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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Jun19

Imploro


alex

O meu coração aperta cada vez mais dentro do meu peito a cada dia que passa. Sou incapaz de pensar seja no for. Não tenho foco. Só penso em regressar, estar perto dos meus que precisam de mim.

Não quero aproveitar nada. Só quero ir embora. Agora, já. A verdade é que a cada dia que passa não ganho nada e só perco. Estou a perder tempo com aqueles que correm contra o tempo. A idade já não perdoa e a cada dia que passa tenho pessoas que amo a piorar em termos de saúde, e eu aqui à espera do final do mês de Agosto para poder finalmente abraça-las e dizer-lhes o quanto as amo.

Detesto esta aflição em que estou a viver. Detesto não conseguir aproveitar os últimos meses que aqui tenho. Mas detesto ainda mais saber que os que mais amo escondem de mim o quão mal realmente eles estão porque querem que eu aproveite os últimos meses aqui.

Não há tempo para distracções. Não há espaço para novas relações. Não há tempo para me preocupar com coisas que não têm qualquer importância. Tudo o que importa agora é o dia 29 de Agosto chegar e eu poder ver, tocar, cheirar quem mais amo antes que seja tarde demais.

Por favor, só mais dois meses. Não me os levem de mim antes disso. Imploro. Não sei a quem, não interessa.

Mas imploro.

22
Jun19

Estática


alex

Eu tenho esta ânsia dentro de mim que não consigo apaziguar. Quero que o tempo corra mas parece que eu vou ficando parada. Como é que posso querer que o tempo passe se eu própria não me mexo?

Dou por mim a fixar o tecto do meu quarto, as insónias já sem poderem ser chamadas de tal, e passo a vida assim, desperta mas adormecida. Desperta para tudo aquilo que temo, tudo aquilo que me faz duvidar, vacilar e adormecida para a coragem, para a vontade, para a garra. 

Se houve algo que Londres me roubou foi sem dúvida a minha garra. Lembro-me de ser destemida, com medos sim, mas a vontade de os vencer era sempre maior. Costumava ser uma leoa selvagem, que se mandava às coisas de cabeça e pensava nas consequências depois. Agora, não dou dois passos para a direita sem pensar mil e uma vezes se deveria mesmo era dar um para a esquerda. Agora... sou como uma leoa domesticada, daquelas que vemos no zoo, olham para nós com desdém e regressam à sua sesta. Perdi muita coisa de mim que quero voltar a encontrar. Mas o tempo corre e eu fico parada.

Estática.

13
Jun19

When They See Us


alex

Por norma não faço posts a recomendar séries, livros ou músicas... pela simples razão de que não tenho tempo (ou vontade) de ver séries novas ou de ler (apesar de continuar a comprar livros e a deixa-los na mesa de cabeceira). Este ano já vai a meio e eu lembro-me de ter começado o ano com a intenção de ver mais filmes, mais séries e ler mais, basicamente tentar voltar às minhas raízes, tentar voltar a encontrar a paixão pelas artes e a razão pela qual eu decidi estuda-las. Mas 6 meses passados e tal não aconteceu. Porque muita outra coisa aconteceu nestes 6 meses e essa vontade (não gosto de lhes chamar resoluções) ficou pelo caminho. 

Contudo, agora que as coisas estão um pouco mais calmas e antes de começar o rebuliço das mudanças, tenho andado a tentar ver séries e ler um bocadinho mais. Recentemente vi esta mini série na Netflix chamada "When They See Us" e a série tocou-me a um nível que eu não estava à espera. Para quem não saiba sobre o que é a série, resumidamente, é uma mini série de 4 episódios que acompanha a história de 5 rapazes que foram injustamente condenados de um crime que não cometeram. Acompanha-os desde o momento em que eles foram acusados, julgados e condenados quando eram apenas crianças, até ao momento em que eles são libertos e ilibados já nas suas vidas adultas. 

É uma história muito forte e emotiva e é uma história verídica. É triste saber que este tipo de coisas aconteciam e ainda acontecem hoje em dia, mas é deste tipo de histórias que as pessoas precisam de ouvir. É este tipo de conteúdo que precisamos, principalmente nos dias de hoje que, às vezes, parece que estamos a andar para trás em vez de para a frente, no que toca ao racismo e à descriminação.

Recomendo vivamente e sem dar spoilers, deixo o trailer da série e uma frase que gostei bastante, dita por uma das personagens secundárias da série.

"Happiness is something to look forward to."

 

 

07
Jun19

Vamos continuar


alex

Este último mês tem sido um rebuliço. Lidar com o que aconteceu, mudar de trabalho, ajustar-me a um ambiente diferente, a pessoas diferentes, a horários diferentes, a formas de trabalhar diferentes. Tem sido um pouco demais. Fez-me questionar tudo. Porquê? Qual é o objectivo? Para quê passar por isto tudo agora, que já falta tão pouco para regressar a casa? Para quê sujeitar-me a todo o stress, toda a ânsia, a tudo isto? Fez-me questionar a minha escolha. Pensei em partir mais cedo. Falei sobre isso com os meus pais. Disseram-me que só me querem feliz. Se eu não estou bem, então que parta já e o resto logo se vê.

Passei muitas noites acordadas no último mês a travar lutas internas comigo mesma. No fim, há que me manter fiel à minha palavra. Ao que me prometi a mim mesma e às pessoas com quem moro aqui. Regressar agora não faria sentido. Só faz sentido regressar no final de Agosto. Não posso faltar à minha palavra e acima de tudo, não posso deixar os meus daqui ficarem mal e desamparados. E se realmente decidisse regressar mais cedo, tudo o que passei aqui durante 4 anos teria sido em vão. Durante estes 4 anos fui posta à prova tantas, mas tantas vezes... A vontade de partir e nunca mais voltar foi muita durante estes anos todos. Mas a vontade de ficar foi sempre maior. O sentimento de missão cumprida tinha de ficar em mim a partir do momento em que eu entrasse num avião para não mais regressar. E esse sentimento ainda não está presente em mim. Partir agora seria um atentado à pessoa que fui, à pessoa em que me tornei durante estes anos e durante esta jornada. Com apenas 3 meses pela frente, vou gastar o último fosforo, como se costuma dizer. Estou desgastada, é um facto. Já há muito tempo. Mas não há como desistir agora. Não posso. Recuso-me. Atirar a toalha? Nunca. 

Vamos continuar, e daqui a uns meses, começar outra batalha.

28
Abr19

Regressar


alex

A vida realmente ainda não tem parado de me surpreender. Toda a gente que me acompanha aqui no blog sabe que a minha jornada por estes lados nunca foi fácil e porque é que havia de começar a ser agora?

Desde o último post que o barco foi novamente abanado e eu quase cai borda fora. É difícil de escrever sobre a situação sem a explicar do principio ao fim e com todos os pormenores, mas isso é algo que não quero fazer. Quero apenas escrever este texto como forma de exteriorizar tudo o que tenho vindo a sentir nesta última semana. 

Tudo aconteceu na segunda-feira. Uma nuvem cinzenta e carregada chegou e fez das suas. O meu barco foi completamente abanado e eu quase cai à água. Chorei muito. Fiquei muito revoltada. Indignada. Senti-me traída e queria poder culpar alguém, mas não havia ninguém para culpar. A minha mente não descansou nos dias que se seguiram. Imensos pensamentos ocuparam a minha cabeça e o sono que tive foi pouco. A vontade de aqui continuar, ainda que por apenas mais 4 meses, caiu a pique. Fiquei bastante desamparada e sem saber o que fazer. Hoje, mais tranquila e já tendo aceitado a situação, escrevo este texto para não me esquecer que, mais uma vez, fui posta à prova pela vida e quase perdi. 

Mas depois de muita lágrima, muita frustração, raiva e medo da incerteza do passo seguinte a dar, peguei em mim mesma e comecei a pensar de uma forma mais positiva. Tudo acontece por uma razão e talvez isto tenha sido um mal que veio por bem. De facto, mudou um pouco os meus planos, deixou-me abalada porque envolve outras pessoas e envolve traição, falta de escrúpulos e muitas emoções negativas, mas não me posso deixar consumir por elas.

Tenho um objectivo, que é voltar para Portugal no final do mês de Agosto com algum dinheiro amealhado. E não há-de haver nada nem ninguém que me vai conseguir distrair tempo suficiente desse meu objectivo. Este há-de ser só mais um obstáculo no meu percurso e tenho de me continuar a lembrar de que, o mais importante, ainda tenho. 

De cabeça erguida, de consciência tranquila, contudo de coração pesado, vou ter de continuar este percurso, com alguns planos mudados, mas ainda com o mesmo objectivo bem claro na minha cabeça.

Regressar a casa.

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