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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Ao abandono...

Tenho vergonha de escrever isto. Mas é tão estranho escrever em português. Já não estou habituada. Não me interpretem mal, eu continuo a escrever e a falar em português com frequência. Falo com amigos e família a toda a hora mas é diferente. Articular pensamentos e estruturar textos é completamente diferente de quando estamos simplesmente a falar pelo Facebook com alguém.

Deixei o blogue ao abandono. Tive as minhas razões, como pareço ter sempre. E algumas pessoas perguntam-me porque é que simplesmente não apago este blogue e começo um novo, noutra plataforma, talvez até em inglês. E a minha resposta é muito simples. Seria incapaz de tal coisa. Mesmo que deixe de escrever aqui durante semanas ou meses, é um pedaço de mim, da minha vida, nos últimos cinco anos, da qual eu não não consigo abrir mão. Recuso-me. Este blogue viu-me crescer, literalmente. E vocês desse lado também. Eu tinha dezasseis anos quando decidi criar este blogue. Hoje vou a caminho dos vinte e dois. No papel, não parece muito, mas bolas, foram os anos mais críticos e atribulados da minha vida. Por isso não consigo simplesmente apagar o blogue ou deixa-lo ao abandono totalmente. 

Volto hoje, agora, porque o meu coração tem doído bastante com as notícias que chegam aqui. Eu abro o Facebook, abro os sites online de notícias e não se fala de outra coisa. Até já tive clientes na minha loja a falarem-me sobre isso, sem saberem que eu sou Portuguesa. É nestes momentos que me sinto uma má Portuguesa. Estou longe do meu país e portanto, longe dos seus problemas. Por aqui, temos outros problemas com os quais lidar, como por exemplo o tornado Ophelia que andam a anunciar já há uma semana. Mas isso não significa que não me doa ver o meu país e o meu povo no estado em que estão. Se há coisa da qual eu me gabo aqui, por entre os "brits", é do quão bonito o meu país é. Com áreas abertas e verdes, com cor, com vida. Gabo-me das imensas florestas e parques pelos quais podemos passear e aproveitar os belos dias de bom tempo que o nosso Portugal nos proporciona. 

Do que me gabo agora? Ardeu tanto. Não tudo, mas quase. Muito. Temos uma ministra que diz não ter tido férias, enquanto temos mais de 100 pessoas que nunca mais na vida vão ter seja o que for, porque morreram vítimas dos incêndios. Temos um país que aponta dedos - ao governo, aos bombeiros, ao povo. Um país destruído. Completamente. E eu vejo isto a acontecer, aqui no meu quarto em Londres, pelas redes sociais e pela família que vai mandado actualizações da situação e penso que não há nada mais triste do que ver o nosso país a morrer, de todas as formas, e não puder fazer nada. Porque Inglaterra nunca vai ser o meu país. Nem outro país qualquer onde eu possa vir a morar no futuro. O meu país é Portugal. A minha casa eterna. E um dia, gostava muito de poder regressar, a sério que sim.

Mas regresso para o quê? Para o meu país? Ou para uma versão esmorecida e triste do mesmo?

Não sou pessoa de me expressar nas redes sociais, de partilhar seja o que for ou de ir para o Facebook fazer discursos. Mas bolas...estando longe, sinto que não há muita escolha. Então resolvi voltar. Escrever aqui o quanto eu gosto do meu país e o quanto me doí vê-lo neste estado. Estou longe, mas não estou cega. Estou longe, mas não estou muda. Estou longe mas continuo sempre por perto. E continuo Portuguesa. Talvez mais agora do que alguma vez o fui. As teorias são muitas. As opiniões ainda mais. Mas os factos são certos. E os castigos deviam ser aplicados às pessoas que os merecem. Mas isto é algo que vai para além da política, que vai para além da ética. A destruição do nosso país foi um acto inumano. Em relação a isso, não há dúvidas. Só gostava que os dedos parassem de ser apontados em todas as direcções e mais algumas e que as pessoas se juntassem para, finalmente, poder haver mudança. Não sei se é desejar por muito ou não. Mas como Portuguesa que sou, a esperança é sempre a última a morrer.

Gostava que o abandono ao qual me refiro no título fosse ao meu em relação a este blogue. Mas não é, e acho que todos sabemos isso. Mas tal e qual como eu me recuso a abandonar por completo este blogue, só posso desejar que o nosso povo se recuse também a abandonar por completo o nosso país.

Julho valeu a pena

Tenho tentado pensar de forma mais positiva desde a última vez que vos escrevi. Neste mês de Julho, que acaba hoje, andámos todos bastante atarefados....

Uma de nós cá em casa casou-se! Os preparativos foram feitos mais ou menos a correr, mas no fim, a cerimónia foi muito bonita e o chamada copo de água também! Pela primeira vez na minha vida fui escolhida para algo! O casal casou-se apenas pelo registo, e a H. pediu-me para eu ser a testemunha legal dela. Pode-se dizer que fui a madrinha de casamento! Foi uma experiência inexplicável, para ser sincera. Não me imaginava a casar uma amiga minha antes de eu própria ter completado, no mínimo, os 25 anos de idade. Mas assim aconteceu, no passado dia 23 de Julho, a H. casou-se e todas nós derrama-mos uma lágrima quando ambos disseram os votos. A C. terminou o curso e no início do mês foi a cerimónia de graduação dela. Os pais, o padrinho e a avó dela vieram de Portugal de propósito para a ver subir ao palco e receber o seu diploma, de capa vestida e chapéu na cabeça. Fez-me pensar que para o ano, vou ser eu. E lançou-me numa espiral de ansiedades e medos que nem vos conto.  Na sexta-feira passada, celebrámos os anos da A. com um jogo de bowling. Já não jogava desde os meus oito anos de idade! Quando era miúda e existia um espaço de bowling na Expo, lembro-me de fazer as minhas festas de aniversário todas lá. Foi mais uma celebração que me deixou nostálgica.

E assim se passou o mês de Julho aqui no Flat 2 em Londres. Muitas celebrações, muitas metas atingidas, muitas mudanças e no entanto, tudo permanece igual. Foi um mês bastante atribulado e atarefado e fez-me perceber muitas coisas. Mas mais sobre isso noutro post. O mês de Agosto para mim vai resumir-se a acabar o meu trabalho da uni que tenho de re-submeter no dia 25 e contar as horas para o dia 27, que é quando vou voar para Portugal para passar duas merecidas semanas de férias com a minha família e amigos. Como sempre, por um lado, mal posso esperar e por outro, estou um pouco de pé atrás. As razões para isso já eu aqui as enumerei num outro post. Sempre que vou a casa é uma luta, tanto interna como externa, por assim dizer!

Mas fecho este mês de Julho (e este post) com um sorriso na cara, ao contrário do mês anterior. 2017 continua a ser um dos meus piores anos, no entanto, o mês de Julho no ano de 2017 foi um dos melhores da minha vida, sem dúvida. Porque vi as pessoas que eu mais amo serem felizes. Pude testemunhar a alegria dos meus e fazer parte dela e contribuir para a mesma.

Só por isso, Julho valeu a pena.

Acaba 2017

2017 não está a ser o meu ano. Acho que para o mundo em geral, 2017 está a ser uma bela merda. No entanto, a nível pessoal, este ano também não me está a dar muito. Dores de cabeça e lágrimas tem dado em demasia, aliás...

Arranjo sempre desculpas para não publicar aqui. Mas a verdade é que nos últimos tempos tenho andado a lidar com uns problemas na universidade que me têm basicamente consumido toda a força e todo o tempo que eu possa possuir. Cometi um erro num dos meus trabalhos que me vai custar caro. Acho que é seguro dizer que o meu percurso académico está manchado. E tenho andado a refazer o trabalho, o que me tem ocupado muito tempo. Na loja as coisas também não andam bem. Depois de ter transferido para uma loja mais pequena há sete meses atrás, e de pensar que as coisas iam melhorar, o contrário parece estar a acontecer. Vai piorando, e piorando e a vontade de ir trabalhar todos os dias é cada vez menor.

Tenho dado por mim a pensar, quase todos os dias, o que é que ando a fazer com a minha vida. Longe de tudo e de todos, presa a um emprego do qual não gosto e do qual não quero fazer carreira, a cometer erros estúpidos na universidade que me vão custar caro, a um ano de acabar o meu curso sem saber o que quero fazer da vida...questiono-me: o que raios ando eu a fazer aqui?

A brincar aos adultos. Foi a resposta a que cheguei ontem. Ando aqui a brincar aos adultos. Já não estou a gostar da brincadeira. Não vejo melhoras, não vejo a luz ao fundo do túnel, não consigo olhar para o futuro e imaginar algo de bom. Sinto que me estou a enterrar neste buraco de negativismo, a ter a grande crise dos vinte e sem saber o que fazer.

2017 para mim, podia acabar já que eu nem piscava os olhos.

Juntos somos melhores

Os acontecimentos dos últimos tempos têm deixado muita gente em alerta. Eu incluída. Tendo nascido e crescido em Portugal, sempre vivi muito estas coisas apenas através de uma televisão. É óbvio que uma pessoa fica afectada ao ver as notícias e pensa sempre que, qualquer dia pode vir a ser no nosso país. Mas por outro lado, acho que a mentalidade dos portugueses é muito aquela de "a nós não nos toca". Por sermos um país pequeno, isolado, na outra ponta da Europa, etc. Contudo, acho que com os tempos que correm, essa mentalidade tem vindo a alterar-se bastante. Mas agora que já vivo em Londres há quase dois anos, e com os acontecimentos dos últimos tempos, a minha forma de pensar tem vindo, também, a mudar.

Já não penso "não me tocará a mim". Porque agora já não vejo só os acontecimentos através da televisão. Passo pelos sítios onde estas coisas estão a acontecer. Não com frequência, porque a minha vida é muito limitada aqui ao sítio onde vivo, estudo e trabalho. Ainda estou relativamente longe do centro. Mas não muito. Uma simples viagem de underground de 20, 30 minutos e estou no centro. Na ponte onde morreram pessoas. No Market onde o caos se instalou. Estou aqui, tão perto, que as notícias já não parecem ser só notícias. Histórias. 

Tenho medo de ir para o trabalho hoje em dia. Porque faço parte da gerência de uma loja num dos maiores centros comerciais do Norte de Londres. Não estamos isentos de alguma coisa vir a acontecer. Aos fins-de-semana, milhares de pessoas deslocam-se até aquele centro comercial para fazerem as suas compras. E quando eu digo milhares, são milhares mesmo. Eu nem saio da loja na minha hora de almoço se estiver a trabalhar sábados e domingos, porque não se consegue andar naquele centro comercial.

Seria o sítio perfeito para se tentar algo. E com os acontecimentos dos últimos tempos, este pensamento vai assombrando-me cada vez mais. Contudo, a parte de mim que quer pensar positivo faz-me levantar da cama todos os dias e ir trabalhar. Porque, como eu já aqui disse, a vida não pode parar antes de parar mesmo. Não nos podemos deixar erradicar pelo medo. Porque é isso que esta gente tenta fazer. Eles não querem erradicar pela religião, por um Deus todo poderoso. Eles erradicam pelo medo que incutem às pessoas. E claro que é assustador. Mas como uma pessoa sábia me disse ontem, nós vivemos numa sociedade de risco e temos de aprender a lidar com o medo e esperar que nenhum de nós esteja no momento errado, no local errado, há hora errada. Isto não vai desaparecer. Não vai melhorar, pelo menos nos tempos que se avizinham. Mas temos de mostrar que somos o oposto deles.

Enquanto que eles mostram-se dispostos a morrer sozinhos por uma causa em que acreditam, nós temos de mostrar que juntos, conseguimos sobreviver pela nossa. Infelizmente não pude acompanhar o directo do concerto de Manchester ontem, visto que estive a trabalhar até tarde. Mas já vi videos, imagens, tweets. E eu acredito mesmo que juntos somos melhores.

Somos mais.

Os 21 vieram com muitos sentimentos...

Já lá vai algum tempo desde a última vez que vos escrevi... A verdade é que não tenho andado com cabeça. Fui de férias para Portugal durante 10 dias mas, para ser sincera, nem souberam a férias. Enquanto lá estive, recebi notícias que me deixaram ansiosa e não me permitiram aproveitar como eu gostaria de ter aproveitado. Coisas da universidade, que ainda não estão resolvidas e que me têm tirado o sono. O que me incomoda mais é o facto de não poder fazer nada mais para além daquilo que já fiz, que foi mandar emails para todas as pessoas que me poderiam ajudar. Ninguém me responde e ninguém me parece disposto a ajudar, portanto a única coisa a fazer é esperar.

Enquanto estive em Portugal fiz os 21. Este ano celebrei com a família e deu para perceber muita coisa. Estes dias que passei lá, aliás, deram para perceber muita coisa. É uma luta constante, esta de se ser emigrante. Estou aqui e só quero estar lá. Estou lá e não consigo deixar de pensar na vida que tenho aqui. É extenuante. A grande verdade é que, completei 21 anos e a vida ainda há-de dar muitas voltas. Não pretendo ficar aqui para sempre, neste país que quer ver os emigrantes pelas costas, contudo...a minha vida está aqui agora. E vai deixar de estar, tenho a certeza, daqui a uns anos. Mas não sei se tão cedo ela vai passar a estar, de novo, em Portugal. 

É o meu país, é a minha casa, é onde vivi toda a minha vida. Nada muda. Mas tudo muda. Porque eu mudei. Porque eu ganhei outras experiências que não tinha ganho se lá tivesse ficado. Porque as minhas relações com certas pessoas mudaram. Porque as pessoas crescem e por vezes, mudam. Porque eu já não vejo o mundo e a vida como via há dois anos atrás. Como disse, a vida ainda vai dar muitas voltas, disso não tenho dúvidas. Mas não sei se é porque estou a menos de um ano de acabar o meu curso, se é porque tenho andado stressada com os problemas que me apareceram na uni ou se é por uma outra razão qualquer, a verdade é que me sinto um pouco perdida.

Perdida, ansiosa e insatisfeita. Não sei bem o que quero, não sei bem do que preciso e sinceramente...já não sei bem quem sou.

Sinto que estou prestes a entrar na segunda crise da adolescência. Apesar de já não ser adolescente coisíssima nenhuma. Uma amiga minha disse que ela ia agora entrar na "quarter-life crisis".

Eu bem que ri e disse para ela não ser tonta. Mas aquilo assentou dentro de mim e fez sentido. Já somos duas, pensei eu para mim enquanto tentava esconder este pensamento com um sorriso nos lábios.