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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

24
Mar15

Sem volta

alex

Ás vezes custa aceitar que as coisas estão diferentes. Que tudo mudou. Que o que dantes era regra, hoje é excepção. Que o que dantes era familiar, hoje é quase como um estranho. É difícil aceitar que as coisas não voltam nunca a ser o que eram, por muito que nos esforcemos.

No entanto, tais tarefas para mim, já não são penosas. Já não custam. 

Acho que deixei para trás, em conjunto com tantas outras coisas e pessoas, a parte de mim que lamentava as perdas que se vai sofrendo pelo caminho da Vida. 

A ausência do que era, no que agora é, já não me traz dor, saudade ou mágoa. Estou tranquila comigo própria e talvez seja por isso que já não me cause transtorno tanta falta de familiaridade. Talvez seja por isso que já não estou de luto pela vida que tive, pelas pessoas que tive, pela pessoa que era.

Porque estou tranquila em relação ao esforço que fiz no passado para tentar manter um presente que, na realidade, nunca teve um futuro. Porque me apercebi que por vezes, a vida é mesmo isto - caminharmos sozinhos até encontrarmos a pessoa certa com quem caminhar de mão dada.

Estou feliz por todos aqueles que encontraram a quem dar as suas mãos. Certamente que eu também irei encontrar a quem dar a minha... longe daqui, num futuro que anseio mesmo que haja a probabilidade de vir a não gostar dele.

É por isso que não me assusta tanto a ideia de partir como deveria. É por isso que os meus medos são outros.

Porque hoje sou uma pessoa que lida perfeitamente bem com o curso natural da Vida. Ela é mesmo assim. As coisas são mesmo assim. O tempo passa, as cores mudam e a forma de pintar também.

Não há nada de mal nisso e não há culpados nem vitimas. É assim. 

Se dantes chorava sobre leite derramado e águas passadas, hoje sorrio por saber que, ao longo deste percurso que já fiz aqui, ganhei e aprendi muito. Todas as perdas foram um ganho no sentido em que me ensinaram a aceitar o curso natural das coisas.

Na minha Vida já não há espaço nem tempo para perseguir passados sem presente ou futuro. Já não existe espaço para chorar pelos cantos devido ao quanto tudo mudou e em como a minha Vida está completamente diferente.

Agora já só tenho espaço e tempo para pensar no que ainda tenho pela frente. Só tenho tempo e espaço para a minha família, para os poucos amigos a quem ainda posso chamar de tal e para as mudanças que ainda me esperam.

Aprendi a não lamentar as mudanças, mas a aceitá-las de braços abertos.

Ás vezes deixamos de ter espaço e tempo para certas pessoas. E isso não é pecado nenhum. É pecado quando nos obrigamos a agarrar a algo ou alguém que já não nos traz nada para além de memórias de um tempo que já não volta.

E também temos de aprender a aceitar isso. Que há tempos, pessoas - incluído as que nós já fomos - que já não voltam.

Há coisas que, por muitas voltas que dêem, já não têm volta a dar.

23
Mar15

O melhor por mim (e por vocês)

alex

Eu não sei se já falei disto aqui, tão abertamente, como estou prestes a fazer. Mas se o estou a fazer agora é porque sinto a necessidade de alertar para este tipo de coisas.

Hoje de manhã levantei-me às oito e fiz uma hora de exercício físico (eu costumava correr mas de momento estou proibida pelo médico de o fazer, por isso sigo o calendário de uma youtuber/personal trainer chamada Casey, cujo site é este caso quem estiver interessado queira espreitar), que se seguiu por uma taça de flocos de aveia, banana e chá verde. A semana passada cometi muitos pecados, mas estou seriamente determinada a ser mais saudável.

Enquanto comia, via o Você na TV e apareceu a Jessica Athayde a falar do seu novo livro - "Não queiras ser perfeita mas faz o melhor por ti" - que pelos vistos é muito mais do que um livro de receitas saudáveis como eu pensava quando ouvi falar dele.

A actriz revela neste livro, e em conversa com a Cristina Ferreira, que ela sofreu de anorexia nervosa quando era mais nova e que sempre foi uma pessoa muito ansiosa. E é por isso que estou aqui, a escrever-vos sobre este tipo de assunto.

Porque eu passei por algo semelhante e muito pouca gente o sabe, ou sabe realmente o quão mau foi. Desde pequena que sempre fui bem constituída. Nunca fui obesa ou nada do género, mas ao lado das outras crianças (raparigas), era sempre a mais alta e mais bem constituída. Quando entrei para o ensino básico, sofri de bullying - acho que isso já referi aqui mais do que uma vez - e durante dois anos fui sofrendo mazelas que deixaram marcas no meu psicológico.

Desenvolvi ansiedade crónica. Só o pensamento de sair de casa dava-me vontade de chorar e vomitar tudo o que tinha no estômago. Não conseguia ir de férias com os meus padrinhos e primo porque só de pensar em ficar longe dos meus pais e da minha casa, dava-me um ataque. Não queria ir para a escola e inventava doenças. Lembro-me como se fosse hoje - aquela sensação de que alguém nos está a cortar o ar, o enorme nó no estômago, o terror puro de sair da porta para fora e encarar as pessoas.

Aos quinze era obcecada pelo meu corpo. O que comia, era pouco ou nada e comecei a recusar a comida que a minha mãe fazia - com molhos, bifes fritos com margarina, fritos, etc. Comia comida de passarinho e aos quinze anos, com 1,65 de altura, cheguei a pesar 50 quilos. 50 quilos para uma pessoa que é relativamente alta como eu, com uma estrutura óssea larga devido aos anos de natação e aos genes, é muito pouco e apesar de na altura eu ainda praticar desporto regularmente, eu não era saudável.

Antes de fazer os dezasseis, deixei a natação - isto foi na altura do nono ano, se não me engano. Deixei de praticar qualquer desporto, tendo apenas a educação física na escola que, digamos, não é nada de especial. Continuava a comer mal, a obcecar com o meu peso e o meu corpo e a ter ataques de ansiedade por isso. Se comia algo que eu achava que era mau, na hora a seguir estava a ter um ataque. O que dantes era mau, passou para péssimo.

Andei em psicólogos, fui medicada ao ponto de ir para a escola de manhã dormente, de chegar à hora do almoço e nem me lembrar das primeiras horas da manhã. E ninguém para além dos meus pais soube, naquela altura. Sempre fui óptima a esconder, a fingir. Muito boa, mesmo. As minhas avós notavam que eu estava demasiado magra, principalmente a minha avó materna, que me via de biquíni quando eu ia passar as férias de verão à terra deles.

Mas eu achava-me gorda. Estava doente. E há quem diga que este tipo de doenças não têm necessariamente de ter um precedente, ou seja, não têm de necessariamente de provir algum tipo de situação que nos tenha marcado, mas no meu caso eu sei que sim. Eu sei que foram aqueles dois anos de bullying constante que me trouxeram a ansiedade e as inseguranças em relação a mim mesma.

Já eu tinha os dezassete (acho eu), quando um dia de manhã acordo e dá-se-me na cabeça passar um dia inteiro sem comer. Era Verão, eu estava em casa sozinha, ambos os meus pais a trabalhar e a minha irmã no ATL, e eu não vou de modas - passo o dia sem comer.

Ao final do dia, quando a minha mãe chegou a casa, eu disse que tinha passado o dia todo extremamente mal disposta e que foi por isso que não conseguia comer. Ela obrigou-me a levantar da cama e a ir para mesa para comer um bocado sopa. Sentada à mesa, quase que desmaiei. O meu pai deitou-me no sofá e eu deixei de sentir o meu corpo do pescoço para baixo.

Acho que ninguém devia de sentir tamanha aflição. Poderem ouvir e ver as pessoas à vossa volta mas passar-vos completamente ao lado porque vocês não conseguem sentir nada do pescoço para baixo. Foi como se eu não tivesse braços, mãos, tronco, pernas e pés. Foi horrível.

Fui imediatamente para o hospital. Tive um mini choque hipovolêmico devido à severa desidratação e falta de açúcares no sangue. Em cima disso, vomitei a comida que não tinha no estômago. Tive de ficar internada durante a noite no hospital. A médica quando me veio ver de manhã e me veio apalpar o estômago disse à minha mãe que eu estava demasiado magra e que queria fazer uma consulta comigo.

Fui obrigada, por assim dizer, a engordar dez quilos. Engordei mais e hoje, quase com dezanove, não vos posso dizer que esteja satisfeita com o meu corpo. Mas já não sou obcecada nem tenho ataques de ansiedade cada vez que como.

Hoje já não tomo comprimidos nenhuns e já consigo dormir bem de noite. Claro que ainda tenho os meus momentos em que o bicho da ansiedade me ataca - acho que desse, nunca me vou ver livre - mas já estou muito melhor do que o que estava há três anos atrás.

E conto-vos agora isto tudo porquê? Porque eu não quero que hajam raparigas de quinze anos como eu fui. Eu quero tentar ser melhor e no processo, ajudar outros a sê-lo. Se existe alguém que lê este blog e que sofre algo parecido, saibam que o primeiro passo a dar é reconhecer que temos um problema. Eu não o fiz até ter ido parar ao hospital. Não cometam o mesmo erro. Não se deixem chegar a esse extremo ou a outros piores. Saibam procurar ajuda, mesmo quando sentem que ela não existe à vossa volta. Há sempre alguém que se preocupa com vocês, seja um pai ou uma mãe, uma amiga ou uma médica que vos diz se não engordarem dez quilos vos interna por tempo indeterminado. Há coisas na vida que nós não conseguimos evitar e depois há outras que conseguimos se estivermos dispostos a isso. Aprendam a viver bem com vocês e com o vosso corpo - eu sei que é difícil, é uma viagem complicada e vai haver sempre pequenos buracos no chão que vos vão fazer cair. Mas não deixem os outros ou vocês mesmos convencerem-vos de que vocês são seres humanos horríveis, feios, gordos.

Porque a verdade é que como mulheres, principalmente (e digo isto porque sei que também há homens que sofrem deste tipo de coisas) mas como mulher que sou, eu sei o quão difícil é não termos aquela tendência para nos comparar-mos às outras. Eu nunca vou ter o corpo perfeito, eu nunca vou ser escanzelada, eu nunca vou ter um rabo pequeno ou umas ancas estreitas. Eu sou uma mulher de ombros largos, ancas largas e rabo grande. Não há nada a fazer quanto a isso, a não ser que comece a partir ossos.

Mas eu posso escolher ser saudável em vez de ser magra. E também posso ser magra e ser saúdavel, porque todos temos um metabolismo diferente e mesmo aquelas pessoas muito magras, são pessoas saúdaveis se quiserem. Eu posso comer bem sem obcecar com cada caloria que ponho no meu corpo ou com cada coisa que como. Eu posso fazer desporto para me ajudar com a minha ansiedade e para me manter activa, e não porque quero perder os mais de dez quilos que ganhei.

Hoje tenho um 1,67 - mais coisa menos coisa - e não peso 50 quilos, nem 55 nem 60. Quero voltar a ganhar músculo e resistência. Mas não quero voltar a ser a pessoa obcecada que era. Quero ser saudável e sentir-me bem comigo mesma, com as minhas imperfeições todas. Porque elas fazem parte de mim e por muito que nos digam que ter celulite é feio ou que ter um rabo gordo é feio, eu digo que ser feio é chamar feio a algo tão natural como as imperfeições do nosso corpo.

Acho que a Jéssica não podia estar mais correcta - Não queiras ser perfeita, mas faz o melhor para ti. E onde é que o melhor para quem quer que seja é passar fome ou passar uma noite no hospital a soro por andar obcecada com o seu corpo?

Façam o melhor para vocês, para a vossa alma, para a vossa mente e para o vosso corpo. Aprendam que, assim como a vossa existência não pode ter um preço, em moedas ou notas, também não pode valer apenas os números na balança ou as estrias e celulite que têm. 

Aprendam a fazer o melhor por vocês.

21
Mar15

Visto!

alex

Acho que é a primeira vez que me acontece - gostar mais do filme do que do livro. Mas hoje lá fui eu ver o Insurgente (palmas para mim por ter conseguido ler o livro em menos de uma semana) e tenho a dizer que fiquei deveras contente com o filme.

Claro que, tendo em conta que estamos a falar de filmes baseados em livros, vai sempre haver ali coisas que faltam e que para alguns leitores pode fazer toda a diferença. No entanto, penso que este filme foi mais bem conseguido em termos não só de visuais - meu deus, aqueles gráficos... - mas também em termos da história em si.

Foi ótimo rever o Theo - oh yes - e como eu gosto de ver a Shailene com o cabelo curtinho! Acho que ela é daquelas actrizes que, apesar de estar a meio de um blockbuster project, não se vai deixar resumir apenas a isso, porque ela demonstra ser uma actriz bem versátil e capaz.

Digo eu que a vi umas quantas vezes na série "dela" e noutros filmes que ela já foi fazendo entretanto.

O meu preferido, no entanto, é e será sempre o Miles Teller - Peter - porque eu não resisto a personagens mázinhas (spoiler alert) que depois até revelam não ser assim tão más. Acho que tenho um soft spot por personagens que passam de bestas a bestiais.

Agora ando pela Wook a ver se consigo arranjar os três livros a um bom preço, porque os dois primeiros li em pdf e o terceiro quero lê-lo em papel, mas para mim não faz sentido ter o último sem os dois primeiros.

Apesar de já saber como a trilogia acaba (obrigada querida Veronica por teres escrito um post sobre isso no teu blog), quero saber o que está para além da muralha e todas as restantes peripécias que com certeza vão surgir.

Quem estiver a ponderar ir ou não, ver o filme ao cinema, têm a minha bênção - não pensem duas vezes!

Ah! E já agora, conto-vos o meu segredo para ter ido ao cinema mais vezes este ano do que nos últimos anos da minha vida toda - o meu querido pai tem o cartão fast da galp que deixa acumular pontos a cada abastecimento. Ora 600 pontos dão direito a um bilhete de cinema por 1 euro! 1 EURO meus amigos! Há melhor negócio que este? Só se fosse 0 euros, certo, mas mesmo assim, digo que é um bom negócio não?

O meu pai precisa de gasóleo para o carro andar de qualquer das formas e de certeza que muitos de vós também precisam, portanto...toca a abastecer!

19
Mar15

O meu

alex

O meu pai é daqueles que, com o passar dos anos, foi mudando e aprendendo a lidar comigo, assim como eu fui aprendendo a lidar com ele.

O meu é demasiado parecido comigo - ou eu com ele. É daqueles pais que sabe perfeitamente que a sua menina já não é nenhuma menina mas que ainda quer que ela o seja - e por vezes ainda a trata como tal, o que a deixa deveras chateada.

O meu é daqueles que me vai buscar às quatro da manhã onde quer que eu esteja, sem refilar. É daqueles que, sem ter obrigação disso, me vem buscar todos os dias às 20h da noite ao trabalho, apesar de eu ter passe e de ele me o pagar.

O meu pai é daqueles pais que já desiludiu as filhas e a mulher. Que já nos deixou ficar mal. Mas bolas se não teve razões para isso. É daqueles pais a quem a vida nem sempre lhe sorri, mas que consegue fazer-me rir até hoje, quando a vida também não está para mim virada (a sorrir).

É acima de tudo, um homem que eu respeito e que gostava, de um dia, de ver feliz. Porque sei que apesar de ter um emprego, uma família, uma casa e comida na mesa, o meu pai não é feliz. E eu só espero um dia ter o poder de lhe proporcionar essa felicidade.

Porque ele está a deixar a filha mais velha ir em busca da dela. E não pensem que este é um assunto que se discute à mesa - o facto de eu ir para outro país - porque não é. É daquelas coisas das quais não se fala até a data estar mesmo à porta, porque dói muito.

O meu pai é daqueles pais que sempre me deu liberdade para ser o que eu quisesse. Sempre foi o primeiro a apoiar os meus sonhos loucos de querer ser cantora e actriz (sonhos esses que já lá vão), o primeiro a mostrar-me o que é gostar de um desporto como a natação, o primeiro a mostrar-me que por vezes, temos de ser duros quando a vida é dura para nós, o primeiro a dizer: "Se é mesmo isso que queres filha, nós apoiamos-te a 100%, e se por alguma razão a meio do caminho mudares de ideias, nós vamos estar aqui para ti, sem julgamentos, sem ralhetes" quando eu disse que queria ir para Londres.

Tivemos os nossos momentos, os nossos anos em que nem nos podíamos ver à frente - a adolescência tem dos seus momentos, não é assim? 

Mas hoje, eu e o meu pai temos uma relação cúmplice, simples e de amigos. E bem sei que há quem diga que os pais ou são pais ou são amigos - não podem ser ambos. Mas o meu é daqueles que o é - meu pai e meu amigo.

Porque só um amigo como ele faria o que ele já fez, faz e continuará a fazer por mim, a sua filha.

E é verdade que eu não sou de dar muitos abraços ou beijos ao meu pai - faço-o com mais facilidade com a minha mãe, mas isso é porque tenho uma relação diferente com ela. Não quer isto dizer que amo mais a minha mãe do que o meu pai - quer apenas dizer que se a minha mãe é o meu braço direito, o meu pai é o meu braço esquerdo.

São ambos quem me aconselha, quem me guia e quem me ensina mais nesta vida. Podia ter um pai que batia nas filhas, que abusava delas, que não as amasse.

Mas o meu pai é daqueles que ama muito com o seu coração de manteiga, camuflado por lascas de gelo que a vida o obrigou a ter como defesas.

Ás vezes, somos tão parecidos que assusta. E por vezes, tão diferentes que enerva. Mas somos pai e filha, já lá vão quase dezanove anos e no decorrer deles todos, não há nada que eu mudasse; muito menos nele.

É o meu pai. Aqui ou na China, não importa. É o único Homem que eu sei com certeza absoluta que me vai sempre amar e apoiar, no mal e no bem.

E é bom termos um dia para celebrar um Homem destes, não é?

Feliz dia do pai.

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