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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

25
Abr16

Cravos há muitos mas...

alex

Dia do Cravo há só um e é hoje!

Apesar de estar noutro país, não posso deixar passar em branco o dia em que se celebra o inicio da democracia no nosso país. Na minha opinião, ainda é uma luta que se trava todos os dias, essa a de termos mais liberdade, mais igualdade e mais justiça tanto em Portugal como pelo mundo fora, mas muitos progressos já foram feitos.

Como diz um dos meus professores cada vez que entregamos um rascunho dos nossos trabalhos: "It's a work in progress" e esta luta travada no dia 25 de Abril de 1974 é também ainda um trabalho em progresso.

Mas é graças a essa luta travada e ganha nesse dia que hoje tenho o privilégio de estar onde estou. 

Obrigada. Aos que lutaram na altura e, aos que ainda continuam a lutar, força porque se eles conseguiram em 1974, nós com certeza que também iremos conseguir em 20 mil e qualquer coisa.

24
Mar15

Sem volta

alex

Ás vezes custa aceitar que as coisas estão diferentes. Que tudo mudou. Que o que dantes era regra, hoje é excepção. Que o que dantes era familiar, hoje é quase como um estranho. É difícil aceitar que as coisas não voltam nunca a ser o que eram, por muito que nos esforcemos.

No entanto, tais tarefas para mim, já não são penosas. Já não custam. 

Acho que deixei para trás, em conjunto com tantas outras coisas e pessoas, a parte de mim que lamentava as perdas que se vai sofrendo pelo caminho da Vida. 

A ausência do que era, no que agora é, já não me traz dor, saudade ou mágoa. Estou tranquila comigo própria e talvez seja por isso que já não me cause transtorno tanta falta de familiaridade. Talvez seja por isso que já não estou de luto pela vida que tive, pelas pessoas que tive, pela pessoa que era.

Porque estou tranquila em relação ao esforço que fiz no passado para tentar manter um presente que, na realidade, nunca teve um futuro. Porque me apercebi que por vezes, a vida é mesmo isto - caminharmos sozinhos até encontrarmos a pessoa certa com quem caminhar de mão dada.

Estou feliz por todos aqueles que encontraram a quem dar as suas mãos. Certamente que eu também irei encontrar a quem dar a minha... longe daqui, num futuro que anseio mesmo que haja a probabilidade de vir a não gostar dele.

É por isso que não me assusta tanto a ideia de partir como deveria. É por isso que os meus medos são outros.

Porque hoje sou uma pessoa que lida perfeitamente bem com o curso natural da Vida. Ela é mesmo assim. As coisas são mesmo assim. O tempo passa, as cores mudam e a forma de pintar também.

Não há nada de mal nisso e não há culpados nem vitimas. É assim. 

Se dantes chorava sobre leite derramado e águas passadas, hoje sorrio por saber que, ao longo deste percurso que já fiz aqui, ganhei e aprendi muito. Todas as perdas foram um ganho no sentido em que me ensinaram a aceitar o curso natural das coisas.

Na minha Vida já não há espaço nem tempo para perseguir passados sem presente ou futuro. Já não existe espaço para chorar pelos cantos devido ao quanto tudo mudou e em como a minha Vida está completamente diferente.

Agora já só tenho espaço e tempo para pensar no que ainda tenho pela frente. Só tenho tempo e espaço para a minha família, para os poucos amigos a quem ainda posso chamar de tal e para as mudanças que ainda me esperam.

Aprendi a não lamentar as mudanças, mas a aceitá-las de braços abertos.

Ás vezes deixamos de ter espaço e tempo para certas pessoas. E isso não é pecado nenhum. É pecado quando nos obrigamos a agarrar a algo ou alguém que já não nos traz nada para além de memórias de um tempo que já não volta.

E também temos de aprender a aceitar isso. Que há tempos, pessoas - incluído as que nós já fomos - que já não voltam.

Há coisas que, por muitas voltas que dêem, já não têm volta a dar.

01
Fev15

O dia sagrado

alex

Eu adorava as sexta-feiras. Levantava-me, por norma, sempre de bom humor por saber que dentro de 12 horas estaria de regresso a casa e podia ficar a pé até mais tarde, a actualizar a minha lista de séries que ficaram por ver durante a semana, que podia dar mais uns minutos à escrita do que o habitual, contente por no dia seguinte poder levantar-me sem despertador.

Odiava os domingos. Meu Deus, aquele sentimento de tristeza que me invadia todos os santos domingos à noite por no dia seguinte ir iniciar mais uma semana de testes, matéria chata, horas inconcebíveis trancada num sítio onde não gostava de grande parte das pessoas que lá andavam... um tormento.

Os tempos mudam - e é incrível como tanto pode mudar em tão pouco tempo.

Agora odeio as sexta-feiras - porque tenho aquela sensação, quando chego a casa do trabalho, que costumava ter quando andava na escola: de que posso ficar acordada até mais tarde porque no sábado não me levanto da cama para ir a lado nenhum antes das 10. Mas depois lembro-me que sábado é o PIOR dia da minha semana. O dia em que tenho de me levantar às oito para ir trabalhar dez horas seguidas. O trabalho nem é o pior porque isto não tem nada que se lhe diga e é, vou ser sincera agora, muito tempo de lazer pago.

Mas custa sabem? Levantar a um sábado de manhã, mesmo que seja ao som da voz divinal do Adam Levine, vestir, comer qualquer coisa e vir-me enfiar numa loja o dia todo, enquanto o mundo lá fora goza o seu sábado.

Eu adorava as sexta-feiras e os sábados e odiava os domingos. Agora a minha única paixão na vida parece ser o santo dia do descanso - domingo.

Incrível como até as mais pequenas coisas na minha Vida mudaram do dia para o noite.

E mais mudanças se avizinham...

29
Jan15

Tu és tu e eu...

alex

Há coisas que, por mais que tente, não consigo compreender. Consigo simpatizar com a pessoa e com o assunto em questão, mas é daquelas coisas que só passando por elas é que eu poderia compreender totalmente e falar de boca cheia.

Eu sou daquele tipo de pessoa que senão fizer as coisas, não descanso só porque os outro as fazem e me contam as experiências deles.

Eu tinha uma professora no 11º ano que chegou a discutir isto comigo em plena aula de História A. Porque estávamos a dar já não sei bem que matéria e a mesma podia ser relacionada com a situação actual do nosso país.

E eu disse algo do género:

"A História pelos vistos, repete-se. As pessoas não aprendem com os erros dos outros, não verdadeiramente. Têm de errar elas próprias, bater elas com a cabeça para saber o quanto dói."

A mulher quase que me comeu viva e eu, não querendo discutir com uma Alexandra (o nome da professora) porque só eu sei o quão teimosas e obstinadas elas são (não estou a falar de mim, não....ahah) dei a conversa por terminada ali.

Para ela, as pessoas conseguem saber exactamente o que fazer e como agir consoante as experiências dos outros; para ela, os erros dos outros são lições para nós.

Até podem ser - mas para mim serão sempre lições vazias. Porque eu não consigo saber exactamente o que a pessoa em questão sentiu ao fazer determinado erro.

Ou neste caso, eu não consigo sentir a aflição que a pessoa minha amiga sente ao pensar em ir também ela para o Reino Unido (ela vai para outra universidade, noutra cidade) e deixar cá a família, mais precisamente um dos membros dessa.

Consigo perceber o sentimento de tristeza em ter de deixar cá pessoas que ela ama acima de tudo - eu vou deixar pais, irmã e avós. Só de pensar vêm-me as lágrimas aos olhos. Mas consigo viver com isso. Consigo viver com o facto de me ir embora, enquanto eles cá ficam. Consigo viver com isso, se calhar, porque tenho um pouco de egoísta em mim.

Por muito que goste de pensar e dizer que não, a verdade é que só alguém um bocadinho egoísta é que é capaz de deixar a família num país e ir para outro, para ir em busca de uma educação melhor para si mesma.

Para ela, segundo me parece, é diferente. Mas ela tem razão - eu não consigo perceber o quão diferente é, porque não sou eu. E acho que por muito que nós queiramos, e por muito que simpatizemos com a situação de outrem, nunca vamos conseguir dar aquela palavra de conforto certa, aquele conselho que vai fazer com que a aflição alivie um pouco dentre deles.

Eu acho que há uma razão para o facto de, de tempo em tempo, nos sentirmos sós. Porque a verdade é que, ás vezes, o estamos - sós. Podem haver pessoas em situações semelhantes às nossas; pessoas em situações bem piores. Mas elas não são nós, não sentem o que nós sentimos, não pensam da mesma maneira que nós pensamos.

Voltamos aquela conversa que eu já tive aqui de sermos todos diferentes. Ultimamente tenho-me apercebido imenso disso. O quão diferente somos e o quanto, por vezes, essas diferenças podem tanto servir de barreiras como de elos de ligação entre nós.

Neste caso, é uma barreira. O facto de eu ser, talvez, mais de casca rija e racional (e lá está, egoísta ao ponto de ir para outro país em busca de algo melhor para mim, deixando cá família) e o facto de ela ser mais de casca mole, muito sentimental e demasiado apegada à família, faz com que eu não a consiga ajudar da maneira que gostaria.

É claro que eu vou sentir imensas saudades. É claro que vou perder uma parte do meu coração quando me for embora e vir a minha família parada, sem me seguir.

Mas não deixo que isso, por um segundo, seja a origem das minhas dúvidas, inseguranças e ansiedades. A origem dessas para mim são outras, muito mais difícil de controlar porque não depende bem de mim (mas sim do facto de eu conseguir manter este emprego para poder pagar tudo até ao fim).

Gostava de conseguir fazer mais - mas lá está. Só se eu fosse ela.

E eu...sou eu.

28
Dez14

Virou sapo!

alex

Uma das minhas histórias favoritas quando eu era pequena, era a princesa e o sapo. Não sei bem ao certo o porquê, mas acho que tinha a haver com o facto de uma humana e um sapo conseguirem desenvolver uma espécie de amizade entre os dois, apesar de serem tão diferentes. Para além disso, fascinava-me a ideia de, com um simples beijo, a princesa conseguir transformar o sapo num príncipe encantado, apenas porque desenvolveu sentimentos por ele enquanto sapo e não enquanto humano e príncipe.

Mostrava-me, assim como a minha história favorita de sempre (Bela e o Monstro) que as relações são muito mais para além da nossa aparência e que a verdadeira beleza está dentro de nós.

Agora, que era possível um príncipe transformar-se em sapo, isso eu não sabia até ontem.

Foi como se, de repente, me tivessem oferecido um par de olhos novos, um cérebro novo, um coração novo. Todas as réstias de qualquer sentimento que poderiam existir, esvaneceram-se por completo, ontem, num só segundo.

Assim que os meus olhos viram o que viram, foi como se daquele momento na história da princesa e do sapo se tratasse - mas completamente ao contrário.

De repente, o meu príncipe transformou-se em sapo e eu sorri. Sorri porque ao olhar para ele, já não o via como o meu príncipe. Como a pessoa que eu mais amei, a pessoa que sempre foi especial para mim.

Vi-o pelo que ele é - um sapo. Um sapo gordo (tive de conter uma gargalhada quando vi a barriga pequenina que antes não estava lá) e que em nada se compara ao sapo do conto de fadas que lia em pequena.

Um sapo que se atreveu a trazer a sapa com ele, para dentro de minha casa.

Foi instantâneo. O príncipe virou sapo e eu nem tive de o beijar.

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