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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Ser mais (fazer mais)

No outro dia disseram-me:

"Gostava de ser mais como tu."

Isto por estarmos a falar sobre o meu nível de determinação (ou loucura, depende da perspectiva) e de estar disposta a tudo (bom, quase tudo não é, não sejamos radicais) para conseguir iniciar um novo capítulo da minha vida.

A pessoa dona da frase em questão é um amigo muito próximo, que como eu também optou por não ir para a faculdade no ano lectivo 2014/2015. As razões dele, apesar de diferentes das minhas, também são válidas.

Não se quis ir pôr num sítio sem estar mentalmente bem. E eu apoiei-o assim como o teria feito se ele tivesse optado por ir para a faculdade.

Agora, admito que fiquei um pouco sem jeito quando ele me disse aquilo assim, tão honestamente. Eu respondi-lhe da melhor forma que fui capaz no momento, mas agora pensando bem, acho que podia ter respondido de uma outra forma.

Podia ter-lhe dito que não se trata de ser mais ou menos como eu ou que outra pessoa qualquer. Trata-se de sermos nós próprios e de conseguirmos fazer uma auto-avaliação à nossa pessoa e aos nossos objectivos.

Há muito boa gente da minha idade que não tem objectivos definidos e isso também é aceitável. Porque somos todos diferentes e porque todos temos gostos diferentes, há quem se ache mais perdido do que eu alguma vez estive.

No entanto, acho também que uma grande parte dessa boa gente não se dá ao trabalho de pensar seriamente sobre a Vida fora daquele mundo no qual vivemos durante tantos anos - a escola. Não as aulas ou as disciplinas, mas a parte social da coisa. Para eles a Vida é rapazes, raparigas, curtes, namoros, festas e pouco mais. A Vida, infelizmente e felizmente, é muito mais para além disso.

Mas estou a divagar. O caso em questão não é este. O problema do meu amigo é que ele acha não ser capaz de fazer aquilo que eu estou a fazer - trabalhar 40 horas por semana, só com domingos de folga, a ganhar pouco para poder sair do país e ir estudar para longe de tudo aquilo que me é familiar.

Eu podia ter-lhe dito que não é o quanto nós queremos algo que vai fazer com que tal aconteça - é o quanto nós estamos dispostos a trabalhar para que isso se realize.

O quanto estamos dispostos a perder na incerteza de ganharmos algo mais; algo melhor.

O quanto estamos dispostos a dar o passo em frente e a cair de braços abertos, confiantes de que no fundo do buraco escuro vai estar algo para nos amparar a queda.

O quanto estamos dispostos a sofrer se por alguma eventualidade, o que nos esperar no fim desse buraco fundo for nada mais do que o chão frio e duro.

No final, depende apenas da fé. Da fé que temos em nós mesmos e no trabalho que estamos a ter a plantar sementes que podem muito bem não dar frutos. Ou podem transformar-se em frutos fortes e deliciosos, prontos a ser colhidos no final.

Acho que a Vida é sempre 50/50. Ou caímos de pé como os gatos, ou tombamos com a força do impacto da nossa queda e somos obrigados a levantar-nos, por muito que nos doa; por muito que nos custe.

É sempre ingrato nunca sabermos ao certo se o trabalho que estamos a depositar em algo vai valer a pena ou não. Mas também acredito que ganhamos muito mais em arriscar e fazer pelas coisas acontecerem do que ficarmos presos no mesmo sítio, sem semear nada, demasiado assustados para percorrer um caminho desconhecido.

Não importa quais os caminhos que escolhemos percorrer na Vida, vamos sempre ter de perder algo ou abdicar de alguém. Deixar para trás certas coisas, certas pessoas.

Mas também há sempre algo a ganhar por cada novo caminho que tomamos.

Se é melhor ou pior do que aquilo de que abdicamos, isso não sabemos a não ser que arrisquemos. No entanto, acredito que sendo melhor ou pior, valerá sempre a pena. Senão para nos trazer felicidade, para nos trazer lições que são essenciais à nossa vivência.

Acho que o problema das pessoas que me rodeiam é que nunca tiveram de arriscar e trabalhar muito na Vida para terem o que têm; o que queriam.

E agora que é chegado o momento, vêm-se desamparadas e cheias de medo de arriscar.

Mas acho que é para isso que eu cá estou. Eu e os outros que os amam.

Para os fazer ver que a Vida é 50/50. Há 50% de probabilidade de correr bem e 50% de probabilidade de correr mal. No fim, se nos limitamos a ficar sentados na nossa própria poça de medos e inseguranças, sem dar um passo para a frente ou até mesmo para trás...aí sim, é que a probabilidade de algo bom acontecer é de 0%.

Acho que 50% é sempre melhor do que 0%.

Mas isto não é uma questão de números...antes fosse.

Devia ter-lhe dito que é mais uma questão de conhecer-mos as nossas opções; conhecermos-nos a nós mesmos e fazer uma escolha.

Certa ou errada, no fim, algo ela nos trará.

E acho que...no final...é uma questão de sabermos aproveitar o bom e o mau das nossas escolhas. Vai haver sempre dissabores, coisas sobre as quais nos queixarmos (eu que o diga)... mas acho preferível fazer algo, seja o certo ou o errado, do que não fazer nada apenas porque temos medo, ou estamos inseguros, ou porque vamos ter imensas saudades do que nos é familiar.

Podia ter-lhe dito que ele não precisa de ser mais como eu - apenas ser mais ele.

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