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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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29
Mai14

Normal

alex

Se há algo que ela sempre odiou, foi o facto de o seu corpo tomar controlo dela, mais vezes do que aquelas que ela gostaria. A forma desesperante como pedia, olhando para o tecto do seu quarto, que o aperto no seu peito desaparecesse, que as palmas das suas mãos deixassem de suar, que o seu estômago deixasse de agir como se uma tempestade habitasse dentro dele.

Quantas não foram as vezes em que desejou poder controlar as lágrimas, ou fazer com o que o seu coração parasse de bater a mil.

Quantas vezes não desejou ela poder não ficar assim, desta forma, por coisas que aos olhos de uma outra pessoa, seriam pequenas e insignificantes? 

Foram tantas as vezes em que ela pediu para ser normal. 

E de todas as vezes em que pediu, o seu pedido foi ignorado. Até ao dia em que ela deixou de pedir e conformou-se. Habituou-se.

Habituou-se a ser assim. Aceitou-o como sendo uma parte dela; uma parte tão grande dela que jamais poderia ser apagada.

E então, de vez em quando, mais frequentemente do que ela deixa transparecer ou gostava que fosse, o aperto no peito torna-se insuportável, o bater do coração tão rápido que toda a gente o conseguirira ouvir, se prestassem atenção. Entrelaça as mãos uma na outra e finca as suas unhas nas palmas, deixando-lhes marcas em forma de meia lua. Sorri e finge que está tudo bem, quando se encontra acompanhada.

Chora e deixa cair a máscara quando está sozinha.

Ela só gostava de ser normal. De não se sentir assim de cada vez que algo não corre como planeado, de cada vez que pensa no dia de amanhã, de cada vez que, simplesmente, acorda. Gostava de não se sentir presa a estas correntes, que lhe pesam mais do que o que as pessoas possam pensar.

Quantas não foram as vezes em que ela, com lágrimas nos olhos, não olhou para o céu e pediu: "Faz de mim alguém normal."

E quantas não foram as vezes em que a resposta que ouviu foi o silêncio?

E assim, o silêncio tornou-se no seu maior e melhor aliado. Perdida nele, ela nunca foi normal, como sempre quis.

Mas continuou a viver, com o silêncio como seu melhor companheiro.

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