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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

26
Jul13

Vou ali para o sol da Caparica e já venho...


alex

Este ano ainda não pus os pezinhos na praia.

É verdade.

Eu que sou conhecida por passar o meu verão nas praias da Ericeira, só saindo de lá no final de Agosto, ainda não fui à praia este ano.

Não calhou. Os exames, as matrículas, a semana e meia que passei no norte com os meus avós, a falta de companhia, a escassez de transporte (os meus pais não têm carro) e claro, a falta de dinheiro.

Mas principalmente a falta de carro e de companhia para ir.

Mas amanhã é o dia.

O dia em que eu e o meu melhor amigo nos encontramos novamente, passado um ano.

Mal posso esperar para pousar os pés na areia quente e minha amiga.

Para molhar os pés na água fria (e pelos vistos contaminada, mas eu quero lá saber) da Caparica, para passar horas dentro de água como se fosse um peixe acabado de vir ao mundo; ao seu mundo.

Vou lá ficar até segunda e depois vou ficar em casa dos meus padrinhos de segunda para terça, por isso, terça à noite já devo estar de volta.

Mal posso esperar.

Apesar de ter de levar a minha pequena atrelada (isto de ser irmã mais velha nem sempre resulta bem para os meus lados...), sorrio de orelha a orelha cada vez que penso no mar, no sol, na praia.

Rezemos em conjunto para que o S. Pedro seja benevolente ao ponto de enviar, pelo menos, um bocadinho de sol, para ver se eu ganho uma corzinha saudável.

Não devo deixar nada escrito, mas são só três dias.

Esperem! Ouvi algo...

Ah, sim...é o som das minhas amigas ondas a baterem nas rochas, indo e vindo, por vezes devagar, outras vezes mais depressa.

Mas eu oiço-as, como uma suave canção de embalar. Elas cantam e dizem:

"Vem amiga. Estamos à tua espera..."


(Só uma curiosidade...
Esta não é a música original,
é um remake/cover da música dos Ramones
"California Sun")
24
Jul13

Being alone and being lonely


alex

Por vezes é bom estar-se sozinha.

Mas ultimamente tenho andado com uma enorme necessidade de estar com alguém.

Não romanticamente, porque nesse campo...bom, a situação é complicada, mas não é sobre isto que este texto trata.

Por vezes, gosto de não ter planos com ninguém, apenas comigo mesma. Gosto de ficar em casa, sozinha, a ler, a ouvir música, a dançar e a cantar, a ver séries e filmes.

Por vezes gosto de sair de casa e ir passear...gosto de, espontaneamente, decidir que me apetece ir ao supermercado só porque sim e ir.

Gosto de ter tempo para mim.

Mas ultimamente tenho-me sentido só.

Porque reparem, para mim, estar sozinha e estar só, são duas coisas completamente diferentes.

Penso que todos nós precisamos daqueles momentos em que somos só nós, a nossa mente, os nossos pensamentos...

Mas sabemos que, quando estivermos preparados para sair do nosso casulo, ao qual recorremos nos momentos em que queremos estar sozinhos, alguém vai lá estar para nos receber de volta, com uma mão amiga estendida e um sorriso caloroso nos lábios.

Mas ao sair do meu casulo, deparo-me com um enorme vazio.

Não há ninguém.

Estive sozinha no meu casulo, porque quis e porque necessitava, mas esperava não estar só quando saísse dele.

Porque estar só é não ter ninguém.

Estar sozinha é ter alguém, mas escolher não estar com esse alguém.

O problema é que eu julgava não estar só.

Mas ultimamente tenho estado. Só eu, apenas eu.

Escolhi estar sozinha durante uns dias, mas não quero estar só durante uma vida inteira.

Eu esforço-me por preservar as poucas amizades que tenho, mas por vezes, o esforço não é reciproco

E isso magoa. 

Não sei em que posso confiar. O meu historial de "amigos" que me viraram as costas de um dia para o outro é, infelizmente, longo.

Daí não saber em quem confiar.

Daí sentir-me só.

Porque apesar de haver dias em que quero estar sozinha, não deixo de falar com os meus.

Mas sinto que a iniciativa parte sempre de mim. 

E não é tão bom quando parte também da outra pessoa? Sentimos que essa pessoa se importa realmente connosco, que lhe fazemos falta e que ocupamos um lugar na sua vida, não interessando o tamanho desse lugar.

Sentimo-nos valorizados.

Pois eu sinto-me só.

Mas não baixo a cabeça.

Não cruzo os braços.

Não desisto.

Um dia deixarei de estar só.

Mas no fundo, nunca deixarei de querer estar sozinha. Nem que seja só para poder estar comigo mesma, durante umas horas, durante um dia...

Porque estar só e estar sozinha são duas coisas diferentes.

Há quem goste de estar sozinha/o...Mas ninguém, sublinho, ninguém gosta de estar só.

Eu incluída.

23
Jul13

Love was all. Now pain is everything.


alex

O coração dói. 

A cabeça dói.

Os olhos doem.

O coração dói porque sente o vazio deixado por ti, que à medida que o tempo passa, vai-se tornando maior e maior e maior.

A cabeça dói porque pensa em ti dia e noite, noite e dia. Pensa em ti quando desperta, pensa em ti quando supostamente deveria estar a pensar no trabalho que ainda está por fazer, pensa em ti à noite, não me deixando descansar.

Os olhos doem. Não de chorar mas de tentarem chorar.

Porque por muito que o coração doa com a tua ausência, por muito que a cabeça doa com a tua presença constante, os meus olhos doem porque não conseguem exprimir a dor que o coração e a cabeça sentem.

Não choro. 

Sou uma aberração.

Foi por isso que naquela noite, quando estavas em frente à porta de saída, prestes a sair da minha vida para sempre, eu não chorei.

E foi por isso que partiste.

Porque não conseguiste ver a dor. O sofrimento que a tua saída me provocou e ainda provoca.

Falhei para contigo de várias formas.

Mostrei-te todo o meu amor, mas quando chegou a hora de mostrar toda a minha dor...não fui capaz. E tu viras-te costas com as lágrimas a escorrem-te pela face pontiaguda e nesse momento invejei-te. Odiei-te.

Não te odiei por partires ou por não ficares.

Odiei-te porque choravas como se uma parte do teu corpo te tivesse sido arrancada.

Quis tanto chorar. Contigo, para ti, para mim...Mas não chorei.

Não chorei naquela noite, não chorei na noite seguinte e até hoje não choro.

Tudo me dói.

A dor é tanta, tão forte e tão intensa, que não há lágrima possível no mundo que consiga exprimir tamanha dor.

Por isso não choro.

Limito-me a não sorrir. Limito-me a andar de pijama o dia todo, arrastando os pés descalços pelo apartamento, na esperança de que esse som substitua, de alguma forma, o som das lágrimas que não existe.

Mas dói. Oh se soubesses como dói...

Toda eu sou dor. 

Perdoa-me, mas tanta dor junta não consegue ser resumida a umas quantas lágrimas.

As lágrimas são inúteis nesta situação.

Apenas a dor não o é.

Até eu sou inútil.

Tudo o é, menos a dor.

A dor é tudo.

Neste momento, ela é tudo.

20
Jul13

Uma pessoa nunca morre. Não enquanto houver alguém que a mantenha viva, dentro de si


alex

Nunca lidei de perto com a Morte. Até agora.

No entanto, todos os dias relembro-me de que ela existe e que, inevitavelmente e apesar de ser a maior inimiga da Vida, elas andam de mãos dadas.

A única pessoa que faleceu, minha conhecida e da minha família, foi o meu avô paterno, quando eu tinha apenas 5 anos.

Tenho algumas lembranças dele, inclusivé do dia em que o vi pela ultima vez no hospital, mas parece que foi algo que aconteceu a outra pessoa.

Parece que foi uma experiência pela qual não passei, mas que de uma forma vaga, relembro, como se tivesse acontecido a outra pessoa que não eu.

Quando um ser humano morre, o mundo não morre com ele.

A Vida continua, como se nada tivesse acontecido, como se a Terra não tivesse deixado de ter mais um ser vivo a respirar, a viver.

Quando uma pessoa morre, não acredito que seja díficil para ela. Independentemente do tipo de morte, violenta, calma, na cama de um hospital, em casa rodeada pelos seus familiares ou num beco frio e escuro...a pessoa morre. Deixe de pensar, de respirar, de falar, de sentir... 

A morte não é dífcíl para os mortos, mas sim para os vivos.

Não é difícil para os que partem, mas sim para os que aqui ficam.

Para esses o mundo pára. Durante aqueles milésimos de segundo em que recebemos a noticia, ou durante aquele momento em que vemos os olhos da pessoa que amamos fecharem e o seu peito deixa de fazer o movimento mais natural no mundo: para cima, para baixo, para cima, para baixo.

O Mundo não pára, a Terra também não, mas toda a vida dos que permanecem e assistem à partida de um dos seus entes queridos, pára.

Para eles a vida pára, enquanto eu continuo a escrever no meu bloco de notas, ou a ouvir música, ou a ler.

Enquanto tu estás no supermercado a debater se deves comprar esta marca de champô ou a outra, enquanto ele está na auto-estrada, a conduzir a alta velocidade, olhando de segundo a segundo para o relógio que pesa no seu pulso, preocupado em chegar atrasado a uma reunião importante.

Enquanto um ser vivo deixa de respirar, milhões, bilhões de outros continuam a fazê-lo. Continuam com as suas vidas.

Mas quando é alguém próximo de nós, é diferente..

Sentimos a dor da morte da pessoa que amamos a pesar dentro de nós. Por momentos, desejamos poder partir também ou imploramos para que quem partiu volte.

Derramamos lágrimas de pesar, mesmo que essa forma de expressão nos pareça pouca para tanta dor e sofrimento que sentimos.

Hoje o mundo perdeu mais um ser vivo, mais uma alma, mais uma pessoa.

Hoje uma das minhas melhores amigas perdeu uma avó.

O pai dela perdeu a mãe. 

Os amigos dela perderam uma amiga fenomenal.

O mundo perdeu uma pessoa extraordinária.

Mas a vida continua. Infelizmente, não a dela.

É horrível. É horrível perder alguém que é tão especial para nós.

É horrivel não saber o que fazer para consolar a pessoa que acabou de perder parte de si.

Não morres realmente, mas é-te tirada uma parte de ti. Essa pessoa, a que faleceu, leva-a consigo, como forma de não se esquecer de ti, nem tu dela.

Eu não sou católica. Não acredito em Deus. Não acredito no Paraíso ou no Inferno.

Mas acredito que todos nós temos uma alma. E que a morte não é o fim. Não verdadeiramente.

Acredito que a alma da avó da minha amiga está neste momento no seu Paraíso, em Cabo Verde, feliz como nunca antes esteve.

É uma grande perda. Uma senhora vivida, corajosa e com uma força incrível...Um coração de manteiga, mas com uma força de aço.

A sua vida chegou ao fim, mas ela irá continuar a viver no coração de todos aqueles que a amaram e que a ainda a amam.

Porque ela partiu, mas nós não.

E eu acredito que uma pessoa só parte realmente quando deixamos de a recordar com amor, com carinho e com um sorriso nos lábios.

Quando deixamos de amar a pessoa na morte, da mesma maneira que a amamos em vida, é aí que a pessoa morre realmente.

Não se vive para sempre, mas vive-se no coração das pessoas que amam a/o falecida/o, até que estes parem também de bater, quando a sua hora chega.

Uma pessoa nunca morre realmente, se a mantivermos viva na nossa mente e no nosso coração.

Rest in peace Miss Silva ♥

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