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Something New

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Uma pontade de inveja

Tinha três semanas de férias para gozar até ao final do mês de Março. Tirei a primeira esta semana que passou, vou tirar outra em Fevereiro e outra em Março para poder ir passar a Páscoa a casa.

No entanto, não sei se lhe posso chamar férias, o que tive esta semana. Mas foi uma semana que eu precisava de ter para organizar a minha vida. Tinha de ir ao banco tratar de uns assuntos, tinha de ir inscrever-me no sistema de saúde nacional e de ir a uma consulta. Tinha de organizar os meus trabalhos da uni.

Fiz tudo. Até parece mentira. Tive tempo de ir às aulas, tive tempo de ir ao banco, tive tempo de ir ao médico...tive tempo para organizar a minha vida.

Amanhã já vou trabalhar. Esta semana estou a trabalhar até às 22h três dias de seguida. O meu coração quase que me caiu aos pés. Depois de uma semana sem ter de me preocupar com aquela loja, voltar esta semana e ainda por cima com o horário que tenho...deitou-me abaixo.

Para piorar a situação, a minha querida mãe completou no sábado 50 anos de vida. Fiz skype com ela e vi a família e os amigos todos reunidos lá em casa. Disse olá a todos. Sentei-me, aqui nesta mesma secretária, depois de ter cantado os parabéns, a ouvir, a ver. Simplesmente a ouvir e a ver as minhas pessoas a fazerem aquilo que sempre fizemos todos os anos. A conviverem, a falarem alto e uns por cima dos outros, a rirem, a gozarem uns com os outros...

Sentada nesta secretária, a ver a minha família e os meus amigos todos reunidos em minha casa, a pensar na imensidade de merda que tenho para fazer esta semana e as horas que vou passar naquela loja... senti pela primeira vez vontade de regressar. Só por um bocadinho, Só por uns dias. Só por umas horas. Só por uns segundos.

Senti pela primeira vez vontade de regressar ao passado e ficar por lá, só durante um bocado. Senti aquela pontada de inveja pela jovem que podia ter ficado em casa com os pais e a família e os amigos. Senti inveja daquela jovem que podia ter ficado em casa a estudar e não tinha de se preocupar em ir trabalhar até às 22h da noite.

Senti inveja de uma pessoa que não existe. Que nunca existiu e que nunca poderia ter existido devido às circunstâncias da vida.

No entanto, sentada nesta cadeira a engolir as lágrimas, enquanto fingia rir de uma piada que o meu primo contava à malta toda....senti inveja dela. 

Da jovem que eu nunca poderia ter vindo a ser.

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