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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

06
Ago18

A mais pura das ignorâncias


alex

Já escrevi vários textos sobre o ser emigrante. Contudo, hoje, depois de abrir o Facebook pela primeira vez em vários dias (não uso muito o Facebook), deparei-me logo com um post que me deixou em brasa. Se calhar é por isso que evito ir ao Facebook, porque de cada vez que lá vou, só me deparo com vergonhas destas.

Basicamente aquilo com que me deparei foi com um post de uma rapariga que costumava andar na mesma escola secundária que eu, que entretanto até deixou os estudos (pelo que sei). O post que ela partilhou era de uma senhora que escreveu um texto aos anti-emigrantes e esta rapariga que andava comigo na escola partilhou e escreveu a sua "opinião" em relação ao texto direccionado aos anti-emigrantes.

O que ela escreveu eu já ouvi muitas vezes ser dito a vários emigrantes e já me o foi dito a mim várias vezes, até por "amigos" e pessoas próximas. Esta aversão que ALGUNS portugueses ainda parecem ter e expressar contra os emigrantes deixa-me, no mínimo dos mínimos, triste. Triste por saber que há portugueses que pensam desta forma de outros portugueses. Para esta menina, porque a meu ver é isso que ela é, eu sou uma pessoa que odeia o seu país. Que é uma escumalha porque abandonei os meus e desconto para um país que não é o meu. Abandonei o meu país e depois vou de férias para Portugal fazer turismo e usufruir do trabalho árduo dos portugueses que são tão patriotas e adoradores do seu país que jamais ousariam abandona-lo.

Eu sou o equivalente a uma criminosa aos olhos de pessoas como esta menina. Mas será que estas pessoas são assim tão densas que não conseguem perceber que eu por ter escolhido sair do meu país não gosto menos ou mais do meu país do que os que ficam? Que não sou menos ou mais portuguesa? Aliás, até vos digo mais! Gosto mais do meu país agora que não estou lá do que quando lá estava! Se eu fosse de lavar roupa suja, como se diz, em praça pública, tinha ido comentar no post dela. Em vez disso venho para aqui escrever este texto porque não é da minha personalidade andar nas redes sociais a discutir com pessoas densas e que pensam que ter uma opinião = a odiar, enxovalhar e tratar os outros como lixo.

Vamos por partes. Todos nós temos objectivos de vida diferentes. O meu objectivo de vida, na altura em que decidi emigrar já lá vão 4 anos, era poder tirar uma licenciatura nas áreas que me interessavam. Eu queria o que, infelizmente, o meu país não me podia oferecer. Só me davam a escolher Jornalismo e Comunicação Social. Mas eu queria mais. Queria algo direccionado para a escrita criativa, o mundo editorial e da publicação de livros. Uma universidade em Londres oferecia-me os dois. Escrita Criativa e Jornalismo. Então vim. 

Há pessoas que emigram aos 30 porque, na empresa onde trabalham, foi-lhes oferecida uma posição com melhores condições, melhores ordenados e então emigram. Há pessoas que emigram aos 50, já depois de terem filhos criados por qualquer outra razão que lhes cabe só a eles. Todos nós temos as nossas razões mas uma coisa posso garantir: são muito poucos ou atrevo-me até dizer, quase nenhuns, os portugueses que emigram só porque sim. Ou porque odeiam Portugal. Por favor malta. Pensar assim é uma forma completamente ridícula de pensar. Não vou dizer que emigrar não é uma escolha, porque é. Claro que é! Eu podia muito bem ter escolhido ficar em Portugal a estudar Comunicação Social ou Jornalismo e se calhar tinha ido estagiar para um dos canais de televisão, como vários dos meus colegas fizeram, ou tinha conseguido um emprego na minha área, como outros meus colegas, ou então estava a fazer algo completamente diferente do meu curso, tal e qual como estou agora a fazer aqui. Eu escolhi emigrar e é sim uma escolha. Mas agora, desde quando é que escolher algo para o nosso futuro que não passa por ficar em Portugal, um crime? Não percebo. Eu tenho certos objectivos de vida que se calhar A ou B não tem. Para essa pessoa, o seu objectivo é acabar os estudos, arranjar um trabalho que lhe dê o ordenado mínimo, se calhar não se importa de ficar a viver em casa dos pais até aos 30, quer tirar a carta, ter um carrinho mesmo que seja em segunda ou terceira mão e pronto, isto para essa pessoa é vida. É a vida que ela quer para ela. Mas e então eu sou A ou B? Não, eu sou a Alexandra. Eu quero ganhar mais do que 600 euros por mês. Eu tenho 22 anos e não tenho carta porque não quero, não preciso e não tenho intenção de vir a ter. Eu não consigo imaginar-me a viver em casa dos meus pais, a depender deles, a apoiar-me mais neles. Eu quero dar aos meus pais, ajudá-los, coisa que já consegui fazer e que não conseguiria se tivesse ficado em Portugal. Eu quero viajar. Eu quero aprender outras línguas, experimentar outras culturas, viver outras realidades. Alguém que me explique o porquê de eu, por querer algo que a A ou o B não quer, sou enxovalhada, tenho de levar com bocas, ser chamada de emigra, de desertor, de ouvir coisas como: "Pois, pois, tu vais e descontas para outro país, isso é fácil, agora ficar cá a descontar para o país que tu dizes amar só para tu vires cá fazer turismo uma vez por ano, isso é que é difícil"

MALTA. MEU DEUS. COMO ASSIM?

Eu vou fazer turismo? Pois vou porque existe uma coisa chamada turismo interno, que todo o português pratica, seja emigrante ou não! Eu se for Lisboeta e for passar duas semanas de férias ao Algarve sou uma turista! Ah, mas no meu caso é porque não desconto para o meu país mas depois gosto de ir para lá de férias. Sim, pois claro. Porque não ter tempo para respirar nem mandar um peido para o ar quando se está na sua própria terra é, de facto, ter férias. Porque ao contrário do que este tipo de pessoas pensam, eu não abandonei os meus. E faço questão de visitar e ver toda a gente que me queira ver a mim quando vou a Portugal. O tempo que eu tenho para mim, nas minhas férias, é quase nulo. Mas para mim isso não é um problema. Porque estou com as pessoas que amo. "Mas se amasses não deixavas para trás!"

Adoro essa! Eu podia estar ai e não falar com ninguém, não me relacionar com um único familiar meu. Há pessoas que viram costas ao próprio sangue por coisas mesquinhas e depois vêm com lições de moral a dizer que os emigrantes são uns merdas que deixam a família sozinha? Quando eu vejo irmãos, tios, primos e sei lá eu mais o quê a dizerem e a falarem mal uns dos outros a três metros de distância uns dos outros? Por favor, poupem-me. O amor não se mede em milhas, em horas de avião ou em anos que passamos juntos dos nossos. O amor mede-se nas nossas acções, na forma como tratamos as pessoas. De que vos serve viverem com os vossos paizinhos se depois os tratam como se eles vos devessem algo? Como se eles fossem um monte de lixo velho que está simplesmente ali no canto à apodrecer? De que vos serve terem 10 amigos com quem sair durante o dia, se depois quando chega a noite não têm ninguém a quem ligar, com quem falar? A hipocrisia de metade desta gente que critica os emigrantes, se verificada, chegaria a números impensáveis.

Amam tanto Portugal. São tão patriotas. Uns desgraçados porque, eles sim, são os que ficam a descontar para o país, a lutar (dizem eles) por um país melhor. Mas depois vão para o Facebook falar mal do país a torto e a direito. São capazes de se queixar da merda de ordenado que recebem. Da vida que têm. Do carro que conduzem. Das coisas que não podem comprar. E depois, claro, atacam os emigras, como nos chamam, porque nós é que somos os traidores. Quando tudo o que nós fizemos foi escolher um caminho diferente para a nossa vida do que aquele que nos é incutido desde nascença. O crime, nossa senhora!

Aqui não há desgraçados nem coitados. Aqui há simplesmente pessoas com objectivos de vida diferentes, com quereres e metas diferentes. Porque nada neste vida é fácil. Ficar no país não é fácil. Sobreviver com ordenados mínimos não é fácil. Mas também não é fácil deste lado. Sempre ouvi dizer que quem está mal, muda-se. E neste caso, não acredito que alguém que emigre estivesse mal, mas estavam no sítio errado para conseguirem alcançar aquilo que queriam, então mudaram-se. Porque é que somos alvo de tanta crítica simplesmente por querermos algo de diferente para nós, para o nosso futuro e até, inclusive, para o possível futuro dos nossos? Só porque tu descontas para Portugal e eu desconto para Inglaterra?

Ao final do dia, é tudo dinheiro que vai parar aos bolsos dos mesmos corruptos de merda, portanto, esse argumento para mim é nulo. E, aliás... dependendo do número de anos que descontamos, eu posso transferir os meus descontos TODOS para Portugal se eu bem achar e assim quiser. Mas eu odeio o meu país, então nunca faria isso...

Enfim. Não consigo perceber o ódio aos emigrantes. Eu não vou para Portugal criticar, mandar bocas ou falar mal dos que escolherem ficar em Portugal a fazer seja o que for que escolheram fazer. Porque é que os emigrantes são tratados desta forma? Já  fui descriminada aqui por ser portuguesa, por pessoas não portuguesas, mas ser descriminada por portugueses, por ser portuguesa mas não viver em Portugal? Ninguém, para além de mim, acha isto rídiculo?

Uma coisa é termos uma opinião e exprimirmos aquilo que pensamos e dizer que jamais seriamos capazes de fazer isto ou aquilo. Agora, atacar aqueles que o fazem só porque não é igual ao que nós fazemos, isso já não é opinião.

É pura ignorância.

25
Jul18

As pessoas não são espelhos


alex

Aquilo que os outros são, só se reflecte em ti se tu quiseres. Se tu deixares. 

Eu acredito que todos nós somos tão bons como maus. Todos nós, como seres humanos, já fizemos coisas das quais não nos orgulhamos, coisas que magoaram alguém, coisas menos correctas. Todos nós já pisámos a linha umas quantas vezes. Mas claro que depois há sempre as pessoas que em vez de pisarem só a linha, ultrapassam-na completamente. E é ai que está a diferença entre uns e outros. Entre as pessoas boas que fazem coisas menos boas; que cometem erros e as pessoas que optam por ser simplesmente maldosas; que já não cometem erros porque um erro é algo que fazemos do qual nos arrependemos. Estamos conscientes deles e tentamos não repetir. Há pessoas que já não cometem erros porque são pessoas que não os cometem. Elas são o erro em si.

Pode ser um cliché, mas é verdade. Não sou santa, nunca fui, nunca vou ser. Mas sei reconhecer os meus erros, pedir desculpa e tentar fazer melhor no futuro. Nunca precisei de pisar em ninguém para chegar aonde estou. Nunca me aproveitei da boa vontade dos outros. Sempre fiz questão de fazer as coisas sozinha, por mim mesma.

Há pessoas que infelizmente não são assim. São manipuladoras, aproveitam-se da boa vontade dos outros e conseguem um lugar confortável na vida subindo os degraus da mesma espezinhando quem não consegue subir tão depressa ou de forma tão suja. Há quem desculpe este tipo de pessoas com "Mas eles não sabem melhor, tiveram uma vida tão difícil. Os pais não querem saber deles, ou foram maltratados, ou, ou, ou..."

Há tanta boa gente com histórias de vida tão tristes. Todos nós temos problemas, todos nós já sofremos ao longo das nossas vidas. Todos nós já fomos magoados ou desiludidos por alguém. Isso não é desculpa, desculpem-me. Cabe-nos a nós a escolha de sermos como aqueles que nos fizeram mal ou de sermos a pessoa que ajuda a prevenir que mais mal aconteça aos outros. Eu fui muito mal tratada, muito enxovalhada, muito usada no meu antigo local de trabalho, por pessoas em posições acima da minha. Hoje, passados três anos, eu estou na mesma posição de poder dessas pessoas e nunca, jamais, serei um espelho delas. Nunca tratei nem nunca vou tratar um ser humano da forma como eu fui tratada. Podia escolher fazê-lo. Pagar na mesma moeda, combater fogo com fogo. Mas as pessoas esquecem-se que, por muito alto e alastrado que seja e que esteja o fogo, a água vai ser sempre o seu grande inimigo, o único capaz de o eliminar. Ser uma pessoa má, manipuladora, mesquinha, detestável É SIM uma escolha. Não me venham com desculpas, a dizer que é das circunstâncias da vida, porque não é. Se és uma pessoa de merda és uma pessoa de merda porque as tuas escolhas levaram-te a isso.

Para mim não há desculpa para a crueldade das pessoas, para o seu poder de manipulação, para o carácter mau delas. És aquilo que escolheste ser.

As pessoas não são espelhos. Eu não vou ser a pessoa que me fez chorar dias e dias a fim, a caminho de casa depois de mais um dia infernal no trabalho. Eu não vou ser a pessoa que se aproveita dos outros só porque eu fui a pessoa de quem os outros se aproveitaram. Eu recuso-me a ser o reflexo da maldade daqueles que me fizeram mal.

Eu escolho ser melhor do que eles. E tu?

18
Jul18

Mais e melhor


alex

Uma das coisas que prometi a mim mesma fazer este ano foi tentar mudar a minha forma de pensar e olhar para o mundo. Adoptar uma nova perspectiva e tentar trabalhar um dos meus maiores defeitos que é o ser negativa. Não sei de onde veio e como ou onde começou, mas desde que me lembro que sou uma pessoa muito negativa. Sempre a lamentar-me disto e daquilo, a queixar-me da vida que eu própria escolhi, a fazer-me de vítima como se todas as desgraças do mundo me acontecessem só a mim. Talvez porque sempre fui uma criança complexada, uma adolescente com muitos problemas mentais, inevitavelmente deixei-me consumir pelo negativismo. Costumava pensar que era algo que não conseguia mudar em mim, que não era defeito mas sim feitio. E claro que é algo muito difícil de se fazer. Uma pessoa quando está doente fisicamente, há várias coisas que pode fazer para melhorar o seu estado. Mas quando a doença é mental, a coisa é muito mais complicada. É preciso todo um percurso com muitos altos e muitos baixos e temos de estar preparados para haverem pessoas que queiram destruir ou atrasar o nosso progresso.

Até porque é normal as pessoas estranharem. De um momento para o outro, aos olhos delas, passei de Miss Negatividade para Miss Possitividade. Mas claro, as pessoas só vêm aquilo que querem ver. É como o teatro: o publico só vê o resultado final e julga todo um projecto que demorou imenso tempo a ser montado e trabalhado, baseado apenas no produto final. Houve muitos ensaios, muitas reuniões, muitas lágrimas e dores, muitas corridas pelos bastidores no dia de abertura para tentar que tudo estivesse a postos para a abertura da cortina. E é claro não podemos culpar o público por isso, pois eles vão ao teatro é para ver o produto final. No meu caso, se não conviveram comigo, diariamente, ao longo do último ano e meio, é muito difícil para a pessoa perceber como e o porquê da minha mudança, e a mesma aparenta repentina para essas pessoas.

A verdade é que não foi nada repentino e ainda é algo no qual estou a trabalhar e a aperfeiçoar. Como ser humano que sou, tenho os meus momentos de fraqueza. Vou-me abaixo e os pensamentos negativos assomem-me de repente. Às vezes fico assustada com o que vai dentro da minha própria cabeça. Mas é todo um processo, como já disse. E não é nada fácil, mudar a nossa forma de pensar, de mudar a nossa perspectiva. Não é fácil ser-se feliz e é isso que tenho aprendido nos últimos tempos. Que a felicidade não é algo que nos cai no colo. Todos nós perseguimos este conceito vazio de felicidade, no entanto, andamos sempre descontentes com tudo. Pelo menos eu era assim que andava. Quero ser feliz, quero ser feliz, contudo não fazia nada por isso. Queixava-me disto e daquilo, daquele e daquela, mandava o mundo às espigas e amaldiçoava quem me amaldiçoava a mim. E este ano tenho vindo a descobrir que não é fácil ser-se feliz, mas que é muito menos complicado do que aquilo que eu pensava. Basta começar com pequenas coisas como encarar as pequenas coisas da vida com um sorriso na cara em vez de um franzir de testa.

Por exemplo, acontece-me algumas vezes perder o autocarro para o trabalho de manhã. Ás vezes, estou a sair de casa, que fica a dois minutos da minha paragem, e vejo não um, mas dois autocarros a passar de seguida. Isso deixava-me completamente frustrada. Meu deus, amaldiçoava o mundo por ser tão cruel. Porquê eu? Agora, quando me acontece, encolho os ombros e penso: mais tempo para ouvir a minha música. 

Ou por exemplo, no outro dia, por acaso sexta-feira 13, estava a trabalhar até às 20h30 e por volta das 19h, ouve-se um estrondo enorme. Dois segundos depois vejo malta a correr para dentro do centro comercial toda encharcada. Estava a cair uma carga de água como já há muito não caia. Mas o calor e a humidade continuavam. Bom, a chuva não parou de cair durante mais de uma hora e quando chegou a hora de sairmos da loja, continuava a chover de uma maneira que eu juro nunca ter visto antes. Tínhamos apenas um chapéu de chuva pequenino, que partilhámos as duas até à paragem de autocarro. Depois, tivemos de decidir quem levava o chapéu para casa. Ora eu disse à minha colega para ela ficar com ele, visto que a minha casa é literalmente a dois minutos da paragem de autocarro onde eu saio. Ela protestou mas no fim, lá levou. A chuva abrandou bastante enquanto estávamos debaixo da paragem de autocarro e quando o mesmo chegou, dava sinais de parar por completo. Contudo, assim que me comecei a aproximar da minha paragem, a intensidade com que a chuva caia voltou a aumentar e eu, sem casaco, sem chapéu de chuva, de t-shirt e jeans, apanhei a maior molha da minha vida. Se isto tivesse sido à uns meses atrás? Meu deus! Tinha chegado a casa a chorar baba e ranho, a perguntar-me porquê eu, porque é que isto só me acontece a mim, agora vou ficar doente, e isto e aquilo e....ARGH! Só de descrever esta pessoa está-me a enervar! Cheguei a casa encharcada da cabeça aos pés. E ri-me. Desatei a rir-me porque qual é o objectivo de ficar chateada com coisas deste género? Para quê ficar irritada ou enervada? Foi inconveniente? Claro que sim, ninguém gosta de ficar encharcada ao ponto de poder apanhar uma pneumonia (penso eu). Mas em vez de ficar chateada com o Universo por me mandar esta carga de água logo quando eu tinha de vir para casa, olhei-me ao espelho e ri-me porque parecia um panda autêntico com rímel a escorrer-me pela cara abaixo. 

Comecei com pequenas coisas. Comecei por não me deixar convencer que o Universo me odeia e faz tudo para me lixar a vida. Tento ver o outro lado da moeda. Eu estava tão presa e fechada dentro de mim mesma que me recusava a ver o outro lado das coisas. Claro que ainda fico chateada e aborrecida se alguma coisa corre mal ou não de acordo com aquilo que tinha pensado ao início. Mas se é algo que não consigo controlar, depressa mudo o meu pensamento. Se é algo que foi o um erro da minha parte, não me martirizo como martirizava antes. Procuro aprender através desse erro e tento não repeti-lo. Quase tudo na vida é corrigível. Quase. Mas tentar mudar uma grande parte de nós não é nada fácil. Especialmente se estamos rodeados de pessoas que são negativas e que tentam destruir o progresso que já fizemos.

E para mim, esse tem sido o maior desafio. Continuar na minha, tentar ser uma pessoa melhor e mais positiva quando vivo rodeada de negativismo e pessoas que me questionam a toda a hora. Dizem-me vezes e vezes sem conta:

"Ai Alexandra, pareces o Buddha, até enervas."

"Mas estás feliz? Tens de estar nesta loja cinco dias por semana, oito horas por dia e estás feliz?"

"Porque é que estás tão sorridente? Ai dá-me o que andas a tomar porque também quero!"

Eu também me irritava as pessoas que pareciam andar sempre contentes e de bem com a vida. Pensava, caraças, como é que é possível? Têm montes de dinheiro, só pode. Não tem preocupações na vida, com certeza. Não têm dificuldades! Eu era essa pessoa, portanto eu até posso perceber de onde é que estas pessoas e os seus comentários estão a vir. Mas eu acho que comecei a perceber algo que estas pessoas ainda não perceberam.

A vida é muito mais fácil se não a levarmos tão a sério. A sério! E isto é muito cliché de se dizer, mas é a verdade. O peso que eu antes sentia nos meus ombros? Fui eu que o pus lá. O buraco onde me enfiei? Fui eu que o cavei. A felicidade que não conseguia sentir? Era eu que estava a dificultar a minha própria vida. Claro que não ando sempre feliz, ou a sorrir, ou com energia ou com vontade de fazer coisas. Mas ando a esforçar-me para ser uma pessoa melhor para mim própria. Ando a trabalhar para atenuar os meus demónios, uma vez que sei que nunca me vou conseguir ver livre deles por completo. Eu sou abençoada. Tenho problemas como todos os outros, mas sou abençoada. Tenho um trabalho que me permite ter uma vida semi-confortável, tenho uma família que me apoia incondicionalmente e tenho amigos do meu lado que me fazem sorrir. Não tenho um carro, ou dez mil libras na minha conta, não estou apaixonada por alguém ou numa relação amorosa, não tenho a minha família perto de mim e às vezes não tenho vontade de ir trabalhar. Eu ria-me quando me diziam isto mas caraças, é verdade... é tudo uma questão de perspectiva. E aos poucos eu vou mudando a minha.

Quero ser melhor, quero ser feliz. Mas aprendi que isso tudo começa em mim e acaba em mim. E como já disse, é difícil, muito difícil mesmo, especialmente quando tens pessoas que duvidam de ti diariamente e que são completamente o oposto daquilo que tu estás a tentar ser. Mas vale a pena. Porque a pessoa que sou hoje é muito mais feliz que a pessoa que eu era à um ano atrás, sem dúvida.

E espero que a pessoa que vou ser daqui a um ano seja ainda mais; melhor.

 

17
Jul18

Novo look


alex

Será que estou no blog certo? Perguntam-se vocês (possivelmente)... Sim, estão! Cansada do look simplista e "despido" do blog, decidi fazer algo diferente e como pessoa que muitas vezes anda de cabeça na lua, o tema que decidi adoptar para o blog foi o do espaço, estrelas, planetas, etc. Claro que, sempre em tons de azul e roxo, as minhas cores favoritas. Estava na altura de uma mudança de look aqui pelo blog, que não tem sido amado e apreciado como deve ser por mim, nos últimos tempos...

Com esta mudança de look pode ser que me sinta mais motivada a postar com mais frequência... e como sempre, eu sendo eu, gosto sempre de tentar something new!

28
Jun18

Fora da caixa


alex

Eu percebo. Percebo o porquê de as pessoas à minha volta não perceberem. Já levei tanto na cabeça nestes últimos meses que se não percebesse, era um bocado crítico. Tão crítico quanto as pessoas, depois de eu já lhes ter explicado tantas vezes o porquê, ainda não perceberem. 

Ora se eu as percebo a elas, porque é que elas não me percebem a mim?

Não vou à minha cerimónia de graduação. Ou como diríamos aí em Portugal, Queima das Fitas. Aqui a coisa é simplesmente uma versão barata das cerimónias que se fazem nos Estados Unidos quando a malta acaba os cursos, com as capas e os chapéus que toda a gente atira ao ar para a bonita da fotografia. A minha é já daqui a 2 semanas e eu não vou lá estar. Não devia ter de me justificar a ninguém a não ser à minha família e amigos próximos. Mas toda a gente pede justificações da minha pessoa. E eu vivo frustrada com isto. Porque eu apresento as minhas razões e é a mesma coisa como se tivesse ficado calada. Eu sou uma mulher crescidinha. Ainda com muito para crescer, mas já tomo as minhas decisões, sozinha, há quatro anos. Não foi uma decisão que tomei de um dia para o outro. Passei meses a ponderar, a dizer a mim mesma que ia e a dizer depois que não ia. A ouvir a opinião deste, a opinião daquele. Depois de já me ter convencido a ir, contra vontade sou sincera, por acasos da vida, os meus pais viram-se na impossibilidade de virem até cá e estarem presentes nesse dia que todos juram a pés juntos ser o dia mais importante das nossas vidas. E voltei à estaca zero. Mais uns dias de vou, não vou. Quero, não quero...

Hoje não perco mais sono por causa disso. A decisão está tomada e já não há volta atrás. O prazo para reservar o meu lugar na cerimónia já passou e eu não o reservei. Eu estou de consciência tranquila quanto à minha escolha. Os outros é que parece que não. E eu, que digo e volto a dizer que o que os outros dizem não interessa e não nos deve pesar nos ombros, sou atraiçoada pelas minhas próprias palavras quando me vejo numa discussão bem acessa em pleno local de trabalho, com uma colega minha, sobre este mesmo assunto. Ai já importa. Quando alguém, de quem nem sou assim tão próxima, se acha no direito de me questionar, a mim e às minhas escolhas da forma como ela questionou, já importa o que os outros dizem.

Eu não vou por várias razões. Uma delas, e das grandes, é que não vejo sentido em ir se não posso partilhar esse dia com as pessoas que mais amo neste mundo, as pessoas que sempre me apoiaram. "Mas é por elas que devias ir na mesma". Não. Era por elas que ia; é por mim que não vou. Fotografias para mim são só recibos e esses, eu deito fora assim que saio das lojas. "Vais-te arrepender, daqui a dez anos quando quiseres ver fotos tuas com a tua capa e o teu chapéu e não as tiveres." Só quem me conhece mal é que diz isto e usa este argumento contra mim. Claro que é giro olhar para fotografias do passado e recordar. Só que eu não o faço. Juro que não tenho essa necessidade, mas compreendo quem a tenha. "Mas é o dia mais importante da tua vida, andaste três anos a estudar para poderes celebrar neste dia!" No meu caso, não há nada para celebrar e essa, é outra das grandes razões pela qual a decisão final foi a de não ir. 

Eu não trago nada deste curso. Nadinha de nada. Não trago boas memórias, não trago bons amigos, não trago bons professores, não trago lições de vida. Nada. Sabem o que eu tenho destes três anos? Lágrimas, dor, frustração, dissabores. O tempo que eu passei naquela Universidade, ao todo, deve equivaler a apenas um ano completo. Foram mais os dias em que não pus lá os pés do que os em que me decidi a aparecer. Nem sei como é que me deixaram terminar o curso, para ser sincera. E não sei como raios consegui ter as boas notas que tive. Só eu é que sei. O quanto esta experiência universitária para mim valeu. Valeu nada, zero malta. Desculpem se vos desiludi e se não me encaixo na grande maioria que adorou a sua experiência universitária. Mas ao mesmo tempo, e com todo o respeito, eu não me podia estar mais a cagar. Porque maltinha, nós somos todos diferentes uns dos outros. E eu mudei muito, mas mesmo muito ao longo destes três anos. Eu não sou a miúda iludida que era quando tudo isto começou. Sou gozada por estar sempre a dizer isto, mas é a verdade. Eu não fui estudante. Eu fui trabalhadora que de vez em quando se lembrava de brincar às escolas. Sofri muito malta. E esse sofrimento é só meu. Como já referi noutro texto, este curso destruiu-me, a mim, à minha auto-estima e à minha arte. Pouco ou nada resta da miúda que queria ser escritora ou jornalista. A vida é mesmo assim e esta minha geração é a pior delas. Porque somos dados tantas possibilidades de fazermos e de sermos tanta coisa, e ao mesmo tempo somos ensinados desde miúdos que só podemos ser uma coisa, fazer uma coisa, sonhar uma coisa, que vivemos presos entre o dever e a obrigação. E o querer fica perdido. A vontade também. 

Vou para ali, gastar 100 libras em fatos e chapéus que vou usar durante 2 horas, receber um papel em branco (o diploma só o mandam para a nossa casa lá para meados de Setembro), rodeada de estranhos com quem não me identifico nem nunca me identifiquei, para quê exactamente? Para ter umas quantas fotografias para mostrar à malta do Facebook? Para poder postar no Instagram com uma caption toda lamechas? Meu deus. Só quem não me conhece mesmo usaria estes argumentos de merda para me convencer. Não há nada para celebrar. Vou celebrar, sim. Com os meus. Vou comer fora, vou beber, vou dançar, vou ser feliz perto de quem me interessa. 

Não tomei esta decisão para ser "hipster", para ser diferente dos outros, para ser do contra, para fazer alguém infeliz. Não. Eu tomei esta decisão com base na minha experiência e tendo em conta quais as minhas prioridades na vida, neste momento. Se calhar, à três anos atrás a minha prioridade era subir aquele palco, apertar a mão do Director e sorrir para a foto. Mas eu passei por tanto, eu cresci e mudei tanto, que as minhas prioridades mudaram. Os meus objectivos mudaram e os meus sonhos também. A vida é bonita é por isso mesmo, porque há sempre mudança, por muito subtil ou não que ela seja, ela está lá. 

Vou fazer o que raios eu bem quiser porque esta é a minha vida. Não é a tua, ou da Maria ou do Zé. A Maria e o Zé foram felizes na sua universidade e a cerimónia de graduação foi o dia mais importante da vida deles. O dia mais importante da minha vida já foi. Já tive tantos dias importantes na minha vida. O dia mais importante da minha vida ainda está para acontecer. E já houve muitos outros dias importantes na minha vida aos quais faltei. E sabem que mais?

Estou aqui. Estou viva. Estou finalmente feliz e em paz comigo. Não me fodam o juízo malta. Deixem-me estar. Eu estou tão feliz por me ter livrado destes últimos três anos. Tão aliviada. Mas eu não quero prolonga-los. Quero encerrar este capítulo da minha vida e começar a preparar-me para o próximo, seja ele qual for. Fiquem antes felizes por eu estar feliz. Não se preocupem se eu não vou ter fotos para as quais olhar daqui a dez, vinte, trinta anos. Não se preocupem se eu acordar um dia a chorar que nem uma Maria Madalena arrependida porque não fui à merda da cerimónia. 

Porque eu só estou preocupada se daqui a dez anos vou estar a sorrir como estou agora. Se vou ter as pessoas que amo e que tenho agora. Se vou ter rugas, as rugas preocupam-me imenso malta, não têm ideia... Então não me façam ter rugas antes dos vinte e cinco se faz favor. 

Eu estou de bem com a vida como já não estava à muito tempo. Para todos aqueles que me têm tentado estragar isso, vocês são uns tristes e dispenso a vossa preocupação, obrigada. Opinião, todos temos direito a tê-la, agora quando ultrapassam os limites e tentam forçar uma pessoa a fazer ou a ser algo que ela não quer, isso já não é ter uma opinião. Isso é como pôr a pessoa dentro de uma caixa e não deixa-la sair.

Eu estive dentro dessa caixa durante muito tempo. Agora estou fora dela. E assim pretendo permanecer. 

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