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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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23
Fev16

Sobre o referendo


alex

Toda a gente já está a par desta grande notícia que é o referendo que vai ter lugar aqui no Reino Unido no dia 23 de Junho.

Andei durante uns bons dias a remoer no assunto, a tentar perceber todos os lados da situação, incluindo o meu. O assunto andou aqui às voltas e às voltas, foi discutido com os colegas de casa, com os colegas da universidade, com os colegas do trabalho e a conclusão a que chego é só uma, e diria que bastante influenciada pelo facto de eu própria ser uma imigrante - é injusto.

Tentei ver e julgar a situação do lado dos britânicos. Tentei ver e julgar a situação do lado dos imigrantes. Até tentei ver e julgar a situação do lado dos refugiados. Mas no final, sou influenciada pela minha situação pessoal, porque afinal de contas, sou apenas humana (e se calhar é por isto que a cada dia que passa me apercebo mais que não fui feita para ser jornalista, mas isso é outra conversa para outro dia).

Não é justo por várias razões. Não é justo porque eu não vim para aqui ilegalmente. Não vim para aqui roubar nada a ninguém, seja dinheiro, emprego ou casa. Vim para aqui com uma missão muito simples (na teoria), a de construir uma vida melhor para mim. Assim como eu, milhares e milhares de outras pessoas o fizeram pela mesma razão.

É certo que outras nem tanto. E agora sim, vou tocar na ferida e falar dos refugiados e do terrorismo. A meu entender, esta situação gerou-se e chegou a este ponto por causa da situação dos refugiados e dos ataques de terrorismo recentes. Posso estar errada, ou não, mas a minha opinião é esta. A verdade é que o Reino Unido neste último ano foi inundado com refugiados a tentarem fugir do seu país e pouco tempo depois, foi atacado pela onda de terrorismo que foi levantada na Europa com os atentados em França. 

E é aqui que eu até consigo perceber o facto de este referendo ter de se vir a realizar. O Reino Unido quer fechar as suas portas e proteger-se o melhor possível. É completamente compreensível. Mas como sempre, não é justo uns pagarem pelos erros dos outros. Eu não estou aqui a fazer mal nenhum a ninguém. Nem estão os outros milhares de estudantes e jovens que vieram para aqui na tentativa de construirem um futuro melhor para eles próprios.

Não só nós jovens como famílias inteiras que se instalaram aqui no Reino Unido e que já cá estão à muitos anos, já chamando a este país a sua casa. E agora pergunto: se os resultados do referendo forem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, o que vai acontecer a estes milhões de jovens, famílias, HUMANOS que não têm forma de voltarem para os seus países e fazerem lá as suas vidas?

Ou, não apontando para o facto de termos de ser obrigados a deixar o país, quem é que vai ajudar estes milhões de pessoas a arranjarem vistos para poderem permanecer cá, uma vez que os mesmos são bastante dispendiosos e a maioria de nós (falando agora só dos jovens estudantes) já se vê apertado só para conseguir pagar a renda e as outras contas essenciais?

E durante o tempo que temos de estar à espera para que ditos vistos sejam aprovados (sim, porque demora tempo), muitos de nós podemos até perder os nossos empregos por nos encontrarmos numa situação meia ilegal.

Acho que é díficil para os não imigrantes verem as coisas desta forma, porque o povo de cá é bastante snobe e mimado. E não me interessa se ofendo A ou B ao escrever estas palavras, é a mais pura das verdades e eu estou no meu direito de o dizer após quase 7 meses de vivência e convivência neste país.

Porque lá está, os não imigrantes têm cá as suas famílias, os seus pais que lhes pagam tudo, que lhes dão tudo e que os ajudam em tudo. No nosso caso, ninguém nos ajuda com as nossas contas ou se oferece para pagar por nós. Nós somos os empregados mais trabalhadores que este país tem, e porquê? Porque nós precisamos de empregos para sobreviver. Um trabalho aqui para nós não é apenas um passatempo ou algo que nós encontramos para fazer durante 3 dias da semana para não termos tanto tempo livre, quando não estamos nas aulas. Nós não vimos para cá brincar ou andar aos tiros, apesar de haver sempre as ovelhas negras em todo o lado.

Mas lá está, as ervas daninhas existem em todos os jardins, mas há sua volta existem flores que só querem é crescer em paz, sem perturbar ninguém. E não é justo que essas flores inofensivas sejam arrancadas com as ervas daninhas só porque estas são prejudiciais.

E como é que se separa o gado, perguntam-me sempre quando eu digo isto. Pois, é aí que eu encravo e que volto a perceber o ponto de vista dos não imigrantes. Porque como ser humano, somos ensinados a generalizar. E se um fez mal, isso significa que a probabilidade de o outro ir fazer igual ou pior é grande porque a realidade é que vivemos num mundo de gente louca.

Mas neste mundo de gente louca existe gente não tão louca, como eu, que só quer é um sítio onde possa ganhar dinheiro e estudar sem ter de andar a dar o corpo nas ruas.

É triste, mas não sei de que outra maneira o dizer. 

Pessoalmente, estou assustada com o que vai resultar desta situação. Não quero ter de voltar para Portugal. Não quero ter de pagar 300 libras por um visto que me vai demorar um ano ou mais tempo a ser aprovado. Não quero, nem posso perder o meu emprego porque já chorei, sangrei e suei muito para chegar onde estou. 

Não é justo. E eu não lido bem com injustiças. Mas neste mundo é só com isso que lidamos, cada vez mais, a cada dia que passa.

Talvez os resultados até surpreendam. Talvez os não imigrantes até tenham dois dedos de testa e pensem nas pessoas que estão aqui, não para fazer mal a ninguém, mas simplesmente para viver.

Porque nós não somos todos terroristas. Ou refugiados. Ou pessoas de más intenções. Por muito que as pessoas não acreditem, esses são a minoria.

Nós somos a maioria. Por isso acho que as maiorias se deviam apoiar umas às outras e não o contrário. 

Espero não ser a única.

17
Fev16

Níveis do ridículo


alex

Tive a minha primeira negativa num trabalho da uni.

Mas depois vou ao facebook e vejo coisas como um vídeo de uma das concorrentes da casa dos segredos a dizer que o ex-namorado mandava mensagens à amante a dizer "mostra-me a tua xaróca", entre outras coisas, e a vida já não parece tão má.

Há níveis do ridículo e eu, felizmente, ainda estou no nível acima desta gente.

Thanks the lords.

15
Fev16

And the award shall come to me if...


alex

Se eu conseguir sobreviver a esta semana sem:

- Chorar desalmadamente;

- Gritar com todas as pessoas que se aparecerem à minha frente;

- Arrancar cabelos (meus e dos outros);

- Mandar umas quantas pessoas a uns quantos sítios pouco simpáticos;

- Desistir da vida

Mereço um prémio.

Para a semana estás de férias Alexandra, para a semana estás de férias Alexandra, para a semana estás de férias....

09
Fev16

Novo inquilino


alex

Quem me conhece sabe bem que eu sempre tive uma pancada por gatos. Desde pequena que adoro os bichos, mas infelizmente, o meu pai nunca me permitiu ter nenhum devido ao seu desgosto por tudo o que tenha quatro patas.

Enquanto crescia sempre disse que assim que tivesse a minha casa e possibilidades de ter um gato, que arranjava logo um. 

Pois bem... 6 meses depois de chegar a Londres, aconteceu! Temos um gatinho! Claro que isto não foi uma decisão tomada de repente. A H. também é doida por gatos e já teve uns 20 durante a sua vida toda. O namorado dela também gosta, a C. também e o namorado dela idem, idem, aspas, aspas. Andámos à procura durante umas três semanas. Percorremos tudo o que era site aqui no UK e finalmente encontrámos este bichinho fofo.

 

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O nome dele é Wang Jackson e ele tem à volta de 1 ano. Como não gostávamos do nome que ele tinha antes (Baileys, que original!) decidimos baptiza-lo de Wang Jackson - ou melhor, a H. decidiu baptiza-lo assim porque é o nome de um gajo de um grupo de k-pop, e nós até achámos piada.

Mais tarde fui ao google pesquisar o significado de Wang e descobri que significa rei em chinês e pénis em inglês. Portanto o nome ficou mais que aprovado depois da minha curta pesquisa.

O coitado ainda se está a tentar adaptar e ainda se esconde quando há muito alvoroço ou quando houve as sirenes das ambulâncias que passam aqui à nossa porta de casa todos os dias (visto que vivemos em frente a uma free way). Mas comparado com o primeiro dia, o nosso Wang já está muito mais à vontade connosco e com a casa. Agora só precisa de mais um tempo para se habituar totalmente aos seus novos donos e à sua nova casa.

Segunda-feira vamos com ele ao veterinário para ver se ele é saudável e se tem as vacinas em dia, como nos disseram.

Bem vindo à família Wang Jackson!

 

01
Fev16

Uma pontade de inveja


alex

Tinha três semanas de férias para gozar até ao final do mês de Março. Tirei a primeira esta semana que passou, vou tirar outra em Fevereiro e outra em Março para poder ir passar a Páscoa a casa.

No entanto, não sei se lhe posso chamar férias, o que tive esta semana. Mas foi uma semana que eu precisava de ter para organizar a minha vida. Tinha de ir ao banco tratar de uns assuntos, tinha de ir inscrever-me no sistema de saúde nacional e de ir a uma consulta. Tinha de organizar os meus trabalhos da uni.

Fiz tudo. Até parece mentira. Tive tempo de ir às aulas, tive tempo de ir ao banco, tive tempo de ir ao médico...tive tempo para organizar a minha vida.

Amanhã já vou trabalhar. Esta semana estou a trabalhar até às 22h três dias de seguida. O meu coração quase que me caiu aos pés. Depois de uma semana sem ter de me preocupar com aquela loja, voltar esta semana e ainda por cima com o horário que tenho...deitou-me abaixo.

Para piorar a situação, a minha querida mãe completou no sábado 50 anos de vida. Fiz skype com ela e vi a família e os amigos todos reunidos lá em casa. Disse olá a todos. Sentei-me, aqui nesta mesma secretária, depois de ter cantado os parabéns, a ouvir, a ver. Simplesmente a ouvir e a ver as minhas pessoas a fazerem aquilo que sempre fizemos todos os anos. A conviverem, a falarem alto e uns por cima dos outros, a rirem, a gozarem uns com os outros...

Sentada nesta secretária, a ver a minha família e os meus amigos todos reunidos em minha casa, a pensar na imensidade de merda que tenho para fazer esta semana e as horas que vou passar naquela loja... senti pela primeira vez vontade de regressar. Só por um bocadinho, Só por uns dias. Só por umas horas. Só por uns segundos.

Senti pela primeira vez vontade de regressar ao passado e ficar por lá, só durante um bocado. Senti aquela pontada de inveja pela jovem que podia ter ficado em casa com os pais e a família e os amigos. Senti inveja daquela jovem que podia ter ficado em casa a estudar e não tinha de se preocupar em ir trabalhar até às 22h da noite.

Senti inveja de uma pessoa que não existe. Que nunca existiu e que nunca poderia ter existido devido às circunstâncias da vida.

No entanto, sentada nesta cadeira a engolir as lágrimas, enquanto fingia rir de uma piada que o meu primo contava à malta toda....senti inveja dela. 

Da jovem que eu nunca poderia ter vindo a ser.

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