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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

31
Out17

Nos próximos capítulos...


alex

Sendo este o meu último ano de Universidade, pensar no futuro é algo que tenho feito com muita frequência. Torna-se complicado continuar a evitar a pergunta de ouro que todos me fazem que é: "O que planeias fazer quando acabares o teu curso este ano?" 

É difícil responder a uma pergunta que nos fazemos a nós próprios quase todos os dias e para a qual ainda não temos resposta. Por muito que eu pense no que vou estar a fazer daqui a uns meses, não consigo determinar exactamente o que isso será. Se calhar, para outras pessoas, a resposta seria fácil. Mas eu não sou as outras pessoas. Eu tenho várias opções; demasiadas até. A única que não tenho e também não faço muita questão de ter é de continuar a estudar. Sinto que já não há nada que as instituições de ensino me podem dar depois de acabar a minha licenciatura. E obviamente, o dinheiro não cresce das árvores e já me chega uma dívida de 21.000 libras nas costas, muito obrigada.

Eu acho que não nos devemos condicionar a só uma saída, a só uma opção, a só um futuro. Eu vou completar o meu curso com 22 anos. 22 anos é o quê neste mundo? Quase nada! Ainda há tanto para fazer, tanto para ver, tanto para experimentar e viver, que eu sinto que não posso nem devo condicionar-me aquilo que as pessoas querem ou esperam de mim. Vou explorar, vou continuar a ponderar, vou continuar à procura de várias opções, vários caminhos, possibilidades para a minha vida depois da universidade. Talvez durante 1 ano não faça nada. Talvez fique onde estou e tente poupar dinheiro. 

Talvez me passe da cabeça e volte para Portugal (o que acho pouco provável mas nunca se sabe). Talvez ponha um dinheiro de parte e me inscreva num programa de voluntariado e vou assim, partir para outra aventura. Talvez comece um protejo meu, me foque nisso e veja frutos. Talvez, quem sabe, consiga um estágio numa das casas editoras onde gostaria de trabalhar no futuro e entre já no mercado de trabalho.

Mas não vou escolher agora. Não vou decidir agora. E não vou pedir desculpa por não o fazer. Aos curiosos, assim continuem. Eu também estou curiosa para saber quais serão os próximos capítulos da minha vida. Mas com certeza que, sejam eles quais forem, vão ser aqueles que eu decidi, por mim mesma e não por influência dos outros ou daquilo que eles esperam de mim. 

Afinal de contas, nunca gostei de agradar a gregos ou a troianos. Sempre gostei de ser do contra.

18
Out17

Ao abandono...


alex

Tenho vergonha de escrever isto. Mas é tão estranho escrever em português. Já não estou habituada. Não me interpretem mal, eu continuo a escrever e a falar em português com frequência. Falo com amigos e família a toda a hora mas é diferente. Articular pensamentos e estruturar textos é completamente diferente de quando estamos simplesmente a falar pelo Facebook com alguém.

Deixei o blogue ao abandono. Tive as minhas razões, como pareço ter sempre. E algumas pessoas perguntam-me porque é que simplesmente não apago este blogue e começo um novo, noutra plataforma, talvez até em inglês. E a minha resposta é muito simples. Seria incapaz de tal coisa. Mesmo que deixe de escrever aqui durante semanas ou meses, é um pedaço de mim, da minha vida, nos últimos cinco anos, da qual eu não não consigo abrir mão. Recuso-me. Este blogue viu-me crescer, literalmente. E vocês desse lado também. Eu tinha dezasseis anos quando decidi criar este blogue. Hoje vou a caminho dos vinte e dois. No papel, não parece muito, mas bolas, foram os anos mais críticos e atribulados da minha vida. Por isso não consigo simplesmente apagar o blogue ou deixa-lo ao abandono totalmente. 

Volto hoje, agora, porque o meu coração tem doído bastante com as notícias que chegam aqui. Eu abro o Facebook, abro os sites online de notícias e não se fala de outra coisa. Até já tive clientes na minha loja a falarem-me sobre isso, sem saberem que eu sou Portuguesa. É nestes momentos que me sinto uma má Portuguesa. Estou longe do meu país e portanto, longe dos seus problemas. Por aqui, temos outros problemas com os quais lidar, como por exemplo o tornado Ophelia que andam a anunciar já há uma semana. Mas isso não significa que não me doa ver o meu país e o meu povo no estado em que estão. Se há coisa da qual eu me gabo aqui, por entre os "brits", é do quão bonito o meu país é. Com áreas abertas e verdes, com cor, com vida. Gabo-me das imensas florestas e parques pelos quais podemos passear e aproveitar os belos dias de bom tempo que o nosso Portugal nos proporciona. 

Do que me gabo agora? Ardeu tanto. Não tudo, mas quase. Muito. Temos uma ministra que diz não ter tido férias, enquanto temos mais de 100 pessoas que nunca mais na vida vão ter seja o que for, porque morreram vítimas dos incêndios. Temos um país que aponta dedos - ao governo, aos bombeiros, ao povo. Um país destruído. Completamente. E eu vejo isto a acontecer, aqui no meu quarto em Londres, pelas redes sociais e pela família que vai mandado actualizações da situação e penso que não há nada mais triste do que ver o nosso país a morrer, de todas as formas, e não puder fazer nada. Porque Inglaterra nunca vai ser o meu país. Nem outro país qualquer onde eu possa vir a morar no futuro. O meu país é Portugal. A minha casa eterna. E um dia, gostava muito de poder regressar, a sério que sim.

Mas regresso para o quê? Para o meu país? Ou para uma versão esmorecida e triste do mesmo?

Não sou pessoa de me expressar nas redes sociais, de partilhar seja o que for ou de ir para o Facebook fazer discursos. Mas bolas...estando longe, sinto que não há muita escolha. Então resolvi voltar. Escrever aqui o quanto eu gosto do meu país e o quanto me doí vê-lo neste estado. Estou longe, mas não estou cega. Estou longe, mas não estou muda. Estou longe mas continuo sempre por perto. E continuo Portuguesa. Talvez mais agora do que alguma vez o fui. As teorias são muitas. As opiniões ainda mais. Mas os factos são certos. E os castigos deviam ser aplicados às pessoas que os merecem. Mas isto é algo que vai para além da política, que vai para além da ética. A destruição do nosso país foi um acto inumano. Em relação a isso, não há dúvidas. Só gostava que os dedos parassem de ser apontados em todas as direcções e mais algumas e que as pessoas se juntassem para, finalmente, poder haver mudança. Não sei se é desejar por muito ou não. Mas como Portuguesa que sou, a esperança é sempre a última a morrer.

Gostava que o abandono ao qual me refiro no título fosse ao meu em relação a este blogue. Mas não é, e acho que todos sabemos isso. Mas tal e qual como eu me recuso a abandonar por completo este blogue, só posso desejar que o nosso povo se recuse também a abandonar por completo o nosso país.

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