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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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25
Abr16

Cravos há muitos mas...

alex

Dia do Cravo há só um e é hoje!

Apesar de estar noutro país, não posso deixar passar em branco o dia em que se celebra o inicio da democracia no nosso país. Na minha opinião, ainda é uma luta que se trava todos os dias, essa a de termos mais liberdade, mais igualdade e mais justiça tanto em Portugal como pelo mundo fora, mas muitos progressos já foram feitos.

Como diz um dos meus professores cada vez que entregamos um rascunho dos nossos trabalhos: "It's a work in progress" e esta luta travada no dia 25 de Abril de 1974 é também ainda um trabalho em progresso.

Mas é graças a essa luta travada e ganha nesse dia que hoje tenho o privilégio de estar onde estou. 

Obrigada. Aos que lutaram na altura e, aos que ainda continuam a lutar, força porque se eles conseguiram em 1974, nós com certeza que também iremos conseguir em 20 mil e qualquer coisa.

23
Fev16

Sobre o referendo

alex

Toda a gente já está a par desta grande notícia que é o referendo que vai ter lugar aqui no Reino Unido no dia 23 de Junho.

Andei durante uns bons dias a remoer no assunto, a tentar perceber todos os lados da situação, incluindo o meu. O assunto andou aqui às voltas e às voltas, foi discutido com os colegas de casa, com os colegas da universidade, com os colegas do trabalho e a conclusão a que chego é só uma, e diria que bastante influenciada pelo facto de eu própria ser uma imigrante - é injusto.

Tentei ver e julgar a situação do lado dos britânicos. Tentei ver e julgar a situação do lado dos imigrantes. Até tentei ver e julgar a situação do lado dos refugiados. Mas no final, sou influenciada pela minha situação pessoal, porque afinal de contas, sou apenas humana (e se calhar é por isto que a cada dia que passa me apercebo mais que não fui feita para ser jornalista, mas isso é outra conversa para outro dia).

Não é justo por várias razões. Não é justo porque eu não vim para aqui ilegalmente. Não vim para aqui roubar nada a ninguém, seja dinheiro, emprego ou casa. Vim para aqui com uma missão muito simples (na teoria), a de construir uma vida melhor para mim. Assim como eu, milhares e milhares de outras pessoas o fizeram pela mesma razão.

É certo que outras nem tanto. E agora sim, vou tocar na ferida e falar dos refugiados e do terrorismo. A meu entender, esta situação gerou-se e chegou a este ponto por causa da situação dos refugiados e dos ataques de terrorismo recentes. Posso estar errada, ou não, mas a minha opinião é esta. A verdade é que o Reino Unido neste último ano foi inundado com refugiados a tentarem fugir do seu país e pouco tempo depois, foi atacado pela onda de terrorismo que foi levantada na Europa com os atentados em França. 

E é aqui que eu até consigo perceber o facto de este referendo ter de se vir a realizar. O Reino Unido quer fechar as suas portas e proteger-se o melhor possível. É completamente compreensível. Mas como sempre, não é justo uns pagarem pelos erros dos outros. Eu não estou aqui a fazer mal nenhum a ninguém. Nem estão os outros milhares de estudantes e jovens que vieram para aqui na tentativa de construirem um futuro melhor para eles próprios.

Não só nós jovens como famílias inteiras que se instalaram aqui no Reino Unido e que já cá estão à muitos anos, já chamando a este país a sua casa. E agora pergunto: se os resultados do referendo forem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, o que vai acontecer a estes milhões de jovens, famílias, HUMANOS que não têm forma de voltarem para os seus países e fazerem lá as suas vidas?

Ou, não apontando para o facto de termos de ser obrigados a deixar o país, quem é que vai ajudar estes milhões de pessoas a arranjarem vistos para poderem permanecer cá, uma vez que os mesmos são bastante dispendiosos e a maioria de nós (falando agora só dos jovens estudantes) já se vê apertado só para conseguir pagar a renda e as outras contas essenciais?

E durante o tempo que temos de estar à espera para que ditos vistos sejam aprovados (sim, porque demora tempo), muitos de nós podemos até perder os nossos empregos por nos encontrarmos numa situação meia ilegal.

Acho que é díficil para os não imigrantes verem as coisas desta forma, porque o povo de cá é bastante snobe e mimado. E não me interessa se ofendo A ou B ao escrever estas palavras, é a mais pura das verdades e eu estou no meu direito de o dizer após quase 7 meses de vivência e convivência neste país.

Porque lá está, os não imigrantes têm cá as suas famílias, os seus pais que lhes pagam tudo, que lhes dão tudo e que os ajudam em tudo. No nosso caso, ninguém nos ajuda com as nossas contas ou se oferece para pagar por nós. Nós somos os empregados mais trabalhadores que este país tem, e porquê? Porque nós precisamos de empregos para sobreviver. Um trabalho aqui para nós não é apenas um passatempo ou algo que nós encontramos para fazer durante 3 dias da semana para não termos tanto tempo livre, quando não estamos nas aulas. Nós não vimos para cá brincar ou andar aos tiros, apesar de haver sempre as ovelhas negras em todo o lado.

Mas lá está, as ervas daninhas existem em todos os jardins, mas há sua volta existem flores que só querem é crescer em paz, sem perturbar ninguém. E não é justo que essas flores inofensivas sejam arrancadas com as ervas daninhas só porque estas são prejudiciais.

E como é que se separa o gado, perguntam-me sempre quando eu digo isto. Pois, é aí que eu encravo e que volto a perceber o ponto de vista dos não imigrantes. Porque como ser humano, somos ensinados a generalizar. E se um fez mal, isso significa que a probabilidade de o outro ir fazer igual ou pior é grande porque a realidade é que vivemos num mundo de gente louca.

Mas neste mundo de gente louca existe gente não tão louca, como eu, que só quer é um sítio onde possa ganhar dinheiro e estudar sem ter de andar a dar o corpo nas ruas.

É triste, mas não sei de que outra maneira o dizer. 

Pessoalmente, estou assustada com o que vai resultar desta situação. Não quero ter de voltar para Portugal. Não quero ter de pagar 300 libras por um visto que me vai demorar um ano ou mais tempo a ser aprovado. Não quero, nem posso perder o meu emprego porque já chorei, sangrei e suei muito para chegar onde estou. 

Não é justo. E eu não lido bem com injustiças. Mas neste mundo é só com isso que lidamos, cada vez mais, a cada dia que passa.

Talvez os resultados até surpreendam. Talvez os não imigrantes até tenham dois dedos de testa e pensem nas pessoas que estão aqui, não para fazer mal a ninguém, mas simplesmente para viver.

Porque nós não somos todos terroristas. Ou refugiados. Ou pessoas de más intenções. Por muito que as pessoas não acreditem, esses são a minoria.

Nós somos a maioria. Por isso acho que as maiorias se deviam apoiar umas às outras e não o contrário. 

Espero não ser a única.

19
Nov15

Estrondo

alex

No meio da correria que é a minha vida, hoje consegui finalmente parar um bocado para pensar sobre muita coisa. Tive tempo de descansar o corpo e de simplesmente pensar.

Os acontecimentos dos últimos dias têm deixado o mundo à flor da pele. Eu acompanhei as notícias dos ataques em Paris, até porque discutimos o acontecimento no meu módulo de jornalismo. Mas só hoje tive tempo e cabeça para pôr os meus pensamentos por escrito.

Eu moro em Londres, mais ou menos a meia hora do centro, se apanhar o metro, uma hora se apanhar o autocarro. É nesta cidade que moram todos os tipos e feitios de pessoas. Todas as raças, religiões e pessoas estão cá. Na terça-feira estava no meu módulo de escrita creativa quando vejo esta noticia. E fiquei a pensar...fiquei dividida... terá sido o medo que o levou a fazer tal coisa? Ou apenas racismo puro? Ou ambos?

Mas é isto gente. É isto que eu não consigo ver e calar. É o "pelo que um ou dois fazem, pagam todos" que me deixa em alvoroço. Eu percebo o medo. Eu percebo a aversão que se possa ganhar a certas religiões por causa destes acontecimentos. Eu entendo. Mas não entendo que crucifiquem uma religião ou raça inteira pelos erros de um bando de terroristas que não sabem nada da vida para além da morte. 

É triste. É triste eu ir trabalhar todos os dias para o centro comercial e ter medo que alguém mande aquilo ao ar porque seria um bom sítio para começar em Londres. É muito triste eu ir passear ao centro de Londres para ver as luzes de natal e de vez em quando olhar à minha volta a analisar as pessoas que me rodeiam, a pergunta na minha mente sempre presente: será que é aquele que vai fazer explodir esta gente toda?

Mas isso não significa que possamos tornar-nos selvagens e desumanos como os que praticam actos de tamanha violência como o praticado em Paris. Não nos podemos deixar levar para o lado negro. Nem todos os islâmicos são terroristas. Assim como nem todos os refugiados da síria são ingratos ou rudes. Eu sei que com tudo isto que tem acontecido, é díficil separar os bons dos maus - então vai tudo.

Mas é tão errado como matar 129 pessoas e ferir mais umas quantas.

Porque o terrorismo não tem religião. Não tem raça. O terrorismo é o conjunto da maldade inbutida nos corações de vários seres humanos.

28
Abr15

Ajudem

alex

Eu admito - normalmente sou um bocado alheia a este tipo de coisas, algo que já há algum tempo que queria mudar em mim. Digo sempre que gostava imenso de ajudar, mas acabo sempre por não o fazer ora porque na altura não posso despender 5€ ou 10€ para ajudar, ora porque não sei como ajudar.

Mas há uns tempos para cá as desculpas foram substituídas pela vontade de querer ajudar, fosse de que maneira fosse, mesmo que seja de forma pequena. Comecei a ir ao Google pesquisar formas de ajudar e foi assim que me deparei com o site da AMI, que se dispôs a ajudar as vitimas do terramoto no Nepal.

Mesmo que não possam doar, nem que seja só 5€, ao menos espalhem a palavra, porque também é importante e ajuda. Mas se puderem, façam como eu e doem, seja 5€, 10€, 20€ ou 100€. As notícias ultimamente não mostram outra coisa e apesar de ser triste ver tamanha destruição na televisão todos os dias, a realidade é que nós temos a sorte de a ver apenas através de um aparelho e não ao vivo e a cores. Se houvesse um terramoto desta dimensão aqui, eu também iria querer que me ajudassem; muito ou pouco, sei que iria fazer a diferença.

Por isso, ajudem - vão a este site http://donativo.ami.org.pt/ e façam a vossa doação ou desloquem-se ao Multibanco mais perto de vocês e doem lá, seleccionando a opção Transferências - Ser Solidário - Ami (que foi o que eu fiz).

Não somos nós, mas há que manter em mente que podíamos ser; que podemos vir a ser nós. A realidade a que todos tentamos fugir é essa.

Ajudem.

17
Fev15

Um futuro sem futuro

alex

Às vezes tenho tanto medo. Tanto, que me esqueço de tudo. De quem sou, de quem fui, de quem quero ser...

Eu, comparada com os problemas que assolam este mundo, não sou nada. Sou como um fio de cabelo numa cabeça coberta deles.

Assusta-me imenso a coragem que o ser humano tem para conseguir fazer tanto mal. Porque é preciso ter coragem - ou ser completamente insano.

Bombardear cidades, matar inocentes, destruir o mundo, pouco a pouco...é preciso coragem. Eu perco a minha perante a destes, que fazem tudo isto, da mesma forma que nós usamos a casa-de-banho ou vamos para o nosso trabalho das 9h às 17h.

O nosso anormal, o nosso terror, é o normal deles. Para eles faz sentido matar e devastar em nome de um bem maior. 

Tenho medo. Conheço o passado deste Mundo e cada vez mais acredito, ao contrário do que a minha professora de história me dizia, que não aprendemos com os erros dos outros.

Por vezes nem com os nossos.

E por isso tenho medo - medo de um futuro onde ter um futuro não será possível.

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