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18
Jun14

Eu penso muito

alex

Há alturas na vida em que paramos para pensar. Para uns, isto acontece mais frequentemente do que para outros, mas acontece a todos a determinada altura.

Aqueles momentos em que paramos, simplesmente. Paramos de pensar no trabalho que temos de completar, no exame que temos de fazer, no jantar que temos de cozinhar...paramos. 

Esse momento, para mim, aconteceu há umas semanas, quando estava rodeada por cerca de 100 pessoas. Pessoas que como eu, que estão prestes a embarcar numa nova etapa das suas vidas, seja ela qual for.

Escrevo agora sobre esse momento porque...porque a coisa está a tornar-se real. Muito real. Aquela coisa na qual pensei, ali parada naquele jardim, com o céu iluminado por uma centena de balões. Aquela coisa que não me sai da cabeça por muito que eu me esforce. Eu posso não pensar nela todos os dias; há dias em que até julgo que ela não existe. Mas depois, surge, como hoje.

Está a chegar o fim.

O fim de anos de uma vida que é a única vida que eu conheço: a escola. Sabem qual é um dos males do ser humano? É que nos habituamos com facilidade. Habituamos-nos à rotina, aos sítios, às pessoas... Sabem qual é um dos meus maiores males? É pensar demasiado nas coisas. Nessas coisas às quais estou tão habituada, a esses sítios e a essas pessoas às quais estou tão habituada.

E por isso, durante muito tempo, não paro para pensar. Vou-me distraindo e ocupando a mente com outras coisas e sou feliz assim; a enganar-me a mim própria.

Mas depois, há estes momentos, em que páro e penso. Um dos grandes males do ser humano é o facto de se habituar a tudo com muita facilidade e depois, quando esse "tudo" lhe é tirado, ele fica sem saber bem para onde se há-de virar.

Mas, se há coisa de que também somos capazes de fazer, é de nos adaptarmos às mais variadas situações; de nos ambientarmos e nos encaixarmos em novos sítios, com novas pessoas: em viver novas vidas.

Também somos capazes disso. E por isso, quando paro para pensar em como o fim se aproxima cada vez mais depressa (faltam exactamente 8 dias para estar despachada dos exames), acalmo esta minha mente perturbada, pensando também em como temos essa magnífica capacidade de adaptação.

Mas depois penso ainda mais e deparo-me com isto: o meu problema não é mudar ou ter de me ambientar a um novo sítio, com novas pessoas. O meu problema é se eu fico aqui. Aqui, sentada nesta cadeira de cabedal onde tenho estado nestas últimas semanas, a estudar para o exame. 

Tenho receio de o meu novo ambiente vir a ser este; da minha nova rotina se revelar esta. E quando digo "novo" estou a ser irónica, porque não há nada de novo em a minha pessoa passar os dias ora sentada na cadeira da secretária, ora sentada na cama.

O meu medo verdadeiro não é o da mudança; essa até eu recebo sempre de braços abertos.

O meu verdadeiro medo é da estagnação. De não mudar de rotina, de ambiente, de pessoas, enquanto todos os outros à minha volta o fazem. Tenho medo de ficar perdida depois desta etapa. De não conseguir iniciar a minha próxima etapa: arranjar um emprego que dê para eu começar o meu pé de meia para o ano.

É disso que tenho mais medo.

E por isso paro poucas vezes para pensar.

Mas quando o faço, é horrível.

Porque eu penso muito sabem? Não penso muitas vezes, mas quando o faço, faço-o pelas vezes todas em que peguei num livro, numa série, num filme, num jantar por fazer, tudo para não ter de pensar.

Eu penso muito. Faço-o poucas vezes, mas em demasia.

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