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porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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28
Dez13

Isto sou eu

alex

Há quem seja inseguro. Há quem tenha inseguranças. Há quem duvide de si. Há quem seja pessimista. Há quem não acredite na sua força, nas suas capacidades. Há quem desespere facilmente. Há quem diga com um sorriso triste no rosto: "Eu tento e não deixo de tentar, mas no fundo sei que não me vale de nada. No entanto não consigo parar de tentar porque se há algo em mim que teima em não morrer é a esperança. Tudo me morre, menos isso. Inacreditável, eu sei."

E depois existo eu. Eu que sou tudo isto referido acima e muito mais. Eu que digo aquelas palavras escritas acima, umas vezes em voz alta para os outros, mas na maior parte, em voz silenciosa, para mim.

Lido com muitas inseguranças. Mais do que aquelas que possam imaginar. Não acredito quando me dizem que sou boa. Quando me dizem que consigo se quiser, basta querer, "Querer é poder Alexandra", fartou-se de me dizer a minha professora de história ao longo de dois anos.

"Oh." É a minha resposta, acompanhada de um encolher suave de ombros. Não acredito quando me dizem que tenho capacidade para fazer o que quero, para conseguir concretizar os meus sonhos. Não acredito quando me dizem que o meu futuro vai ser bom, brilhante, porque assim o sou. Brilhante. Sou tão brilhante que o meu brilho me impede de ver o quão brilhante sou. É o que digo a mim mesma num tom irónico, desfazendo-me depois em gargalhadas despojadas de alegria. Brilhante. Pois, deve ser.

Tenho fé, já o disse aqui. Tenho fé nos que amo, tenho fé no mundo que algum dia há-de endireitar-se (espero é que seja antes de ser destruido pelo nosso companheiro Sol), tenho fé; a sério que tenho. Falta-me é ter fé em mim. Em mim não tenho eu fé. E não me perguntem porquê, porque nem eu própria sei.

Eu finjo muito. Sou uma bela de uma boa mentirosa. Sou tão boa mentirosa que me minto a mim própria constantemente, convencendo-me de que tudo vai ficar bem, de que eu sou capaz se simplesmente continuar a lutar, continuar a insistir. Mas há dias, dias como o de hoje, em que me canso de mentir. Canso-me sabem? Canso-me, enfim, tenho dias assim e aposto que não sou a única.

Depois odeio-me por ser assim. Porque há outros tantos lá fora que estão em piores situações que a minha e que acreditam neles, que têm fé, que continuam e persistem e não tiram um dia para si, para se sentirem mal, para se vitimizarem como eu estou a fazer agora.

Porque é isso que estou a fazer. E odeio-me por estar a fazê-lo. Mas sinto necessidade de o fazer, porque senão rebento. Eu sou assim. Finjo muito, minto muito, sorrio muito, luto muito, encho-me de esperanças, faço filmes na minha cabeça, desenho objetivos, traço caminhos e depois...cai-me tudo por terra. E eu rebento. 

Não acredito. Nunca acreditei. E odeio-me por isso, porque se há luta que travo todos os dias e se há luta que mais me custa travar é esta: a que travo para acreditar em mim.

É uma luta sem fim, mas que no fim, perco sempre. 

Eu perco sempre e é por isso que não acredito percebem? Mas se há algo pior do que lutar, para mim, é desistir. E por isso continuo nisto, a lutar uma luta que jamais ganharei, sem ter força para a ganhar mas sem forças para desistir. 

Existem pessoas persistentes e depois existo eu. Isto não é persistência. Isto é casmurrice e burrice tudo junto. 

Isto sou eu.

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