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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

À caça de ideias

Um dos meus módulos é Media Production, onde basicamente, vamos aprender a mexer com photoshop, a fazer flyers, posters, videos e, como primeira tarefa e desafio... um blog!

E dizem vocês: oh, mas isso para ti não é nada! Já tens um blog há quase quatro anos e antes desse tiveste outro durante uns outros quantos!

O problema é que o meu blog pessoal é mesmo isso: pessoal. São poucas as pessoas que eu conheço a vivo e a cores que lêem este blog. E é isso que me permite escrever nele de forma tão despreocupada e natural - porque os olhos que o lêem não são os mesmos que me acompanham no dia a dia.

O blogue que vamos ter de construir para o módulo vai ser lido, não só pela professora, mas também pelos meus colegas. Estou a tentar com que a ideia me entre na cabeça...

Mas falando de ideias, é mesmo disso que estou a precisar! Ora, como primeiro trabalho de casa, temos de pensar no tema do nosso blogue e reunir imagens que reflictam esse mesmo tema. Pode ser um blogue exactamente do género deste, onde eu falo sobre imensas coisas mas maioritariamente sobre a minha vida, pode ser um blogue onde eu ponha alguns dos meus trabalhos de escrita criativa ou outra coisa completamente diferente.

E verdade seja dita, é isso que eu quero. Que seja algo completamente diferente. Porque para fazer um blogue, mas com o mesmo tema e assunto deste, não quero. 

Quero algo diferente, que me dê prazer em fazer e que não me ocupe muito tempo - que é coisa que não tenho - mas que ao mesmo tempo demonstre empenho e trabalho da minha parte (porque isto é um projecto que vai ser avaliado e tido em conta para a nota.)

Agora a questão é: que tipo de blogue quero eu fazer? Pois não sei e é aí que vocês entram!

Chutem daí umas ideias, se não for pedir muito, e ajudem aqui a vossa amiga.... que tipo de blogue devo eu de criar?

Tu és tu e eu...

Há coisas que, por mais que tente, não consigo compreender. Consigo simpatizar com a pessoa e com o assunto em questão, mas é daquelas coisas que só passando por elas é que eu poderia compreender totalmente e falar de boca cheia.

Eu sou daquele tipo de pessoa que senão fizer as coisas, não descanso só porque os outro as fazem e me contam as experiências deles.

Eu tinha uma professora no 11º ano que chegou a discutir isto comigo em plena aula de História A. Porque estávamos a dar já não sei bem que matéria e a mesma podia ser relacionada com a situação actual do nosso país.

E eu disse algo do género:

"A História pelos vistos, repete-se. As pessoas não aprendem com os erros dos outros, não verdadeiramente. Têm de errar elas próprias, bater elas com a cabeça para saber o quanto dói."

A mulher quase que me comeu viva e eu, não querendo discutir com uma Alexandra (o nome da professora) porque só eu sei o quão teimosas e obstinadas elas são (não estou a falar de mim, não....ahah) dei a conversa por terminada ali.

Para ela, as pessoas conseguem saber exactamente o que fazer e como agir consoante as experiências dos outros; para ela, os erros dos outros são lições para nós.

Até podem ser - mas para mim serão sempre lições vazias. Porque eu não consigo saber exactamente o que a pessoa em questão sentiu ao fazer determinado erro.

Ou neste caso, eu não consigo sentir a aflição que a pessoa minha amiga sente ao pensar em ir também ela para o Reino Unido (ela vai para outra universidade, noutra cidade) e deixar cá a família, mais precisamente um dos membros dessa.

Consigo perceber o sentimento de tristeza em ter de deixar cá pessoas que ela ama acima de tudo - eu vou deixar pais, irmã e avós. Só de pensar vêm-me as lágrimas aos olhos. Mas consigo viver com isso. Consigo viver com o facto de me ir embora, enquanto eles cá ficam. Consigo viver com isso, se calhar, porque tenho um pouco de egoísta em mim.

Por muito que goste de pensar e dizer que não, a verdade é que só alguém um bocadinho egoísta é que é capaz de deixar a família num país e ir para outro, para ir em busca de uma educação melhor para si mesma.

Para ela, segundo me parece, é diferente. Mas ela tem razão - eu não consigo perceber o quão diferente é, porque não sou eu. E acho que por muito que nós queiramos, e por muito que simpatizemos com a situação de outrem, nunca vamos conseguir dar aquela palavra de conforto certa, aquele conselho que vai fazer com que a aflição alivie um pouco dentre deles.

Eu acho que há uma razão para o facto de, de tempo em tempo, nos sentirmos sós. Porque a verdade é que, ás vezes, o estamos - sós. Podem haver pessoas em situações semelhantes às nossas; pessoas em situações bem piores. Mas elas não são nós, não sentem o que nós sentimos, não pensam da mesma maneira que nós pensamos.

Voltamos aquela conversa que eu já tive aqui de sermos todos diferentes. Ultimamente tenho-me apercebido imenso disso. O quão diferente somos e o quanto, por vezes, essas diferenças podem tanto servir de barreiras como de elos de ligação entre nós.

Neste caso, é uma barreira. O facto de eu ser, talvez, mais de casca rija e racional (e lá está, egoísta ao ponto de ir para outro país em busca de algo melhor para mim, deixando cá família) e o facto de ela ser mais de casca mole, muito sentimental e demasiado apegada à família, faz com que eu não a consiga ajudar da maneira que gostaria.

É claro que eu vou sentir imensas saudades. É claro que vou perder uma parte do meu coração quando me for embora e vir a minha família parada, sem me seguir.

Mas não deixo que isso, por um segundo, seja a origem das minhas dúvidas, inseguranças e ansiedades. A origem dessas para mim são outras, muito mais difícil de controlar porque não depende bem de mim (mas sim do facto de eu conseguir manter este emprego para poder pagar tudo até ao fim).

Gostava de conseguir fazer mais - mas lá está. Só se eu fosse ela.

E eu...sou eu.

Ver com olhos de gente

Há tanta coisa que ignoramos. Coisas às quais viramos a cara apenas porque temos essa opção. Temos a opção de ir a passear na rua e ver um sem-abrigo e nem sequer prender o nosso olhar naquela visão triste. Temos a opção de continuar a andar em frente. De continuar com a nossa vida normal. Nós temos essa opção. A de ignorar. A de ver sem realmente Ver. Eles não.

Aquilo é a vida deles. É o mundo deles. É a sua realidade, por mais decadente que a mesma possa ser para nós. Uns escolheram viver naquela realidade, é verdade. Mas devem ter as suas razões. Outros...foram empurrados.

Ontem não vi nada que já não tenha visto antes. Pessoas a dormir na rua, pessoas com os cabelos por cortar e as roupas por lavar. Pessoas cuja barriga já não sente fome, mas si um vazio enorme. Pessoas sem nada ou com muito pouco. É uma realidade da qual todos nós temos conhecimento mas que poucos reconhecem. Durante o dia já passei por aquelas ruas e vi o que vi ontem à noite.

Mas é de noite que tudo ganha uma cor diferente. Não fiz nada de especial. Andei apenas a caminhar e a acompanhar o grupo que distribuía a comida. Mas eu não queria sentir-me especial. Queria ver as pessoas que precisam a sentirem-se assim.

É lindo. É lindo a forma como os olhos de algumas daquelas pessoas se iluminavam quando viam os "seus amigos", como eles diziam, chegar. O sorriso que lhes surgia nos rostos cansados quando sentiam o quente da tigela de plástico recheada de uma refeição, aquecer-lhes as mãos e a alma.

Mas é acima de tudo triste. Ver, com olhos de gente, a situação de certas pessoas da rua. Porque sempre as vi, mas nunca as Vi, por assim dizer.

Ainda bem que há pessoas que se preocupam.

Ainda bem que há pessoas que Vêem.

Ainda bem que ontem pude ser uma delas, mesmo não tendo feito nada de especial.

Ontem foi especial. Não para mim, mas para todas aquelas pessoas que não têm um tecto, comida, roupa e as necessidades básicas.

Ontem foi especial. Todas as sextas-feiras é um dia especial para aquelas pessoas.

Obrigada por me teres levado m.