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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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24
Out19

Montanha-Russa

alex

Sou uma montanha-russa. 

Por vezes encontro-me a subir, entusiasmada com a chegada ao topo. A sensação de borboletas na barriga que é tão cliché, mas bem real. A ânsia de saber que a sensação de estar no topo é boa; é óptima. A ânsia de a querer sentir. As mãos suadas da excitação, o coração a palpitar de tal forma que o oiço bater, pumpumpum, nos meus ouvidos, ressoando na minha cabeça. A mesma, a cabeça, pesada, talvez por causa da pressão, talvez por ir subindo, alto, cada vez mais alto.

E depois encontro-me no topo. Que sensação! Mas dura pouco, tão pouco. Sinto-me viva, eléctrica, em êxtase. Quero gritar com todo o ar que tenho em mim, gritar do topo o quão feliz estou. Quero ficar um pouco mais, prolongar o sentimento, prolongar a adrenalina, prolongar a sensação de estar cheia. Cheia de vida, cheia de sorrisos, cheia de risos, cheia de felicidade.

Mas depressa começo a descer. Sinto o meu corpo a ser puxado para baixo, a sensação no estômago outra. Nauseada, não grito, pois se abrir a boca sei que vou acabar por vomitar. Talvez vomite as entranhas, o coração, ou talvez vomite a felicidade que não me pertencia; momentânea. Uma ilusão.

Estou a descer e sei, que durante um bom bocado, não vou voltar a subir. Mas depois, como se de magia se tratasse, avisto outra subida.

E a viagem repete-se. 

Sou como uma montanha-russa. Ando, aos altos e baixos, dou voltas e mais voltas, sinto tudo e não sinto nada. Não saio de onde estou e assim vou andando. De montanha-russa.

23
Out19

Obrigada (o problema não sou eu)

alex

Wow. Obrigada. Obrigada à Sapo pelo destaque. Obrigada a vocês desse lado pelas palavras de força e encorajamento. Por vezes achamos que estamos sozinhos. Mas é por isto que a escrita é tão importante, não só para mim, mas no geral. A escrita leva-nos até às pessoas e ao mesmo tempo, as pessoas vêm a nós. Ninguém tem a mesma história, ou as mesmas experiências de vida, ou até as mesmas opiniões... Mas toda a gente, a uma certa altura das suas vidas ou noutra, já se sentiu assim - sozinho e isolado.

E eu ontem senti o oposto disso. Obrigada a todos.

22
Out19

O problema sou eu

alex

Sinto vergonha. Vergonha das palavras que vos escrevo. Vergonha dos meus sentimentos. Vergonha dos meus pensamentos. Escrevo por entre lágrimas que não derramei há dois meses atrás, quando provavelmente deveria ter derramado. Escrevo com as mãos a tremer e o coração, não no peito, mas entalado na garganta. Escrevo e mesmo assim, não me sinto aliviada.

Mas continuo a escrever porque é das poucas coisas que sei fazer; que ainda consigo fazer. 

O problema sou eu. Não estava bem em Inglaterra e por isso regressei. Agora que aqui estou, não estou bem também. Todos os dias acordo sem vontade de acordar. Todos os dias me levanto quando só quero é ficar deitada. Todos os dias quero chorar, mas só hoje, depois de quase dois meses, é que chorei.

Chorei e ainda não parei. Não sei se vou ser capaz de parar. Choro e limpo as lágrimas, para logo de seguida mais umas me escorrerem pela cara abaixo. Nunca senti tanto o meu coração como sinto agora. Ele bate muito, de forma sonora, rápido, incessante.

Do que é que precisas? Pergunta-me uma das minhas muitas vozes. Não sei, responde a outra. 

Continuo perdida. Estou sempre perdida. Nunca me vou encontrar. Do que preciso eu, afinal?

O problema sou eu.

A verdade é que não sabia. Não sabia que eu fui embora, fiz vida fora durante 4 anos, e que ao voltar não iria mais encontrar a minha vida, que uma vez, foi minha, outrora. Não sabia que a vida continuou, comigo fora, e que agora não tenho vida minha, cá. Sinto-me perdida. Desolada. Sem nexo, sem chão, sem caminho. Mas estou perto dos meus, como queria. Mas os meus têm as suas vidas. E a minha?

Não sei, não sei, não sei. E doí. Doí não saber. Doí não ter. Doí porque sim, tenho saudades. Doí porque merda, falo sempre de peito cheio e depois, sou isto que se vê. Nada. Nada. Nada.

Não sou nada. 

O problema sou eu.

 

(Eu sei, eu sei...demora tempo. A ambientar-nos, a encontrarmos de novo o nosso lugar, eu sei...mas ontem não conseguia dormir e foi isto que saiu.)

12
Out19

Vou saber

alex

A última vez que votei foi antes de ter ido para Londres, há quatro anos atrás. Este ano, pude voltar a votar novamente, porque regressei.

Já lá vão quase dois meses desde que vim e não vou mentir...não está a ser fácil. Há quem diga que partir é o que custa mais, mas regressar, deixem-me que vos diga, custa tanto ou se calhar até mais. É o termos 23 anos e sentirmos-nos com 18 de novo. É não termos uma vida que é nossa, enquanto todos os que nos rodeiam a têm. Uma vida. Vidas. Empregos. Hobbies. Tempo ocupado. É sentir que voltámos à estaca zero, que toda a gente já se encontra no andar mais alto da penthouse e nós ainda nem sequer entrámos dentro do elevador. É o ter de largar o inglês. É o ter de praticar o português bonito e formal. É o ter de ir para as aulas de código com miúdos do secundário. É o ter de mandar currículos para a nossa área e não haver nem uma resposta. É a ânsia de não saber bem o que ando aqui a fazer. É o olhar à volta e ver toda a gente a fazer algo.

Mas votei. Pude votar. Pela primeira vez em quatro anos pude ir às urnas votar e exercer o meu direito. É o acordar com o sol em vez de acordar com a chuva. É o ir ao médico e dizerem-me bom dia quando entro na sala de espera. É o agarrar em mim e ir a casa dos meus avós porque sim, porque posso, porque estou perto, porque estou cá. É o chegar ao fim da noite e dar um beijo de boa noite à minha irmã, aos meus pais. É o acordar e saber, que mesmo sem saber, vou saber. Para o mês que vem, para o ano que vem.

Vou saber o que ando por aqui a fazer.

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