Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

24
Mar15

Sem volta

alex

Ás vezes custa aceitar que as coisas estão diferentes. Que tudo mudou. Que o que dantes era regra, hoje é excepção. Que o que dantes era familiar, hoje é quase como um estranho. É difícil aceitar que as coisas não voltam nunca a ser o que eram, por muito que nos esforcemos.

No entanto, tais tarefas para mim, já não são penosas. Já não custam. 

Acho que deixei para trás, em conjunto com tantas outras coisas e pessoas, a parte de mim que lamentava as perdas que se vai sofrendo pelo caminho da Vida. 

A ausência do que era, no que agora é, já não me traz dor, saudade ou mágoa. Estou tranquila comigo própria e talvez seja por isso que já não me cause transtorno tanta falta de familiaridade. Talvez seja por isso que já não estou de luto pela vida que tive, pelas pessoas que tive, pela pessoa que era.

Porque estou tranquila em relação ao esforço que fiz no passado para tentar manter um presente que, na realidade, nunca teve um futuro. Porque me apercebi que por vezes, a vida é mesmo isto - caminharmos sozinhos até encontrarmos a pessoa certa com quem caminhar de mão dada.

Estou feliz por todos aqueles que encontraram a quem dar as suas mãos. Certamente que eu também irei encontrar a quem dar a minha... longe daqui, num futuro que anseio mesmo que haja a probabilidade de vir a não gostar dele.

É por isso que não me assusta tanto a ideia de partir como deveria. É por isso que os meus medos são outros.

Porque hoje sou uma pessoa que lida perfeitamente bem com o curso natural da Vida. Ela é mesmo assim. As coisas são mesmo assim. O tempo passa, as cores mudam e a forma de pintar também.

Não há nada de mal nisso e não há culpados nem vitimas. É assim. 

Se dantes chorava sobre leite derramado e águas passadas, hoje sorrio por saber que, ao longo deste percurso que já fiz aqui, ganhei e aprendi muito. Todas as perdas foram um ganho no sentido em que me ensinaram a aceitar o curso natural das coisas.

Na minha Vida já não há espaço nem tempo para perseguir passados sem presente ou futuro. Já não existe espaço para chorar pelos cantos devido ao quanto tudo mudou e em como a minha Vida está completamente diferente.

Agora já só tenho espaço e tempo para pensar no que ainda tenho pela frente. Só tenho tempo e espaço para a minha família, para os poucos amigos a quem ainda posso chamar de tal e para as mudanças que ainda me esperam.

Aprendi a não lamentar as mudanças, mas a aceitá-las de braços abertos.

Ás vezes deixamos de ter espaço e tempo para certas pessoas. E isso não é pecado nenhum. É pecado quando nos obrigamos a agarrar a algo ou alguém que já não nos traz nada para além de memórias de um tempo que já não volta.

E também temos de aprender a aceitar isso. Que há tempos, pessoas - incluído as que nós já fomos - que já não voltam.

Há coisas que, por muitas voltas que dêem, já não têm volta a dar.

19
Mar15

O meu

alex

O meu pai é daqueles que, com o passar dos anos, foi mudando e aprendendo a lidar comigo, assim como eu fui aprendendo a lidar com ele.

O meu é demasiado parecido comigo - ou eu com ele. É daqueles pais que sabe perfeitamente que a sua menina já não é nenhuma menina mas que ainda quer que ela o seja - e por vezes ainda a trata como tal, o que a deixa deveras chateada.

O meu é daqueles que me vai buscar às quatro da manhã onde quer que eu esteja, sem refilar. É daqueles que, sem ter obrigação disso, me vem buscar todos os dias às 20h da noite ao trabalho, apesar de eu ter passe e de ele me o pagar.

O meu pai é daqueles pais que já desiludiu as filhas e a mulher. Que já nos deixou ficar mal. Mas bolas se não teve razões para isso. É daqueles pais a quem a vida nem sempre lhe sorri, mas que consegue fazer-me rir até hoje, quando a vida também não está para mim virada (a sorrir).

É acima de tudo, um homem que eu respeito e que gostava, de um dia, de ver feliz. Porque sei que apesar de ter um emprego, uma família, uma casa e comida na mesa, o meu pai não é feliz. E eu só espero um dia ter o poder de lhe proporcionar essa felicidade.

Porque ele está a deixar a filha mais velha ir em busca da dela. E não pensem que este é um assunto que se discute à mesa - o facto de eu ir para outro país - porque não é. É daquelas coisas das quais não se fala até a data estar mesmo à porta, porque dói muito.

O meu pai é daqueles pais que sempre me deu liberdade para ser o que eu quisesse. Sempre foi o primeiro a apoiar os meus sonhos loucos de querer ser cantora e actriz (sonhos esses que já lá vão), o primeiro a mostrar-me o que é gostar de um desporto como a natação, o primeiro a mostrar-me que por vezes, temos de ser duros quando a vida é dura para nós, o primeiro a dizer: "Se é mesmo isso que queres filha, nós apoiamos-te a 100%, e se por alguma razão a meio do caminho mudares de ideias, nós vamos estar aqui para ti, sem julgamentos, sem ralhetes" quando eu disse que queria ir para Londres.

Tivemos os nossos momentos, os nossos anos em que nem nos podíamos ver à frente - a adolescência tem dos seus momentos, não é assim? 

Mas hoje, eu e o meu pai temos uma relação cúmplice, simples e de amigos. E bem sei que há quem diga que os pais ou são pais ou são amigos - não podem ser ambos. Mas o meu é daqueles que o é - meu pai e meu amigo.

Porque só um amigo como ele faria o que ele já fez, faz e continuará a fazer por mim, a sua filha.

E é verdade que eu não sou de dar muitos abraços ou beijos ao meu pai - faço-o com mais facilidade com a minha mãe, mas isso é porque tenho uma relação diferente com ela. Não quer isto dizer que amo mais a minha mãe do que o meu pai - quer apenas dizer que se a minha mãe é o meu braço direito, o meu pai é o meu braço esquerdo.

São ambos quem me aconselha, quem me guia e quem me ensina mais nesta vida. Podia ter um pai que batia nas filhas, que abusava delas, que não as amasse.

Mas o meu pai é daqueles que ama muito com o seu coração de manteiga, camuflado por lascas de gelo que a vida o obrigou a ter como defesas.

Ás vezes, somos tão parecidos que assusta. E por vezes, tão diferentes que enerva. Mas somos pai e filha, já lá vão quase dezanove anos e no decorrer deles todos, não há nada que eu mudasse; muito menos nele.

É o meu pai. Aqui ou na China, não importa. É o único Homem que eu sei com certeza absoluta que me vai sempre amar e apoiar, no mal e no bem.

E é bom termos um dia para celebrar um Homem destes, não é?

Feliz dia do pai.

11
Mar15

The Mistery Of

alex

Sempre que sei que o vou ver, a primeira pergunta que me vem à cabeça é sempre a mesma:

"Será que ele ainda namora com a outra?"

E o pensamento que se segue à pergunta é sempre igual:

"Não devia de me interrogar sobre isso."

Hoje, enquanto procurava inspiração para desenvolver a história que comecei há pouco tempo, encontrei um livro no Wattpad (muito bom site, boa app, bons livros para quem gosta de certas e determinadas leituras) que continha uma frase que me prendeu. Não sei ao certo porquê - ou talvez saiba e seja uma daquelas vezes em que o meu subconsicente sabe mais do que o meu consciente - mas a verdade é que a frase me deixou ali um bom tempo a olhar para o ecrã do computador, a pensar - algo que evito fazer ao máximo no que toca aos mais variados assuntos.

A frase vem no contexto de os protagonistas estarem a falar sobre a última obra de Charles Dickens. A rapariga diz para o rapaz: "Não há um fim, ele não o acabou" - ao qual o rapaz responde: "Há sempre um fim."

Isto traduzido, visto que o livro em questão é em inglês. E por alguma razão aquela frase mexeu comigo.

O rapaz da história em questão tem razão. Há sempre um fim, mesmo quando assim não nos parece.

Talvez o facto de eu ainda me questionar acerca da vida amorosa de quem vida amorosa não me diz respeito, seja por isso mesmo. Porque apesar deste tempo todo que já passou, ainda sinto que não houve um fim; não um que deixasse os leitores da nossa história satisfeitos.

E depois questiono-me porque será - porque é que mesmo depois de tanto tempo, ambos já com vidas completamente diferentes e no entanto, que se vão interligando ao longo do percurso separado de ambos por partilharmos mais do que um passado (partilhamos também amigos e família em comum - um presente) ainda perco tempo do meu dia a pensar em tal coisa.

Ao ler aquela passagem do livro de uma pessoa que não é escritora profissional, bateu-me. Para mim, nunca vai parecer que houve um fim, porque ao relembrar-me do final, esse vai sempre parecer-me ter sido deixado em aberto; como se de uma promessa silenciosa se tratasse.

Não podemos estar juntos - mas não quer dizer que não queira.

Devemos ficar só amigos - mas não quer dizer que um dia não possamos voltar a ser mais do que isso outra vez.

Amo-te, mas agora não é o momento certo - o que não quer dizer que daqui a dois anos não o seja.

A nossa história vai ser sempre como o livro inacabado de Charles Dickens - The Mistery of Edwin Drood - e eu vou ser sempre aquela que diz: "Não há um fim, ele não o acabou" e os outros serão sempre a voz que oiço sem querer, a dizer: "Há sempre um fim."

14
Fev15

Fiz as pazes com o cupido

alex

Já toda a gente sabe que o dia dos namorados é um dia consumista. Já todos sabemos que o amor deve ser celebrado todos os dias durante todo o ano e não só no dia 14 de Fevereiro.

Eu costumava ter um problema com o dia de hoje, admito. Não percebia a sua finalidade e para mim, era só mais uma desculpa para se correr às lojas a gastar dinheiro, para levar a mulher a quem não damos o devido valor durante o ano a um restaurante só para a calar e para ter uma desculpa para pôr fotos no Facebook e no Instagram e no Twitter e nessas soliciates todas com a hastag #ForeverTogether.

Só houve um ano em que fiz algo especial no dia dos namorados, mas só foi especial porque o fiz com a única pessoa que alguma vez amei na vida.

Acho que foi a partir desse ano que comecei a olhar para este dia de uma forma diferente. Sim, é um dia consumista e sim, o amor que nutrimos pelos outros é para ser demonstrado todos os dias.

Mas vamos lá a ver - não celebramos nós também, uma vez por ano, o nosso aniversário? E não é verdade que todos os dias o celebramos, de certa forma, ao estarmos vivos e a viver a nossa vida, seja de que forma for? Então sinceramente, não vejo qual o problema de termos um dia especial no calendário para celebrarmos o Amor.

Porque no fundo, é isso que se celebra no dia de hoje. Não quer dizer que tenhamos de ir a um restaurante fino, brindar com a nossa cara-metade. Não quer dizer que tenhamos de ter uma cara-metade.

Eu não a tenho, tenho a minha e já me chega! Este ano estou solteira e sinceramente, não me cai mal no estômago esse facto! Não é por isso que vou ficar na loja o dia todo a deprimir ou a dizer mal de todos os casalinhos por celebrarem algo que, no fundo, todos nós queremos - amor.

Celebrem com os vossos pais que são a maior prova de que o amor existe neste mundo; celebrem com as vossas amigas e amigos, que é o que eu vou fazer este ano (até vou sair mais cedo uhuhu); ou então não celebrem de todo como eu fiz durante muitos anos.

Mas não se tornem amargos como me acontecia a mim neste dia. Deixem que o Amor seja celebrado, porque vamos lá a ser honestos... faz algum mal haver um dia específico para se oferecer flores, bombons ou jantares a quem amamos?

Claro que o devemos fazer mais vezes durante o ano, afinal o Amor não é uma pilha dos chineses que só dura 24 horas (na maioria dos casos...).

Mas se formos bem a ver o calendário, há dias ditos especiais, que estão assinalados e que são muito mais estúpidos que o dia de hoje.

Celebrem o Amor - sempre, obviamente, mas deixem que ele tenha o seu dia especial no calendário, porque todos nós também o temos, seja o nosso aniversário, o Natal ou outra data especial qualquer!

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D