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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

19
Jul13

Weak

alex

O seu corpo movia-se ao som da musica.
Os pés descalços não paravam apenas porque se encontravam sujos de terra ou calejados ou até sangrentos por terem pisado pedras afiadas.
Os seus braços ondulavam como faz o vento num dia solarengo de primavera.
Os seus olhos estavam fechados e a sua mente encontrava-se a quilómetros de distancia dali.
Os seus olhos fechados viam um campo aberto, verde e enorme que se estendia à sua frente, onde os girassóis, as rosas e as gereberas dançavam à sua volta, acompanhando o seu próprio ritmo.
O céu era de um azul safira que a faziam relembrar os olhos generosos da mãe.

O sol era grande e generoso para consigo e para com as suas amigas flores. O vento fazia-se sentir mas nunca violento; sempre presente mas nunca em demasia.

Estava um dia perfeito de primavera e ela dançava em conjunto com as suas amigas ao som das melhores músicas de sempre.
Não sentia mais nada para além dos seus próprios movimentos, fluidos, doces e únicos. Os seus olhos permaneciam fechados, porque ela sabia que assim que os abrisse, tudo desapareceria.
Então assim ficou, a dançar naquele descampado sujo, onde antes tinham vivido as mais belas flores do Norte e que agora apenas abrigava pequenas criaturas como ratos e bichos sujos do campo.
O sangue e o suor do trabalho escravo de milhares de camponeses eram o fertilizante que a terra por debaixo dos seus pés nunca tinha recebido. O céu era de um cinzento poluído, o ar irrespirável e o sol, demasiado pequeno e doente para se fazer notar.
Contundo, ela continuou a dançar naquele pobre descampado, de olhos fechados e cabelos ao vento cortante, que trazia consigo todo o tipo de bichos voadores. Ela dançou e dançou até as suas pernas sucumbirem à dor do seu prazer e os seus olhos se abrirem, arrancando-a do campo verde e bem arranjado, onde o sol era grande e luminoso e as flores cheirosas e bem tratadas.
Abriu os olhos e olhou à sua volta.
O campo verde tinha dado lugar ao descampado feio e cheio de lama.

O sol tinha-se escondido por entre as nuvens que traziam consigo as chuvas poluídas.
As flores não existiam, pois tinham servido de alimento às poucas vacas que ali pastavam e aos ratos feios e moribundos que ali dormiam.
Ela abriu os olhos e tudo o que desejava era voltar a fecha-los.
"Leva-me de volta!" - pediu ela com todas as suas forças, gritando aos céus, na tentativa de se fazer ouvir por cima do vento ruidoso que ameaçava arrancá-la do chão lamacento em que se encontrava.
O silêncio foi o único a responder-lhe.
E este nada disse.
Então a menina ergueu-se a custo e desceu o descampado, devagar e olhando por cima do ombro a cada passo que dava.
Parou a meio caminho e deixou-se chorar. Talvez as lágrimas fossem a maior fraqueza do ser humano, como dizia o seu pai.
Mas ela acreditava que a maior fraqueza do homem era sempre desejar algo que não tinha e que nunca poderia vir a ter.
Então ela chorou. Chorou durante todo o caminho de regresso a casa e não se sentia mais fraca por isso.
Sentia-se fraca por não poder regressar ao seu campo verde ladeado de bonitas flores.
Não era fraca por chorar.
Era fraca porque não conseguia voltar ao único lugar que a fazia sorrir.

18
Jul13

My shining star

alex

Caminhava ao longo do campo com a certeza de que não estava a sonhar. Se estivesse já tinha despertado.

Os meus pés estavam descalços sob a relva fria e húmida e ao contemplar as estrelas no céu, identifico a Ursa Maior.

Inevitavelmente, sou puxada para um sítio longe daquele descampado frio e deserto.

 

De repente, dou por mim no meio da feira da cidade, rodeada por uma multidão de jovens, adultos, crianças e velhos. Os carroséis giram, cada um ao seu próprio ritmo, uns para cima e para baixo, outros para os lados e outros em todas as direcções. As suas luzes tornam a tarefa de ver claramente, díficil, e sou obrigada a franzir os olhos devido à claridade, embora já passe das nove da noite.

O ar que respiro é fresco e puro. O cheiro da barraca das pipocas é forte e atrativo, mas o perfume das árvores que estão agora a renascer depois de um inverno longo e frio, é o cheiro que mais se destaca nesta noite.

Não caminho sozinha. Faço-me acompanhar por duas amigas e as três caminhamos sem destino nesta noite de festa.

Só vim pelo fogo de artíficio.

Há qualquer coisa nele que me atrai. Talvez seja o barulho faiscante do foguete antes deste ser lançado ao ar. 

Talvez seja a expetativa de o ver desabrochar no céu, cobrindo-o de cor, dando-lhe vida e alegria.

Talvez seja o barulho em si, depois de este atingir o céu ou talvez seja apenas o momento final, aqueles milésimos de segundos depois do som estonteante, em que ele cai na àgua com um banque silencioso.

Talvez seja pela sua grandeza ou pela sua simplicidade.

Algo tão belo e simples. Tão sonoro e no fundo, tão silencioso.

Caminhamos em direcção à Casa Assombrada, a minha favorita. Apesar de não meter medo nenhum, é para mim a mais divertida.

Escolho o lugar da frente e ambas as minhas acompanhantes se recusam a fazer-me companhia.

"Por favor! Uma de vocês que tenha a decência de vir comigo!"

Ambas abanam a cabeça e olham para mim com um olhar que diz "Desculpa!"

"Como queiram, vocês é que perdem!"

Ponho o cinto e fico ansiosamente à espera que a carruagem comece a mover-se.

Por alguns segundos, penso no quão infantil devo parecer.  Sorrio de orelha a orelha e dou saltinhos de alegria no meu lugar, apesar de esta ser a minha miléssima vez na Casa Assombrada.

Mas limito-me a encolher os ombros ao meu pensamento e preparo-me para a diversão.

Quando estamos prestes a arrancar, sinto um peso ocupar o lugar do meu lado direito. Quando olho, na esperança de ver a cara sorridente de uma das minhas amigas, deparo-me com um rapaz.

Os seus olhos cor de mel brilham de excitação, quase como um espelho dos meus. O seu sorriso é ainda maior do que o meu. E que belo sorriso é.

As suas mãos firmes agarram o corrimão à nossa frente e quando ele se dirige a mim, a sua voz chega-me aos ouvidos como uma doce canção de rock dos anos 70.

"Espero que não te importes. Era o único lugar disponivel."

Fito-o durante uns segundos e obrigo-me a sorrir. Depois tenho de me obrigar a responder.

"Não, estás à vontade."

A sua resposta é um simples piscar de olho e um leve sorriso. 

O ar que dantes respirava, é-me agora negado e só quando a carruagem começa a andar é que sou capaz de desviar o olhar da sua cara anormalmente bela.

Quando entramos o ambiente é escuro e frio. O único som que se ouve é o do meu coração a bater descompassadamente, de entusiasmo e excitação. A carruagem ganha velocidade e inesperadamente, ouve-se uma voz rouca e profunda, proveniente de um alti-falante, dizer "Bem-vindos à melhor Casa Assombrada do mundo..."

Não prestei atenção ao que a voz continuou a divagar e voltei a minha atenção para o rapaz sentado ao meu lado.

Tentei a todo o custo não olhar para ele, mas quando dei por mim, fixava-o intensamente, avaliando todos os seus movimentos, todas as suas reacções, todos os seus traços físicos.

A t-shirt branca que tinha vestida deixava a descoberto os seus braços bem exercitados e bronzeados.

O seu cabelo castanho claro dançava ao sabor do vento que existia devido à velocidade com que a carruagem andava e o seu sorriso fez-me lembrar o de um menino de doze anos, numa tarde solarenga de verão, num descampado a jogar à bola com os seus amigos.

Forcei-me a olhar em frente, permitindo-me olhar de lado para ele de vez em quando.

Numa dessas vezes, apanhei-o a observar-me. Virei-me para ele e o seu sorriso aqueceu-me o coração, ao mesmo tempo que sentia por todo o corpo um enorme formigueiro.

A viagem chega ao fim, muito mais depressa do que o esperado e saio do meu lugar sentindo-me vazia, como se a bruxa ou a múmia da Casa Assombrada me tivessem roubado algo quando saltaram para cima de mim, na tentativa de me assustar.

Viro costas sem olhar de novo para o rapaz, mas é quando estou prestes a alcançar as minhas amigas que estavam muito mais atrás do que eu, que sinto uma mão firme agarrar o meu ombro, fazendo-me girar na direcção oposta.

"Parece que viste um fantasma!"

Não consegui evitar rir. 

"Algo do género..."

"Obrigada por me teres deixado ir sentado a teu lado...precisava de alguém que me defendesse, caso o vampiro não conseguisse resistir ao meu sangue e me saltasse para cima"

O rapaz era engraçado. 

"Ainda bem que usei o meu perfume de alho esta noite...só para não ter nenhuma má surpresa durante a visita à Casa Assombrada"

Foi a vez de ele se rir.

"Ainda bem que eu gosto de alho"

O seu sorriso é como uma luz forte e quente, que penetra em mim e me aquece, de dentro para fora. Sinto a minha face a arder. Sei que estou corada que nem um tomate, mas por alguma razão minha desconhecida, não me importo.

"Sou o Edric."

Ele estende a sua mão e, relutantemente, eu estendo a minha e balbucio:

"Cassie"

 

Sinto algo a puxar-me e de repente, estou de volta.

De volta ao descampado, coberto por um céu estrelado sem fim.

Naquela noite tudo mudou.

Aquela noite conduziu-me até aqui.

Aquela foi a noite em que todas estrelas do céu se alinharam e me indicaram o caminho certo.

A noite em que o conheci. A noite em que a minha vida mudou.

Contemplo o céu repleto de pequenos pontos brilhantes uma última vez e sorrio.

Sorrio porque sei que a maior estrela de todas, a mais vísivel, a mais brilhante, está a sorrir de volta para mim.

Ele vê-me e sorri.

E brilha. Brilha como nunca nenhuma estrela antes brilhou.

Brilha e brilha só para mim.

14
Jul13

Nada dura para sempre.

alex

Depois de um dia maravilhoso, lúdico e diferente passado com a família, qual não é o meu espanto quando me ligo à internet e o mundo me cai aos pés.

A série Glee foi das poucas séries que teve um enorme impacto em mim e na minha vida. Muitos pensam ser apenas uma série em que um grupo de alunos abusados e mal tratados se juntam e cantam, pulando e dançando com sorrisos na cara.

Mas não é. A série é muito mais do que isso.

É um poço de lições. Aborda assuntos que são tabu para muitas pessoas. Mostra-nos como é na realidade, a vida de um adolescente.

Entra no coração das pessoas que a vêm e aquecem-no. Confortam-nas, mostrando-lhes que não estão sozinhas.

Ensina a amar, a sorrir, a perdoar, a pensar, a agir de forma diferente...pessoalmente, mudou completamente a minha vida.

Há 4 anos que sigo a série assiduamente e está, sem dúvida, no top das minhas séries favoritas.

E ontem, uma das personagens e actores mais queridos da série foi encontrado morto num quarto de hotel em Vancouver.

Cory Monteith, o alto, desajeitado, de bom coração Fin Hudson, faleceu.

Havia na sua personagem muito dele, acreditem.

Eu vi e li inúmeras entrevistas que o próprio deu, que Ryan Murphy deu, entrevistas essas em que ambos comentam com risadas as parecenças de Cory e Finn. A sua falta de jeito para dançar, o seu coração generoso, a história do pai de Finn na série, que morreu devido a um problema com drogas e que, está obviamente, ligado à sua própria experiência com drogas...Havia muito do Cory em Finn.

Mas eu seguia a sua carreira também fora da série Glee.

A sua participação em filmes como Final Destination 3 e papéis como o que interpretou mais recentemente num short film canadiano, faziam dele o grande actor que era.

Estou completamente em choque. Um dos meus ídolos faleceu. Pode ser parvo para uns, estupido para outros.

Mas neste momento não importa.

Não acredito em Deus, na sua existência ou na existência de um Céu ou Paraíso.

Mas acredito na alma das pessoas. E a do Corey era absolutamente magnífica, mesmo não o conhecendo pessoalmente, tenho a certeza de que era.

Esteja a sua alma onde estiver, sei que irá sempre brilhar, mesmo que não seja nos ecrãs da nossa televisão ou na passadeira vermelha de um evento.

Os seus fãs, família, amigos e noiva, Lea Michelle, vão sentir a sua falta e ele vai ser sempre relembrado com muito amor e um sorriso nos lábios de cada um deles, porque foi assim que ele viveu.

Com muito amor e muitos sorrisos, independentemente das suas lutas contra o abuso de drogas.

Ainda não se sabe ao certo a causa da morte, mas se foi de facto uma overdose, ainda mais triste fico.

O vício é algo que, depois de escolhido, não pode ser evitado. É um caminho que a pessoa escolhe, por vezes consciente ou inconscientemente e depois disso, é algo do qual não pode escapar, nunca.

O vício não é algo que se cure. Trabalha-se de forma a que a pessoa viva um dia de cada vez, sem consumir.

A maioria tem várias recaídas. O Cory teve duas recaídas, senão mais das quais o público não sabe.

Mas depois de Abril deste ano, ele estava aparentemente limpo.

Se a droga foi de facto a causa da sua morte, entristece-me ainda mais. 

Pensa-se sempre "Só mais esta vez. É a última vez" e nunca se considera o facto de aquela vez poder ser, de facto, a última vez. A última vez que a pessoa consome e a última vez que a pessoa respira.

E depois, torna-se demasiado tarde para continuar a luta contra o vício e este sai vitorioso.

Independentemente da causa, é triste ver partir um dos nossos ídolos, um homem que, com certeza, ainda tinha uma grande vida pela frente.

Contudo, e sem chorar porque apesar de ser um ótimo actor e de gostar muito do trabalho dele, não o conhecia pessoalmente, fecho hoje os olhos sabendo que amanhã poderei não os abrir e faço-me acompanhar de um sorriso, ao relembrar a vida de Cory e não ao lembrar a sua morte.

Todos nós partiremos um dia. Talvez esse dia seja amanhã, depois de amanhã ou apenas quando tivermos 90 anos.

A vida é mesmo assim. Por isso devemos aproveitá-la ao máximo e mostrar aos nossos o quanto os amamos, todos os dias e enquanto o podemos fazer. Isto pode soar um pouco cliché, mas é tão simples quanto isto.

Nada dura para sempre. 

 

A primeira música que ele cantou na série.
Uma das mais bonitas, na minha opinião.
A última música que a Lea e o Cory cantaram juntos...
They had the night. The morning never came for him, but also
never came for them.
And it never will.
12
Jul13

Há que aproveitar...

alex

Estes últimos três dias têm sido ocupados com nada mais nada menos do que tempo para a familia e os amigos. Depois de ter voltado da escola na quarta, fiquei por casa a arrumar a roupa da viagem e todas as outras coisas. 

Ontem reservei o dia para pôr a conversa em dia com uma das minhas amigas e demos um saltinho ao colombo, onde passámos o dia inteiro. As minhas pernas choraram de dor ao fim do dia, mas o meu coração sorriu como já há muito não sorria.

Hoje e com os meus pais e irmã, visitei o dolce vita, que já não visitava à imenso tempo e aproveitei para fazer mais umas arrumações. 

O fim-de-semana vai ser passado na praia e segunda vou, finalmente, matricular-me no 12º ano.

Se parar para pensar bem no assunto, o meu coração começa a palpitar mais rápido e o suor assome-se à minha testa, às minhas mãos.

Não consigo acreditar que vou iniciar o último ano do secundário, e espero eu, o meu último ano de secundário. O último ano de uma jornada longa e cheia de boas e más memórias.

Uma vida.

Uma vida que, muito sinceramente, mal posso esperar por ver no passado.

Não as pessoas que nela se incluem, não os momentos, bons ou maus, pelos quais passei nesta cidade ao longo de 11 anos...apenas esta vida. 

Quero apenas viver um novo capítulo desta jornada entusiasmante e louca que é A Vida e descobrir o que o mundo lá fora me tem para o oferecer.

Estou cada vez mais perto disso.

E nem consigo acreditar...

 

Fiquei apaixonada pela Capri...

 

Cruzei-me com o Mr. Malik...

 

E comprei um presentinho para mim e para duas das minhas amigas.

 

Hoje resolvi ser mãos largas e lá comprei um Frappuccino de Manga e Maracujá

que me soube pela vida. Entre outras coisas, obviamente.

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