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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

01
Mar16

Quando lhe tomo o gosto...

alex

Daqui a exactamente 22 dias vou estar a pisar solo português. Por essa altura já terão passado quase oito meses desde a última vez que estive em casa.

E tenho andado com um nó no estômago cada vez que penso nisso. Afinal, é o sítio onde eu vivi durante 19 anos. É onde estão os meus pais e irmã, a minha família toda, os meus amigos, as escolas todas por onde passei, os supermercados todos aonde ia comprar pão e manteiga todas as semanas, o McDonalds onde ia de vez em quando com o P.

Mas agora vivo aqui, onde está a minha família de cá, onde estão os meus novos amigos, onde está a minha nova escola, onde estão os supermercados todos aonde eu vou comprar pão e manteiga todas as semanas, onde está o McDonalds a que nós vamos quando estamos com desejos. 

É estranho pensar que possa estar com medo de voltar para a minha casa, para o meu país de origem, mesmo que seja só para visitar durante uma semana. É estranho eu tentar imaginar-me a entrar pela minha casa dentro e sentir que não me é familiar. Sentir que sou uma estranha lá dentro. É estranho eu tentar imaginar-me a caminhar outra vez por aquelas ruas que ainda conheço como a palma da minha mão e ter vontade de chorar.

E se já não as conhecer como a palma da minha mão? E se quando eu lá chegar, estiver tudo diferente? E se a minha casa já não for a minha casa?

É difícil de explicar. A C. e a H. percebem. Acho que quem está cá na nossa situação percebe melhor do que quem não está. Não é que não esteja contente de ir a casa, finalmente, depois de quase oito meses sem pôr pé em Portugal e sem ver a minha família. Não é que não pense em comer, FINALMENTE, a comidinha boa das avós, em abraça-las e no quão feliz eu vou estar nessa semana.

Mas ao mesmo tempo é o medo de chegar a um sítio que foi a minha casa durante 19 anos e sentir que já não é bem a minha casa. É apenas o sítio onde eu nasci e cresci. Porque a cada dia que passa sinto mais que isto aqui é que é a minha casa.

E há quem me diga: "Não sejas tonta, Portugal vai ser sempre a tua casa. Estás aí só há 7 meses!"

Mas em 7 meses já vivi mais aqui, já sorri mais aqui, já fui mais feliz aqui do que o que fui, por exemplo, no último ano todo que passei em Portugal antes de vir para cá. É fácil uma pessoa aqui sentir-se em casa quando vive com amigos como os que eu tenho, quando fala bem a língua e quando se adapta facilmente a novos ambientes como eu.

Quando se lhe toma o gosto, é difícil de largar, não é o que dizem?

 

18
Jul15

Férias incendiadas

alex

Já voltei e volto de coração apertado.
A dois dias de terminar as minhas mini-férias, a piscina encheu-se de fagulhas e o chão ficou pintado de negro. Por esta altura, já todas as televisões falaram do assunto e normalmente, é daqueles assuntos falados todos os anos, aos quais já nem passamos muito cartão quando vemos surgir nos nossos televisores.
Mas o povo tem sempre razão e quando diz que, quando nos toca a nós é que passamos a dar mais importância a certas coisas, não se engana. Nunca eu vi tal coisa na minha curta vida.
Chamas a subirem por tudo o que era árvore, mais de 50 camiões de bombeiros a passarem pela nossa casa em direcção ao fogo, o ar que elogio por ser um dos mais puros que já respirei, depressa se transformou num dos mais tóxicos. 
O céu pintado de negro e vermelho, por vezes laranja quando se conseguia apagar um fogo aqui ou ali, mas o vento não foi nosso amigo - nem dos bombeiros - e espalhou as chamas para outros sítios.
Não me recordo de sentir algo como o que senti nesta Quinta-feira passada. Uma mistura de surpresa, com receio e expectativa. Surpresa porque, apesar de todos os anos ver na televisão os grandes incêndios que ocorrem durante os meses de Verão, nunca tinha visto um a vivo e a cores tão perto, tão grande. Receio porque estava tão perto que conseguia ver as chamas por entre as árvores que não foram consumidas por elas; receio porque não queria que elas passassem para o nosso lado. Expectativa porque queria saber se de facto, o fogo ia cessar por ali ou não.
Foi uma experiência de outro mundo. Acho que ainda agora, sentada na minha cama, no meu quarto, ainda não acredito que testemunhei tal coisa.
Nas aldeias fala-se muito; especula-se muito. Dizem que o fogo foi começado numa casa abandonada em Verdelhos. Na televisão disseram que tinha começado em vários sítios e espalhado para a Atalaia (onde é a nossa casa) por causa do vento. Outros dizem que foram as próprias autoridades que têm andado a mandar abaixo árvores naquela zona e para despachar o trabalho decidiram pegar fogo a tudo.
Nenhuma das hipóteses me espanta ou me parece impossível. Acho que neste mundo já se viu de tudo. No entanto, escrevo este texto com uma expressão sisuda ao relembrar a aflição das pessoas cujas casas e terrenos estiveram bem perto de arder.
Escrevo este texto com um aperto no coração porque vi ameaçado um lugar que me é muito; que é muito especial para mim e para a minha família.
Na sexta, as avionetas ainda sobrevoavam a área, os carros dos bombeiros ainda passavam para cima e para baixo e o cheiro que pairava no ar ainda era o de queimado. Sentei-me à beira da piscina, coberta de coisas pretas; fagulhas, e quase que pensei que estava a nevar. Mas não - era apenas aquele resíduo branco que provinha de lá de cima, do sítio onde o fogo tinha consumido tanta árvore.
Quando partimos hoje de manhã, partimos ainda com o cheiro a fumo a pairar no ar e a incerteza nos nossos peitos. Já é o segundo incêndio no espaço de um mês naquela zona, mesmo por cima da nossa casa, do nosso espaço.
Se houver uma terceira, nunca se sabe se não pode realmente vir a queimar o que nos pertence. Os bombeiros disseram e com razão que tiveram dificuldades por causa da falta de limpeza na floresta.
Poucos são os que se importam. Poucos são os que querem ajudar. Mas depois muitos são aqueles que gostam de atirar pedras e arranjar culpados. Alguns até culpam os bombeiros, que digo aqui com toda a minha vida em jogo, foram formidáveis naqueles dois dias. Há quem discorde, por entre as dezenas de tios e primos que para lá tenho, mas são pessoas que pouco ou nada sabem. Eu vi os bombeiros a trabalhar com estes meus quatro olhos e digo que, um dia quando crescer, quero ser como eles.
Não deve haver coisa mais aflitiva do que estar perante um monstro de não sei quantos metros, vermelho e quente, e ainda assim não vacilar.
O meu obrigada a todos os que combaterem este incêndio na zona da Covilhã. Porque sabia que eles estavam a dar o seu melhor e a proteger as nossas casas, ainda consegui dormir umas horas naquela noite.
E se foi por acaso fogo posto - o que é o mais certo - espero bem que quem o começou viva para sempre com o peso na sua consciência ou que morra por causa dele.
Nunca desejei a morte a ninguém, mas também nunca vi as chamas tão perto do meu coração como naquele dia.

 

 

Eu que nem sou crente, até apelei a Deus.

 

10
Jul15

Vou ali e já venho

alex

Preparando-me mentalmente para uma viagem de comboio de 3 horas.

Mas vale a pena, porque aquele sítio é bom para o corpo e para a alma. É como ir para um retiro durante uma semana - não há internet, não há carros, não há nada sem ser árvores, bichos, água e ar puro.

Vemos-nos daqui a uma semana minha gente. Até lá, não desesperem - EU VOLTO!

Até já!

09
Jul15

É tramado!

alex

O dia aproxima-se a olhos vivos e aquele pequeno monstro que até agora tenho conseguido domar, até bastante bem, ameaça acordar e dar-me um mau bocado. Tenho dias em que nem fome sinto, tal é a ansiedade. Obrigo-me a comer porque sei que quando lá chegar, vão ser poucas as refeições ao princípio.

Isto é algo que eu nunca pensei ser possível até há uns tempos atrás. Sair de casa dos meus pais aos dezanove e ir viver para um outro país, para estudar e trabalhar e começar uma vida completamente independente e nova.

Assusta como o caraças. Vou entrar naquele avião a tremer por todos os lados e vou sair dele, já lá, a tremer ainda mais. Há pessoas que foram e vieram passadas 24 horas. 

E há pessoas que foram e ficaram, como a C., e que hoje têm um vida estável e boa por lá. Claro que com saudades que batem de vez em quando, claro que com dificuldades e problemas aqui e ali, mas isso é tudo parte da Vida em geral, quer estejamos aqui ou em Londres ou na China.

Mas antes, e para acalmar este meu coração ansioso, vou passar uma semana à santa terra que tanto adoro. Os avós já lá estão e eu parto Sábado de manhã, bem cedo, no comboio para a Covilhã. Acho que me vai fazer bem... respirar aquele ar puro da serra, nadar na piscina à minha vontade sem irmãs e primos chatos (que apesar de tudo adoro), apanhar sol para ficar com uma cor saudável e esquecer tudo durante uns dias.

Vai ser a calma antes da tempestade e quando voltar, o tempo vai passar tão depressa que eu vou piscar os olhos uma vez, e o dia 6 já vai estar perante mim.

É tão estranho... esta mistura de sentimentos tão grande que vai dentro de mim. Ora sorrio ao pensar que vou finalmente começar um novo capítulo da minha vida, ora quase que perco o fôlego ao pensar em tudo o que isso implica.

Crescer é tramado...

24
Jun15

Simplicidade especial

alex

Ando feita uma preguiçosa que nem vos conto. 

Hoje passei o dia na cama, a ver séries, a ler, a pintar.... está certo que ontem fui passear mas hoje senti-me uma autêntica preguiça!

A roupa está toda por arrumar aqui no sofá... O pó também já se limpava e o chão também já se lavava.

Mas ando a aproveitar estes dias de descanso o melhor que posso, enquanto cá estou, porque daqui a umas semanas vai ser o caos e assim que pousar em Inglaterra, acho que não vou ter nem tempo para respirar.

Acho que é por isso que os meus pais também já nem comentam a minha preguicite de ultimamente.

Eles sabem que em breve isto tudo vai acabar e estão a deixar-me desfrutar cada bocadinho.

Já me perguntaram se eu não tenho nada de especial que queira fazer durante este mês de Julho enquanto cá estou, como forma de me despedir do meu mundo.

Mas sinceramente, não preciso de nada em especial. Bastam-me dias como o de hoje em que estive o dia todo em casa a fazer as minhas coisinhas, sem nenhuma preocupação, ou dias como o de ontem em que passeei por Lisboa com uma amiga, como já fiz tantas outras vezes.

Só preciso de comer muito Bacalhau à Brás da avô materna e muita Massada de Camarão da avô paterna, antes de ir.

Só preciso de estar com os meus amigos, seja apenas passear aqui pela nossa pacata cidade, ou ir às compras com uma amiga em Lisboa, ou comer um gelado enquanto caminho pelas ruas que já devem ter as minhas pegadas no seu chão, de tanta vez que lá passo.

Tudo o que tiver para fazer de especial, faço-o quando vier visitar. 

E se formos a ver bem, pelo menos para mim, as coisas mais simples como as que tenho estado a fazer são as mais especiais para mim.

É nas coisas simples que encontramos as coisas mais especiais e importantes para nós.

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