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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

21
Jul15

Já bati continência

alex

Uma das muitas coisas a tratar antes de partir para Londres no dia 6 de Agosto, era ir ao Dia da Defesa Nacional. Iria ser convocada para lá ir no dia 4 de Setembro, mas por essa altura já lá ando por terras britânicas a fazer-me à vida. Portanto, era necessário alterar a data e apenas com um telefonema ficou marcado para ontem. 

Problema número 1 - Aquela treta é em Sintra, lá para os lados de Pêro Pinheiro e aqui a vossa amiga não tem carro. Lá tive de pedir ao santo do meu senhor avô para me ir levar, porque transportes para aquelas bandas está quieto não é... Sim, porque se não formos no dia em que eles nos atribuem, não temos direito ao transporte da Câmara.

Resolvido o problema do transporte, surgiu outro.

Problema número 2 - Ia completamente sozinha. E já todos sabem que eu não tenho problema algum em ir sozinha seja onde for. Vou inúmeras vezes sozinha às compras, já fui ao cinema sozinha, já fui passear sozinha... Mas isto é diferente e eu passo a explicar. Antes de lá chegar, já eu sabia que aquilo ia ser um aborrecimento pegado. E sejamos sinceros, estas coisas fazem-se muito melhor com alguém amigo ao nosso lado a quem nos queixarmos e fazermos umas piadas ocasionalmente.

Acho que fui um dos dias mais aborrecidos da minha pacata vida, que já é aborrecida por si só. Epá, eu entendo o objectivo deste dia - fazer propaganda a toda a força militar, seja exército, marinha, força área, GNR, etc. E bem sei que isto hoje é muito melhor do que sermos todos obrigados a fazer a tropa, como era antigamente.

Mas ao menos que fizessem do dia uma coisinha mais lúdica e interessante, não? É que levantar-me às 6h30 da manhã para estar na base às 8h50, para passar um dia inteiro a saltar de sala em sala, a ouvir palha para aqui, palha para ali... fogo, é de chorar um bocadinho camaradas!

É que não se fez NADA de jeito naquelas oito horas que lá passei! Foi palestra para aqui, palestra para ali, entrar e sair dos autocarros para ir para outra palestra e no final... MAIS UMA PALESTRA!

A informação é importante; certo, não discordo. Mas será que aqueles camaradas não percebem que um grupo de miúdos de 18 e 19 anos não vão dar um corno (a expressão é a única que me vem à cabeça, peço desculpa) por nada daquilo que os camaradas estão para ali a cuspir a partir de uma certa altura?

Parece que ainda não sabem lidar com jovens. O span de atenção desta malta é muito, muito curto. 

Problema 3 - Passar o dia rodeada de idiotas com a cabeça cheia... de ar. Até dava para ouvir as correntes de ar. Eu já não frequento o ensino educativo há cerca de um ano. Desde aí já trabalhei, já estive em ambientes com pessoas muito mais velhas que eu. Secalhar foi por essa razão que, ontem, quase que virei vesga de revirar tanto os olhos - e não foi aos camaradas, que estavam lá a fazer o seu trabalho, não. Foi aos anormais dos gajos que por lá estavam, que têm desde 18 a 19 anos.

Se calhar é porque já não estou habituada a conviver com almas daquelas - quando andava na escola, já nem ligava porque era o pão nossa de cada dia. Mas passado este tempo todo e de estar completamente afastada de pessoas assim, tal foi a comichão que aqueles gajos me estavam a dar, que hoje precisava de uma embalagem inteira de fenestil.

Gajos infantis, estúpidos mesmo, sem uma pinga de respeito seja por quem for. Eu compreendo que aquilo é uma seca amigos, estávamos todos no mesmo barco. Mas se é uma coisa que tem de ser feita, ao menos vamos evitar ser desagradáveis para com os oficiais que estão apenas a fazer o seu trabalho.

Juro que estive quase a perguntar ao Cabo Cunha onde é que eles escondem as armas para mandar uns quantos tiros aquelas alminhas penadas, tamanha era a estupidez deles.

Enfim... foi um dia que não rendeu nada. Não tive uma epifania e não decidi cancelar a minha viagem para Londres, a minha candidatura à Middlesex e juntar-me ao exército. Tenho um cartão com o meu nome que regulariza a minha situação militar e uma dor nas pernas que nem vos conto.

Mas pronto. Menos uma coisa no caminho.

18
Jul15

Férias incendiadas

alex

Já voltei e volto de coração apertado.
A dois dias de terminar as minhas mini-férias, a piscina encheu-se de fagulhas e o chão ficou pintado de negro. Por esta altura, já todas as televisões falaram do assunto e normalmente, é daqueles assuntos falados todos os anos, aos quais já nem passamos muito cartão quando vemos surgir nos nossos televisores.
Mas o povo tem sempre razão e quando diz que, quando nos toca a nós é que passamos a dar mais importância a certas coisas, não se engana. Nunca eu vi tal coisa na minha curta vida.
Chamas a subirem por tudo o que era árvore, mais de 50 camiões de bombeiros a passarem pela nossa casa em direcção ao fogo, o ar que elogio por ser um dos mais puros que já respirei, depressa se transformou num dos mais tóxicos. 
O céu pintado de negro e vermelho, por vezes laranja quando se conseguia apagar um fogo aqui ou ali, mas o vento não foi nosso amigo - nem dos bombeiros - e espalhou as chamas para outros sítios.
Não me recordo de sentir algo como o que senti nesta Quinta-feira passada. Uma mistura de surpresa, com receio e expectativa. Surpresa porque, apesar de todos os anos ver na televisão os grandes incêndios que ocorrem durante os meses de Verão, nunca tinha visto um a vivo e a cores tão perto, tão grande. Receio porque estava tão perto que conseguia ver as chamas por entre as árvores que não foram consumidas por elas; receio porque não queria que elas passassem para o nosso lado. Expectativa porque queria saber se de facto, o fogo ia cessar por ali ou não.
Foi uma experiência de outro mundo. Acho que ainda agora, sentada na minha cama, no meu quarto, ainda não acredito que testemunhei tal coisa.
Nas aldeias fala-se muito; especula-se muito. Dizem que o fogo foi começado numa casa abandonada em Verdelhos. Na televisão disseram que tinha começado em vários sítios e espalhado para a Atalaia (onde é a nossa casa) por causa do vento. Outros dizem que foram as próprias autoridades que têm andado a mandar abaixo árvores naquela zona e para despachar o trabalho decidiram pegar fogo a tudo.
Nenhuma das hipóteses me espanta ou me parece impossível. Acho que neste mundo já se viu de tudo. No entanto, escrevo este texto com uma expressão sisuda ao relembrar a aflição das pessoas cujas casas e terrenos estiveram bem perto de arder.
Escrevo este texto com um aperto no coração porque vi ameaçado um lugar que me é muito; que é muito especial para mim e para a minha família.
Na sexta, as avionetas ainda sobrevoavam a área, os carros dos bombeiros ainda passavam para cima e para baixo e o cheiro que pairava no ar ainda era o de queimado. Sentei-me à beira da piscina, coberta de coisas pretas; fagulhas, e quase que pensei que estava a nevar. Mas não - era apenas aquele resíduo branco que provinha de lá de cima, do sítio onde o fogo tinha consumido tanta árvore.
Quando partimos hoje de manhã, partimos ainda com o cheiro a fumo a pairar no ar e a incerteza nos nossos peitos. Já é o segundo incêndio no espaço de um mês naquela zona, mesmo por cima da nossa casa, do nosso espaço.
Se houver uma terceira, nunca se sabe se não pode realmente vir a queimar o que nos pertence. Os bombeiros disseram e com razão que tiveram dificuldades por causa da falta de limpeza na floresta.
Poucos são os que se importam. Poucos são os que querem ajudar. Mas depois muitos são aqueles que gostam de atirar pedras e arranjar culpados. Alguns até culpam os bombeiros, que digo aqui com toda a minha vida em jogo, foram formidáveis naqueles dois dias. Há quem discorde, por entre as dezenas de tios e primos que para lá tenho, mas são pessoas que pouco ou nada sabem. Eu vi os bombeiros a trabalhar com estes meus quatro olhos e digo que, um dia quando crescer, quero ser como eles.
Não deve haver coisa mais aflitiva do que estar perante um monstro de não sei quantos metros, vermelho e quente, e ainda assim não vacilar.
O meu obrigada a todos os que combaterem este incêndio na zona da Covilhã. Porque sabia que eles estavam a dar o seu melhor e a proteger as nossas casas, ainda consegui dormir umas horas naquela noite.
E se foi por acaso fogo posto - o que é o mais certo - espero bem que quem o começou viva para sempre com o peso na sua consciência ou que morra por causa dele.
Nunca desejei a morte a ninguém, mas também nunca vi as chamas tão perto do meu coração como naquele dia.

 

 

Eu que nem sou crente, até apelei a Deus.

 

10
Jul15

Vou ali e já venho

alex

Preparando-me mentalmente para uma viagem de comboio de 3 horas.

Mas vale a pena, porque aquele sítio é bom para o corpo e para a alma. É como ir para um retiro durante uma semana - não há internet, não há carros, não há nada sem ser árvores, bichos, água e ar puro.

Vemos-nos daqui a uma semana minha gente. Até lá, não desesperem - EU VOLTO!

Até já!

09
Jul15

É tramado!

alex

O dia aproxima-se a olhos vivos e aquele pequeno monstro que até agora tenho conseguido domar, até bastante bem, ameaça acordar e dar-me um mau bocado. Tenho dias em que nem fome sinto, tal é a ansiedade. Obrigo-me a comer porque sei que quando lá chegar, vão ser poucas as refeições ao princípio.

Isto é algo que eu nunca pensei ser possível até há uns tempos atrás. Sair de casa dos meus pais aos dezanove e ir viver para um outro país, para estudar e trabalhar e começar uma vida completamente independente e nova.

Assusta como o caraças. Vou entrar naquele avião a tremer por todos os lados e vou sair dele, já lá, a tremer ainda mais. Há pessoas que foram e vieram passadas 24 horas. 

E há pessoas que foram e ficaram, como a C., e que hoje têm um vida estável e boa por lá. Claro que com saudades que batem de vez em quando, claro que com dificuldades e problemas aqui e ali, mas isso é tudo parte da Vida em geral, quer estejamos aqui ou em Londres ou na China.

Mas antes, e para acalmar este meu coração ansioso, vou passar uma semana à santa terra que tanto adoro. Os avós já lá estão e eu parto Sábado de manhã, bem cedo, no comboio para a Covilhã. Acho que me vai fazer bem... respirar aquele ar puro da serra, nadar na piscina à minha vontade sem irmãs e primos chatos (que apesar de tudo adoro), apanhar sol para ficar com uma cor saudável e esquecer tudo durante uns dias.

Vai ser a calma antes da tempestade e quando voltar, o tempo vai passar tão depressa que eu vou piscar os olhos uma vez, e o dia 6 já vai estar perante mim.

É tão estranho... esta mistura de sentimentos tão grande que vai dentro de mim. Ora sorrio ao pensar que vou finalmente começar um novo capítulo da minha vida, ora quase que perco o fôlego ao pensar em tudo o que isso implica.

Crescer é tramado...

06
Jul15

Hábito

alex

Eu já vos estou a habituar... Passar de escrever todos os dias aqui no blog para não escrever de todo durante uns três ou quatro dias seguidos pode parecer que estou a deixar isto para trás.

Não estou. O blog é a minha verdadeira essência. É onde eu sou eu no meu pleno. Tenho pessoas que lêem este blog e que me emprestam as suas palavras de vez em quando quando eu preciso de uma força ou apenas de uma palavra amiga.

Nunca vou deixar isto para trás. É o blog que tenho há mais tempo e não planeio ver-me livre dele, nem de nenhum de vocês, assim tão cedo. 

Mas já vos (nos) estou a habituar, aos pouquinhos. Porque devagar se constrói um hábito e muito em breve, com a mudança e o ajuste a uma nova vida num outro país, onde vou ter de tratar de um monte de burocracias que só de pensar me dá dores de cabeça, o tempo que vou ter para vos escrever vai ser limitado. Não vou deixar de o fazer, obviamente, mas vou deixar de o fazer com tanta frequência à que estou/estamos habituada/habituados.

Mas tenho sempre tempo para visitar os vossos cantos, mesmo que silenciosamente.

Eu ando sempre por aqui, mesmo quando não me vêm.

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