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porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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02
Jan15

Há coisas que me ultrapassam #17

alex

Hoje, fui eu depositar o meu dinheirinho no banco, quando dou por mim a olhar para uma rapariga deveras familiar que estava, digamos que, um pouco inchada.

Pronto, a moça estava (e ainda está com certeza) grávida. A mesma andou comigo no 2º e 3º ciclos, sendo apenas um ano mais velha do que eu (19, portanto).

Eu não era amiga da moça - nem sequer era daquelas pessoas por quem eu passasse e dissesse olá. Mas a nossa escola não era assim tão grande quanto isso e difícil era não conhecer todas as caras ao fim de algum tempo.

Esta não é a única - como ela, muitas outras que andaram comigo naquela escola, da minha idade e mais novas, sofreram o mesmo destino.

E hoje pus-me a pensar: e se fosse eu?

Com 18 anos, de pão no forno como dizem os americanos. Quase que desfaleci só de pensar. Deixa-me admirada a facilidade com que a vida de uma adolescente pode mudar, de um momento para o outro. Um simples preservativo que rompe, ou simplesmente o facto de não usarem um (nem tomarem a pílula, etc) pode virar a vida de uma jovem rapariga (e do jovem rapaz também, mas na minha opinião não tanto e já lá vou a isso) de pernas para o ar - literalmente.

É que já é, contado assim por alto, a sétima rapariga com que eu frequentei o ensino básico que me aparece de barriguinha redonda pelas ruas aqui da minha residência. E eu não consigo deixar de pensar:

E se fosse eu?

Primeiro, sou ainda demasiado egoísta para ter um filho. Sou e admito-o - ainda penso muito só em mim, nos meus desejos e sonhos, nos meus objectivos de vida. Não conseguiria dedicar a minha vida a outrem, mesmo que esse outrem fosse o filho do meu ventre.

Segundo, acho que apesar de ser bastante matura para a minha idade, ter um filho está num outro nível de maturidade completamente diferente. É um filho caramba; um ser humano que vem ao mundo e que pelo menos durante 18 anos necessita de todo um apoio e orientação que eu tenho a certeza não ser capaz de dar a ninguém.

Terceiro, ainda não vivi nada. Se eu ainda não vivi nada, como é que posso partilhar com o meu filho todas as aventuras da minha vida? Todas as lições que aprendi com o tempo, com os erros, com os falhanços e com as vitórias?

Quarto, nunca eu conseguiria sustentar um filho sozinha.

E aqui entra o suposto pai que, sejamos sinceros e deixemos-nos de ser hipócritas, normalmente foge sempre com o rabinho entre as pernas ou então, pouco ou nada contribui para com a criação e educação do rebento. A verdade é esta e há estudos e estatísticas que o comprovam: a maioria dos pais adolescentes abandonam as mães e os bebés. E depois quem é que sustenta esta criança que não pediu para vir ao mundo e ser um peso nos ombros de quem não os tem? Normalmente os avós da dita criança, que se for preciso ainda eles próprios têm filhos que nem para o 5º ano entraram.

Acho que nunca se está preparado para se ser mãe ou pai, é verdade. No entanto, acho que ainda menos preparados estamos aos 15,16,17,18... Aos 18 anos trememos só de pensar na faculdade para a qual queremos ir. Aos 18 rimos que nem perdidos se nos mostrarem vídeos no Youtube de pessoas a cair ou de gatos a tocar piano. Aos 18 queremos é dormir até ao meio dia porque no dia anterior tivemos a acabar um trabalho importantíssimo ou a beber com os amigos.

E claro que a realidade de cada um é como cada qual - mas no geral, somos todos ainda meras crianças a tentar ser adultos. A verdade é esta.

E por isso, quando vejo estas moças, que tal e qual como eu brincavam à apanhada e aos morangos com açúcar e sei lá eu mais o quê, grávidas ponho-me a pensar, que no meio disto tudo, uma criança vai ser responsável por outra.

E se a mim me assusta pensar em como assustador isso deve ser para as moças em questão, nem quero pensar nelas.

Mas depois a parte má de mim diz: tivessem sido mais inteligentes. Tivessem sido mais fortes e dito não ao namorado swagger que lhes diz o quão bonitas e maravilhosas elas são. Tivessem tido cabecinha e não estariam prestes a ter uma bem mais pequenina a sair-lhes por entre as pernas (peço desculpa pela imagem que posso ter suscitado nos vossos cérebros.)

Não digo que ter filhos seja mau e não digo que todos os filhos de mães e pais adolescentes sejam mal criados ou mal amados ou que tenham menos do que eu, por exemplo, que nasci já a minha mãe tinha os seus 29 anos. Mas digo, sim, que uma criança é uma enorme responsabilidade - muito maior do que escolher o curso que queremos seguir, o bar que queremos visitar na sexta-feira à noite ou o rapaz com quem queremos namorar durante uns tempos.

Ter um filho é dar mais de metade de nós a um outro ser. É dar a nossa Vida a ele, completamente. O filho passa a ser o nosso mundo e nós passamos a girar em volta dele. Temos de trabalhar para ele, viver para ele.

Não sei se sou só eu, mas só a ideia faz-me logo torcer o nariz. Não seria capaz, com esta idade, de pôr a minha vida de parte para tomar em mãos a vida de outrem. Não seria capaz de abdicar dos meus sonhos - sou portanto assim, egoísta. Mas que o seja.

Ao menos sou uma egoísta não-grávida.

 

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