Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

O amor fez-me assim

Pergunto-me quando é que vai parar de me incomodar.

É por estas e por outras que preferimos permanecer na ignorância. A ignorância não faz doer. O que os olhos não vêm, o coração não sente. O meu não sente, há muito tempo...mas basta uma fotografia, basta um encontro entre amigos para eu dar por mim a desejar ser cega.

É de loucos. É de loucos depois de tantos anos, depois de tanta coisa ter mudado e de tanta coisa que ainda vai mudar, haver esta única coisa que não muda.

A forma como tudo deixa de fazer sentido ao vê-lo sorrir sem mim. É nesta alturas que me apercebo que não são tão boa pessoa quanto me acho. Dou por mim a desejar que o sorriso dele não seja tão verdadeiro - que seja mais fingido e forçado, como o meu.

Dou por mim a desejar que os papéis tivessem sido revertidos - que tivesse sido eu a encontrar quem me fizesse sorrir daquele maneira depois dele, e que fosse eu a mostrá-lo ao mundo sem medo de me chamarem gabarolas.

Sou má e vivo bem com isso. Não vivo bem é a roubarem-me a minha ignorância. Deixem-me ser ignorante no que toca a ele, à vida dele, à relação dele.

Deixem-me ser cega. Talvez quando já estiver longe, demasiado ocupada a construir a minha nova vida, já não me incomode.

Mas até hoje, incomoda. Não consigo negar. É como uma comichão que não conseguimos coçar. Como uma constipação que não conseguimos curar. Como uma dor no músculo que não se cura com massagens ou cremes.

Ainda bem que me vou embora, dei por mim a pensar quando vi o que não queria.

Um dia, hei-de ser eu a mostrar o meu sorriso maior que a minha cara e ele a desejar ser cego. Ou pelo menos a desejar não ter feito o que me fez. O que nos fez.

Ou pelo menos a desejar que eu possa ser feliz, por fim. 

Sou má. Sou egoísta. Tenho inveja. Eu sei. Mas o (este) amor fez-me assim.

2 comentários

Comentar post