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23
Fev14

18 é só um número

alex

Se há algo que aprendi nestes últimos tempos, foi que os números não importam. Para nada. O que me interessa a mim ter 17 anos quando carrego aos ombros responsabilidades de uma pessoa com 30 ou 40? De que me vale ter 10 amigos se nenhum deles se preocupa genuinamente comigo? Que me importa a mim que a pessoa por quem me apaixono tenho mais 6 anos do que eu? Do que é que me vale ter 50 ou 1000 seguidores no twitter?

Qual é a felicidade que me é proporcionada se deixar que a minha vida seja condicionada por números? Eu nem gosto deles, nunca me dei bem com eles. Um número não passa disso, um número.

Porque é que acham que as coisas mais valiosas que temos na Vida, não são possíveis de quantificar? Vocês não atribuem um número ao Amor, à Felicidade, à Alegria, ao Esforço, à Ambição, à Satisfação, à Amizade, à Família e por aí fora. E porquê? 

Porque as coisas que nos fazem bem, que nos dão vigor, que nos proporcionam felicidade não são medidas, não podem nunca ser condicionadas pelos números.

Isto vem a propósito de um número em especial, ao qual muitas pessoas atribuem uma grande importância: o número 18.

Chegada a altura de celebrarmos o nosso décimo oitavo ano de existência, chega também a importância que se atribui a esse número. Os 18 anos são um marco na vida de todos nós. Ou pelo menos assim somos ensinados. Mas porquê, pergunto-me eu? Porquê os 18 e não antes os 17, ou os 20, ou os 24? Porquê os 18?

Sim, é verdade que com 18 anos somos oficialmente e legalmente, adultos. Mas não vejo o porquê de termos de fazer TUDO o que há para fazer durante a nossa vida adulta, logo assim que fazemos 18 anos. Ou enquanto temos os 18 anos.

E se eu não tirar a carta com 18 anos? Morre alguém por causa disso? E se eu não for para a faculdade com 18 anos, alguém fica ofendido? E se eu não quiser viver a minha vida consoante aquilo que os outros pensam ou acham que a Vida deve ser, apenas porque já tenho 18 anos?

Vou presa por isso? É certo que já terei idade para tal, mas que eu saiba, a liberdade de escolha ainda não é um crime, desde que as escolhas que eu faça não magoem nem prejudiquem a humanidade.

Pergunto-me então, porque devo eu fazer tudo consoante o estabelecido pelo correctamente certo quando um ser humano faz 18 anos?

Tenho mais responsabilidades. A minha vida muda para sempre, porque fecha-se um capítulo que durou 12 anos.

Peço desculpa mas não é o número 18 que me traz mais responsabilidades. Muito antes disso, sempre tive carradas delas, muitas delas as quais nem devia ter segundo aquilo que a sociedade diz e considera que é o normal. 

Somos levados a fazer coisas, a sentir coisas, a agir de uma certa maneira. Pressionados a tomar decisões, empurrados para caminhos que nós sabemos não serem os certos para nós. Dizem-nos que temos de tirar a carta, ir para a faculdade, fazer isto ou aquilo.

Tudo porque na cabeça da maioria, os 18 anos mudam tudo.

Flash News: na maioria, os 18 não passam daquilo que são. Só mais um número.

Por isso não nos digam como agir, como falar, o que fazer ou como ser, apenas porque fazemos 18 anos. Hoje tenho 17 e sou como sou. Amanhã tenho 18 e vou continuar a sê-lo. As mudanças não se fazem de um dia para o outro. As decisões, as importantes, essas não se tomam de um dia para o outro. Uma pessoa pode ter 40 anos e ser muito mais nova, a nível psicológico, do que uma pessoa de 18.

Números são números. Não são vontades, não são feitos, não são marcos. Não são os números que nos marcam. São as coisas que fazemos ao longo da Vida e das quais nos orgulhamos. Uma pessoa com 18 anos vai tirar a carta. Muito bem, que bom para ela. Foi uma escolha dessa pessoa. Mas lá porque essa pessoa fez assim, isso não significa que eu faça igual. Se eu tirar a carta aos 25, aos 40, aos 60, esse marco da minha vida vai ser tão importante nessa altura como seria se eu tivesse 18 anos.

Os números não contam NADA para mim. Por isso baixo o volume das vozes que me dizem que devo fazer isto ou aquilo porque em breve terei 18 anos. Ignoro-os porque eu não preciso de fazer tudo conforme os outros fazem. Gosto de caminhar ao meu próprio ritmo. Se levar mais tempo que os outros a ter ou a fazer algo, que assim seja.

Mas quando o fizer, tenha a idade que tiver, garanto-vos que vai ser tão importante como se o tivesse feito aos 18.

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