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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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06
Abr15

Com o passar das estações

alex

Espero que tenham todos tido uma óptima Páscoa! Pessoalmente, a minha não foi nada de outro mundo.

Para mim, estes feriados religiosos só servem para eu estar com a minha família, para além dos meus pais e irmã. É como os aniversários e as outras celebrações - para mim só têm significado porque tenho oportunidade de estar com pessoas que eram o meu mundo.

Mas os tempos mudam, e as pessoas também. Cada vez mais me tenho convencida que a minha família do coração vai ser sempre - e somente - os meus pais, a minha irmã e os meus avós. Porque o resto já está tudo muito longe do meu coração para ser a família do coração. Agora são mais só a família de sangue do que outra coisa.

É incrível como os nossos sentimentos para com alguém podem mudar ao longo do tempo. Há uns anos atrás, a minha família era o meu mundo; a minha rocha; o meu suporte. Eu sabia que podia-me acontecer de tudo, mas que eles estariam lá para mim fosse pelo que fosse.

Hoje essa certeza já não o é. Não duvido que eles gostem menos de mim ou eu deles - mas agora estamos todos crescidos, todos têm as suas vidas, os seus horários, os seus compromissos e a fossa que se foi abrindo à uns anos, está maior do que nunca.

Primos com quem cresci, que foram como irmãos. Que me fizeram chorar mas que limparam as minhas lágrimas. Que me fizeram rir com anedotas parvas, truques de magia fascinantes (e que ainda hoje não sei como se fazem) e aventuras por demais.

Tios com quem ia de férias no Verão, com quem partilhava segredos, com quem ria e brincava. Padrinhos com quem fazia o mesmo e muito mais.

Estamos todos tão perto uns dos outros, e no entanto, nunca estivemos tão longe. Literalmente, os meus tios moram aqui, a dez minutos de minha casa e eu nunca lhes ponho a vista em cima. Não é por falta de tempo - é por falta de vontade.

Pronto, está dito. É mau de se dizer, não é? Que já não há vontade de estar com aqueles que são do nosso sangue? Que nos ajudaram a crescer e que, de certa forma, contribuíram para formar a pessoa que eu sou hoje - mas a verdade é esta. Quando estou com o lado da mãe da família - tios e primos - estou contente, é agradável e ainda rio aqui e ali. Mas as diferenças estão lá, palpáveis se eu apenas estender a mão na direcção errada. Quando estou com o lado do pai da família - padrinhos e primo - é como se já não houvesse razões para os apelidar de tal. Há meses que passam sem nos falarmos uns com os outros e quando nos vemos, não há aquele interesse em partilhar a nossa vida com eles. Não quero dizer-lhes que me estou a candidatar à faculdade em Londres. Não quero dizer-lhes que às vezes me sinto muito sozinha, desgastada, fraca. Não quero dizer-lhes que daqui a uns bons meses, sou bem capaz de me ir embora. Não quero partilhar a minha vida com eles. Já não há aquela abertura para partilhar com eles parte de mim.

Cada vez mais acredito que família não é somente partilhar o mesmo ADN; que a família verdadeira não tem de ser a de sangue.

A família pode, de facto, ser escolhida por nós - não à nascença, mas há medida que vamos crescendo e formando e quebrando laços. Porque se há coisa que eu posso provar é que há laços aparentemente inquebráveis que, apenas com um toque bem dado, podem quebrar.

Entristece-me que assim seja, que eu estando aqui agora, não haja mais aquela proximidade que antes havia. Tudo o que resta das nossas relações, desta família que eu costumava ter e adorar, são as memórias. E essas, até o tempo me as vai levando.

Mas eu gosto de pensar que tenho crescido um pouco neste último ano. Que aos poucos, vou aprendendo não a conformar-me, mas a aceitar que há coisas pelas quais valem a pena lutar e outras que são melhor deixadas para trás.

Eu estou hoje numa luta que me deixa ver com clareza aqueles que estão lá para mim e os que não estão. A vista diante de mim pode não ser a mais bonita ou preenchida, mas de certa forma, actualmente, é a vista que eu preciso de ver para me dar aquela extra força.

O resto, é tudo gotas de água que escorrem pela janela abaixo nos dias de chuva e que, inevitavelmente, vão desaparecendo com o passar das estações.

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