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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

11
Mar15

The Mistery Of

alex

Sempre que sei que o vou ver, a primeira pergunta que me vem à cabeça é sempre a mesma:

"Será que ele ainda namora com a outra?"

E o pensamento que se segue à pergunta é sempre igual:

"Não devia de me interrogar sobre isso."

Hoje, enquanto procurava inspiração para desenvolver a história que comecei há pouco tempo, encontrei um livro no Wattpad (muito bom site, boa app, bons livros para quem gosta de certas e determinadas leituras) que continha uma frase que me prendeu. Não sei ao certo porquê - ou talvez saiba e seja uma daquelas vezes em que o meu subconsicente sabe mais do que o meu consciente - mas a verdade é que a frase me deixou ali um bom tempo a olhar para o ecrã do computador, a pensar - algo que evito fazer ao máximo no que toca aos mais variados assuntos.

A frase vem no contexto de os protagonistas estarem a falar sobre a última obra de Charles Dickens. A rapariga diz para o rapaz: "Não há um fim, ele não o acabou" - ao qual o rapaz responde: "Há sempre um fim."

Isto traduzido, visto que o livro em questão é em inglês. E por alguma razão aquela frase mexeu comigo.

O rapaz da história em questão tem razão. Há sempre um fim, mesmo quando assim não nos parece.

Talvez o facto de eu ainda me questionar acerca da vida amorosa de quem vida amorosa não me diz respeito, seja por isso mesmo. Porque apesar deste tempo todo que já passou, ainda sinto que não houve um fim; não um que deixasse os leitores da nossa história satisfeitos.

E depois questiono-me porque será - porque é que mesmo depois de tanto tempo, ambos já com vidas completamente diferentes e no entanto, que se vão interligando ao longo do percurso separado de ambos por partilharmos mais do que um passado (partilhamos também amigos e família em comum - um presente) ainda perco tempo do meu dia a pensar em tal coisa.

Ao ler aquela passagem do livro de uma pessoa que não é escritora profissional, bateu-me. Para mim, nunca vai parecer que houve um fim, porque ao relembrar-me do final, esse vai sempre parecer-me ter sido deixado em aberto; como se de uma promessa silenciosa se tratasse.

Não podemos estar juntos - mas não quer dizer que não queira.

Devemos ficar só amigos - mas não quer dizer que um dia não possamos voltar a ser mais do que isso outra vez.

Amo-te, mas agora não é o momento certo - o que não quer dizer que daqui a dois anos não o seja.

A nossa história vai ser sempre como o livro inacabado de Charles Dickens - The Mistery of Edwin Drood - e eu vou ser sempre aquela que diz: "Não há um fim, ele não o acabou" e os outros serão sempre a voz que oiço sem querer, a dizer: "Há sempre um fim."

05
Fev15

De olhos fechados, vejo

alex

Dou por mim de olhos fechados a ver tudo com clareza.

Vejo, a cada dia que corre, perder-me das pessoas que julguei nunca abandonar.

Vejo, a cada hora que passa, o passado a correr atrás de mim, a tentar apanhar-me e mandar-me mais uma vez abaixo ou até mesmo, deixar-me sem chão por onde possa correr; fugir.

Vejo, a cada minuto contado, como eu mudei e em como continuo em permanente mudança.

Vejo, a cada segundo perdido, que vivi a minha Vida para os outros.

Já chega desta cegueira. De olhos abertos vejo menos do que se os fechar - então que os feche, para que possa ver de uma vez por todas os males que me rodeiam.

Para que veja que não preciso de nenhum deles para chegar onde quero. 

Sempre caminhei melhor sozinha - de olhos abertos ou fechados, a realidade é que nunca caminhei com uma mão a segurar a minha.

Dou por mim de olhos fechados e vejo agora tudo o que não via, quando devia - mas mais vale tarde que nunca.

31
Jan15

Conversas interessantes....

alex

Com o ex:

"Então o trabalho, está a correr bem?" - Ambos sentados, eu numa ponta e ele noutra.

"Sim, e o teu?" - Fiz contacto visual, sabendo bem que é esse o meu forte - a capacidade de falar com as pessoas encarando-as directamente.

"Também. Amanhã tenho folga, fim-de-semana de dois dias." 

"Ah, que sorte. Eu vou trabalhar." - Ele sorriu, mas não era um sorriso cheio. Era um sorriso pequeno, de simpatia.

"Então e é verdade que sempre vais para Londres este ano?" - Podia jurar que a pergunta foi feita com um pouco de tristeza a acompanhar.

"É esse o plano. Sempre foi e eu sou de ideais fixas. Mas tu sabes isso." - Deixei a última parte escapar sem pensar muito bem antes de o dizer.

Durante uns momentos, fez-se silêncio (entre nós, porque à nossa volta as vozes eram mais que muitas).

Ás tantas não resisti em ser má. E fiz a pergunta que me andava a fazer comichão na orelha.

"Então e a _______ (inseri nome da actual namorada), não veio?" - Era obvio que não, visto que ela não estava lá. Mas a verdadeira pergunta estava implícita na pergunta que fiz (porquê).

"Não... ela está doente, com febre e dores de cabeça." - Vi no olhar dele preocupação e fui atingida por um ligeiro e momentâneo picar de algo.

"Ah que pena." - Disse-lhe no meu tom sarcástico, tentando conter um sorriso maldoso.

Ele olhou para mim e eu sei que ele percebeu exactamente isso - que penas têm as galinhas e que é algo que eu não nutri nem nutro pela dita cuja, doente.

Há coisas que nunca mudam, e o facto de ele me conhecer melhor que ninguém, é uma delas.

21
Dez14

Perco-me, por vezes.

alex

Por vezes perco-me. Durante umas horas, vagueio, meia cega pelas lágrimas que ameaçam despoletar dos meus olhos.

Por vezes, perco-me. Por entre as dúvidas e incertezas; os medos e as ansiedades; as memórias e os fantasmas do passado.

Perdida, deambulo. Só. Nunca sozinha, mas sempre só.

Por vezes...perco as forças. Tenho vontade de baixar os braços e perder-me, não só às vezes, mas sempre e para sempre. Por vezes não são apenas os meus olhos que choram - é a alma também.

E quando a alma chora, sentimos que não vamos conseguir parar. Recuperar.

Encontrar-nos.

Por vezes desejamos perder-nos, às vezes. Sempre. Para sempre.

 

05
Out14

O poeta é um fingidor - mas eu já não o sou

alex

Tenho um espelho no meu hall de entrada que serve também de roupeiro. Já cá está desde que nos mudámos, há 15 anos. Quando eu era pequena, digamos com seis anos, passava a minha vida sentada no hall de entrada, a falar sozinha para o espelho. Inventava histórias e mundos e pessoas que para mim não eram inventados. Era filha única e quando os meus pais não brincavam comigo, eu lá me desenrascava. Para além de ter sido sempre, uma fala-barata, sempre tive uma GRANDE imaginação. E com essa grande imaginação, veio a habilidade de fingir. Fingia constantemente que tinha uma melhor amiga chamada Sol, quando na verdade a minha melhor amiga era uma menina de etnia cigana chamada Cheila. Fingia ser mulher ao usar a maquilhagem e os saltos altos da minha mãe. Fingia estar perdida no meio do oceano, sentando-me na tampa do baú dos meus brinquedos, rodeada dos meus bens essenciais: livros. Se uma pessoa está sozinha no meio de um oceano, a única coisa de que precisa para sobreviver são livros, de acordo com a criança de seis anos que já fui. Fingia ser professora de um bando de alunos que não existia. Fingia que era uma agente secreta e que combatia o crime.

Fingia, fingia e fingia.

Isto quando tinha seis e prologou-se até aos meus dez anos, mais ou menos. Depois, passei a fingir sobre outras coisas; sobre coisas mais sérias e menos infantis.

Passei a fingir que era uma menina que mal abria a boca. Fingia que era introvertida porque queria ser invisível. Fingia para que não implicassem comigo, a menina nova que veio de uma pequena e modesta escola básica em Lisboa, para uma escola onde já todos conheciam todos, porque tinham todos andado no básico juntos. Fingia que não me importava com o facto de me chamarem nomes. Fingia ser maria-rapaz porque assim ninguém iria olhar para mim - rapazes ou raparigas. Fingia gostar de usar óculos, mesmo quando me chamavam quatro-olhos e caixa de óculos (sim, os miúdos já naquela altura eram bastante originais com os insultos *ironia*). Fingia que não chorava todas as noites e que não tinha ataques de pânico todos os dias antes de ir para a escola, porque aquela escola estava a deixar-me cicatrizes que ainda hoje carrego. 

Com treze anos, deixei de fingir. Comecei a ser eu. E por um tempo, resultou. Mas depois chegou aquela altura em que a fingida dentro de mim voltou - quando mudei de escola outra vez, desta vez para a secundária. Aquela altura das nossas vidas em que só queremos é sentir-nos incluídos. Dizem que é durante os anos de secundário que mudamos mais e que cometemos mais erros - não é assim para todos, mas para mim assim foi. Fingi ser a rapariga que gostava de ir a festas. Fingi ser a rapariga que gostava de intrigas e de brigas e de mesquinhezies. Fingi ser uma pessoa a quem hoje, ao olhar para trás, daria uma valente de uma porrada porque é daquelas pessoas que simplesmente não prestam.

Fingi e durante um ano fingi muito bem. Fingi que o facto de, aos dezasseis anos, ter de fazer de mãe e pai cá em casa não me pesava nos ombros. Fingi que não andava deprimida e com constantes ataques de ansiedade. Fingi que não gostava de um determinado rapaz. Fingi tanto que a certa altura, já não conseguia distinguir a realidade do fingimento. Já não sabia quem eu era de verdade.

E depois, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. E sofri como nunca antes tinha sofrido. E aprendi a minha lição.

E hoje, estou aqui, sem fingimentos. Esta sou eu - completa e totalmente. Há quem me odeie com um só olhar ou com uma só palavra minha - vão bugiar. Já não sou a menina que se cala quando lhe mandam. Já não sou a caixa-de-óculos que se esconde por detrás do cabelo quando lhe pisam os calcanhares - apesar de ainda usar óculos (uns muito mais giros e modernos do que os que usava na altura).

Já não preciso de fingir sabem? Cheguei aquele ponto da minha vida em que não tenho mais medo de mostrar quem sou - sou faladora, imaginativa, impulsiva, expulsiva, sarcástica, bruta. Mas sou também simpática, de sorriso e riso fáceis; estou sempre a tentar fazer os outros rir e não me importo de estender a mão aos que depois me apontam o dedo. Sou isto e muito mais.

E já não preciso de fingir.

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