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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

18
Ago13

Isto não é dor

alex

Não dói. Arde.

Não arde. Queima.

Não queima. Corrói.

Não corrói. Destrói.

Não destrói. 

Porque já está destruído. Há muito tempo.

Já não dói, não arde, não queima, não corrói nem destrói.

Já faz parte de mim.

Este erro, este percalço. 

A acção que trouxe consigo a destruição, impossível de apagar e impossível de reconstruir.

Já faz parte de mim. A dor, a sensação de ardor, a sensação de que estamos a ser consumidas pelas labaredas do fogo gigante, enquanto a nossa pele queima e com ela, todo o nosso corpo, incluindo o órgão mais vital que o ser humano tem.

O coração.

O meu já não sente nada.

Isto não é dor.

Isto é o Nada.

E o Nada, acreditem, é muito pior que a Dor.

A Dor sente-se. Sabemos que está lá. Choramos porque dói. Rimos para disfarçar a dor.

Com o Nada...não se sente. Não há lágrimas, não há risos, gargalhadas.

Não há fingimentos ou honestidade.

Há penas o Nada.

Isto já não é Dor. 

Não é Nada.


Quando a noite já vai longa e o João Pestana não quer ter nada a haver comigo, saem-me coisas destas. Só uma pequena amostra do que vai nesta minha cabeça, já sem reparo...

13
Ago13

Eternal No

alex

Toda a minha vida fui perseguida pela palavra "não".

Não podes comer isso.

Não podes estar deitada ao sol durante muito tempo.

Não podes mexer nisso.

Não podes falar assim, não podes dizer isso.

Não te podes rir. Não podes chorar.

Não podes tirar uma nota inferior a Bom.

Não podes tirar uma nota inferior a 4.

Não podes tirar uma nota inferior a 15.

Não podes ser cantora.

Não podes ser tratadora de golfinhos.

Não podes ser psicóloga criminal.

Não podes ser escritora; jornalista.

Não podes trabalhar na rádio e muito menos na televisão.

Não podes tirar o curso que queres quando fores para a faculdade porque isso é o teu bilhete de entrada para o mundo do desemprego.

Não podes ser feliz.

Não podes sustentar-te, não podes pagar as tuas compras de supermercado ou as propinas da tua faculdade.

Não podes comprar aquele vestido pelo qual te apaixonaste.

Não podes trabalhar durante o verão.

Não, não, não, não, não.......

Toda a minha vida girou à volta do não.

Porque é que eu, ingénua como (ainda) sou, haveria de pensar que agora iria ser diferente?

Foi como receber um murro no estômago. Mais um.

Estar ali, ao lado da D. e ver a expressão de felicidade dela.

Continuar a caminhar, forçando o sorriso, com vontade apenas de parar, sentar-me no meio do passeio e desatar a chorar como uma criança de 3 anos.

Ouvir as palavras sair da boca dela e pensar: "O teu sim é o meu não."

Fico feliz por ela, não me interpretem mal.

Mas também gostava, por uma vez que fosse, de poder ficar feliz por mim.

De ouvir um "sim".

Porque apesar de não ter ouvido um "não" directo, eu sei que o recebi.

Porque o "sim" direto dela foi o meu eterno e repetitivo "não".

Porque às vezes, só às vezes, partilhar a felicidade dos meus, não me chega.

Quero não ter de beber da alegria dos outros; das histórias dos outros; das suas experiências; da sua felicidade; dos seus "sins".

Quero o meu "Sim". Porque tenho direito a um.

Nem que seja só a um.

Mas ainda não foi desta.

Não, não, não...lá esta a maldita palavra. Tão pequena, tão simples de pronunciar, tão...insignificante.

Tão poderosa, tão forte, tão destrutiva...e, infelizmente, tão minha.

07
Ago13

Nada. Absolutamente nada...

alex

Dou por mim deitada de costas na cama, rodeada por um silêncio enorme e uma escuridão ainda maior.

A minha cabeça trabalha a mil à hora, o meu coração bate tão fortemente que por momentos, chego a pôr em causa se estou realmente deitada ou a correr uma meia maratona.

O medo é o sentimento que me domina. Sempre dominou.

O dia aproxima-se. 

As coisas não mudam.

Só para pior. Não sei o que vou fazer.

Muito honestamente, muito abertamente, digo aqui e agora que não sei o que vou fazer da minha vida.

Não sei quem sou, quem quero ser.

Não sei onde pertenço, ou se pertenço sequer a algum lado.

Sei apenas que sou dominada pelo medo, noite e dia, dia e noite.

Só ele me parece real. Só ele existe.

Tantas dúvidas, tantas incertezas, tantos "e se".

Tantas perguntas e nenhuma resposta.

Tantos sonhos e tão poucas oportunidades.

Uma lágrima rola pela minha face.

Como se chorar fosse resolver alguma coisa. Como se fosse essa a resposta.

Mas não é. 

Então qual é?

Sinto-me perdida. Não sei o que pensar, não sei o que achar.

Já não sei quem sou. Já não sei quem quero ser.

O meu problema é só um:

Queria ser tudo. Queria ter tudo.

Agora que abri os olhos e bati de cabeça na realidade, apercebo-me de nunca serei nada. Nunca terei nada.

Não se continuar aqui deitada, com as lágrimas a consumirem-me e o medo a dominar-me.

Tenho de fazer algo. Tenho de me procurar. Tenho de me encontrar.

Tenho de me recuperar e de voltar a ser eu.

A rapariga que queria ser jornalista, escritora, que queria trabalhar na rádio e na televisão.

Aquela moça que queria tanto, mas tanto viajar pelo mundo fora e fazer disso a sua carreira.

A menina que dava espectáculos para toda a família na sala de estar, que cantava e encantava.

A jovem ambiciosa e motivada, que sabia aquilo que queria e que estava determinada a alcançá-lo.

Agora não passo de um bichinho assustado. 

Merda de vida que continua a estragar-me os planos. A estragar-nos os planos a todos nós.

Merda para o governo, para os governantes, para os governados.

Merda para tudo e para todos.

Preciso mesmo de encontrar a luz ao fundo do túnel.

Ou a escuridão vai consumir-me. Hoje um bocadinho, amanhã outro, depois mais um pouco...até já não restar nada.

Até já não haver vestígios nenhuns da menina que antes fui, da jovem que hoje sou e da mulher que um dia serei.

Até já não haver lágrimas ou medo.

Até já não restar nada.

Nada a não ser um enorme vazio que os meus sonhos destroçados e por concretizar deixar(ão)am.

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