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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Uma história de amor

Vou-vos contar uma história de amor, daquelas muito mas mesmo muito românticas, em que as duas personagens principais não conseguem viver uma sem a outra durante muito tempo.

Então aqui vai:

Era uma vez uma menina de dez anos que brincava no parque com dois dos seus amigos. Era primavera, oh que bela eram as árvores dançando ao sabor do vento, os risos das crianças a brincar a única coisa mais bonita que essa dança.

A menina decide pendurar-se de cabeça para baixo nas escadas do escorrega - ela disse que queria ver o sangue subir-lhe à cabeça. E naquele momento, foi amor à primeira vista - PIMBAS!

A criança cai no chão e no processo racha o osso do tornozelo direito. 

Assim começa uma relação intemporal entre a rapariga e o(s) Chão(s).

A menina anda de muletas durante um mês, com direito a gesso e pé de meia elástico - mas quem diz que o amor dói não mente! O dela era bastante doloroso!

Uns anos depois, a menina já crescida, resolve matar saudades do seu primeiro amor - não vai de modas e desta vez, dá-lhe um abraço dos grandes! Vai de queixo ao chão e quase morre de ataque de pânico à pala disso.

É levada para o hospital, dão-lhe oxigénio porque para além do queixo esmurrado e a sangrar por tudo o que é sitio, ela estava com falta de ar - foi um encontro tão repentino e breve com o seu amor, que ela até deixou de saber fazer a mais básica das coisas, que é respirar, vejam só!

Desta vez não rachou nem partiu nada - o amor ainda dói.

Um ano depois desse incidente, a saudade bate outra vez. Na hora de almoço, lá vai ela ao Continente para comprar umas coisinhas quando, de repente, o amor chama-a e ela não vai de ignorar - PUMBA!

Torce o pé e dá um beijinho ao chão, o seu grande amor.

Ainda bem que ela guardou o pé de meia elástico estes anos todos! 

Não há amor como este. Dói tanto que eu até choro. Porquê?

PORQUE SOU EU. EU PASSO A VIDA NISTO. AGORA ESTOU AQUI QUE NEM POSSO COM DORES NO PÉ E PAREÇO UMA ANORMAL A ANDAR. ARRANJEM-ME UMA DAQUELAS BOLAS ENORMES DE PLÁSTICO PARA EU ME ENFIAR LÁ DENTRO SE FAZ FAVOR!

Peço desculpa pelo Caps Lock, mas era necessário. Este amor já me chateia. 

Quem diz que o amor dói e que não se escolhe quem se ama não podia estar mais certo.

Mas querido Chão, encontremos-nos só quando eu cair para a minha morte, pode ser? É que eu preciso dos meus membros inferiores (e superiores) para viver!

Assim não dá amor!