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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Já foi!

Passou o Natal, passou o ano novo e cá estamos, no ano 2017!

Se tivesse que definir o ano de 2016, diria que não foi o pior que já vivi, mas podia ter dado mais de si. Não tanto a nível pessoal mas mais a nível mundial. A nível pessoal, diria que foi um bom ano. Visitei um dos sítios que queria imenso visitar, a Coreia do Sul, conheci e explorei novos sítios, tive um dos melhores aniversários da minha vida, em Brigthon, com amigos que considero família, poupei dinheiro, fui a casa no Natal e conclui com sucesso o primeiro ano da uni.

Para 2017, os planos já são vários. Viajar mais, aproveitar mais as minhas folgas e dar mais atenção à familia e amigos que estão em Portugal e que por vezes são um pouco negligenciados. Quero também investir mais tempo no blog, coisa que já não estou a fazer bem porque já estamos na segunda semana do ano e este é o meu primeiro post de 2017.

Mas tudo se faz com vontade e eu espero tê-la este ano. Acho que é o que quero mais para este ano: vontade.

 

A crise dos 20

Não sei se toda a gente passa por isto aos 20, mas é certo que toda a gente passa por isto.

Aquela altura da nossa vida em que olhamos para o futuro e vemos negro. Aquela altura em que estamos a meio de um curso e nos apercebemos que em nada este está a contribuir para a nossa formação. Aquela altura em que queremos baixar os braços, desistir da vida e tornar-nos Managers da Gap (esta última mais pessoal, obviamente...).

Porque pergunto-me, a cada dia que passa, se isto tudo vai valer a pena. Daqui a um ano, quando acabar o meu curso e subir ao palco para receber o diploma de fato vestido e chapéu na cabeça, será que vou sorrir de alívio ou de felicidade? Eu aposto em alívio. Alívio por finalmente ter feito a minha parte. Ter a consciência limpa e tranquila. Tirei um curso. Agora posso simplesmente continuar a minha vida como se nunca tivesse desperdiçado 3 anos dela. Acho que vai ser esse o meu pensamento. 

Já não sei por quem estou a fazer isto. Se pela menina de 15 anos que sonhava em publicar o seu livro, a jovem de 18 que não queria sobrecarregar os pais e então emigrou ou se pela sociedade que me diz, desde nova, que ter um curso é tudo. Agora já não há volta atrás. Recuso-me a desistir. Preferia morrer. Mas a vontade de continuar escasseia. O interesse também. A paciência então... e as dúvidas. Essas permanecem sempre e enterram-se e cravam-se cada vez mais fundo no meu peito. Os "ses" da vida, para mim, são como pequenos cortes que carrego por todo o meu corpo e que de vez em quando abrem e ardem e ardem para caraças. 

Com o passar do tempo as pessoas mudam. Meu deus, se mudam... ao olhar para trás, eu fui a que mudei mais. E os meus sonhos mudaram também. Os meus interesses também. E hoje já não sei. Não sei se continuo a ser eu, ou um eu pior ou um eu melhor ou simplesmente alguém. Alguém sem futuro, alguém sem sonhos, alguém sem vontade.

Principalmente alguém sem vontade.

Não tenho vontade. E quando me falta a vontade, falta-me tudo.

O Regresso (no futuro)

Hoje regressam as crianças à escola, os adolescentes às secundárias e os jovens adultos às universidades.

Ainda me lembro de como era, no inicio de cada período. Aquela sensação de que íamos estar atolados de trabalho, sem poder respirar. As lengalengas que dizíamos a nós próprios para termos alguma segurança enquanto caminhávamos em direcção aos portões da escola.

"Vai correr tudo bem."; "Este período vou chegar todos os dias a casa e passar a matéria a limpo"; "Este período vou começar a estudar com um mês de antecedência em vez de começar só na semana antes do teste"; "VOU CONSEGUIR!"

Lembro-me que estas eram algumas das frases que dizia a mim mesma no primeiro dia de cada período. Digamos que era a mesma coisa que as resoluções de ano novo - todas muito bonitas e ditas com confiança no inicio do ano, mas depois mais de metade delas não aconteciam.

Falo como se já tivesse 30 anos e se tivesse acabado os estudos há 20, quando na verdade ainda no ano passado estava a levantar o rabo da cama às 6.30h da manhã para ir para a escola.

Nossa senhora, tenho de dizer, pois perplexa-me imenso o facto de agora, um ano depois, vos estar a escrever como jovem que trabalha e é (mal) paga para isso, em vez de vos escrever a dizer:

"Mais um semestre para arrebentar comigo. Mais uma catrefada de exames e frequências para me fazerem arrancar cabelos. Mais umas quantas noites passadas em branco a acabar este trabalho ou a estudar para aquela cadeira."

Escrevo-vos a dizer que para mim é mais um dia normal, de trabalho. Em que me levanto com o corpo e a mente pesadas porque só tenho o domingo como dia de descanso e esse, parece que já não o tenho há uma semana.

Escrevo-vos também a dizer que no outro dia, em conversa com a minha patroa, calhou em conversa os meus planos para o futuro e eu disse-lhe com um sorriso meio triste nos lábios:

"Os meus amigos estão todos de férias e eu estou aqui Dona X. Mas também lhe digo que futuramente, não vou estar. Porque eu posso demorar mais tempo a lá chegar, mas vou lá chegar. Posso ter de lutar mais do que eles para conseguir ter a minha educação de volta, mas vou tê-la. Posso ter de chorar todas as noites a desejar ter um caminho mais direito, mas olhe que mais tarde vou estar grata pelas curvas. Posso sentir-me assustada por ter de ir pegar em livros depois de uma temporada longe deles e de me espalhar ao comprido, mas é como quando se aprende a andar de bicicleta e depois a deixamos de lado por uns tempos - quando voltamos a querer e a poder pedalar, podemos até cair as primeiras vezes e esfolar os joelhos e as mãos, mas ao fim de algumas tentativas, é como se nunca tivéssemos deixado de pedalar. Posso até sentir-me injustiçada porque vejo as fotos e oiço as histórias dos outros que já têm aquilo que eu quero, mas dentro de mim sei que eu também hei-de ter. Pode não ser já e posso ter de estar aqui na loja os seis dias da semana todos, durante os próximos seis meses, 12 meses, 24 meses mas acredite que quando eu chegar aonde quero, vou sentir muito mais orgulho em mim mesma do que sentiria se o tivesse conseguido apenas porque passei três anos a tirar 15 e 16 nos testes.

Acredite que vou chorar de alegria e de contentamento comigo mesma por ter conseguido chegar onde quero por mim. Porque trabalhei e ganhei o meu dinheiro. Porque ninguém me deu de mão beijada aquilo que vou ter. Porque eu vou ter - pode não ser já, mas vou ter Dona X."

Acho que a mulher só não chorou porque estavam lá os filhos com ela. Mas é por isso que hoje vos escrevo, na verdade. Para dizer que hoje as crianças voltam à escola, os adolescentes ao secundário e os jovens adultos à universidade, e a Alexandra ao trabalho (onde esteve ainda este sábado).

Mas que futuramente, sem saber bem quando e também sem querer impor um prazo, mas futuramente, vos irei escrever a dizer:

"Mais um semestre para arrebentar comigo. Mais uma catrefada de exames e frequências para me fazerem arrancar cabelos. Mais umas quantas noites passadas em branco a acabar este trabalho ou a estudar para aquela cadeira."

E talvez diga também que preferia estar a trabalhar - fiquem já sabendo que se dizer tal coisa, vos estou a mentir.