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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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10
Jul14

13

alex

Uma vez disseram-me que não se pode ter saudades daquilo que nunca se teve. Já não sei quem me o disse ou porque o disse, mas ficou.

E acho que hoje essa frase se encaixa em mim (e na minha vida) na perfeição. 

Nunca tive avô paterno. Ele morreu ia eu fazer os seis anos. Só tenho memórias da minha existência a partir do segundo ano, mais ou menos. Tudo o que está para trás disso, é como se não tivesse existido. Por isso, para mim, é como se nunca tivesse conhecido o senhor que todos dizem ter-me tratado por "Carochinha".

Mas a verdade é que hoje, que fazem 13 anos que faleceu, senti...algo. Não sei se foi saudade, porque lá está, não posso ter saudades do que nunca tive. Mas senti tristeza. Senti, acima de tudo, um grande vazio dentro de mim. Porque, para todos os efeitos, eu nunca conheci o senhor meu avô. Conheço-o como se conhecem as personagens de um livro ou as das histórias que a mãe nos contava quando éramos pequenos. Sei o que sei sobre ele porque me o contam; sei o que sei sobre nós, porque me o dizem. Mas na realidade não sei nada, no que toca a ele.

Sei que não tenho saudades. Não posso ter não é? 

Mas tenho uma tristeza dentro de mim, que hoje veio ao de cima por ser o dia em que ele faleceu. Tristeza por não ter tido a oportunidade de o conhecer. De não ter tido oportunidade de criar memórias que hoje pudesse lembrar. De não saber como ele era, como pessoa, como pai, como marido, como avô. De não saber como soava a sua voz, ou de como soava a sua gargalhada. De não puder ter ouvido da sua boca aquilo que oiço da boca de todos os outros que me contam como ele costumava chamar-me aquele nome carinhoso; o que deu origem à tatuagem que hoje tenho na minha perna esquerda.

Tenho esta tristeza imensa de estar a puxar pela cabeça e de não me lembrar de absolutamente nada. Sei que ele era careca, que tinha olhos azuis que eu não herdei, um bigode igualzinho ao do meu pai, mas mais branquinho. Uma barriguinha gorda onde (dizem) eu me costumava sentar. Sei isto porque tenho a fotografia dele aqui, na minha secretária, há já tanto tempo que às vezes até penso que veio com ela.

Mas não sei mais do que isso. E eu queria mais.

Queria poder saber tudo o que sei sobre ele (e mais) por mim. Porque pude conhecê-lo, verdadeiramente, porque pude partilhar com ele mais do que cinco anos de vida, dos quais nem sequer me recordo.

Não sinto raiva da Vida, ou de um Deus em que não acredito, ou do curso natural das coisas. Mas pergunto-me se tudo seria diferente se ele ainda hoje cá estivesse. Será que este lado da minha família nunca teria deixado de ser próximo, como deixou de o ser nos últimos 3 anos? Será que a minha vida seria diferente? Será que eu seria diferente?

Então hoje, sentada no sofá da sala sozinha, reflecti em tudo isto. E depois chorei.

Não de saudade, porque não posso ter saudade do que nunca tive.

Mas sim de tristeza porque nunca o cheguei a ter.

O meu avô; aquele que me tratava por "Carochinha" (segundo me dizem).

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