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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

11
Set19

Cá estamos (Ou o regresso)


alex

Escrevo-vos de casa. Portugal. Lisboa. Já quase duas semanas depois de ter chegado. Não tinha computador para vos escrever, pois assim que cheguei tive de o pôr a arranjar. Mas acho que mesmo se tivesse, não vos teria escrito, por várias razões. Ainda não sei se consigo acabar de vos escrever agora, enquanto vos escrevo, ainda sem ter escrito muito ou mesmo até nada.

É complicado de explicar. Porque toda eu sou uma complicação. Queria muito vir. E aqui estou. E aqui vou ficar. A verdade é que acho que a ficha ainda não caiu, porque ainda tenho de voltar a Londres por dois dias, para a semana que vem. Então acho que a minha mente ainda não aceitou por completo que vim para ficar. O facto de ter estado estes quatro anos fora já começa a pesar em várias situações. Quando me reúno com alguns amigos e eles falam de assuntos sobre o qual eu não estou informada, quando revejo familiares (mais afastados) e não há muito para dizer, para além do básico e normal (então, voltaste para ficar? e agora, que vais fazer cá? ah, não arranjaste namorado por lá vens à procura dele aqui é?).

A última é sempre a que me faz rir na cara das pessoas. Enfim. Passando à frente...

E depois, os medos. As incertezas. A ansiedade. O não saber o que quero fazer. O não ter trabalho. O ter de voltar a fazer currículos. O ter de voltar a ir a entrevistas. O ter de ir tirar a carta de condução. O ter de recuperar o tempo perdido com os meus. O ter de me ambientar. O ter de falar 100% português todos os dias, a toda a hora. O ter pessoas que eu não conheço a dizerem-me "bom dia". O ter de comer três refeições por dia, à mesa da sala de jantar. O ter de viver com os pais novamente. Tudo, tudo, tudo. 

É uma avalanche de sentimentos, de ansiedades que não me deixam respirar. Quero permitir-me relaxar, aproveitar durante um tempo porque sei que mereço. Mas eu sou a minha pior inimiga. E não sei estar parada. Não sei estar sem nada para fazer. Não sei estar sem ser preocupada com o trabalho, ou com a universidade ou com ambos. Não sei estar sem estar preocupada em pagar a renda a tempo, ou em resolver um problema na casa, ou em pagar as contas. 

Não sei não depender de mim e só de mim. 

Já me disseram isto e eu começo a dar razão. O grande problema disto tudo é que, já cheguei à 13 dias e, ainda não pus os pés na puta da praia.

Mas cá estamos.

 

05
Ago19

Estou de férias (ou não)


alex

Estou de férias. Estou de férias como já não estava há muito tempo. O máximo tempo de férias que tive, seguidas, nos últimos cinco anos, foram duas semanas. Duas semanas aqui, depois uma semana ali, uns dias de folga pedidos com esforço para ir a um concerto ali ou tratar de umas coisas acolá, mas férias a sério, onde descanso, não faço absolutamente nada, onde não tenho de pensar no trabalho, na casa, na universidade...já não tinha há cinco anos, desde que acabei o secundário.

Como já mencionei em posts anteriores, muita coisa aconteceu este ano que não devia ter acontecido. Mas como sempre, eu não gosto de ser apanhada de surpresa pela vida (e no entanto, acontece muitas vezes) então, faço o meu melhor em tentar tomar as rédeas de uma situação ou situações que não estavam planeadas. Porque não gosto de não ter controlo sobre determinadas coisas, algo que tenho vindo a descobrir sobre mim. Gosto de conseguir controlar uma situação, mesmo quando esta se revela de forma inesperada. Sou o tipo de pessoa que não gosta necessariamente de saber o que vai acontecer, porque não gosto, mas que gosta de conseguir ter controlo sobre a situação. E com toda a merda que me aconteceu este ano, foi isso que tentei fazer. Tomar as rédeas e fazer as coisas à minha maneira, já que elas aconteceram da forma que aconteceram. Então poupei dinheiro e agora, o meu último mês em Londres vai ser para descansar, para aproveitar, para poder empacotar 4 anos de vida com calma e sem pressões, para poder ler mais, escrever mais, não sei se aqui para vocês ou se apenas para mim, mas fazer mais sem fazer nada.

Contudo, já se passaram cinco dias desde o meu último dia de trabalho e estou sem saber o que fazer de mim. A ansiedade da mudança começa a espreitar por entre as cortinas, durante a noite, e todo um mar de medos e incertezas quase me engole quando fecho os olhos à noite para dormir. Então não durmo. Fico acordada até às tantas da madrugada, a ver vídeos de remodelação de quartos, a escrever nas notas do meu telemóvel, a ouvir música. A fazer de tudo para tentar afastar a minha mente daquilo em que devia pensar mas não posso. Porque se penso, vou ser consumida por esses pensamentos. Se me deixo sentir medo, vou ser consumida por ele. Se me deixo vacilar e caio na dúvida, vou ser engolida por ela. Então tenho passado os dias a dormitar e as noites a evitar, a evitar tudo o que não devia.

Estou de férias, mas não me sinto de férias. Não sei estar de férias. Não sei o que é não ter de trabalhar, resolver um problema aqui ou concertar uma coisa ali. Não sei o que é não ter mais de vinte mensagens de vários grupos diferentes por dia, todos os dias, uns a pedir ajuda, outros a pedir justificações, outros a dar direcções. Já não sei o que é não ter de pôr despertador para acordar, porque até quando ia de férias, tinha sempre de o fazer. Ser eu é ser assim. É querer ser tudo e não ser nada. É querer fazer tudo e não fazer nada. É ter estes medos e incertezas que ninguém conhece e dar a conhecer os sorrisos e as piadas que todos conhecem de mim.

Ser eu é estar de férias mas só que não.

27
Jun19

Imploro


alex

O meu coração aperta cada vez mais dentro do meu peito a cada dia que passa. Sou incapaz de pensar seja no for. Não tenho foco. Só penso em regressar, estar perto dos meus que precisam de mim.

Não quero aproveitar nada. Só quero ir embora. Agora, já. A verdade é que a cada dia que passa não ganho nada e só perco. Estou a perder tempo com aqueles que correm contra o tempo. A idade já não perdoa e a cada dia que passa tenho pessoas que amo a piorar em termos de saúde, e eu aqui à espera do final do mês de Agosto para poder finalmente abraça-las e dizer-lhes o quanto as amo.

Detesto esta aflição em que estou a viver. Detesto não conseguir aproveitar os últimos meses que aqui tenho. Mas detesto ainda mais saber que os que mais amo escondem de mim o quão mal realmente eles estão porque querem que eu aproveite os últimos meses aqui.

Não há tempo para distracções. Não há espaço para novas relações. Não há tempo para me preocupar com coisas que não têm qualquer importância. Tudo o que importa agora é o dia 29 de Agosto chegar e eu poder ver, tocar, cheirar quem mais amo antes que seja tarde demais.

Por favor, só mais dois meses. Não me os levem de mim antes disso. Imploro. Não sei a quem, não interessa.

Mas imploro.

22
Jun19

Estática


alex

Eu tenho esta ânsia dentro de mim que não consigo apaziguar. Quero que o tempo corra mas parece que eu vou ficando parada. Como é que posso querer que o tempo passe se eu própria não me mexo?

Dou por mim a fixar o tecto do meu quarto, as insónias já sem poderem ser chamadas de tal, e passo a vida assim, desperta mas adormecida. Desperta para tudo aquilo que temo, tudo aquilo que me faz duvidar, vacilar e adormecida para a coragem, para a vontade, para a garra. 

Se houve algo que Londres me roubou foi sem dúvida a minha garra. Lembro-me de ser destemida, com medos sim, mas a vontade de os vencer era sempre maior. Costumava ser uma leoa selvagem, que se mandava às coisas de cabeça e pensava nas consequências depois. Agora, não dou dois passos para a direita sem pensar mil e uma vezes se deveria mesmo era dar um para a esquerda. Agora... sou como uma leoa domesticada, daquelas que vemos no zoo, olham para nós com desdém e regressam à sua sesta. Perdi muita coisa de mim que quero voltar a encontrar. Mas o tempo corre e eu fico parada.

Estática.

13
Jun19

When They See Us


alex

Por norma não faço posts a recomendar séries, livros ou músicas... pela simples razão de que não tenho tempo (ou vontade) de ver séries novas ou de ler (apesar de continuar a comprar livros e a deixa-los na mesa de cabeceira). Este ano já vai a meio e eu lembro-me de ter começado o ano com a intenção de ver mais filmes, mais séries e ler mais, basicamente tentar voltar às minhas raízes, tentar voltar a encontrar a paixão pelas artes e a razão pela qual eu decidi estuda-las. Mas 6 meses passados e tal não aconteceu. Porque muita outra coisa aconteceu nestes 6 meses e essa vontade (não gosto de lhes chamar resoluções) ficou pelo caminho. 

Contudo, agora que as coisas estão um pouco mais calmas e antes de começar o rebuliço das mudanças, tenho andado a tentar ver séries e ler um bocadinho mais. Recentemente vi esta mini série na Netflix chamada "When They See Us" e a série tocou-me a um nível que eu não estava à espera. Para quem não saiba sobre o que é a série, resumidamente, é uma mini série de 4 episódios que acompanha a história de 5 rapazes que foram injustamente condenados de um crime que não cometeram. Acompanha-os desde o momento em que eles foram acusados, julgados e condenados quando eram apenas crianças, até ao momento em que eles são libertos e ilibados já nas suas vidas adultas. 

É uma história muito forte e emotiva e é uma história verídica. É triste saber que este tipo de coisas aconteciam e ainda acontecem hoje em dia, mas é deste tipo de histórias que as pessoas precisam de ouvir. É este tipo de conteúdo que precisamos, principalmente nos dias de hoje que, às vezes, parece que estamos a andar para trás em vez de para a frente, no que toca ao racismo e à descriminação.

Recomendo vivamente e sem dar spoilers, deixo o trailer da série e uma frase que gostei bastante, dita por uma das personagens secundárias da série.

"Happiness is something to look forward to."

 

 

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