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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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23
Mar17

Não escondam o medo

alex

"We are not afraid".

Circula pelas redes sociais em conjunto com a hashtag #PrayForLondon. Estava em casa ontem, perdida no meu próprio mundo, quando o meu telemóvel dá sinal de mensagem no chat do Facebook. Era a senhora dona minha mãe a perguntar se eu estava em casa e se estava bem. Achei estranho. Apesar de falarmos todos os dias pelo chat do Facebook e apesar de ela, todos os dias, me perguntar se eu estou bem, achei aquele "Estás bem?" diferente dos outros. Respondi imediatamente, pondo de lado o que estava a fazer no momento, porque senti a urgência da pergunta. Não me perguntem como. Respondi que sim, estava em casa e estava prestes a ir lavar a loiça do almoço. Perguntei porquê a pergunta feita daquela forma? E ela respondeu: "Ainda não viste as noticias? Houve um atentado no Parlamento aí."

Bom, fiquei alarmada. Pensei que alguém tinha tentado bombardear Westminster. Acedi logo ao site da BBC News, e assisti ao live que eles estavam a transmitir, em directo no local. Rapidamente me apercebi que não se tratava de uma bomba, mas sim de algo diferente, igualmente preocupante. Um individuo esfaqueou um polícia, atropelou quatro pedestres (um deles português pelo que consegui descobrir) e causou mais uns quantos feridos. Para além disto, causou o pânico, não só na zona de Westminster, mas por todo o país. Em questão de segundos, as redes sociais encheram-se de mensagens de boa fé, de revolta e de medo.

Medo. Medo esse que, por uma razão que eu entendo perfeitamente, toda a gente está a tentar esconder. Hoje, um dia depois do acontecimento, todos nós andamos pelas redes sociais a partilhar fotos e tweets a dizer "We are not afraid". Nos conhecidos "boards" do metro, onde todos os dias é escrita uma mensagem inspiradora, mensagens sobre o que aconteceu são escritas, acompanhadas pela referida frase. Mas eu acho que é tudo uma grande treta.

Eu estou com medo. Eu escolhi esta cidade para viver. Aqui vivo há já quase dois anos. Não faço tensões de me ir embora assim tão cedo quanto isso, apesar de todas as complicações que o Brexit possa vir a causar. Contudo, eu sei perfeitamente que isto é só o começo. O começo de uma jornada que, infelizmente, vai conter muitos mais destes acontecimentos e actos de terrorismo. Porque foi isso que aconteceu. Infelizmente, este país está a ficar mais fraco. O Reino Unido já não é Unido coisíssima nenhuma. Claro que o Brexit é um dos grandes culpados. Mas o pior são as pessoas. As pessoas estão, dia após dia, a esquecer-se que ao final do dia, nós somos todos seres humanos. 

Há seres humanos bons e seres humanos maus. Mas isso é em todo o lado. Só que as pessoas esquecem-se disso quando coisas destas acontecem, que geram o pânico e o medo e a aversão às pessoas que, para eles, são e serem sempre "outsiders". Emigrantes. Mesmo que esse não seja o caso, a verdade é que, isto assusta qualquer pessoa. Eu, que não estou no meu país, estou assustada. Sei lá se amanhã não se lembram de ir ali ao centro comercial onde eu trabalho, que é só o maior centro comercial de North West London, fazer algo do género ou pior?

Estas coisas fazem-nos pensar. E duvidar. E reconsiderar as nossas escolhas e o nosso futuro e o futuro do país e do mundo que habitamos. Faz-nos ter medo. Não escondam o medo que estes acontecimentos nos fazem sentir. Porque é natural termos medo. Somos apenas seres humanos. Dizer que não temos medo não vai fazer com que coisas destas não aconteçam de novo. Ter medo não é vergonha. Vergonha é não fazer nada quanto ao medo que sentimos. 

O telefone lá de casa, ontem, tocou mais vezes do que durante o ano todo quando as notícias chegaram às televisões portuguesas. Pessoas que nem sequer vejo quando vou a casa, a telefonar aos meus pais a perguntar se eu e os meus amigos estávamos bem. Felizmente, nós raramente andamos pelo centro de Londres. Mas podia ter-nos dado na cabeça lá ter ido. É só meia hora de viagem no metro. E nunca se sabe quando ou onde será o próximo.

Porque vai haver próximo, infelizmente. Não podemos mostrar medo, eles pensam. É a única forma de os vencermos. Eu cá também sou assim. Nunca mostro medo. Nunca mostro as minhas fraquezas. Porque se o inimigo sabe as nossas fraquezas, fica um passo mais perto de nos derrotar. Contudo, no que toca a estas coisas, acho impossível pedir às pessoas para se fazerem de fortes. O medo está instalado.

Agora é tentar fazer algo com ele. Não deixar que nos consuma ou impeça de continuar com as nossas vidas. Porque aí sim, caminharemos para a derrota.

11
Dez16

Voar

alex

Nunca foi um problema para mim. Voei pela primeira vez quando tinha seis anos. Nem me lembro. Foi um voo de mais ou menos oito horas até Cuba. Lembro-me vagamente de não conseguir dormir e ver o filme dos 101 dálmatas com a minha mãe. É tudo.

A segunda vez que voei foi no dia 6 de Agosto de 2015, quando vim para Londres. Depois disso, já viajei umas quatro vezes mais, todas ida e volta para Portugal. Até ter viajado em Setembro deste ano para a Coreia do Sul.

Nunca tive medo de voar até agora. Para mim voar até era algo satisfatório. A ideia de que uma coisa enorme como é o avião consegue levar uma quantidade imensa de pessoas dentro de si e voar pelos oceanos a tantos quilométricos à hora, sempre me fascinou.

Isto até ter apanhado um belo de um susto. E não, não me refiro a turbulência ou algo do género. O susto aconteceu quando ainda nem sequer tínhamos levantado voo. Já mencionei aqui o episódio, pelo que não o farei de novo, mas a verdade é que vou voar outra vez para Portugal daqui a menos de duas semanas e só de pensar em entrar naquele avião, dá-se me os calores.

Nem sequer as notícias me afectavam como o que se passou me afectou. Acho que sou mesmo daquelas pessoas que, até me acontecer a mim, não me afecta muito.

Não quero voltar a sentir aquilo que senti naquele avião, nunca mais. Mas a possibilidade de tal acontecer existe. E se desta vez não são criminosos a serem deportados e forem mesmo terroristas?

É esse o pensamento que não me sai da cabeça. Este mundo anda doido e eu como testemunhei isso em primeira mão, em doida ando a dar...

16
Nov16

É do medo

alex

Nunca me considerei uma pessoa preconceituosa, racista ou xenófoba.

Cresci rodeada das mais variadas raças e tipos de pessoas. Contudo, tenho de dizer isto porque é uma opinião muito minha e que eu já partilhei com amigos e familiares, mas acho que nunca partilhei aqui.

Acho que Portugal é um país muito protegido. Somos pequenos, comparados com muitos outros, e a nossa diversidade não é assim tão grande quanto isso. Contudo, somos descendentes dos muçulmanos e árabes, temos sangue africano nas veias também e sim, somos uma cultura multicultural.

Mas não ao nível do Reino Unido ou da América, por exemplo. E acho que, apesar de termos a nossa variedade de pessoas, Portugal é um país protegido no que toca a isto. E nunca tinha pensado muito nisto até ter vindo para o Reino Unido.

Aqui existem pessoas de todos os cantos e recantos do mundo. Não têm ideia da quantidade de pessoas com quem já tive contacto que são de sítios que eu nunca sequer tinha ouvido falar. Vivo com uma pessoa do Bangladesh. Pode ser ignorância da minha parte, ou do facto de não ter tido geografia, mas sabia lá eu onde ficava o Bangladesh antes de o ter conhecido. Isto é só um exemplo. 

Acho que é a multiculturalidade que faz deste país aqui que ele é. Contudo, também é ela que fez com que o Brexit se tornasse uma realidade. A maioria das pessoas estão um bocadinho fartas de ter medo. Medo de toda esta multiculturalidade que desconhecem. Porque a verdade é que, e como já disse aqui antes, o ser humano só tem medo do desconhecido.

E agora admito. Eu própria tenho medo, hoje em dia, muito mais do que tinha antes quando vivia em Portugal. Talvez porque é o meu país, a minha casa, sentia-me sempre mais protegida, como se nada me pudesse acontecer; como se nada pudesse acontecer num país como Portugal, que toda a alma esquece e desconhece.

Contudo, aqui, o medo surgiu e ao longo do tempo vai aumentado. E depois, claro, aconteceram coisas para alimentar esse medo. Ameaças de bomba que surgem aqui e ali, esfaqueamentos aqui e ali, pessoas a serem empurradas para a linha do metro porque são de uma raça diferente...enfim, uma colecção de acontecimentos que deixariam qualquer um inquieto.

No entanto, uma experiência mais pessoal e que eu desconfio me deixou um pouco traumatizada, foi quando fui de viagem para a Coreia do Sul. Entrámos no avião em Heathrow e estávamos a tomar os nossos lugares quando, de repente, ouvimos um canto familiar, ser gritado a alto e bom som por vozes grossas e zangadas.

Tremi. Trememos. Nunca vi a H. tão assustada. A H. é aquele tipo de pessoa que leva a vida com muita calma. Nunca nada a afecta. Mas naquele momento afectou. Vi-lhe as lágrimas nos olhos. Ambas a tremer, sei bem que o que nos ia na cabeça era idêntico: vamos explodir.

Porque a frase dita tantas vezes pelos terroristas que seguem uma certa religião antes de rebentarem com coisas, foi exactamente aquilo que nos ouvimos ser gritado naquele avião. Como podem deduzir, o avião não explodiu. Eram criminosos, violadores, que tinham de ser deportados para o Paquistão. Iam acompanhados por sete policias à paisana, grandes que nem armários, e os criminosos eram só dois. Senti-me mais segura?

Não. Porque o medo e o pânico já se tinham instalado em mim, mal sabia eu que se calhar para sempre.

Agora, cada vez que oiço alguém gritar na rua, encolho-me. No outro dia, estávamos num sítio de kebab's a falar alegremente, quando um homem me entra por ali dentro a gritar numa língua que eu não entendi. Até saltei da cadeira. Agarrei-me à pessoa que estava sentada ao meu lado. Porque estava de costas, nem consegui ver o senhor. Mas fiquei a tremer durante uns bons minutos depois de ele ter ido embora e tive de controlar as lágrimas.

Medo. É isso que sinto muito hoje em dia. Medo de sair à rua e levar com um pedregulho em cima. Porque não sou inglesa, mas também porque não sou muçulmana ou judaica. Porque fui gritada no meio do autocarro por falar na minha língua. Porque já me mandaram calar quando estava a falar ao telemóvel com a minha mãe no centro comercial onde trabalho.

E isto é errado. Não gosto de ser assim. Não gosto do facto de me ter tornado assim. Não sou racista, preconceituosa ou xenófoba mas acho que depois de tudo o que tem acontecido no mundo no último ano e meio, acho que me tornei um bocado mais reticente em relação a tudo e a todos. Tornei-me, digamos que, numa grandessíssima hipócrita.

Tanto estou a ser descriminada como descrimino. A realidade é esta. Tanto estou a ser mandada calar porque estou a falar numa lingua que não o inglês, como no minuto a seguir estou a encolher-me porque um homem entra por um estabelecimento a dentro, claremente alterado, a gritar numa lingua que eu não conheço.

Não sou racista, preconceituosa ou xenófoba. Mas sou hipócrita, hoje mais do que nunca, pois queixo-me de ser descriminada e logo a seguir descrimino. Mas no entanto, é mais forte do que eu. É automático. É do medo.

É humano.

 

01
Mar16

Quando lhe tomo o gosto...

alex

Daqui a exactamente 22 dias vou estar a pisar solo português. Por essa altura já terão passado quase oito meses desde a última vez que estive em casa.

E tenho andado com um nó no estômago cada vez que penso nisso. Afinal, é o sítio onde eu vivi durante 19 anos. É onde estão os meus pais e irmã, a minha família toda, os meus amigos, as escolas todas por onde passei, os supermercados todos aonde ia comprar pão e manteiga todas as semanas, o McDonalds onde ia de vez em quando com o P.

Mas agora vivo aqui, onde está a minha família de cá, onde estão os meus novos amigos, onde está a minha nova escola, onde estão os supermercados todos aonde eu vou comprar pão e manteiga todas as semanas, onde está o McDonalds a que nós vamos quando estamos com desejos. 

É estranho pensar que possa estar com medo de voltar para a minha casa, para o meu país de origem, mesmo que seja só para visitar durante uma semana. É estranho eu tentar imaginar-me a entrar pela minha casa dentro e sentir que não me é familiar. Sentir que sou uma estranha lá dentro. É estranho eu tentar imaginar-me a caminhar outra vez por aquelas ruas que ainda conheço como a palma da minha mão e ter vontade de chorar.

E se já não as conhecer como a palma da minha mão? E se quando eu lá chegar, estiver tudo diferente? E se a minha casa já não for a minha casa?

É difícil de explicar. A C. e a H. percebem. Acho que quem está cá na nossa situação percebe melhor do que quem não está. Não é que não esteja contente de ir a casa, finalmente, depois de quase oito meses sem pôr pé em Portugal e sem ver a minha família. Não é que não pense em comer, FINALMENTE, a comidinha boa das avós, em abraça-las e no quão feliz eu vou estar nessa semana.

Mas ao mesmo tempo é o medo de chegar a um sítio que foi a minha casa durante 19 anos e sentir que já não é bem a minha casa. É apenas o sítio onde eu nasci e cresci. Porque a cada dia que passa sinto mais que isto aqui é que é a minha casa.

E há quem me diga: "Não sejas tonta, Portugal vai ser sempre a tua casa. Estás aí só há 7 meses!"

Mas em 7 meses já vivi mais aqui, já sorri mais aqui, já fui mais feliz aqui do que o que fui, por exemplo, no último ano todo que passei em Portugal antes de vir para cá. É fácil uma pessoa aqui sentir-se em casa quando vive com amigos como os que eu tenho, quando fala bem a língua e quando se adapta facilmente a novos ambientes como eu.

Quando se lhe toma o gosto, é difícil de largar, não é o que dizem?

 

23
Fev16

Sobre o referendo

alex

Toda a gente já está a par desta grande notícia que é o referendo que vai ter lugar aqui no Reino Unido no dia 23 de Junho.

Andei durante uns bons dias a remoer no assunto, a tentar perceber todos os lados da situação, incluindo o meu. O assunto andou aqui às voltas e às voltas, foi discutido com os colegas de casa, com os colegas da universidade, com os colegas do trabalho e a conclusão a que chego é só uma, e diria que bastante influenciada pelo facto de eu própria ser uma imigrante - é injusto.

Tentei ver e julgar a situação do lado dos britânicos. Tentei ver e julgar a situação do lado dos imigrantes. Até tentei ver e julgar a situação do lado dos refugiados. Mas no final, sou influenciada pela minha situação pessoal, porque afinal de contas, sou apenas humana (e se calhar é por isto que a cada dia que passa me apercebo mais que não fui feita para ser jornalista, mas isso é outra conversa para outro dia).

Não é justo por várias razões. Não é justo porque eu não vim para aqui ilegalmente. Não vim para aqui roubar nada a ninguém, seja dinheiro, emprego ou casa. Vim para aqui com uma missão muito simples (na teoria), a de construir uma vida melhor para mim. Assim como eu, milhares e milhares de outras pessoas o fizeram pela mesma razão.

É certo que outras nem tanto. E agora sim, vou tocar na ferida e falar dos refugiados e do terrorismo. A meu entender, esta situação gerou-se e chegou a este ponto por causa da situação dos refugiados e dos ataques de terrorismo recentes. Posso estar errada, ou não, mas a minha opinião é esta. A verdade é que o Reino Unido neste último ano foi inundado com refugiados a tentarem fugir do seu país e pouco tempo depois, foi atacado pela onda de terrorismo que foi levantada na Europa com os atentados em França. 

E é aqui que eu até consigo perceber o facto de este referendo ter de se vir a realizar. O Reino Unido quer fechar as suas portas e proteger-se o melhor possível. É completamente compreensível. Mas como sempre, não é justo uns pagarem pelos erros dos outros. Eu não estou aqui a fazer mal nenhum a ninguém. Nem estão os outros milhares de estudantes e jovens que vieram para aqui na tentativa de construirem um futuro melhor para eles próprios.

Não só nós jovens como famílias inteiras que se instalaram aqui no Reino Unido e que já cá estão à muitos anos, já chamando a este país a sua casa. E agora pergunto: se os resultados do referendo forem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, o que vai acontecer a estes milhões de jovens, famílias, HUMANOS que não têm forma de voltarem para os seus países e fazerem lá as suas vidas?

Ou, não apontando para o facto de termos de ser obrigados a deixar o país, quem é que vai ajudar estes milhões de pessoas a arranjarem vistos para poderem permanecer cá, uma vez que os mesmos são bastante dispendiosos e a maioria de nós (falando agora só dos jovens estudantes) já se vê apertado só para conseguir pagar a renda e as outras contas essenciais?

E durante o tempo que temos de estar à espera para que ditos vistos sejam aprovados (sim, porque demora tempo), muitos de nós podemos até perder os nossos empregos por nos encontrarmos numa situação meia ilegal.

Acho que é díficil para os não imigrantes verem as coisas desta forma, porque o povo de cá é bastante snobe e mimado. E não me interessa se ofendo A ou B ao escrever estas palavras, é a mais pura das verdades e eu estou no meu direito de o dizer após quase 7 meses de vivência e convivência neste país.

Porque lá está, os não imigrantes têm cá as suas famílias, os seus pais que lhes pagam tudo, que lhes dão tudo e que os ajudam em tudo. No nosso caso, ninguém nos ajuda com as nossas contas ou se oferece para pagar por nós. Nós somos os empregados mais trabalhadores que este país tem, e porquê? Porque nós precisamos de empregos para sobreviver. Um trabalho aqui para nós não é apenas um passatempo ou algo que nós encontramos para fazer durante 3 dias da semana para não termos tanto tempo livre, quando não estamos nas aulas. Nós não vimos para cá brincar ou andar aos tiros, apesar de haver sempre as ovelhas negras em todo o lado.

Mas lá está, as ervas daninhas existem em todos os jardins, mas há sua volta existem flores que só querem é crescer em paz, sem perturbar ninguém. E não é justo que essas flores inofensivas sejam arrancadas com as ervas daninhas só porque estas são prejudiciais.

E como é que se separa o gado, perguntam-me sempre quando eu digo isto. Pois, é aí que eu encravo e que volto a perceber o ponto de vista dos não imigrantes. Porque como ser humano, somos ensinados a generalizar. E se um fez mal, isso significa que a probabilidade de o outro ir fazer igual ou pior é grande porque a realidade é que vivemos num mundo de gente louca.

Mas neste mundo de gente louca existe gente não tão louca, como eu, que só quer é um sítio onde possa ganhar dinheiro e estudar sem ter de andar a dar o corpo nas ruas.

É triste, mas não sei de que outra maneira o dizer. 

Pessoalmente, estou assustada com o que vai resultar desta situação. Não quero ter de voltar para Portugal. Não quero ter de pagar 300 libras por um visto que me vai demorar um ano ou mais tempo a ser aprovado. Não quero, nem posso perder o meu emprego porque já chorei, sangrei e suei muito para chegar onde estou. 

Não é justo. E eu não lido bem com injustiças. Mas neste mundo é só com isso que lidamos, cada vez mais, a cada dia que passa.

Talvez os resultados até surpreendam. Talvez os não imigrantes até tenham dois dedos de testa e pensem nas pessoas que estão aqui, não para fazer mal a ninguém, mas simplesmente para viver.

Porque nós não somos todos terroristas. Ou refugiados. Ou pessoas de más intenções. Por muito que as pessoas não acreditem, esses são a minoria.

Nós somos a maioria. Por isso acho que as maiorias se deviam apoiar umas às outras e não o contrário. 

Espero não ser a única.

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