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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

05
Out14

O poeta é um fingidor - mas eu já não o sou


alex

Tenho um espelho no meu hall de entrada que serve também de roupeiro. Já cá está desde que nos mudámos, há 15 anos. Quando eu era pequena, digamos com seis anos, passava a minha vida sentada no hall de entrada, a falar sozinha para o espelho. Inventava histórias e mundos e pessoas que para mim não eram inventados. Era filha única e quando os meus pais não brincavam comigo, eu lá me desenrascava. Para além de ter sido sempre, uma fala-barata, sempre tive uma GRANDE imaginação. E com essa grande imaginação, veio a habilidade de fingir. Fingia constantemente que tinha uma melhor amiga chamada Sol, quando na verdade a minha melhor amiga era uma menina de etnia cigana chamada Cheila. Fingia ser mulher ao usar a maquilhagem e os saltos altos da minha mãe. Fingia estar perdida no meio do oceano, sentando-me na tampa do baú dos meus brinquedos, rodeada dos meus bens essenciais: livros. Se uma pessoa está sozinha no meio de um oceano, a única coisa de que precisa para sobreviver são livros, de acordo com a criança de seis anos que já fui. Fingia ser professora de um bando de alunos que não existia. Fingia que era uma agente secreta e que combatia o crime.

Fingia, fingia e fingia.

Isto quando tinha seis e prologou-se até aos meus dez anos, mais ou menos. Depois, passei a fingir sobre outras coisas; sobre coisas mais sérias e menos infantis.

Passei a fingir que era uma menina que mal abria a boca. Fingia que era introvertida porque queria ser invisível. Fingia para que não implicassem comigo, a menina nova que veio de uma pequena e modesta escola básica em Lisboa, para uma escola onde já todos conheciam todos, porque tinham todos andado no básico juntos. Fingia que não me importava com o facto de me chamarem nomes. Fingia ser maria-rapaz porque assim ninguém iria olhar para mim - rapazes ou raparigas. Fingia gostar de usar óculos, mesmo quando me chamavam quatro-olhos e caixa de óculos (sim, os miúdos já naquela altura eram bastante originais com os insultos *ironia*). Fingia que não chorava todas as noites e que não tinha ataques de pânico todos os dias antes de ir para a escola, porque aquela escola estava a deixar-me cicatrizes que ainda hoje carrego. 

Com treze anos, deixei de fingir. Comecei a ser eu. E por um tempo, resultou. Mas depois chegou aquela altura em que a fingida dentro de mim voltou - quando mudei de escola outra vez, desta vez para a secundária. Aquela altura das nossas vidas em que só queremos é sentir-nos incluídos. Dizem que é durante os anos de secundário que mudamos mais e que cometemos mais erros - não é assim para todos, mas para mim assim foi. Fingi ser a rapariga que gostava de ir a festas. Fingi ser a rapariga que gostava de intrigas e de brigas e de mesquinhezies. Fingi ser uma pessoa a quem hoje, ao olhar para trás, daria uma valente de uma porrada porque é daquelas pessoas que simplesmente não prestam.

Fingi e durante um ano fingi muito bem. Fingi que o facto de, aos dezasseis anos, ter de fazer de mãe e pai cá em casa não me pesava nos ombros. Fingi que não andava deprimida e com constantes ataques de ansiedade. Fingi que não gostava de um determinado rapaz. Fingi tanto que a certa altura, já não conseguia distinguir a realidade do fingimento. Já não sabia quem eu era de verdade.

E depois, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. E sofri como nunca antes tinha sofrido. E aprendi a minha lição.

E hoje, estou aqui, sem fingimentos. Esta sou eu - completa e totalmente. Há quem me odeie com um só olhar ou com uma só palavra minha - vão bugiar. Já não sou a menina que se cala quando lhe mandam. Já não sou a caixa-de-óculos que se esconde por detrás do cabelo quando lhe pisam os calcanhares - apesar de ainda usar óculos (uns muito mais giros e modernos do que os que usava na altura).

Já não preciso de fingir sabem? Cheguei aquele ponto da minha vida em que não tenho mais medo de mostrar quem sou - sou faladora, imaginativa, impulsiva, expulsiva, sarcástica, bruta. Mas sou também simpática, de sorriso e riso fáceis; estou sempre a tentar fazer os outros rir e não me importo de estender a mão aos que depois me apontam o dedo. Sou isto e muito mais.

E já não preciso de fingir.

03
Out14

Voltar(ei?)


alex

Quando o mar parece calmo e sereno, vem uma corrente de ar que o faz despertar do seu sono, deixando-o agitado e tumultuoso. 

Quando o sol brilha resplandecente no céu limpo e azul, uma grande nuvem negra surge, colocando-se à frente do sol, impedindo-o de iluminar o dia de muita gente.

Quando o dia está ameno e o calor nos aquece o corpo, surge uma brisa fria desagradável que nos faz tirar os casacos da mala e aconchegar-nos nele.

Quando a manhã é alegre e boa, a noite é triste e má, repleta de sonhos por realizar, de lágrimas por derramar, de dores por sofrer.

Quando amamos alguém de forma a não conseguirmos explicar esse amor e esse amor esmorece tal e qual como o mar passa de sereno a bravo, como o sol passa de brilhante a negro, como o dia passa de ameno para frio, como a manhã alegre passa para noite triste; quando isso acontece... 

Nós mudamos. E enquanto que o mar volta a acalmar, o sol abre caminho por entre a nuvem negra e faz-se notar novamente, o frio se desvanece e o calor regressa, a noite triste se começa a assemelhar à manhã alegre...enquanto isto tudo acontece, nós ficamos na mesma.

Mudamos e depois nunca mais voltamos a ser o que éramos dantes.

Se tudo o resto volta a ser como era, porque não nós também?

02
Out14

A prova de que eu não sou normal #2


alex

Anteontem fui aqui ao Espaço Casa perto de minha casa para ir comprar materiais de pintura, para começar a trabalhar na prenda do meu pai que para a semana completa 50 anos. 

Mas não é sobre isso que vou escrever. É sobre o rapaz que lá andava e pelo qual eu fiquei encantada. Digamos que eu tenho uma valente tendência para gostar de homens assim, mais velhos que eu - não gosto de avôs, atenção!

O rapaz tinha tudo para se olhar para ele e pensar: ora ali está um bom pedaço de mau caminho... Casaco de cabedal, jeans, All Star e uma barbinha de dois dias encantadora. Mas a primeira coisa que eu reparei nele não foi, de todo, no seu aspecto. Foi no seu cheiro. Estava eu á procura de tintas de óleo na secção das pinturas, quando me chegou um cheiro simplesmente divinal ao nariz. Feita anormal até inspirei com mais força para absorver aquele cheiro tão agradável. E o rapaz passou por mim nesse mesmo instante, quando eu estava a absorver o ar todo à nossa volta qual maníaca. Eu vi-o a esconder um sorriso - obrigada lentes de contacto por agora me permitirem ver um palmo à frente da cara sem precisar de usar os óculos - e lá continuou o seu caminho.

Eu confesso que não tenho problema em parecer maluca; em dar essa impressão. Porque é o que eu sou - eu sou maluca, de forma saudável. Mas naquele dia o saudável passou-me ao lado e eu estiquei a corda.

Andei a seguir o rasto do perfume do rapaz até ele ter ido para a caixa. Quando lá cheguei, para pagar a tela, as tintas e os pincéis, ele ainda lá estava, olhou para mim com um sorriso nos lábios que dizia: eu sei que me andaste a snifar pela loja fora!

Querem saber o que aconteceu a seguir?

Espirrei-lhe para cima.

Pelos vistos, depois de tanto snifar o perfume do rapaz, acabei por criar uma espécie de alergia ao raio do perfume. Ele riu-se, eu pedi desculpa, paguei as minhas coisas e sai de lá a voar. Segundos depois ele passa por mim na sua bruta Honda VFR (mota) e diz-me adeus.

Os meus pensamentos naquele momento foram:

1º- QUE COISA LINDA MEU DEUS!

2º - Quem me dera ter dinheiro para poder comprar aquela coisa linda, meu deus!

3º - A coisa linda é a mota.

4º - Gostei mais da mota do que do facto de ele me ter acenado (mesmo depois de eu lhe ter espirrado para cima).

A prova de que eu não sou normal 2.0!

 

01
Out14

Sempre de braços abertos!


alex

Quem já acompanha o blog há algum tempo sabe que eu sou fã de mudanças. Estagnar para mim é o mesmo que deixar-me morrer aos poucos e se formos a contar pelos dedos das minhas duas mãos as quantidades de vezes que eu já mudei, por exemplo, de penteado, os meus dez dedos não chegavam! O mesmo se aplica ao layout do blog - tenho de mudar sempre qualquer coisa, de vez em quando, senão torna-se aborrecido!

Desta vez, todo o Sapo mudou! É verdade que quando abri a página, hoje, pela primeira vez, torci o nariz. Está diferente do que aquilo a que estávamos todos acostumados - muito diferente aliás. Um visual mais moderno, mais clean...diferente. Mas diferente não significa, necessariamente, mau! Aproveitei esta onde de mudanças e mudei umas quantas coisas no meu próprio blog, em solidariedade para com a nossa querida plataforma!

Eu sou apologista da inovação, de mudanças, de inovar - por isso, e como se costuma dizer, primeiro estranha-se e depois entranha-se!

Esta mudança no Sapo não é excepção e há-de haver sempre quem não goste - neste momento, não gosto nem deixo de gostar.

Estou sempre de braços abertos para mudanças e a esta, não fecharei os braços com certeza!

Pág. 4/4

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