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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Façam figas comigo...

As primeiras duas semanas do ano já passaram (quase, hoje é quinta mas estamos lá perto). Em 2018 já ri e chorei para o ano inteiro, ou pelo menos é o que sinto. O facto de este ser o meu último ano da universidade está a pôr-me um pouco doente, em todos os sentidos.

As companheiras de casa dizem que eu já nem para abraçar sirvo que os meus ossos das costas estão tão sobressaídos que é desconfortável abraçar-me. Contudo eu digo-lhes que sempre fui assim. Mentira, que os meus jeans já não estão a servir outra vez. O tempo para comer ou para descansar é pouco e o stress é constante. Mas eu preciso de continuar, puxar, esforçar-me mais e dar as últimas porque já só faltam mais quatro meses.

Quatro meses para deixar a escola para sempre. Ou pelo menos as instituições escolares, visto que a Vida em si é a maior das escolas. Só vou poder dizer que sou estudante-trabalhadora durante mais quatro meses. Depois vou ser só mais uma empregada/desempregada como todos os outros licenciados. Empregada num trabalho que não quero para o meu futuro e desempregada porque ser escritora não paga contas. E mesmo assim ando há três anos a estudar para tal. Eu sempre fui maluca, as provas disso são mais do que muitas. Noites mal dormidas, já nem sei o que isso é. Quem me dera noites mal dormidas, pois significava que ainda dormia alguma coisa, mesmo que mal. Já não há maquilhagem suficiente para disfarçar o tamanho das minhas olheiras e as marcas das borbulhas que o stress traz consigo.

Contudo, se conseguir acabar isto de uma vez por todas, consigo tudo na vida. Disso não duvidem. Nunca cheguei a entrar em detalhes dos problemas académicos que tive mas foram muitos e completamente desnecessários. Não fiz amizades para a vida, não me envolvi muito na vida académica por falta de tempo e sinceramente também por falta de vontade, não aprendi nada de especial, honestamente. Ainda é cedo para escrever um post de reflexão sobre os últimos 3 anos e o curso mas, não vejo como é que em quatro meses a minha opinião e experiência possam mudar.

Escola simplesmente não é para todos. Cada vez mais tenho a certeza de que sou uma pessoa muito mais prática do que teórica. Aprendo muito melhor a fazer algo do que sentada numa sala de aula. Não me dou bem com regras e políticas de escola e tudo o que envolva avaliações deixa-me à beira de um colapso mental. Sou uma pessoa muito mais feliz quando estou simplesmente a carregar com caixas na loja, para ser sincera (eu sei, sempre me queixei imenso do meu trabalho aqui mas ao pesar na balança, consegue ganhar ahah).

Sinto que não sou nem vou ser mais realizada por ter uma licenciatura. Talvez me abra mais portas e oportunidades, mas no meu meio tudo é subjectivo e muito à base do próprio do talento da pessoa e das pessoas que se conhecem. Contudo, a quatro meses do fim não posso desistir, venham os obstáculos que ainda tenham de vir, vou prevalecer e acabar aquilo que comecei, de uma maneira ou de outra.

Espero que 2018 seja um ano bem melhor que 2017, visto que esse foi um autêntico desastre sem tirar nem pôr. Mas ainda só estamos no inicio e coisas boas já começaram a acontecer, não propriamente a mim mas aos poucos que me rodeiam e de quem gosto. Vamos todos fazer figas e desejar que 2018 seja um bom ano!

Acaba 2017

2017 não está a ser o meu ano. Acho que para o mundo em geral, 2017 está a ser uma bela merda. No entanto, a nível pessoal, este ano também não me está a dar muito. Dores de cabeça e lágrimas tem dado em demasia, aliás...

Arranjo sempre desculpas para não publicar aqui. Mas a verdade é que nos últimos tempos tenho andado a lidar com uns problemas na universidade que me têm basicamente consumido toda a força e todo o tempo que eu possa possuir. Cometi um erro num dos meus trabalhos que me vai custar caro. Acho que é seguro dizer que o meu percurso académico está manchado. E tenho andado a refazer o trabalho, o que me tem ocupado muito tempo. Na loja as coisas também não andam bem. Depois de ter transferido para uma loja mais pequena há sete meses atrás, e de pensar que as coisas iam melhorar, o contrário parece estar a acontecer. Vai piorando, e piorando e a vontade de ir trabalhar todos os dias é cada vez menor.

Tenho dado por mim a pensar, quase todos os dias, o que é que ando a fazer com a minha vida. Longe de tudo e de todos, presa a um emprego do qual não gosto e do qual não quero fazer carreira, a cometer erros estúpidos na universidade que me vão custar caro, a um ano de acabar o meu curso sem saber o que quero fazer da vida...questiono-me: o que raios ando eu a fazer aqui?

A brincar aos adultos. Foi a resposta a que cheguei ontem. Ando aqui a brincar aos adultos. Já não estou a gostar da brincadeira. Não vejo melhoras, não vejo a luz ao fundo do túnel, não consigo olhar para o futuro e imaginar algo de bom. Sinto que me estou a enterrar neste buraco de negativismo, a ter a grande crise dos vinte e sem saber o que fazer.

2017 para mim, podia acabar já que eu nem piscava os olhos.

Aprendendo comigo mesma

Andava pelo blog a ver as estatísticas deste canto, coisa que não faço com frequência porque também já não escrevo com a mesma frequência que escrevia antes, quando dou de caras com um determinado post. Na página das estatísticas, há uma parte com os posts mais comentados do nosso blog, ou seja, os mais "famosos" por assim dizer.  E eu dei por mim a clicar neste post. 

Ultimamente ando a desesperar. O meu trabalho já não me enche as medidas. Chego a casa a tarde e a más horas, carrego com demasiadas caixas, demasiado pesadas todos os dias, apago fogos que não me competem apagar, tenho de responder a pessoas que tanto me sorriem e me fazem rir como no segundo a seguir me façam querer esmurrar alguém e chorar... simplesmente, já não estou satisfeita com o sítio onde estou. Há uns meses atrás acho que escrevi aqui no blog em como ia mudar. Essa mudança acabou por não acontecer e na altura, as razões que dei a mim própria e aos que me rodeavam foram muitas e iguais. No entanto, depois de ler o post que menciono em cima, apercebi-me de que a razão pela qual eu acabei por não mudar foi só uma, e é abordada nesse post.

O medo. O medo e a incerteza. Por vezes não me reconheço. Onde anda a rapariga que escreveu este post enorme sobre a vida ser 50/50, sobre tomar riscos e dar aquele passo grande em frente mesmo que isso implique bater com o nariz no chão e desiludirmos-nos?

Passaram-se quase já dois anos desde que escrevi o post em questão. Mas a Alexandra que o escreveu tem toda a razão. E é nela que vou agora buscar a coragem para, finalmente, sair da embrulhada onde me enfiei e tentar algo novo. Está na altura. 

Ser mais, fazer mais. Preciso de me reencontrar com a Alexandra de há dois anos atrás. Uma miúda determinada e disposta a dar um passo incerto. Uma rapariga com a audácia de fazer uma escolha, mesmo que ela se revele errada, pois ela era capaz de tirar disso uma lição de vida. E citando-me a mim mesma: 

"(...)a Vida é 50/50. Há 50% de probabilidade de correr bem e 50% de probabilidade de correr mal. No fim, se nos limitamos a ficar sentados na nossa própria poça de medos e inseguranças, sem dar um passo para a frente ou até mesmo para trás...aí sim, é que a probabilidade de algo bom acontecer é de 0%.

Acho que 50% é sempre melhor do que 0%."

Concordo. E se depois de feita a escolha e de tomada a decisão, as coisas não correrem bem, não faz mal.

Porque, até agora, todas as quedas que já dei ensinaram-me a saber levantar.

A crise dos 20

Não sei se toda a gente passa por isto aos 20, mas é certo que toda a gente passa por isto.

Aquela altura da nossa vida em que olhamos para o futuro e vemos negro. Aquela altura em que estamos a meio de um curso e nos apercebemos que em nada este está a contribuir para a nossa formação. Aquela altura em que queremos baixar os braços, desistir da vida e tornar-nos Managers da Gap (esta última mais pessoal, obviamente...).

Porque pergunto-me, a cada dia que passa, se isto tudo vai valer a pena. Daqui a um ano, quando acabar o meu curso e subir ao palco para receber o diploma de fato vestido e chapéu na cabeça, será que vou sorrir de alívio ou de felicidade? Eu aposto em alívio. Alívio por finalmente ter feito a minha parte. Ter a consciência limpa e tranquila. Tirei um curso. Agora posso simplesmente continuar a minha vida como se nunca tivesse desperdiçado 3 anos dela. Acho que vai ser esse o meu pensamento. 

Já não sei por quem estou a fazer isto. Se pela menina de 15 anos que sonhava em publicar o seu livro, a jovem de 18 que não queria sobrecarregar os pais e então emigrou ou se pela sociedade que me diz, desde nova, que ter um curso é tudo. Agora já não há volta atrás. Recuso-me a desistir. Preferia morrer. Mas a vontade de continuar escasseia. O interesse também. A paciência então... e as dúvidas. Essas permanecem sempre e enterram-se e cravam-se cada vez mais fundo no meu peito. Os "ses" da vida, para mim, são como pequenos cortes que carrego por todo o meu corpo e que de vez em quando abrem e ardem e ardem para caraças. 

Com o passar do tempo as pessoas mudam. Meu deus, se mudam... ao olhar para trás, eu fui a que mudei mais. E os meus sonhos mudaram também. Os meus interesses também. E hoje já não sei. Não sei se continuo a ser eu, ou um eu pior ou um eu melhor ou simplesmente alguém. Alguém sem futuro, alguém sem sonhos, alguém sem vontade.

Principalmente alguém sem vontade.

Não tenho vontade. E quando me falta a vontade, falta-me tudo.

De facto, ter saúde é ter tudo

Já lá vai algum tempo desde a última vez que vos escrevi.

As duas semanas passadas em Portugal passaram a correr. Visitei família, amigos, andei de kaiake, apanhei um escaldão, fui andar de karts e fui feliz. Durante duas semanas fui saudável e feliz. Ao regressar para o UK, a felicidade e a saúde deterioraram um bocadinho.

Voltar ao trabalho não foi nada fácil, voltar à minha rotina aborrecida e pouco adequada a uma jovem de 20 anos não foi fácil. Não querendo ser mázinha, mas penso que este país, apesar de muita coisa boa que tem, rouba um bocadinho a saúde às pessoas por causa do tempo nada agradável.

Ando com tosses, espirros, dores de corpo e cabeça e hoje, inclusive, tive de chamar uma ambulância a casa porque estava a ver que me dava o badagaio. A verdade é que não cuido muito bem de mim, não tanto como devia.

Há refeições esquecidas, refeições pouco saudáveis e o ritmo de trabalho também não ajuda. Há consulta a marcar no médico para ver se ando, de facto, a brincar com a minha saúde.

Não há pior coisa, deixem-me que vos diga, do que se sentirem na merda de tão doentes que estão e de, apesar de terem cá os vossos amigos que cuidam bem de vocês e vos ajudam em tudo, vocês não conseguem não chorar porque não têm cá o colo da mãe.

Acho que é a pior coisa deste mundo, é estar doente e não poder ter a mãe do nosso lado a agarrar-nos a mão e a dizer que tudo vai ficar bem. 

Felizmente, não foi nada sério. Mas penso que foi um abre olhos para o estilo de vida que tenho andado a levar. Tenho de começar a tomar melhor conta de mim. 

Cada vez mais acredito que não há nada mais importante nesta vida do que ter saúde. O dinheiro, o amor, essas coisas são bastante banais comparadas com a nossa saúde...

Preciso de me cuidar. E de escrever mais. Ando a perder a prática e o amor à escrita.

Ando a perder muita coisa...mas não posso continuar a perder.