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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Do caraças...

Tenho andado cansada. Rabugenta. Sem paciência para nada nem ninguém. Na Terça-feira tive um dia de cão. Tudo correu mal. Recebi más notícias. Recebi o meu closet que acabou por não caber debaixo do meu beliche.

A C. e H. pegaram em mim e fomos ao sushi em Golders Green, o nosso restaurante favorito. Não me lembro de alguma fez me ter rido tanto como nessa noite. Doía-me a barriga de tanto rir. Nem consegui terminar a minha refeição porque não conseguia não rir durante 5 segundos.

Chegámos a casa perto das 21.00 e eu ainda tinha o roupeiro por montar - e já sabia que ele era demasiado grande para caber debaixo da cama. Voltei a entrar em modo depressivo, sem saber o que fazer. 

A C. e a H. pegaram nas instruções, nas peças e transformaram-me um roupeiro flop numas coisas jeitosas para arrumação, que cabem debaixo do meu beliche. Agora tenho espaço no meu roupeiro (que já cá tinha) e tenho sítio onde arrumar os sapatos, sem estarem à vista no meio do quarto.

Chorei. Chorei nessa noite porque não sei o que faria sem estas duas almas. Juro que não sei. Eu sei que a nossa família é a nossa família e os nossos amigos são os nossos amigos mas...estas raparigas tornaram-se na minha família no espaço de quase seis meses. 

Lembro-me de dizer isto de muita gente, ao longo de toda a minha vida. Mas isto é realmente diferente. Nunca tinha percebido muito bem quando a C., que já cá estava e falava comigo quando eu ainda estava em Portugal, me dizia que eles aqui eram a família uns dos outros e que era diferente daquelas coisas que nós tínhamos no secundário ou até no básico em que éramos todos como irmãos e irmãs. Nunca tinha percebido até muito recentemente. 

Eu moro com mais pessoas para além delas as duas e essas sim, são só amigas e pessoas com quem vivo. Mas a C. e a H. são a minha família aqui. Sempre fui má com palavras. Não falo dos meus sentimentos, não me expresso bem para com as pessoas e guardo muito daquilo que quero dizer para mim, especialmente se forem coisas assim deste género. Gratidão, amor, os sentimentos que devia exprimir e que guardo muito para mim. Mas tento ao máximo transmitir o quão agradecida sou, todos os dias, por as ter na minha vida, através de acções.

Acho que isso é o mais importante. Receber e dar.

Isto tudo a propósito do facto de que o facebook fez questão de lembrar que eu e a C. já nos conhecemos vai para cinco anos. Na altura, eu de chucha na boca e totós e ela com pó talco na cara, nunca sonharia que um dia acabaríamos juntas a viver em Londres.

Duas raparigas de uma cidadezinha em Lisboa, com 14 anos, ambas com tantos problemas existenciais naquela altura, cinco anos depois a viverem numa das cidades mais apregoadas do mundo.

A vida é do caraças, não é?

Bela me*rda

O novo ano trouxe consigo muitas dúvidas. Muitas incertezas. Muitos receios. 

Enquanto que eu estou numa das cidades mais apregoadas do mundo, a trabalhar e a estudar, os meus pais estão em Portugal a tentar arranjar emprego.

Nunca tinha acontecido antes, estarem os dois nessa situação. Mas 2016 parece ser o ano. Escusado será dizer que este ano não começou muito bem para os meus lados. Não consigo evitar sentir-me mal pelo facto de eles terem gasto imenso dinheiro para virem passar o Natal comigo a Londres e agora terem o computador estragado e estarem com dificuldades em o conseguir mandar arranjar.

Não consigo deixar de me sentir culpada de cada vez que chego a casa e me queixo do meu trabalho, ora porque um dos meus Managers foi um idiota, ora porque andei a carregar com cinco ou mais caixas cheia de roupa por escadas acima, escadas abaixo, ora porque simplesmente não suporto aquela loja em certos dias.

É complicado estar junto dos nossos e vê-los a passar por dificuldades. Mas é ainda pior estar aqui, longe deles e saber que não há mesmo nada que nós possamos fazer para os ajudar.

Nestas situações sentimos-nos impotentes. Incapazes. E eu pergunto-me a mim mesma todos os dias desde que este novo ano começou: será que vamos ter algum ano das nossas vidas em que nenhum de nós tenha de se preocupar em como vai pagar as contas da casa, pôr comida na mesa e pagar o passe de autocarro?

Será que vai haver algum ano em que nenhum dos meus pais tenha de passar dias em frente ao computador, em casa, a enviar currículos na esperança de serem chamados para algo? Será que vai haver algum ano em que este aperto no peito não vai cá estar?

Desconfio que não. A cada ano que passa isto só piora. E eu não consigo deixar de me sentir revoltada com tudo e todos.

É uma grande merda.