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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

16
Out14

A ver vamos

alex

A vida não é justa. Não é fácil. Não sorri a toda a hora, todos os dias, para nós. Prega-nos partidas e faz-nos rasteiras. Caímos de boca e até somos capazes de partir um quantos ossos. Fartamos-nos de ganhar nódoas negras e cicatrizes que ficam para sempre, todas elas contando uma história diferente.

A vida não é justa. Não é fácil. Ás vezes parece que estamos a ir numa direcção - na certa - e quando damos por nós ZÁS! A vida empurra-nos para uma direcção completamente oposta e não tão boa como a anterior. A vida é uma montanha-russa - a maior de todo o Universo.

A minha viagem neste momento está a ser atribulada, daí andar um bocado ausente nestes últimos dias...

A vida não é justa. Não é fácil.

E hoje, principalmente, está a ser bem má para mim e a testar-me. Ela gosta de fazer isso mais vezes do que as necessárias.

Mas a ver vamos...

15
Set14

Regressar

alex

Como boa irmã mais velha que sou, hoje fiz questão de me levantar de manhã bem cedo para ir à apresentação da minha irmã. A criatura começa amanhã uma nova etapa da sua vida e eu estou mais preocupada que ela.

Aliás, nós somos os únicos que estamos preocupados - a criatura quer é que chegue o dia 22 de Setembro porque já não consegue esperar pela segunda temporada da Violetta...

Só assim vêm o porquê de eu estar preocupada. 

A minha irmã tem nove anos. É uma autêntica criança que vai ser empurrada para o mundo real como se de um penhasco se tratasse - e eu aqui com medo que ela caia e se magoe forte e feio. Quando fui eu, há oito anos atrás, não conhecia ninguém -literalmente. Vim de uma outra cidade, para uma outra mais perto da minha casa, enquanto que todos os que estavam a entrar para o 5º ano naquela altura, já se conheciam todos porque aquela escola era do 1º ao 9º - e todos eles já se conheciam porque já lá andavam.

Para mim foi um choque autêntico mas como era uma criança diferente daquela que a minha irmã é - eu sempre fui ligeiramente matura para a minha idade - lá consegui desenrascar-me. Só que por muito desenrascada que uma pessoa seja, há sempre quem esteja pronto para se aproveitar das nossas fraquezas - naquela altura, as minhas eram a ingenuidade e a falta de tomates para falar de minha justiça (por outras palavras, deixava que me espezinhassem).

Daí o nervoso miudinho que sinto na barriga - pela criatura a que tenho o prazer de chamar irmã e que vai amanhã para o 5º ano, qual menina crescida. Tenho medo que ela passe pelo inferno que eu passei durante dois anos. Tenho medo que se aproveitem do facto de ela ainda ser muito infantil e de viver no seu mundinho Violleta. Medo que façam à minha irmã pequenina aquilo que me fizeram a mim - que a impeçam de ser uma criança, feliz e saudável. Tenho medo que a obriguem a construir muros e mais muros à sua volta para que ela se consiga proteger - o que depois faz com que ela se torne numa pessoa desconfiada e amargurada, negativa e fria (como a irmã mais velha).

Eu sei que somos todos diferentes e que há oito anos atrás as coisas não eram bem como são hoje - mas é isso que me assusta ainda mais. É que eu não sei se era mau antes ou se é mau agora - ou se é ainda pior agora do que era antes!

Claro que isto é um passo inevitável que haveria ter de ser dado a certa altura da vida dela, mas mesmo assim, não torna tudo menos assustador.... Para mim, lá está, porque ela está agora confortavelmente na sua cama a ver o Disney Channel sem uma única preocupação no mundo.

Mas por um lado, ainda bem que está. Deixem que os nervos sejam todos meus e que ela amanhã comece esta nova etapa com o coração livre de palpitações e um sorriso acriançado nos lábios.

Porque apesar de ela ser uma peste autêntica e de eu ser, mais vezes do que aquelas que gosto de admitir, dura para com ela dizendo que "Tens de crescer, tens de deixar de ser tão criancinha, já vais ter outro tipo de responsabilidades, blá blá blá" - apesar disto, continuo a querer, bem cá no fundo do meu coração, que ela seja só e apenas uma criancinha.

A minha pequenina criatura; o meu bichinho do mato.

Custa vê-la crescer e tenho mais medo por ela do que tive na altura por mim.

E a minha mãe já nem sequer tem estas preocupações porque já passou por isto comigo - mas para mim é tudo novo. Este sentimento de querer que eles cresçam porque, sinceramente, há que pensar em outras coisas para além do Leon e do Tomas (personagens da Violetta), mas ao mesmo tempo querer que eles parem de avançar na vida e que permaneçam os nossos bebés para todo o sempre.

É esquisito.

E é por isto que ter filhos não está, de forma alguma, na minha lista de prioridades na vida.

25
Jul14

Momentos eternos

alex

"-Já alguma vez desejas-te que o tempo parasse? Só durante um bocado? Num momento específico? - Deixei de contemplar o céu estrelado para olhar para ele.

-Não. - Ele responde simplesmente, sem nunca olhar para mim.

-Não? Porquê?

-Qual é o objectivo disso? - Sorrio e dou-lhe um empurrão no ombro. Finalmente, ele olha para mim.

-Então...preservar um momento. Ou fazê-lo durar mais tempo. Eternizá-lo.

-Nada é eterno.

-Eu sei.

-Então se sabes... - Ele não termina a frase, porque eu viro-me para ele e fulmino-o com o olhar.

-Não é isso! Nunca desejas-te prolongar um momento em que te tenhas sentido...feliz? Verdadeiramente feliz? Onde tenhas sentido que tudo estava perfeito? Não existia fome, guerra, doenças, dívidas, problemas familiares... Naquele momento em que sentias infinito? Intocável? Cheio de paz e amor dentro de ti? Nunca quiseste parar esse momento para te poderes sentir assim...para sempre?

-Para sempre? Isso é muito tempo. Provavelmente acabava por me cansar. - O seu sorriso matreiro ilumina-lhe o rosto e os nervos afloram-se-me à pele.

-És impossível! - Volto a virar-me de frente para o rio, os braços cruzados sobre o peito e um beicinho que faria inveja a qualquer criança de cinco anos. Ele solta uma gargalhada e isso só serve para me enervar ainda mais. 

-És tão parvinha! - Ele coloca o braço sob os meus ombros e puxa-me para si. Eu faço força contra o seu peito, numa tentativa vã de o afastar, mas como ele é mais forte e mais teimoso do que eu, falho redondamente e acabo por me deixar ficar envolvida pelo seu meio abraço.

-O que eu quis dizer foi... Se vivermos sempre no mesmo momento; se sentirmos para sempre os mesmos sentimentos... a Vida deixa de fazer sentido. A Vida é para ser repleta de momentos felizes e tristes; bons e maus; momentos banais e momentos marcantes; repleta de constante mudança, e é natural haverem momentos menos felizes, menos bons; momentos que não queres eternizar - e precisamos deles, como seres humanos, para aprender, para crescer, para construirmos uma base sólida e termos força para o que ainda está para vir. Mas se pudéssemos realmente parar o tempo nesses tais bons momentos e viver neles para sempre... Nunca teríamos a oportunidade de descobrir se existem outros melhores.

-E se não houver melhor?

-Há sempre mais e há sempre melhor, desde que estejas disposta a descobrir. Às vezes pensamos que nenhum momento pode superar o outro. Mas olha, queres saber um segredo? - Ele faz uma pausa no seu discurso e eu vejo-me obrigada a responder-lhe e abano a cabeça para cima e para baixo.

-Cada momento que eu passo contigo é melhor que o anterior. - Um sorriso muito matreiro surge nos seus lábios quando me vê torcer o nariz.

-Blhac!!! Que grande lamechice! - Ele solta uma outra gargalhada.

-Tu é que és impossível! - Diz com o riso ainda presente na voz.

-Por isso é que estamos bem um para o outro. - Corre uma leve brisa nocturna e eu aconchego-me mais nele, enterrando a cabeça no seu peito.

-Somos os dois impossíveis.

-E por isso é que esta relação é possível.

Sinto o toque dos seus lábios no topo da minha cabeça e um sorriso cresce-me nos lábios."

Queremos sempre eternizar os momentos em que nos sentimos plenamente felizes, porque vivemos em constante receio; medo de não virmos a sentir o mesmo outra vez.

Mas esquecemo-nos de que a vida é feita de momentos . E porque a Vida é feita deles, vai sempre haver mais depois daquele que queremos eternizar. E há-de ser melhor e há-de ser pior.

Mas isso é o que faz da Vida, a Vida.

No entanto, se guardarmos cada momento bom dentro de nós, eles serão sempre eternos, até nós o deixarmos de ser.

Não é preciso parar o tempo.

É preciso saber aproveitá-lo.

10
Jul14

13

alex

Uma vez disseram-me que não se pode ter saudades daquilo que nunca se teve. Já não sei quem me o disse ou porque o disse, mas ficou.

E acho que hoje essa frase se encaixa em mim (e na minha vida) na perfeição. 

Nunca tive avô paterno. Ele morreu ia eu fazer os seis anos. Só tenho memórias da minha existência a partir do segundo ano, mais ou menos. Tudo o que está para trás disso, é como se não tivesse existido. Por isso, para mim, é como se nunca tivesse conhecido o senhor que todos dizem ter-me tratado por "Carochinha".

Mas a verdade é que hoje, que fazem 13 anos que faleceu, senti...algo. Não sei se foi saudade, porque lá está, não posso ter saudades do que nunca tive. Mas senti tristeza. Senti, acima de tudo, um grande vazio dentro de mim. Porque, para todos os efeitos, eu nunca conheci o senhor meu avô. Conheço-o como se conhecem as personagens de um livro ou as das histórias que a mãe nos contava quando éramos pequenos. Sei o que sei sobre ele porque me o contam; sei o que sei sobre nós, porque me o dizem. Mas na realidade não sei nada, no que toca a ele.

Sei que não tenho saudades. Não posso ter não é? 

Mas tenho uma tristeza dentro de mim, que hoje veio ao de cima por ser o dia em que ele faleceu. Tristeza por não ter tido a oportunidade de o conhecer. De não ter tido oportunidade de criar memórias que hoje pudesse lembrar. De não saber como ele era, como pessoa, como pai, como marido, como avô. De não saber como soava a sua voz, ou de como soava a sua gargalhada. De não puder ter ouvido da sua boca aquilo que oiço da boca de todos os outros que me contam como ele costumava chamar-me aquele nome carinhoso; o que deu origem à tatuagem que hoje tenho na minha perna esquerda.

Tenho esta tristeza imensa de estar a puxar pela cabeça e de não me lembrar de absolutamente nada. Sei que ele era careca, que tinha olhos azuis que eu não herdei, um bigode igualzinho ao do meu pai, mas mais branquinho. Uma barriguinha gorda onde (dizem) eu me costumava sentar. Sei isto porque tenho a fotografia dele aqui, na minha secretária, há já tanto tempo que às vezes até penso que veio com ela.

Mas não sei mais do que isso. E eu queria mais.

Queria poder saber tudo o que sei sobre ele (e mais) por mim. Porque pude conhecê-lo, verdadeiramente, porque pude partilhar com ele mais do que cinco anos de vida, dos quais nem sequer me recordo.

Não sinto raiva da Vida, ou de um Deus em que não acredito, ou do curso natural das coisas. Mas pergunto-me se tudo seria diferente se ele ainda hoje cá estivesse. Será que este lado da minha família nunca teria deixado de ser próximo, como deixou de o ser nos últimos 3 anos? Será que a minha vida seria diferente? Será que eu seria diferente?

Então hoje, sentada no sofá da sala sozinha, reflecti em tudo isto. E depois chorei.

Não de saudade, porque não posso ter saudade do que nunca tive.

Mas sim de tristeza porque nunca o cheguei a ter.

O meu avô; aquele que me tratava por "Carochinha" (segundo me dizem).

09
Jul14

Explosão

alex

Ás vezes questiono se serei má pessoa. Ou melhor, se naquele determinado momento fui má pessoa. Quando cometi aqueles tremendos erros que ainda hoje, por vezes, me atormentam.

Costumasse dizer que se cometemos erros, isso não faz de nós más pessoas, faz de nós humanos. Mas há erros e erros não é verdade?

Ora não estou a falar daqueles erros que muitos cometem em que alguém perde uma vida; às vezes nem sei ao certo se isso são erros ou não, mas isso é conversa para outro dia.

O que eu quero dizer é... será que os erros que cometemos no passado fizeram de nós pessoas menos boas? Menos...nós? Porque só eu sei como andava completamente fora de mim naquela altura. E podia culpar as circunstâncias ou as pessoas pelas quais me rodeava, mas a verdade com a qual hoje tenho de viver (em conjunto com o peso dos erros que ainda hoje carrego aos ombros) é que a culpa foi só minha.

E por vezes essa culpa volta para me assombrar. E aí questiono-me.

Serei má pessoa? Ou menos boa pessoa?

Serei menos humana por ter praticado acções que tiveram, muito provavelmente, consequências na vida de outros? O pior é isso. É eu já não ser essa pessoa mas ainda ter de viver com as memórias dela; com os sentimentos de culpa dela; com as suas acções e com as consequências dela.

Porque por muito que eu queira, há coisas que não se esquecem e não me digam que o tempo ajuda a esquecer e que se quisermos conseguimos esquecer; isto não é sobre um namorado ou sobre um coração partido (pelo menos nenhum dos meus). Isto é daqueles fantasmas que nós não conseguimos simplesmente fazer com que passem para o outro lado; com que atravessem a luz branca sabem?

E eu sou boa a viver com as memórias e com os erros da rapariga que outrara fui...mas há momentos em que não sou tão boa assim.

E a questão é mesmo essa: serei mesmo boa? Boa pessoa, boa humana, boa no sentido verdadeiro da palavra? 

Talvez a pessoa menos boa seja a rapariga que cometeu os erros e não aquela que hoje ainda tem de viver com o peso deles às costas. Mas não são elas as duas a mesma pessoa?

Terei eu mudado verdadeiramente ou será que se eu hoje, fosse posta perante as mesma situações, faria exactamente o mesmo?

E se sim, isso já faria de mim a pessoa má ou menos boa que eu tenho tanto receio de ser?

Meu Deus, a minha cabeça vai explodir. E as vossas também, provavelmente.

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