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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Fora dos teen

Neste preciso momento, sou expulsa da casa dos "teen" e entro na casa dos vinte.

Com 20 anos, não tenho carta de condução. Não tenho um namorado. Não tenho tardes passadas a bebericar cafés na esplanada nem noitadas na pista de dança da discoteca mais "in" do momento.

Com 20 anos não tenho a minha família ao meu lado, a soprar as velas comigo, pela primeira vez desde que nasci. Com 20 anos tenho uma casa cujo contracto de arrendamento está em meu nome (e de outras três pessoas). Com 20 anos tenho renda para pagar, contas para pagar, roupa para lavar e estender e passar, a casa por limpar.

Com 20 anos tenho o primeiro ano de universidade no curso de Escrita Criativa e Jornalismo feito. 

Com 20 anos tenho um emprego que me permite sustentar por completo.

Com 20 anos vivo sozinha em Londres.

Com 20 anos sinto-me igual a quando tinha dezanove. Continuo a ser a mesma criança que sempre fui e ao mesmo tempo, sou a adulta em que me tornei ao longo dos anos. Sei brincar, sei ser maluca, sei amuar e fazer birras, sei chorar ou resmungar porque a vida não corre como eu quero.

Mas também sei lidar com os meus problemas de cabeça erguida, sei arranjar soluções para certos problemas sem perder a calma, sei fazer coisas que muitos consideram coisas de adultos.

A verdade é que agora que estou oficialmente fora da casa dos "teen" não me sinto mais ou menos do que era. Do que sou. 

Com 20 anos continuo a ser eu. A Alexandra divertida, sarcástica, com mood swings regulares, amiga de quem demonstra merecer a minha amizade, simples, sonhadora, ambiciosa, responsável (na maior parte das vezes) e irresponsável, quando também o mereço ser.

Com 20 anos agora, a partir deste momento, sou a mesma de sempre. 

E só por isso mereço um valente PARABÉNS.

Eu sou a vela, o candelabro e o esqueiro

Ser solteira no meio de casais não é fácil. 

Já estou solteira vai fazer dois anos e nunca foi coisa que me afectasse muito. Sou uma pessoa muito complexa, que poucos conseguem suportar, entender e respeitar. Conheço-me bem, sei quem sou, o que quero na vida e sou de ideias fixas, o que por vezes assusta um pouco as pessoas. E admito que sou um pouco fria com as pessoas ao início, quando ainda não as conheço. Foi assim que consegui (e que consigo) manter-me solteira até hoje. E nunca me fez espécie. Gostava de estar sozinha. Gostava de ser independente, de estar na minha, de não ter de partilhar a minha vida com ninguém. Mas ultimamente tenho mudado um pouco.

Viver com dois casais e sair com esses dois casais para o todo lado, fazer tudo com eles, sempre, sendo aquela que naturalmente se destaca na multidão como a bem dita da vela, começou a fazer-me espécie. E começou a deixar-me não triste mas, um pouco em baixo. Comecei a sentir aquela necessidade de ter alguém com quem partilhar a minha vida. O meu dia-a-dia. Alguém a quem possa chamar de amigo, alguém a quem possa ligar quando preciso de falar ou desabafar, alguém com quem possa ir passear nos meus dias de folga. Alguém a quem abraçar e trocar carinhos, alguém que me diga que gosta de mim pela mulher que sou. Comecei a sentir aquela necessidade de voltar a ter alguém do meu lado com quem partilhar um bocado de mim.

Ser a emplastra para todo o sítio onde vou não é fácil. Às vezes estamos todos a comer em algum sítio e a conta chega, é dividida pelos cinco e eu sou a única que não tem ninguém com quem dividir a minha parte da conta. Sou a única que, depois de já passar da 1h da manhã e de já termos visto o Love on Top (não julguem que isso é como se fosse um pedaço de casa em Londres para nós) volto para o meu quarto sozinha.

Ser a única solteira no meio de amigos casais é complicado e, naturalmente que com o tempo, começa a criar cada vez mais espécie na minha pessoa. Porque apesar de me dizer muito forte e independente, a verdade é que, no fundo, eu só quero o que toda a gente quer neste mundo: Amor.

Está feito

É uma sensação que não consigo explicar muito bem por palavras... Pensar que o meu primeiro ano de universidade já está feito.

Exame feito, trabalhos todos feitos e entregues a tempo... agora é só esperar pela palavra dos professores e ver as notas. É estranho. Agora tenho até Outubro para, simplesmente, me concentrar no trabalho e em mim e na minha vida.

O meu primeiro ano não foi nada como eu estava à espera, vou-vos confessar. Não fiz uma mão cheia de amigos, não conheci assim tantas pessoas quanto isso, não me envolvi em nada daquilo que me queria envolver e não fui uma aluna assídua. Muito disto por causa do trabalho. Ser trabalhadora estudante aqui não é fácil, ao contrário do que eu pensava.

É certo que é mais fácil do que sê-lo em Portugal, mas aqui também não é pêra doce, especialmente se trabalharem onde eu trabalho. Especialmente se forem como eu, que quer ser boa em tudo o que faz e não aceita menos do que isso. Tenho de ser boa no meu trabalho, seja esse o meu trabalho de sonho ou o meu ganha-pão. Não interessa. Tenho de ser boa senão não vale a pena fazê-lo. E isso muitas vezes chocou com o meu "eu" estudante. Foram várias as vezes em que o meu "eu" estudante e o meu "eu" trabalhadora chocaram. E tenho a dizer que o último ganhou a maior parte das vezes.

Ouvi dizer muitas vezes que não é a falta de tempo, é a falta de vontade. Mas para essas almas que me atiravam essa frase feita à cara só tenho a dizer: Vocês não sabem.

É difícil ter de ir trabalhar, por exemplo, das 13h às 22h, muitas vezes sair meia hora ou uma hora mais tarde, chegar a casa já a passar das 23h da noite e ainda ter de ir fazer coisas da universidade, quando no dia seguinte temos de nos levantar às 7h ou às 8h para ir trabalhar outra vez mais umas oito horas.

É difícil ir às aulas quando essas são no teu único dia de folga e tu estiveste a trabalhar sete ou oito dias de seguida sem descanso. 

É complicado quando tens dezanove anos e não te consegues fazer levantar da cama por causa das dores de costa que tens, de tantas caixas cheias de roupa e outras coisas que andaste a carregar no dia anterior ou pelas oito horas que passaste em pé nas caixas.

Não é fácil. E mesmo assim eu fi-lo. Acabei o meu primeiro ano de universidade apesar disto tudo. É verdade, não fui todas as semanas às aulas. É verdade que houve trabalhos que fiz à despacha e em cima do joelho. É verdade que não participei em muitas das coisas que queria participar na universidade, como por exemplo, a sociedade de jornalistas. 

Mas fi-lo. Acabei o meu primeiro ano. Não no topo, mas acabei. E agora que tenho finalmente tempo para mim, quero gozar os últimos dias dos meus dezanove anos e depois de completar os vinte daqui a 19 dias, quero aproveitar ainda mais. Quero ser jovem. Quero explorar a cidade onde vivo já lá vão 9 meses. Quero conhecer o que ainda não conheço e quem ainda não conheço.

E agora tenho tempo para começar a aprender uma lingua nova, que bem que vou precisar de sabe-la, para a aventura que vou viver em Setembro...

Longe de ti

É assim que passo este dia da mãe. Longe de ti.

É só mais um dia no calendário de muitos. Outros tantos celebram-o a passear neste bonito dia de primavera, de braço dado com as suas progenitoras ou em casa a ver um filme sentados ao lado delas.

Eu passo-o aqui, neste pequeno quarto em Londres, na minha casa longe de casa, sozinha, a acabar trabalhos da universidade. Mas há quem nem sequer mãe tenha, digo eu antes de começar a lacrimejar.

Mas há quem tenha e não possa estar com ela. A dor sente-se na mesma. E hoje sinto-a mais do que nos outros dias, talvez porque está um dia de primavera lindo por aqui, o que é raro, e está toda a gente fora de casa a aproveitar e eu aqui estou, enfiada no quarto a reflectir na vida e a acabar trabalhos.

Não ia escrever nada aqui para ti hoje. Porque custa. Custa-me não poder acordar e ir à cozinha dar-te um beijinho a desejar-te feliz da mãe. Custa-me não ter ido ontem com o pai comprar uma prendinha para ti. Custa-me que estejas longe de mim e eu de ti.

Ultimamente tenho sentido muitas saudades. Não sei bem porquê. Não sei se porque me sinto só, rodeada de muita gente, ou se porque estou numa fase stressante ou se por outra razão qualquer. Mas a verdade é que por vezes me questiono como seria se eu não tivesse vindo para cá.

Hoje pus-me a pensar e a contar as ocasiões especiais que já perdi desde que vim para aqui. Os anos do pai, os teus anos, o Natal em família, os anos da avó, os almoços com os amigos, as tardes de domingo no sofá sem fazer nada, sem ter de limpar a casa ou lavar roupa ou limpar bolor das paredes ou fazer trabalhos da universidade.

Longe de ti a vida não é fácil. Fazias muito por mim. Ainda fazes. Mas quando estava perto, fazias as coisas que agora não podes. Como lavar a loiça, lavar-me a roupa, fazer-me o jantar de vez em quando. Coisas pequenas, mundanas. 

Coisas como dar-me abraços, dar-me beijinhos, chamar o meu nome, ralhares comigo por estar a chatear a mana, coisas simples. Mas com significado. E que me fazem falta. Estas fazem falta, não as que mencionei antes. Essas são apenas pequenos factos.

Mas é assim, longe de ti, que passo este dia da mãe. É nestes dias, nestas ocasiões especiais que me arrependo da minha decisão. Porque estou a perder muito. Estou a ganhar outro tanto, verdade, mas no processo perco.

Mas como me dizes sempre, sem perda não há ganhos e sem ganhos não há perdas. 

Longe de ti, ainda assim, te adoro. Adoro-te porque és uma mãe, não só mãe, mas amiga também, que me apoia incondicionalmente em conjunto com o pai, e que me ama como mais ninguém.

Longe de ti, te desejo um feliz dia da mãe.