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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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31
Out19

Uma pessoa amada

alex

Eu vou saltando uns dias e vou mudando os temas que correspondem aos dias...bom, faço este desafio à minha maneira, pois não há outra. Este devia ter sido escrito ontem mas foi um dia de correrias, contudo, este era um que não queria saltar.

Uma pessoa amada. Eu amo poucos. E por vezes, até esses chego a questionar se amo. Contudo, acho que a pessoa que mais me custa a amar, desde que tenho memória, desde que sou gente...sou eu própria.

Amor próprio, penso eu, é o tipo de amor mais difícil de se conseguir. Amar os outros pode ser complicado e pode vir com muitas adversidades, mas amar-nos a nós próprios é das coisas mais difíceis que existem. Durante anos, enquanto crescia, odiava-me. Odiava o meu corpo, odiava a minha mente, odiava a minha personalidade. 

Quando era mais nova era rechonchuda. Depois era demasiado "maria-rapaz" (coloco este termo entre parêntesis porque não gosto dele e não o acho de todo correcto, mas, à falta de melhor descritivo, fica). Depois era demasiado feminina. Agora, demasiado butch. Era tímida, "pão sem sal", ansiosa, depressiva... a lista é interminável. Durante anos e anos travo esta luta que é a luta do amor próprio. Vem com a idade, dizia-me a maioria das pessoas a quem eu questionava o porquê de não me conseguir amar. Quando somos pequenos não temos o nosso cérebro totalmente desenvolvido, quando somos adolescentes somos atingidos por tudo quanto é julgamento dos outros que influencia o nosso, em relação a nós próprios, e quando chegamos à idade que tenho hoje...Bom, já aprendemos uma coisa ou outra mas continuamos a tentar. Eu continuo a tentar amar-me, contudo ultimamente, tenho falhado. 

A pessoa que mais devemos amar neste mundo, acima de tudo e de todos, acima do pai, da mãe, da avó, da pessoa com quem temos uma relação amorosa, do periquito e do cão...essa pessoa somos nós. Temos, cada vez mais, de saber amar-nos a nós próprios porque este mundo está cheio de pessoas que não gostam ou não vão gostar de nós. E essas pessoas, por norma, não têm problema em o dizer. Em apontar os nossos defeitos, em meter o dedo na ferida e fazer doer ainda mais. 

Como o fazer...isso é que é a parte mais complicada. Eu ainda estou a aprender. Mas tudo conta. Sabermos aceitar quem somos, da forma como somos, com os erros que cometemos e com os que ainda vamos cometer. Com o passado embaraçoso, com os pensamentos negativos, com a ansiedade nervosa ou com outro problema qualquer que tenhamos. Falo de mim, claro, mas para vocês. Porque o amor tem de começar e acabar em nós. Este mundo, cada vez mais, precisa de amor. Mas para o darmos, precisamos de o saber dar e receber de nós próprios. 

Não tenho uma solução mágica para tal. Como disse, todos os dias é algo com o qual ainda me batalho. Mas acho que me aceito muito mais hoje do que aceitava há 10 anos atrás. E se eu pudesse voltar atrás no tempo e dizer à menina de 13 anos que a amo muito, que ela é a minha pessoa mais amada, voltava e dizia-lhe.

Como tal, tenho também de dizer à jovem de 23 de hoje que a amo. Às vezes mais, outras vezes menos, outras vezes até mesmo não amando de todo mas tentando, sempre. Sou a minha pessoa amada.

29
Out19

Um momento de coragem

alex

Acho que tive vários momentos de coragem ao longo dos últimos anos. Muitos deles já aqui falei sobre eles, por isso torna-se difícil escrever um texto dedicado a tal.

Acho que ultimamente me falta essa coragem. A que tive em várias ocasiões, ao longo dos últimos anos da minha vida. Fui corajosa quando fui para Londres, fui corajosa quando me mantive lá apesar de todas as células do meu corpo me dizerem para desistir e voltar, fui corajosa quando por fim, na altura que achei que devia regressar, regressei...e agora penso que não sou mais corajosa.

Porque fui muito pisada pela vida, sabem? Fui muito magoada, e então, com o passar do tempo, a minha coragem, que eu considerava muito minha, foi desaparecendo. Ou talvez esteja só e apenas adormecida. Hoje em dia nem coragem para ter coragem eu tenho. 

Mas será que só os momentos grandes de coragem é que contam? Será que só se é corajoso quando mudamos de país, de vida, ou quando fazemos algo considerado de grande escala? Cada vez mais me questiono sobre isto. E cada vez mais chego à conclusão de que não. Actos de coragem existem em tudo o que nós fazemos, até no nosso dia-a-dia. É um momento de coragem eu levantar-me da cama todos os dias, apesar de não ter nada para fazer. É um momento de coragem eu decidir focar-me de novo na minha escrita e participar neste desafio dos 30 dias. É um momento de coragem quando aceitamos ir a uma entrevista de trabalho, que não é na nossa área, mesmo sabendo que merecemos é uma entrevista na nossa área. É um momento de coragem procurar de novo essa coragem que julgamos perdida ou adormecida.

O meu momento de coragem é esse. É encontrar a minha coragem.

27
Out19

Uma memória feliz

alex

Olhou pela janela e encarou o céu cinzento com o qual aprendeu a viver nos últimos anos. Pararam no trânsito e ela podia ter ficado chateada. Chateada porque estava a demorar imenso tempo a chegar ao destino deles. Chateada porque ela tem este defeito imenso, o da impaciência. Chateada porque, mais uma vez, o sol não brilhava no céu que ela encarava.

Mas uma das suas músicas favoritas começou a tocar. Levantaram o volume do rádio. À frente, braços no ar, cabelos soltos, alegria não contida. Ao seu lado gargalhadas. De repente, começou a chover. Muito de mansinho, quase sem se ver, chegou a chuva, tão já sua conhecida. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Ela sente a música dentro de si. Quase que vibra com ela.

Decide então abrir o vidro e o ar que a recebe não é puro. É poluído, bafiento, londrino. Mas a chuva miúda cai-lhe na palma da mão, à frente dançam, ao seu lado riem e ela canta. Começa a cantar e encara de novo o céu cinzento. O carro começa a andar. O ar não muda, mas ela sim. Ela canta e dança e ri, com os seus, e pensa para si: estou feliz.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

26
Out19

Desafio 30 dias de escrita

alex

Foi-me sugerido este desafio pela autora do blog Coisas que eu (não te) disse, e depois de ter ponderado um bocado sobre a possibilidade de o fazer durante os 30 dias, pensei "porque não?". A irregularidade com que posto no blog é grande desde há uns anos para cá, mas desde que regressei a casa que tenho tentado, aos poucos, mudar isso. Porque quero praticar mais a minha escrita, visto que estou à procura de emprego na minha área, e também porque preciso de recuperar a relação boa que tinha com a escrita, antes de tudo.

Como tal, achei este desafio perfeito para dar mais um passo em frente nessa direcção e desafio todos aqueles que também quiserem tomar parte, a fazerem-no. Obviamente que não prometo conseguir cumprir todos os 30 dias, porque me conheço demasiado bem, mas acho que tentar não faz mal nenhum! Obrigada à V de Viver pela sugestão e se não custar muito (não custa!) passem pelo blog dela!

Toca a escrever!

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25
Out19

Tens de ler (pois tenho)

alex

You have to read tía, disse-me ela. 

Percorro a minha biblioteca privada, livros que outrora comprei e li. Livros que, a certa altura da vida, me fizeram sentir, sonhar e desejar ser escritora. Olho-os e ressinto-os.

Se não fossem eles não tinha ido. Tinha ficado. Se não fossem eles, tinha arranjado uma paixão diferente, tinha optado por um caminho diferente. Se não fossem eles, não estaria onde estou hoje. Rodeada de livros, rodeada de palavras, contudo, sozinha. Isolada.

Se não fossem os malditos livros, as malditas histórias, as diabólicas palavras que me puxaram e cativaram de uma forma tão forte, que me fizeram sonhar, que me deram esperanças de um dia também eu poder contar a minha história ao mundo...

Olho para eles uma vez mais. Levanto-me da cama onde durmo, onde me sento, onde como, onde me perco, onde me afundo... levanto-me e aproximo-me deles. Uns cobertos de pó, outros acabados de chegar de Inglaterra, comprados ao longo dos últimos quatro anos, muitos deles nunca abertos, nunca lidos. Olho-os a todos, percorro as letras dos títulos de alguns com o meu dedo e fixo as capas fascinantes de outros. 

Se não fossem eles não tinha sonhado. Não tinha conhecido outros mundos. Outras formas de ser, de estar, de existir. Se não fossem eles não tinha sorrido e chorado e suspirado. Não me tinha inspirado e não tinha ganho coragem. Não tinha tomado decisões arriscadas ou aprendido o que é o mundo fora do meu mundo. Não me tinha apaixonado e não tinha aprendido a amar. 

Se não fossem eles, os livros, as palavras, as histórias que li ao longo da minha vida, não teria escrito eu os meus próprios livros, as minhas histórias, as minhas palavras. Não tinha encontrado um refúgio, tão grande, que por vezes me esqueço do quão precioso ele é. Não tinha ido e tinha ficado. Não tinha aprendido e vivido e experimentado. Os meus livros. As minhas histórias.

A minha paixão, que por vezes me dá alento, abrigo e, por vezes, me dá desgosto, raiva e frustração imensa. Afinal é isto que é o gostar de ler. O gostar de escrever. É ás vezes gostar tanto, amar tanto, que por vezes odiamos. Nos afastamos. Nos ressentimos.

You have to read tía.

Pois tenho querida. Pois tenho. 

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