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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Sou má

Sou má. Má, má, má má! Má escritora, má filha, má amiga, má estudante... só me safo no trabalho. Contudo sou má. Passo dias e dias sem vir aqui escrever-vos. Passo meses e meses sem escrever para mim. Falto às aulas porque ando cansada do trabalho. Vou às aulas, não me consigo concentrar porque, na verdade, eles nem ensinam assim nada por aí além. A minha vida é a coisa mais rotinosa que existe à face da terra. Não ligo com frequência à minha avó. Não faço skype com frequência com os meus pais. Não falo com a frequência que devia com os meus amigos.

Sou má. Tão má que começo a odiar-me. Mas pior ainda, sou perdida. Sou uma jovem de 20 anos, a dois meses de completar 21, completamente e totalmente perdida na vida. Os meses passam-se comigo a contar os dias para o dia em que recebo. Penso: ah! é este mês que vou ter dinheiro para ser uma jovem normal e ir ao cinema, ir às compras, ir passear com a família do flat 2, comprar mais livros, isto e aquilo. Depois, todos os meses acontece o mesmo: paga-se a renda, paga-se as contas, paga-se o passe, compra-se comida e o dinheiro que sobra dá para quê? Para limpar o rabo.

Não tenho inspiração. Não tenho vontade. Não tenho dinheiro. Não tenho colos onde chorar por isso choro sozinha. Não tenho mais mentiras para contar à família e aos amigos que não estão aqui. Não tenho mais sorrisos para dar ou mais piadas para contar.

Sou má, principalmente, porque não faço nada para ser boa.

Uma pontade de inveja

Tinha três semanas de férias para gozar até ao final do mês de Março. Tirei a primeira esta semana que passou, vou tirar outra em Fevereiro e outra em Março para poder ir passar a Páscoa a casa.

No entanto, não sei se lhe posso chamar férias, o que tive esta semana. Mas foi uma semana que eu precisava de ter para organizar a minha vida. Tinha de ir ao banco tratar de uns assuntos, tinha de ir inscrever-me no sistema de saúde nacional e de ir a uma consulta. Tinha de organizar os meus trabalhos da uni.

Fiz tudo. Até parece mentira. Tive tempo de ir às aulas, tive tempo de ir ao banco, tive tempo de ir ao médico...tive tempo para organizar a minha vida.

Amanhã já vou trabalhar. Esta semana estou a trabalhar até às 22h três dias de seguida. O meu coração quase que me caiu aos pés. Depois de uma semana sem ter de me preocupar com aquela loja, voltar esta semana e ainda por cima com o horário que tenho...deitou-me abaixo.

Para piorar a situação, a minha querida mãe completou no sábado 50 anos de vida. Fiz skype com ela e vi a família e os amigos todos reunidos lá em casa. Disse olá a todos. Sentei-me, aqui nesta mesma secretária, depois de ter cantado os parabéns, a ouvir, a ver. Simplesmente a ouvir e a ver as minhas pessoas a fazerem aquilo que sempre fizemos todos os anos. A conviverem, a falarem alto e uns por cima dos outros, a rirem, a gozarem uns com os outros...

Sentada nesta secretária, a ver a minha família e os meus amigos todos reunidos em minha casa, a pensar na imensidade de merda que tenho para fazer esta semana e as horas que vou passar naquela loja... senti pela primeira vez vontade de regressar. Só por um bocadinho, Só por uns dias. Só por umas horas. Só por uns segundos.

Senti pela primeira vez vontade de regressar ao passado e ficar por lá, só durante um bocado. Senti aquela pontada de inveja pela jovem que podia ter ficado em casa com os pais e a família e os amigos. Senti inveja daquela jovem que podia ter ficado em casa a estudar e não tinha de se preocupar em ir trabalhar até às 22h da noite.

Senti inveja de uma pessoa que não existe. Que nunca existiu e que nunca poderia ter existido devido às circunstâncias da vida.

No entanto, sentada nesta cadeira a engolir as lágrimas, enquanto fingia rir de uma piada que o meu primo contava à malta toda....senti inveja dela. 

Da jovem que eu nunca poderia ter vindo a ser.

Eu tenho dois amores

É estranho. Estou cá há quase cinco meses e hoje estou bastante em baixo - passo a explicar porquê.

As minhas meninas não estão cá comigo. A H.C. voou para a ilha há duas semanas, para passar o Natal com a família, que já não via há 1 ano, e a C. voou hoje para Portugal para passar o Natal com a família dela também.

E é como se me tivesse separado da minha família outra vez. Não sei se consigo explicar como deve ser mas, a verdade é que estas pessoas se tornaram, no decorrer destes quase 5 meses, na minha segunda família.

É com elas que eu vou às compras à Tesco, é com elas que eu vou passear, é com elas que eu me sento à mesa a comer refeições, é com elas que eu vou para o trabalho (visto que a C. trabalha comigo), é com elas que eu fico até à 1 da manhã a falar e a rir de coisas inúteis.

Quer queira ou não, as pessoas com quem eu vivo aqui tornaram-se na minha pequena família longe da minha grande família. E ontem ao abraçar a C. antes de ela ir dormir, para hoje cedo ir embora, até um beijinho lhe dei - coisa que ela apontou como sendo um milagre, visto que eu não dou beijos a ninguém, nunca.

Mas elas fazem-me falta aqui. São a minha força, as pessoas com quem eu sei que posso contar incondicionalmente neste país. 

Sempre ouvi dizer que "Home is where the heart is". E se em Portugal a minha casa são os meus pais, os meus avós e os meus (poucos) amigos, aqui a minha casa são elas.

Quem me ler este post deve pensar que elas nunca mais voltam ou que morreram - a C. volta dia 28 e a H.C volta dia 30, ambas a tempo de festejarmos todos cá em casa a nossa passagem de ano.

Mas mesmo assim... é estranho, este sentimento. Muito estranho. Não é tão forte como quando me despedi da minha família no aeroporto em Lisboa no dia 6 de Agosto, mas é parecido.

E apesar de eu estar contente por os meus pais chegarem daqui a dois dias e de estar para lá de feliz de poder passar este Natal com eles na minha nova casa, ao mesmo tempo uma parte de mim quer que chegue o dia 30 rápido para ter a minha outra família cá comigo outra vez.

É estranho. Ter duas famílias, tão diferentes em todos os sentidos mas tão parecidas no sentido em que não seria nada sem elas.

Isto está bera

Nem sei por onde começar com este texto...

Tudo o que podia correr mal, tem corrido mal. 

A casa está cheia de problemas - é o esquentador que não funciona e agora não temos água quente e aquecimento, é um cano debaixo do lava-loiças da cozinha que está roto e é o quadro da electricidade que está sempre a disparar.

No trabalho andam-me a arranjar problemas com o horário da Uni e o meu ordenado, que recebi hoje, veio demasiado pequeno para as horas que trabalhei.

Tenho trabalhos para entregar esta semana que vem e só me deram uma folga no trabalho esta semana, ou seja, nem tempo para cagar tenho.

Não vou poder ir a casa no Natal porque eles não me dão férias no trabalho - só em Fevereiro.

Quero um abraço da minha mãe e um beijinho da minha irmã e do meu pai. 

Ando cansada, farta de todos estes problemas que estão a acontecer todos ao mesmo tempo, só me pergunto "será que fiz bem ao vir para cá?" e só penso "quem me dera estar em casa com os meus pais".

Isto anda crítico amigos, como podem ver. Tempo e disposição para o blog é coisa que não tenho de momento, por isso, desculpem lá qualquer coisinha mas a vida está muito bera por aqui.

A única coisa boa disto tudo é que gostei de todos os meus módulos (até agora). Todos me parecem ser interessantes e penso que vou aprender muito com cada um deles. Pena é termos já uma carrada de trabalhos para fazer e uma carrada de livros (obras) para ler.

Enfim... vou tentar ir dando notícias e talvez fazer uns textos diferentes de vez em quando mas...isto está crítico por isso, nada de promessas.