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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

13
Mai15

Uma história de amor

alex

Vou-vos contar uma história de amor, daquelas muito mas mesmo muito românticas, em que as duas personagens principais não conseguem viver uma sem a outra durante muito tempo.

Então aqui vai:

Era uma vez uma menina de dez anos que brincava no parque com dois dos seus amigos. Era primavera, oh que bela eram as árvores dançando ao sabor do vento, os risos das crianças a brincar a única coisa mais bonita que essa dança.

A menina decide pendurar-se de cabeça para baixo nas escadas do escorrega - ela disse que queria ver o sangue subir-lhe à cabeça. E naquele momento, foi amor à primeira vista - PIMBAS!

A criança cai no chão e no processo racha o osso do tornozelo direito. 

Assim começa uma relação intemporal entre a rapariga e o(s) Chão(s).

A menina anda de muletas durante um mês, com direito a gesso e pé de meia elástico - mas quem diz que o amor dói não mente! O dela era bastante doloroso!

Uns anos depois, a menina já crescida, resolve matar saudades do seu primeiro amor - não vai de modas e desta vez, dá-lhe um abraço dos grandes! Vai de queixo ao chão e quase morre de ataque de pânico à pala disso.

É levada para o hospital, dão-lhe oxigénio porque para além do queixo esmurrado e a sangrar por tudo o que é sitio, ela estava com falta de ar - foi um encontro tão repentino e breve com o seu amor, que ela até deixou de saber fazer a mais básica das coisas, que é respirar, vejam só!

Desta vez não rachou nem partiu nada - o amor ainda dói.

Um ano depois desse incidente, a saudade bate outra vez. Na hora de almoço, lá vai ela ao Continente para comprar umas coisinhas quando, de repente, o amor chama-a e ela não vai de ignorar - PUMBA!

Torce o pé e dá um beijinho ao chão, o seu grande amor.

Ainda bem que ela guardou o pé de meia elástico estes anos todos! 

Não há amor como este. Dói tanto que eu até choro. Porquê?

PORQUE SOU EU. EU PASSO A VIDA NISTO. AGORA ESTOU AQUI QUE NEM POSSO COM DORES NO PÉ E PAREÇO UMA ANORMAL A ANDAR. ARRANJEM-ME UMA DAQUELAS BOLAS ENORMES DE PLÁSTICO PARA EU ME ENFIAR LÁ DENTRO SE FAZ FAVOR!

Peço desculpa pelo Caps Lock, mas era necessário. Este amor já me chateia. 

Quem diz que o amor dói e que não se escolhe quem se ama não podia estar mais certo.

Mas querido Chão, encontremos-nos só quando eu cair para a minha morte, pode ser? É que eu preciso dos meus membros inferiores (e superiores) para viver!

Assim não dá amor!

27
Abr15

The first

alex

Acabei ontem de ver uma série cujo tema principal era os primeiros amores. A história acontecia à volta de um grupo de amigos que se conheciam desde sempre, e mais objectivamente à volta das duas personagens principais, rapaz e rapariga, que cresceram juntos.

Foram criados juntos porque os pais de ambos eram amigos de há muitos anos e eles cresceram habituados um ao outro. Foram os melhores amigos, depois foram o primeiro amor um do outro, depois estiveram separados cerca de seis anos e depois reencontraram-se e os sentimentos ainda lá estavam, um por um, sem tirar nem pôr.

Dizer que a série me fez pensar muito sobre a minha própria experiência é dizer pouco. 

Tal como as personagens principais, eu e ele crescemos juntos. Tal como as personagens principais, os nossos pais são amigos há imensos anos. Tal e qual como as personagens principais, estamos agora muito tempo sem nos ver.

Mas a verdade que eu evito admitir, tanto aos outros como a mim mesma, é que passe o tempo que passar, aconteça o que acontecer, basta estar na presença dele mais uma vez para o meu coração disparar. Para o meu estômago se contorcer, para as palmas das minhas mãos suarem.

Não há nada nem ninguém como o nosso primeiro amor. Já lá vão quase dois anos desde que o meu me fugiu por entre os dedos, mas quem diz que o tempo cura e sara tudo, mente.

Porque não há tempo ou espaço que cure a tristeza de um primeiro amor falhado. Podem vir outros, mas a verdade é que nenhum vai ser como aquele que nos fez sorrir pela primeira vez, chorar pela primeira vez, amar pela primeira vez.

A série em questão, fez-me acreditar durante uns momentos que de facto, os primeiros amores acabam por ganhar - não importa se os indivíduos em questão estão dois, três, seis anos sem se falarem ou verem, porque no fim, o coração não sabe contar.

Depressa me desfiz de tais pensamentos, porque sei que a vida real é bastante diferente. Ás vezes, as pessoas que queremos ao nosso lado, não são as que merecem esse lugar. Demorei muito tempo a perceber que o meu primeiro amor errou comigo, connosco. Demorei muito tempo a aprender a viver bem sem o meu primeiro amor. Demorei algum tempo a ver a pessoa que eu mais amei com outra e a não sentir um acesso de raiva por isso. Demorei muito tempo a aceitar o facto de que o meu primeiro amor não vai ser o meu último.

Infelizmente, não temos isso em comum com as personagens principais da série. 

Ainda não amei mais ninguém depois dele. Ainda não consegui ter mais ninguém depois dele. Não porque ainda o ame, mas porque ainda não apareceu ninguém capaz de me fazer esquecer o quanto eu o amei.

Não sei se algum dia isso irá acontecer. Mas entretanto, a minha vida amorosa não passa de amores platónicos por actores e cantores - e por agora, estou de bem com isso, porque a minha prioridade neste momento é conseguir voltar a estudar e ir fazê-lo para Londres.

Os primeiros amores são os que marcam, dizem eles. E eu digo que eles não marcam, só - eles marcam, vincam-se em nós e deixam cicatrizes maiores que o amor que nutrimos pela pessoa em questão.

São essas que finalmente nos fazem ver com clareza.

06
Abr15

Com o passar das estações

alex

Espero que tenham todos tido uma óptima Páscoa! Pessoalmente, a minha não foi nada de outro mundo.

Para mim, estes feriados religiosos só servem para eu estar com a minha família, para além dos meus pais e irmã. É como os aniversários e as outras celebrações - para mim só têm significado porque tenho oportunidade de estar com pessoas que eram o meu mundo.

Mas os tempos mudam, e as pessoas também. Cada vez mais me tenho convencida que a minha família do coração vai ser sempre - e somente - os meus pais, a minha irmã e os meus avós. Porque o resto já está tudo muito longe do meu coração para ser a família do coração. Agora são mais só a família de sangue do que outra coisa.

É incrível como os nossos sentimentos para com alguém podem mudar ao longo do tempo. Há uns anos atrás, a minha família era o meu mundo; a minha rocha; o meu suporte. Eu sabia que podia-me acontecer de tudo, mas que eles estariam lá para mim fosse pelo que fosse.

Hoje essa certeza já não o é. Não duvido que eles gostem menos de mim ou eu deles - mas agora estamos todos crescidos, todos têm as suas vidas, os seus horários, os seus compromissos e a fossa que se foi abrindo à uns anos, está maior do que nunca.

Primos com quem cresci, que foram como irmãos. Que me fizeram chorar mas que limparam as minhas lágrimas. Que me fizeram rir com anedotas parvas, truques de magia fascinantes (e que ainda hoje não sei como se fazem) e aventuras por demais.

Tios com quem ia de férias no Verão, com quem partilhava segredos, com quem ria e brincava. Padrinhos com quem fazia o mesmo e muito mais.

Estamos todos tão perto uns dos outros, e no entanto, nunca estivemos tão longe. Literalmente, os meus tios moram aqui, a dez minutos de minha casa e eu nunca lhes ponho a vista em cima. Não é por falta de tempo - é por falta de vontade.

Pronto, está dito. É mau de se dizer, não é? Que já não há vontade de estar com aqueles que são do nosso sangue? Que nos ajudaram a crescer e que, de certa forma, contribuíram para formar a pessoa que eu sou hoje - mas a verdade é esta. Quando estou com o lado da mãe da família - tios e primos - estou contente, é agradável e ainda rio aqui e ali. Mas as diferenças estão lá, palpáveis se eu apenas estender a mão na direcção errada. Quando estou com o lado do pai da família - padrinhos e primo - é como se já não houvesse razões para os apelidar de tal. Há meses que passam sem nos falarmos uns com os outros e quando nos vemos, não há aquele interesse em partilhar a nossa vida com eles. Não quero dizer-lhes que me estou a candidatar à faculdade em Londres. Não quero dizer-lhes que às vezes me sinto muito sozinha, desgastada, fraca. Não quero dizer-lhes que daqui a uns bons meses, sou bem capaz de me ir embora. Não quero partilhar a minha vida com eles. Já não há aquela abertura para partilhar com eles parte de mim.

Cada vez mais acredito que família não é somente partilhar o mesmo ADN; que a família verdadeira não tem de ser a de sangue.

A família pode, de facto, ser escolhida por nós - não à nascença, mas há medida que vamos crescendo e formando e quebrando laços. Porque se há coisa que eu posso provar é que há laços aparentemente inquebráveis que, apenas com um toque bem dado, podem quebrar.

Entristece-me que assim seja, que eu estando aqui agora, não haja mais aquela proximidade que antes havia. Tudo o que resta das nossas relações, desta família que eu costumava ter e adorar, são as memórias. E essas, até o tempo me as vai levando.

Mas eu gosto de pensar que tenho crescido um pouco neste último ano. Que aos poucos, vou aprendendo não a conformar-me, mas a aceitar que há coisas pelas quais valem a pena lutar e outras que são melhor deixadas para trás.

Eu estou hoje numa luta que me deixa ver com clareza aqueles que estão lá para mim e os que não estão. A vista diante de mim pode não ser a mais bonita ou preenchida, mas de certa forma, actualmente, é a vista que eu preciso de ver para me dar aquela extra força.

O resto, é tudo gotas de água que escorrem pela janela abaixo nos dias de chuva e que, inevitavelmente, vão desaparecendo com o passar das estações.

31
Mar15

Não sei

alex

Não sei de onde vem esta minha capacidade - de amar tanto e, de no entanto, ter tanto medo de amar.

Não sei de onde vem esta minha capacidade de estender a mão, mesmo quando não me a pedem e de no entanto, recear dar o braço quando me pedem mais.

Não faço ideia de onde vem esta minha capacidade de chorar tanto e de no entanto, de rir ainda mais.

Não sei, sinceramente, de onde vem a minha força para continuar, quando sei que ela não provém de ninguém exterior, uma vez que cada vez que olho para o lado, não está lá ninguém.

Mas sei que sou assim. E sei que não pareço ser assim para aqueles que me não conhecem e por vezes, também para aqueles que conhecem. 

Não sei de onde vem esta minha capacidade de me esconder e, de no entanto, me mostrar para quem esteja realmente atento.

Não sei. Mas sei que há que continuar. Porquê? Não sei.

Só sei que tem de ser.

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