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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Jan15

Vejo turvo


alex

Vejo turvo.

Desde os meus 10 anos que o mundo para mim não é um lugar nítido. Vejo tudo destorcido. Letras, caras, formas, cores...é tudo uma grande bola de confusão para os meus olhos.

Isto, claro, se eu não usar os meus óculos ou as minhas lentes. Desde os meus 10 anos que tenho miopia e que o mundo para mim não é nítido. Faz-me questionar como será ter olhos saudáveis. Olhos que sem óculos ou lentes de contacto são capazes de ir na estrada e ler as tabuletas sem terem de estar mesmo por debaixo delas.

Pergunto-me se será agradável não termos os nossos olhos escondidos por um par de óculos, ou a vista cansada e a incomodar-nos ao fim de oito horas de andarmos com as lentes de contacto.

Não me lembro de como era o mundo quando eu tinha olhos saudáveis. A verdade é esta. As memórias que tenho dos anos anteriores aos meus 10 são poucas e consistem de fragmentos de coisas que não ajudam a matar a minha curiosidade.

Eu sei que via bem antes de fazer 10 anos, mas não me lembro de como isso era. 

Na minha altura, entrei para uma nova escola, sem conhecer absolutamente ninguém, com um par de óculos novinhos em folha na cara. Julguei-me muito inteligente e sofisticada com aqueles óculos fininhos que me davam um ar de totó. Sofri a minha quota parte de insultos à pala da necessidade de usar óculos. Fui a Xana a caixa de óculos, Xana a quatro olhos, Xana Cegueta... e a lista desenrola-se por aí fora.

Claro que isto faz muito mais estragos ao íntimo de uma criança de 10 anos do que o que faria agora à jovem de 18 que sou. 

A verdade é só esta: ao fim de um ano, usar óculos já não me incomodava e deixou também de incomodar os outros. Era como se aquele objecto já fizesse parte da minha cara - tenho um nariz, dois olhos, lábios e óculos. Era mais uma característica minha. 

Á medida que fui crescendo, os óculos foram mudando. Tive uns cor-de-rosa da Dolce&Gabana naquela fase em que queria a todo o custo afirmar-me e espetar na cara das pessoas que sim, sou cegueta, sim uso óculos e tal não me incomoda nem um pouco. Depois tive uns azuis escuros, mais discretos e esses foi os que me duraram mais tempo e, sinceramente, os que me assentavam melhor.

Há coisa de quase dois anos atrás arranjei os que tenho hoje - aquele castanho vintage, semi redondos mas arqueados nas pontas. Enfim, difícil de descrever.

Há quatro meses atrás, quando andava a procura de emprego, decidi apostar nas lentes de contacto. Porque olhava para o espelho e via estes olhos amendoados, castanhos, com pestanas longas completamente escondidos por detrás de uns óculos.

Já para não falar do facto de que as minhas pestanas são como os limpa-vidros do carro - elas estão sempre a bater nas lentes dos óculos e é enervante (sim, isto acontece mesmo quando eu não tenho rímel posto, já todos sabem que eu nasci com pestanas anormalmente longas, passemos à frente).

Mas agora as lentes chegaram ao fim (eram as de três meses) e eu voltei aos óculos. Não que não tenha gostado de usar lentes porque adorei, mas porque as mesmas são caras.

As lentes, mais o líquido de manutenção, ao todo foi tudo à volta dos 60€ (auch). Neste momento não quero gastar esse dinheiro porque posso precisar dele (estou a meio do longo processo que é mudar-me para outro país para estudar) e não quero andar a gastar dinheiro assim, como se andasse cheia dele.

Tenho os meus óculos e para fazer a Vida que tenho feito ultimamente (casa, trabalho, trabalho casa) servem. Mas admito que prefiro mil vezes as lentes de contacto. Porque me dão um cheirinho do que seria se os meus olhos fossem saudáveis. 

Deixam os meus olhos turvos ver nítido por algumas horas sem ter uns óculos pendurados no nariz.

E claro, não escondem os meus olhos que são das poucas coisas que eu gosto em mim.

Ora se algum de vocês for como eu, cegueta que nem uma porta, e por acaso costumam encomendar lentes de contacto mais baratas de algum site da Internet, agradecia a recomendação. Pode ser que para o final do próximo mês já consiga despender o dinheiro para comprar novas lentes de contacto.

Até lá, continuo a ver o mundo turvo - sem óculos, e a ser caixa de óculos para o conseguir ver nitidamente.

You lose some, you win some.

26
Jan15

Ser mais (fazer mais)


alex

No outro dia disseram-me:

"Gostava de ser mais como tu."

Isto por estarmos a falar sobre o meu nível de determinação (ou loucura, depende da perspectiva) e de estar disposta a tudo (bom, quase tudo não é, não sejamos radicais) para conseguir iniciar um novo capítulo da minha vida.

A pessoa dona da frase em questão é um amigo muito próximo, que como eu também optou por não ir para a faculdade no ano lectivo 2014/2015. As razões dele, apesar de diferentes das minhas, também são válidas.

Não se quis ir pôr num sítio sem estar mentalmente bem. E eu apoiei-o assim como o teria feito se ele tivesse optado por ir para a faculdade.

Agora, admito que fiquei um pouco sem jeito quando ele me disse aquilo assim, tão honestamente. Eu respondi-lhe da melhor forma que fui capaz no momento, mas agora pensando bem, acho que podia ter respondido de uma outra forma.

Podia ter-lhe dito que não se trata de ser mais ou menos como eu ou que outra pessoa qualquer. Trata-se de sermos nós próprios e de conseguirmos fazer uma auto-avaliação à nossa pessoa e aos nossos objectivos.

Há muito boa gente da minha idade que não tem objectivos definidos e isso também é aceitável. Porque somos todos diferentes e porque todos temos gostos diferentes, há quem se ache mais perdido do que eu alguma vez estive.

No entanto, acho também que uma grande parte dessa boa gente não se dá ao trabalho de pensar seriamente sobre a Vida fora daquele mundo no qual vivemos durante tantos anos - a escola. Não as aulas ou as disciplinas, mas a parte social da coisa. Para eles a Vida é rapazes, raparigas, curtes, namoros, festas e pouco mais. A Vida, infelizmente e felizmente, é muito mais para além disso.

Mas estou a divagar. O caso em questão não é este. O problema do meu amigo é que ele acha não ser capaz de fazer aquilo que eu estou a fazer - trabalhar 40 horas por semana, só com domingos de folga, a ganhar pouco para poder sair do país e ir estudar para longe de tudo aquilo que me é familiar.

Eu podia ter-lhe dito que não é o quanto nós queremos algo que vai fazer com que tal aconteça - é o quanto nós estamos dispostos a trabalhar para que isso se realize.

O quanto estamos dispostos a perder na incerteza de ganharmos algo mais; algo melhor.

O quanto estamos dispostos a dar o passo em frente e a cair de braços abertos, confiantes de que no fundo do buraco escuro vai estar algo para nos amparar a queda.

O quanto estamos dispostos a sofrer se por alguma eventualidade, o que nos esperar no fim desse buraco fundo for nada mais do que o chão frio e duro.

No final, depende apenas da fé. Da fé que temos em nós mesmos e no trabalho que estamos a ter a plantar sementes que podem muito bem não dar frutos. Ou podem transformar-se em frutos fortes e deliciosos, prontos a ser colhidos no final.

Acho que a Vida é sempre 50/50. Ou caímos de pé como os gatos, ou tombamos com a força do impacto da nossa queda e somos obrigados a levantar-nos, por muito que nos doa; por muito que nos custe.

É sempre ingrato nunca sabermos ao certo se o trabalho que estamos a depositar em algo vai valer a pena ou não. Mas também acredito que ganhamos muito mais em arriscar e fazer pelas coisas acontecerem do que ficarmos presos no mesmo sítio, sem semear nada, demasiado assustados para percorrer um caminho desconhecido.

Não importa quais os caminhos que escolhemos percorrer na Vida, vamos sempre ter de perder algo ou abdicar de alguém. Deixar para trás certas coisas, certas pessoas.

Mas também há sempre algo a ganhar por cada novo caminho que tomamos.

Se é melhor ou pior do que aquilo de que abdicamos, isso não sabemos a não ser que arrisquemos. No entanto, acredito que sendo melhor ou pior, valerá sempre a pena. Senão para nos trazer felicidade, para nos trazer lições que são essenciais à nossa vivência.

Acho que o problema das pessoas que me rodeiam é que nunca tiveram de arriscar e trabalhar muito na Vida para terem o que têm; o que queriam.

E agora que é chegado o momento, vêm-se desamparadas e cheias de medo de arriscar.

Mas acho que é para isso que eu cá estou. Eu e os outros que os amam.

Para os fazer ver que a Vida é 50/50. Há 50% de probabilidade de correr bem e 50% de probabilidade de correr mal. No fim, se nos limitamos a ficar sentados na nossa própria poça de medos e inseguranças, sem dar um passo para a frente ou até mesmo para trás...aí sim, é que a probabilidade de algo bom acontecer é de 0%.

Acho que 50% é sempre melhor do que 0%.

Mas isto não é uma questão de números...antes fosse.

Devia ter-lhe dito que é mais uma questão de conhecer-mos as nossas opções; conhecermos-nos a nós mesmos e fazer uma escolha.

Certa ou errada, no fim, algo ela nos trará.

E acho que...no final...é uma questão de sabermos aproveitar o bom e o mau das nossas escolhas. Vai haver sempre dissabores, coisas sobre as quais nos queixarmos (eu que o diga)... mas acho preferível fazer algo, seja o certo ou o errado, do que não fazer nada apenas porque temos medo, ou estamos inseguros, ou porque vamos ter imensas saudades do que nos é familiar.

Podia ter-lhe dito que ele não precisa de ser mais como eu - apenas ser mais ele.

25
Jan15

Em voz alta (é diferente)


alex

Hoje disse-o pela primeira vez em voz alta, em conversa com a prima do meu primo (que não é minha prima mas de quem eu gosto muito).

Disse-o e não sei se fiz bem ou mal porque a Vida é nada mais nada menos do que uma enorme incerteza - ninguém sabe o dia de amanhã.

Mas saiu-me. Ela estava a ver as fotos dela com o nosso primo em Londres e eu virei-me e disse:

"Eu este ano vou para Londres".

Só me apercebi do que me saiu da boca quando ela olhou para mim com um sorriso de orelha a orelha e perguntou:

"A sério, já te candidatas-te?"

Foi estranho, dizê-lo em voz alta com tanta certeza. Tenho andando a dizê-lo na minha cabeça desde o início do mês mas é diferente dizê-lo em voz alta, a outra pessoa. Claro que os meus pais sabem, mas não falamos muito sobre isso - prefiro assim porque já sei que se falarmos, eles vão começar a encher-me a cabeça de dúvidas (legitimas, admito) e eu dispenso.

A candidatura já foi, o curso é Escrita Criativa e Jornalismo e a universidade é a Middlesex. Agora, lá para o final de Fevereiro, inicio de Março chega a resposta por parte da Universidade, depois em meados de Abril é fazer o exame IELTS e ter uma classificação de 6.0 (no mínimo) e aí sim, as coisas vão começar a tornar-se muito mais reais.

Eu vou para Londres.

Este ano.

Em Agosto.

Espero eu.

24
Jan15

As (minhas) palavras tóxicas


alex

-Fala! Diz alguma coisa, pelo amor de Deus!

Permaneci calada, os olhos vidrados nas minhas botas gastas pelo uso. Sinto o olhar dele a cravar-se no meu crânio como se tentasse, de alguma forma, ler-me os pensamentos.

-Não vais dizer nada?

Abanei a cabeça em reposta. Já disse tudo o que tinha para dizer.

E mesmo que houvesse ainda algo atravessado na garganta, engolia as palavras e obrigava-me a permanecer no silêncio. Quando se diz a coisa errada, não há como voltar atrás. Não é como quando nos enganamos na rua e podemos sempre fazer marcha atrás com o carro e ir em busca da certa.

O que é dito fica escrito nas mentes e corações daqueles cujas nossas palavras magoam mais do que outra coisa qualquer - porque no fundo, as palavras só magoam quando proferidas pela pessoa que mais poder tem para nos infligir tamanha dor.

-Sabes uma coisa? Ás vezes o teu silêncio é pior que todas as tuas palavras juntas, ditas aos gritos e aos pontapés.

Fiz-me olhá-lo nos olhos, a custo. O meu coração sofre com tal ousadia.

Não é não. Acredita. Porque se calo e consinto é porque as palavras que poderiam jorrar de mim, iriam provavelmente destruir tudo.

As minhas palavras são tóxicas.

O silêncio é a minha única defesa - e por conseguinte, a tua também.

As palavras ecoam na minha mente mas os meus lábios não se movem para as reproduzir. Viro-lhe costas sem olhar para trás, dizendo a mim mesma mais do que uma vez que esta é a coisa certa a fazer.

As minhas palavras são tóxicas - se para alguém mais do que ninguém, esse alguém sou eu.

Porque o silêncio que dou aos outros, não o posso providenciar a mim mesma. As palavras ressoam na minha mente, sem terem por onde escapar e, aos poucos, corroem-me.

No entanto, se tiver de corroer alguém com as minhas palavras, que seja a mim mesma.

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