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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Simplesmente...

Hoje pela primeira vez faltei a um dos meus módulos. Era a única aula que tinha hoje, mas hoje era o meu único dia de folga esta semana, visto que de amanhã a domingo vou trabalhar 32 horas.

A certa altura do campeonato isto ia acontecer. Porque eu não sou um robô, porque não sou de ferro e também porque preciso de tempo para fazer coisas mundanas como pôr roupa a lavar, tomar banho e limpar o meu quarto, não consigo fazer tudo sem ter um dia livre durante a semana, no mínimo.

É de loucos. Acho que quem está do outro lado não tem a noção. É de loucos eu com 19 anos andar a levar esta vida de quem tem 40. É de loucos eu acordar todos os dias, mesmo que consiga dormir umas boas oito horas, cansada e a sentir que um camião me passou por cima.

É de loucos eu não ter tempo para fazer comida para me alimentar minimamente e é de loucos eu ter de rezar todas as noites que o dinheiro estique, milagrosamente, para me durar até dia 6 de Novembro.

É de loucos eu ter trabalhos para entregar, mil e um livros e peças e merdas para ler e eles me porem a trabalhar 35 horas por semana. 

E depois há alminhas que se chegam ao pé de mim e dizem que estão cansadas porque temos aulas três vezes por semana e durante o resto da semana não têm nada para fazer.

MORRAM. DIABOS. MORRAM TODOS.

As crianças são as mais honestas

Ontem, estava eu muito bem a começar o meu shift das 18h às 22h e meteram-me nos provadores. Vem de lá uma familia de brasileiros que me ouvem a falar em português para uma colega minha (que também é portuguesa) e perguntam-me se eu sou portuguesa e o meu nome e, por fim, pedem-me ajuda.

Lá os ajudo (o marido precisava de um par de calças num certo número) e enquanto o marido experimenta as calças e a mulher vai à caixa pagar as outras coisas, chega-se a filha deles ao pé de mim e começa a fazer perguntas sobre o que eu estava a fazer (a marcar saldos para depois pôr no shop floor). Eu lá lhe expliquei que estava a fazer o scan dos preços para saber quanto estava reduzido e depois a marcar então o preço de saldo. Ela muito fascinada continua a fazer-me perguntas e às tantas vira-se para mim e diz-me assim:

"Sabe, quando eu te vi a entrar naquela porta dos funcionários, eu pensei para mim que quando eu for grande eu quero ser como você!"

E eu perguntei-lhe muito admirada: "Porque dizes isso???"

E a menina responde-me: "Porque você é muito bonita e eu quero ser assim quando for grande."

Quase que chorei. Melhor do que receber um elogio de um homem ou de uma mulher, não há nada melhor do que ouvir palavras destas quando estamos a começar a desesperar com o trabalho que ainda temos pela frente.

Fez o meu dia, a minha semana, o meu mês, aquela menina da idade da minha irmã dizer-me aquilo assim com um sorriso nos lábios. Sempre ouvi dizer que as crianças são as mais honestas e, realmente, ela não disse aquilo com segundas intenções, o que muitas vezes acontece no que toca a nós, adultos.

Pode parecer uma coisa superficial para muitas pessoas, mas para mim é algo que me aquece o coração, saber que uma pequena de dez anos sonha um dia vir a ser parecida com a minha pessoa, que muito sinceramente, não tem nada de especial nela.

Não me considero nada por aí e além, mas admito sem pudor nem problema algum que me soube bem ouvir a pequena dizer-me aquilo.

São as pequenas coisas, e neste caso, literalmente (visto que a menina não era muito grande).

Ninguém disse que era fácil

Ontem desfiz-me em lágrimas ao telefone com os meus pais. 

Tenho andado ansiosa, stressada e cansada. Esta semana só tive uma folga e tive universidade e ainda tivemos aqueles problemas todos com a casa (já temos água quente, o que já não é mau).

Os pais da C. estão cá para passar os anos com a filha. E já se fala de Natal. E eu ontem não aguentei mais e sucumbi às lágrimas. Porque também queria os meus pais e irmã aqui, porque também quero ir a casa no Natal, porque... não está a ser nada fácil.

Eu gosto de cá estar. Acreditem. Gosto da nossa casa nova, adoro o facto de viver com amigos em quem confio e que passaram a ser a minha família, gosto de poder apanhar o metro e ir ao centro de Londres.

Mas depois há toda a parte logística para a qual nenhum ser humano está preparado até que saí debaixo das saias da mãe: contas para pagar, comida para comprar, o trabalho que só dá dores de cabeça, problemas com a casa, etc.

E as saudades... eu não morro de saudades da minha família. Mas acreditem que tenho momentos em certos dias em que, quando penso neles, me dá um aperto enorme no peito. Porque a verdade é que não há quem substitua a nossa mãe ou o nosso pai. Por muito que nós aqui nos apoiemos uns aos outros, por muitas lágrimas que choremos juntos e que limpamos uns aos outros, por muitas palavras de força e incentivo que vamos dando quando as coisas correm menos bem... Mãe é mãe e Pai é pai.

Ninguém disse que era fácil, ser-se adulto aos 19 anos, vir para outro país, longe da família, trabalhar que nem uma escrava e mesmo assim não ter dinheiro para comprar um par de meias... em palavras simples e pouco bonitas: é fudido.

Mas foi isto que eu escolhi. É isto que eu quero. E melhores dias virão.

À caça de ideias

Um dos meus módulos é Media Production, onde basicamente, vamos aprender a mexer com photoshop, a fazer flyers, posters, videos e, como primeira tarefa e desafio... um blog!

E dizem vocês: oh, mas isso para ti não é nada! Já tens um blog há quase quatro anos e antes desse tiveste outro durante uns outros quantos!

O problema é que o meu blog pessoal é mesmo isso: pessoal. São poucas as pessoas que eu conheço a vivo e a cores que lêem este blog. E é isso que me permite escrever nele de forma tão despreocupada e natural - porque os olhos que o lêem não são os mesmos que me acompanham no dia a dia.

O blogue que vamos ter de construir para o módulo vai ser lido, não só pela professora, mas também pelos meus colegas. Estou a tentar com que a ideia me entre na cabeça...

Mas falando de ideias, é mesmo disso que estou a precisar! Ora, como primeiro trabalho de casa, temos de pensar no tema do nosso blogue e reunir imagens que reflictam esse mesmo tema. Pode ser um blogue exactamente do género deste, onde eu falo sobre imensas coisas mas maioritariamente sobre a minha vida, pode ser um blogue onde eu ponha alguns dos meus trabalhos de escrita criativa ou outra coisa completamente diferente.

E verdade seja dita, é isso que eu quero. Que seja algo completamente diferente. Porque para fazer um blogue, mas com o mesmo tema e assunto deste, não quero. 

Quero algo diferente, que me dê prazer em fazer e que não me ocupe muito tempo - que é coisa que não tenho - mas que ao mesmo tempo demonstre empenho e trabalho da minha parte (porque isto é um projecto que vai ser avaliado e tido em conta para a nota.)

Agora a questão é: que tipo de blogue quero eu fazer? Pois não sei e é aí que vocês entram!

Chutem daí umas ideias, se não for pedir muito, e ajudem aqui a vossa amiga.... que tipo de blogue devo eu de criar?

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