu verdadeiro. Se calhar foi quando essa pessoa começou a esperar demais de mim. E agora, de quem é a culpa? A pergunta que ressoa na minha cabeça vezes e vezes sem conta.

A culpa não é de ninguém. A pessoa não me pediu nada. Eu nunca escondi quem sou, apesar de me ter moldado.

A culpa é minha. Fingi ser alguém que na realidade não sou. Fiz e disse coisas só para fazer a outra pessoa feliz, porque tenho uma noção errada do que é o amor e a amizade. 

A culpa é dela. Conhece-me há tantos anos e no entanto...não conseguiu perceber que eu estava a ser mais, a fazer mais do que aquilo que podia? A ser mais do que aquilo que eu sou? 

Atribuir culpas não nos leva a lado nenhum, foi a conclusão a que cheguei passado este tempo todo. Não me deixa mais ou menos feliz se eu disser que a culpa é da outra pessoa. Não durmo melhor à noite. Definitivamente não durmo bem de noite se me culpar a mim própria. E atribuir culpa não apaga o que foi feito, o que foi dito e o que ficou por dizer. Porque sim, houve muito que ficou por dizer. Tanto... Muito do que ficou por dizer, digo-o agora neste texto. Talvez esteja a ser cobarde de novo. Devia era deixar-me de merdas e entrar em contacto com a pessoa directamente. O que é que me impede? O que impede o ser humano de fazer seja o que for, sempre:

Medo.

O medo paralisa, deixa-nos ineptos, sem poder de agir. O medo de rejeição, o medo de confirmar os nosso piores medos - que apesar da história, dos momentos vividos e partilhados com a pessoa, já não haja volta a dar na relação. O receio de que a pessoa nos odeie e nos diga isso na cara. O receio de que essa pessoa ainda esteja magoada ou a sofrer. O medo. O filho da puta do medo.

Por ter medo não te mando mensagem. Por ter medo não gosto das tuas fotos no instagram. Por ter medo não te disse quando fui a Portugal. Por ter medo não te dirijo a palavra. Por ter medo, trato-te como se fosses uma pessoa estranha para mim, com quem nunca partilhei uma amizade, uma relação de tantos anos. Por ter medo não te pedi desculpa. Não acho que esteja agora no direito de o fazer. Que direito tenho eu, agora, passado tanto tempo, de voltar a entrar na tua vida e pedir desculpa? E por outro lado, estou a pedir desculpa pelo quê, exactamente? Pela forma como agi? Foi a minha forma estúpida e ignorante de tentar amar. Pela forma como não me despedi de ti? As despedidas doem-me tanto.... Pedir desculpa por ser egoísta, cobarde? Pedir desculpa por não ter pedido desculpa...?

Meu Deus...não sou religiosa. Mas acredito na força do Universo, na lei da atracção. 2017 foi um ano tão merda na minha vida, mas tão merda, que eu não me posso deixar pensar nele, com medo de atrair as más energias e o azar dele. 2018 tem sido diferente...mas que diferença! É como a noite e o dia. Em 2017 sofri muito, chorei muito, e andei triste durante muito tempo...contudo, tinha-te a ti com quem partilhar tal tristeza. Só que agora não te tenho para partilhar a felicidade que 2018 me tem trazido. A única coisa que me deixa triste em 2018 é o facto de não poder partilha-lo contigo. E minto. Minto às pessoas à minha volta e digo que não me importo. Não quero saber. O que aconteceu, aconteceu e já não me afecta. Que grandessíssima mentirosa que eu sai...

Não sei bem onde quero chegar com este texto... Acho que no fundo, connosco, vai ser sempre assim. Uma história mal acabada, um percurso não percorrido até o fim, uma relação cheia de altos e baixos. Sempre pensei que não seria capaz de viver sem ti. Acho que te cheguei a dizer isso e penso que me disseste isso também. Que não conseguias imaginar a tua vida sem mim. A tua vida sem mim, eu acredito, é melhor. Vejo-te feliz, oiço-te feliz, contam-me que andas feliz. Cansada, atarefada, mas feliz. E eu por ti feliz devia andar, mas a verdade é que no fundo, a pessoa que nunca vai ser 100% feliz sem a outra na sua vida, sou eu. Tu estás a voar sem mim e eu estou aqui, em baixo, a olhar para cima com um sorriso triste nos lábios. Estou feliz por ti mas não sou feliz sem ti. Ando feliz, a vida tem-me corrido bem, se estiveres a ler isto e se estiveres curiosa. Mas nos meus dias, em todos eles, há aquele momento de infelicidade, de dor, de tristeza, de culpa, de confusão, de medo, de receio...sei lá, de tudo que é mau, por tu não fazeres mais parte dele. 

Só quero que saibas que, onde quer que seja que eu esteja na vida, espero que estejas imensamente melhor do que eu. Mais feliz, mais realizada, mais bonita, mais sorridente, mais sortuda, mais tudo. Porque mereces e disso, não há dúvidas. Espero que, ao contrário de mim, eu já não te passe pela cabeça. Que sejas livre de mim, de nós. Eu não sou, mas isso não interessa. O que interessa é que tu o sejas. 

E ao final do dia...as memórias são muitas, os anos também e todos eles valeram a pena. Até a viagem que mudou tudo para nós. Valeu a pena. Sabes porquê? Porque contigo, tudo o que deu origem a boas e a más memórias, a bons e a maus acontecimentos, valeu a pena. Porque tu não foste apenas uma lição que a vida me quis ensinar. Tu foste e és a única pessoa que todos os dias me ensina algo novo, que continua a ter impacto na minha vida e que continua a afectar o meu dia-a-dia apesar de já não fazeres parte dele.

A forma como vou terminar este texto só fará sentido para duas pessoas neste mundo. Para ti e para mim...Tu é que és aquela que vai sem nunca partir e que parte sem nunca ir...de mim. Sempre foi assim e acredito que nunca vai deixar de o ser. 

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