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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Já bati continência

Uma das muitas coisas a tratar antes de partir para Londres no dia 6 de Agosto, era ir ao Dia da Defesa Nacional. Iria ser convocada para lá ir no dia 4 de Setembro, mas por essa altura já lá ando por terras britânicas a fazer-me à vida. Portanto, era necessário alterar a data e apenas com um telefonema ficou marcado para ontem. 

Problema número 1 - Aquela treta é em Sintra, lá para os lados de Pêro Pinheiro e aqui a vossa amiga não tem carro. Lá tive de pedir ao santo do meu senhor avô para me ir levar, porque transportes para aquelas bandas está quieto não é... Sim, porque se não formos no dia em que eles nos atribuem, não temos direito ao transporte da Câmara.

Resolvido o problema do transporte, surgiu outro.

Problema número 2 - Ia completamente sozinha. E já todos sabem que eu não tenho problema algum em ir sozinha seja onde for. Vou inúmeras vezes sozinha às compras, já fui ao cinema sozinha, já fui passear sozinha... Mas isto é diferente e eu passo a explicar. Antes de lá chegar, já eu sabia que aquilo ia ser um aborrecimento pegado. E sejamos sinceros, estas coisas fazem-se muito melhor com alguém amigo ao nosso lado a quem nos queixarmos e fazermos umas piadas ocasionalmente.

Acho que fui um dos dias mais aborrecidos da minha pacata vida, que já é aborrecida por si só. Epá, eu entendo o objectivo deste dia - fazer propaganda a toda a força militar, seja exército, marinha, força área, GNR, etc. E bem sei que isto hoje é muito melhor do que sermos todos obrigados a fazer a tropa, como era antigamente.

Mas ao menos que fizessem do dia uma coisinha mais lúdica e interessante, não? É que levantar-me às 6h30 da manhã para estar na base às 8h50, para passar um dia inteiro a saltar de sala em sala, a ouvir palha para aqui, palha para ali... fogo, é de chorar um bocadinho camaradas!

É que não se fez NADA de jeito naquelas oito horas que lá passei! Foi palestra para aqui, palestra para ali, entrar e sair dos autocarros para ir para outra palestra e no final... MAIS UMA PALESTRA!

A informação é importante; certo, não discordo. Mas será que aqueles camaradas não percebem que um grupo de miúdos de 18 e 19 anos não vão dar um corno (a expressão é a única que me vem à cabeça, peço desculpa) por nada daquilo que os camaradas estão para ali a cuspir a partir de uma certa altura?

Parece que ainda não sabem lidar com jovens. O span de atenção desta malta é muito, muito curto. 

Problema 3 - Passar o dia rodeada de idiotas com a cabeça cheia... de ar. Até dava para ouvir as correntes de ar. Eu já não frequento o ensino educativo há cerca de um ano. Desde aí já trabalhei, já estive em ambientes com pessoas muito mais velhas que eu. Secalhar foi por essa razão que, ontem, quase que virei vesga de revirar tanto os olhos - e não foi aos camaradas, que estavam lá a fazer o seu trabalho, não. Foi aos anormais dos gajos que por lá estavam, que têm desde 18 a 19 anos.

Se calhar é porque já não estou habituada a conviver com almas daquelas - quando andava na escola, já nem ligava porque era o pão nossa de cada dia. Mas passado este tempo todo e de estar completamente afastada de pessoas assim, tal foi a comichão que aqueles gajos me estavam a dar, que hoje precisava de uma embalagem inteira de fenestil.

Gajos infantis, estúpidos mesmo, sem uma pinga de respeito seja por quem for. Eu compreendo que aquilo é uma seca amigos, estávamos todos no mesmo barco. Mas se é uma coisa que tem de ser feita, ao menos vamos evitar ser desagradáveis para com os oficiais que estão apenas a fazer o seu trabalho.

Juro que estive quase a perguntar ao Cabo Cunha onde é que eles escondem as armas para mandar uns quantos tiros aquelas alminhas penadas, tamanha era a estupidez deles.

Enfim... foi um dia que não rendeu nada. Não tive uma epifania e não decidi cancelar a minha viagem para Londres, a minha candidatura à Middlesex e juntar-me ao exército. Tenho um cartão com o meu nome que regulariza a minha situação militar e uma dor nas pernas que nem vos conto.

Mas pronto. Menos uma coisa no caminho.