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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

21
Jun14

Vão-se embora

alex

Ultimamente tenho-me sentido presa. Pior...sinto-me a regredir. A voltar à pessoa que era há um ano atrás, mais ou menos por esta altura. Acho que isto tem a haver com o facto de passar a maior parte dos meus dias em casa, a mudar da cama para a secretária e a levar os livros comigo para estudar. Sinto que não sou eu, esta pessoa morta que se resigna a passear pela casa para não ter de explodir a qualquer momento.

Essa pessoa é o meu pai; não eu. Não... eu sou a rapariga que se deita cedo para na manhã seguinte levantar cedo também e ir correr. Sou a rapariga que canta pela casa fora, que dança sem medo de que alguém a esteja a ver. Sou a rapariga que não pensa no que não tem para fazer amanhã porque não se importa. Sou a rapariga que não acorda com um aperto no coração todas as manhãs e se deita com um ainda maior.

Eu sou essa rapariga. Ou era...ultimamente não tenho sido essa rapariga. Tenho sido uma versão mais apagada dela.

Deito-me tarde porque o sono não quer nada comigo; levanto-me tarde de mais para ir correr e depois perco a vontade, por isso, a única corrida que faço é a do meu quarto para a casa de banho. Já não canto pela casa fora e dançar muito menos. Passo os dias em casa, fechada, a desejar não estragar a minha vida. A desejar que o dia 11 de Julho me diga: acabou. Agora podes fazer o que quiseres.

A desejar não sucumbir aos erros do passado.

Agora, ultimamente, tenho sido essa rapariga. E dou por mim com pena de mim própria. Se há coisa que me chateia é quando vejo as pessoas a olhar para mim com pena. E agora, eu própria me olho assim quando contemplo o espelho.

E eu continuo a dizer, para mim e para as paredes lavanda desta minha torre, que isto tudo vai acabar no dia 26 de Junho às cinco da tarde. 

E depois, o meu pior fantasma; o maior de todos surge, a sua voz não mais um sussurro, gritando ao meu ouvido:

"E se não acabar? E se esta é mesmo a pessoa que tu és na realidade? Talvez devesses desistir mesmo antes de tentar."

Vai-te embora voz de merda. Vai-te embora sensação de sufoco. Vai-te embora medo.

Vocês são veneno e aos poucos estão a matar a rapariga que sou.

Vão-se embora para que eu não tenha de ir.

20
Jun14

As cartas que não envio

alex

Ainda penso muito em ti. Mentiria se dissesse o contrário. E mentir já eu minto todos os dias... a mim, a ti e aos outros. Por isso, perante esta folha branca de papel, não posso eu mentir.

Porque mentir através de palavras escritas é como um crime do qual não posso ser acusada. Não posso. Posso dizer que não penso em ti; que não me surges no pensamento quando estou a ler, a ver televisão, a ouvir música, a falar com alguém. Posso contar esta lengalenga a todos os que me rodeiam e a mim mesma. Mas não posso escrevê-lo aqui.

Porque seria mentira. E esta carta é a única via de eu poder ser honesta e verdadeira: comigo, contigo, connosco.

Não sei como se esquece alguém que está tão presente na nossa vida. Mas o objectivo também não é esse. O objectivo é deixar de te amar, não esquecer-te. Eu não te quero esquecer. Foste o primeiro a quem escrevi uma carta de amor. Lembras-te? Lembras-te, há oito anos atrás, quando recebeste aquela carta idiota; uma declaração de amor feita por mim, para ti. Assinei-a com as minhas iniciais: A.R

Como se tu não fosses saber de quem era... Nessa altura ainda era uma criança, ingénua...sabia lá eu o que era o amor. Achava-te piada, eras meu amigo, fazias-me rir e por isso pensei: é ele o amor da minha vida.

Só para veres que a minha memória não é assim tão má quanto isso. Há coisas que não se esquecem. E tu és uma delas. Mas eu também não te quero esquecer. Não...eu quero deixar de te amar.

Quero voltar a acordar sem ter aquela sensação de que andaste a passear-te pelos meus sonhos durante toda a noite. Quero poder estudar sem a minha mente divagar para longe; para ti. Quero poder ouvir a nossa música e não pensar nela como "a nossa música". Quero poder olhar-te nos olhos e não sentir aquele frio na barriga, aquele arrepio na espinha, aquele bater forte do coração que me deixa sem ar durante um nanossegundo.

Quero poder sentar-me contigo à mesa, em conjunto com as nossas famílias e amigos, e não ter de me esforçar para colar o olhar ao prato, só para que não me apanhes a olhar para ti de esguelha, a contemplar as tuas feições de menino, apesar de já não o seres.

Quero poder desprender-me de ti verdadeiramente. Quero parar de mentir: a mim, a ti e aos outros.

Mas acima de tudo, quero deixar de te amar. Mas se desde aquele dia, há oito anos atrás quando era uma mera menina, me convenci de que és tu o amor da minha vida, como é que agora convenço a jovem que sou, de que afinal não o és?

Como se deixa de amar alguém que amamos toda a nossa vida? Primeiro de uma forma infantil, inocente, ingénua. Depois de uma forma engraçada, adolescente, de risadas nervosas e faces coradas. Por último, de forma tão forte, tão sólida, tão arrebatadora, que ainda hoje me encontro a escrever-te.

Eu não sou assim. Lamechas, romântica...gaja. Tão gaja! Mas tu trazes ao de cima a minha "gaja" interior.

És o único.

És o amor da minha vida. Não posso mentir. Não enquanto preencho esta folha com palavras tão minhas e que nunca irão ser tuas.

Não posso mentir... nem posso esquecer. 

Mas será que posso deixar de (te) amar?

18
Jun14

Eu penso muito

alex

Há alturas na vida em que paramos para pensar. Para uns, isto acontece mais frequentemente do que para outros, mas acontece a todos a determinada altura.

Aqueles momentos em que paramos, simplesmente. Paramos de pensar no trabalho que temos de completar, no exame que temos de fazer, no jantar que temos de cozinhar...paramos. 

Esse momento, para mim, aconteceu há umas semanas, quando estava rodeada por cerca de 100 pessoas. Pessoas que como eu, que estão prestes a embarcar numa nova etapa das suas vidas, seja ela qual for.

Escrevo agora sobre esse momento porque...porque a coisa está a tornar-se real. Muito real. Aquela coisa na qual pensei, ali parada naquele jardim, com o céu iluminado por uma centena de balões. Aquela coisa que não me sai da cabeça por muito que eu me esforce. Eu posso não pensar nela todos os dias; há dias em que até julgo que ela não existe. Mas depois, surge, como hoje.

Está a chegar o fim.

O fim de anos de uma vida que é a única vida que eu conheço: a escola. Sabem qual é um dos males do ser humano? É que nos habituamos com facilidade. Habituamos-nos à rotina, aos sítios, às pessoas... Sabem qual é um dos meus maiores males? É pensar demasiado nas coisas. Nessas coisas às quais estou tão habituada, a esses sítios e a essas pessoas às quais estou tão habituada.

E por isso, durante muito tempo, não paro para pensar. Vou-me distraindo e ocupando a mente com outras coisas e sou feliz assim; a enganar-me a mim própria.

Mas depois, há estes momentos, em que páro e penso. Um dos grandes males do ser humano é o facto de se habituar a tudo com muita facilidade e depois, quando esse "tudo" lhe é tirado, ele fica sem saber bem para onde se há-de virar.

Mas, se há coisa de que também somos capazes de fazer, é de nos adaptarmos às mais variadas situações; de nos ambientarmos e nos encaixarmos em novos sítios, com novas pessoas: em viver novas vidas.

Também somos capazes disso. E por isso, quando paro para pensar em como o fim se aproxima cada vez mais depressa (faltam exactamente 8 dias para estar despachada dos exames), acalmo esta minha mente perturbada, pensando também em como temos essa magnífica capacidade de adaptação.

Mas depois penso ainda mais e deparo-me com isto: o meu problema não é mudar ou ter de me ambientar a um novo sítio, com novas pessoas. O meu problema é se eu fico aqui. Aqui, sentada nesta cadeira de cabedal onde tenho estado nestas últimas semanas, a estudar para o exame. 

Tenho receio de o meu novo ambiente vir a ser este; da minha nova rotina se revelar esta. E quando digo "novo" estou a ser irónica, porque não há nada de novo em a minha pessoa passar os dias ora sentada na cadeira da secretária, ora sentada na cama.

O meu medo verdadeiro não é o da mudança; essa até eu recebo sempre de braços abertos.

O meu verdadeiro medo é da estagnação. De não mudar de rotina, de ambiente, de pessoas, enquanto todos os outros à minha volta o fazem. Tenho medo de ficar perdida depois desta etapa. De não conseguir iniciar a minha próxima etapa: arranjar um emprego que dê para eu começar o meu pé de meia para o ano.

É disso que tenho mais medo.

E por isso paro poucas vezes para pensar.

Mas quando o faço, é horrível.

Porque eu penso muito sabem? Não penso muitas vezes, mas quando o faço, faço-o pelas vezes todas em que peguei num livro, numa série, num filme, num jantar por fazer, tudo para não ter de pensar.

Eu penso muito. Faço-o poucas vezes, mas em demasia.

17
Jun14

Só por isto...

alex

"A arte, mistério impenetrável, não cabe na razão lógica e qualquer tentativa de a desmontar será sempre inútil. Se fosse possível desmontá-la não seria arte. Permanecerá para sempre secreta e insolúvel. Pode bordar-se em torno mas fora da muralha, nada tem que ver com a inteligência, a razão, o raciocínio dedutivo: existe em si mesma, por si mesma e para si mesma, apenas permeável ao inconsciente e, no entanto, ao tocar-nos no inconsciente muda a nossa percepção do mundo e de nós mesmos em consequência de um mecanismo que nos escapa. 

Só o mistério nos faz viver, insistia Lorca, só o mistério nos faz viver. (...)

(...) Governem-se, se forem capazes, com a chave que vos deixo, se é que ela existe, ou não existe, ou existem várias, ou existem muitas, mudando constantemente. De cada vez, por exemplo, que oiço um quarteto de Beethoven oiço música nova.

 Como se pode agarrar, digam-me lá, o que constantemente muda?"

 

-António Lobo Antunes, "Adeus", Visão, nº1024, a 18 de Outubro de 2012, excerto retirado da crónica que foi usada como texto do grupo 2 do exame de português do ano passado.

 

...já valeu a pena o estudo.

15
Jun14

As línguas...

alex

Mais propriamente, a língua: o francês.

Adoro, fascina-me, encanta-me.

É difícil de falar, complicado de escrever e fácil de se compreender (se falarem comigo calmamente e/ou se estiver a ler algo em francês).

Por isso, isto aos poucos está a ir lá. Sinto que posso tirar boa nota nesta pôrra de exame. Eu sinto-o.

No final do mês já vou poder ir a Paris e ter uma conversa adequada com um parisense todo jeitoso.

Fica aqui registado.

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