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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Em 2017...

O ano de 2017 foi um dos piores anos da minha vida até agora. Não estou a exagerar, de todo. A quantidade de coisas que me aconteceram este ano que me deitaram totalmente abaixo, foram mais do que muitas. Consigo contar pelos dedos de uma mão as boas memórias que este ano me proporcionou. 

É que foi tudo, no geral, que correu mal. No trabalho, na universidade, nas minhas relações pessoais. Não se safou muito ou mesmo até, quase nada. Até assaltadas fomos! Honestamente, não sei o que se passou este ano. 2016 foi um ano tão bom, com os seus momentos baixos também, mas no geral foi um ano muito positivo para mim e este ano...foi completamente o oposto. Contudo, este ano foi aquele que me fez perceber muita coisa. Aprendi muito com os meus erros e com os erros dos outros. Apercebi-me de que, de um momento para o outro, tudo pode mudar e não há nada que nós possamos fazer. Tive provas de que sou muito amada e muito sortuda no que toca às pessoas que tenho na minha vida. Dizem que é nos momentos mais merda da nossa vida que nos apercebemos de quem está mesmo lá para nós. Também mudei a minha forma de pensar e de ver muitas coisas. Continuo a crescer, a aprender, a errar e como tal, a mudar. Perdi-me, durante um bocado. Andei muito perdida este ano, isso não posso negar. Acho que, sinceramente, ainda não me encontrei a 100% mas estou no caminho certo para tal, ou assim espero que seja. 

Por muito mau que este ano tenha sido, eu sei que me vou lembrar muito dele nos anos que estão para vir, porque aconteceu muita coisa que não se esquece. E uma delas aconteceu ontem. Pela primeira vez desde que me mudei para Londres, vi neve, mas neve a sério. Nada daquela coisinha pequena que houve no ano passado e há dois anos atrás, nem pensar! Ontem nevou que se fartou aqui e por um dia, em 2017, fui completamente feliz. Acordei com uma mensagem da C. a dizer que estava a nevar. Abri as cortinas do meu quarto e contemplei um mar branco por debaixo da minha janela. Calcei luvas, enfiei um gorro, calcei as botas, vesti o casaco e fui a correr para a porta que dá para o nosso jardim. Foi lindo. Durante umas horas voltei a ser criança. Brincámos na neve, fizemos um boneco de neve ao qual demos o nome de Gervásio Jones, tivemos umas quantas lutas de bola de neve e senti o coração quente, apesar do frio terrível que fazia. 

O resto do dia foi passado a ver filmes com as flatmates, a comer porcaria e simplesmente, a descansar, algo que não faço com frequência. Não pensei em nada. Não pensei na uni nem no trabalho nem em todas as coisas más que me aconteceram este ano. Ontem, durante um dia inteiro, regredi. Voltei atrás no tempo e senti-me criança; fui criança. Não fiz nada daquilo que tinha planeado fazer. Tinha roupa para por a levar, as casas-de-banho por limpar, loiça por lavar, umas quantas coisas para escrever...não fiz nada. E fui feliz.

Hoje às 6h da manhã acordei e lá fui eu para um trabalho que desprezo, trabalhar com pessoas que mal tolero. Estou cansada outra vez. Dói-me as costas das caixas que andei a carregar. Tenho cortes nas mãos das mudanças que tive de andar a fazer na loja. Acho que me está a nascer um joanete. Os meus vizinhos de cima não param de fazer obras e estou neste momento a escrever este texto com uma dor de cabeça enorme por causa do barulho que eles estão a fazer.

2017 voltou a ser uma merda hoje. Mas ao menos ontem, 2017, já valeu alguma coisa. Ao menos, no dia 10 de Dezembro de 2017, fui feliz.

 

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E se fosse contigo?

Há uma semana atrás estava na paragem de autocarro, como se de outro dia qualquer se tratasse, quando um grupo de homens, visivelmente bem mais velhos do que eu, sai do centro de emprego ao pé da paragem e se vem sentar ao meu lado.

Estava 1 grau naquele momento. Eu estava coberta da cabeça aos pés, apenas com os olhos e o nariz de fora. Como sempre, de phones nos ouvidos a ouvir música, andava pelo Instagram a gastar dados móveis, quando sinto o senhor a tocar-me no ombro. Perguntou-me o meu nome. Não lhe o disse. Perguntou-me se eu estava com frio. Eu disse que não e virei-lhe a cara. Voltou a tocar-me, desta vez no braço. Cheguei-me para mais longe dele. Ele desliza para perto de mim. Eu pergunto-lhe qual é o problema dele. Ele, com cara de gozo responde-me:

"Para que é usas essa maquilhagem toda se depois não queres ser abordada por homens? Não queres falar comigo porquê? Achas-te boa demais para mim, é?"

E nesse instante, a mão dele tenta tocar na minha perna mas os meus reflexos permitem-me ser mais rápida. Levanto-me de um ápice e respondo-lhe da forma mais contida que consigo:

"Eu maquilho-me porque gosto. Eu estou a usar maquilhagem, não estou a usar uma fita na testa que diz "por favor estranhos, venham ter comigo e assediem-me."

"Deixe-me em paz."

Ele ri-se e os amigos acompanham. Eu afasto-me o máximo que posso deles, porque preciso de ficar na paragem para apanhar o autocarro para ir trabalhar. Há quem tenha vida e mais que fazer do que assediar pessoas na rua. Mas mesmo assim, não desistiram. Vieram ter comigo e continuaram a dizer coisas, que sinceramente, não valem a pena serem repetidas. O autocarro chegou, entrei e rezei para que eles não entrassem atrás de mim. Não vieram.

Esta é só uma das muitas situações às quais, enquanto ser humano e mulher, já fui sujeita ao longo da minha vida. Já falei de assédio sexual aqui muitas vezes. Mas nunca é demais falar sobre este assunto, porque acontece a toda a hora, todos os dias, enquanto eu escrevo este texto e enquanto vocês o lêem. Está sempre a acontecer e não há muito que nós possamos fazer, enquanto vítimas. É nojento, degradante e tem, de alguma forma, de ser parado. Ontem vi o episódio mais recente do "E Se Fosse Consigo" da Sic, um programa apresentado pela Conceição Lino, que pega em temas da actualidade e os apresenta à sociedade de uma forma que ainda não tinha visto nenhum programa em Portugal fazer.

O que eu tirei deste episódio foi que, a maioria das pessoas que vieram em defesa da rapariga foram, de facto, outros homens. Porquê? Porque as mulheres têm medo. Nós vivemos em constante medo e em constante impotência. Algumas até acharam piada e disseram que a rapariga devia ter entrada na brincadeira. Nenhuma das testemunhas sabia de ante mão que aquilo era falso, uma cena representada por actores para o programa. É muito triste ver que a realidade é esta, não só no meu país, mas aqui em Inglaterra também e em tantos outros espalhados pelo mundo. Não podendo fazer muito, fico contente por haver algo a passar na televisão que expõe este problema na nossa sociedade, e que divulga este mal que tem de ser cortado pela raiz.

Se ainda não viram e tiverem um tempinho, dêem uma olhada no episódio completo e divulguem. O assédio é crime, ao contrário do que a lei diz. Não há como negar. É crime e tem de ser parado. Apelo que, se alguma vez forem testemunhas de assédio, não fiquem parados a assistir, não virem a cara, não ignorem. Chamem a polícia, vão lá vocês, não sei, façam algo. Tudo menos ignorar. Podia ser a vossa filha, a vossa prima, a vossa irmã, a vossa tia, a vossa melhor amiga. Se ainda há pessoas que se perguntam se isto é realmente um problema ou não, façam antes esta pergunta a vocês próprios e aos outros:

E se fosse contigo?

 

 (Eu vejo os episódios no website oficial da sic mas não estava a conseguir adicionar o video do site deles mas, pelos vistos, também dá para ver no Youtube)

Muito honestamente...

Ponderei bastante antes de começar a escrever este texto, pela simples razão de que o que vou falar aqui hoje não é algo sobre o qual queira gritar ao mundo que aconteceu. Mas aconteceu e sinto que preciso de exteriorizar o tumulto que vai dentro de mim, causado pelos acontecimentos deste fim-de-semana.

Este sábado passado alguém entrou em nossa casa e roubou-nos alguns pertences, com pessoas cá em casa. Entraram pela janela de um dos quartos, como não sabemos bem mas as janelas desta casa são velhas e pelos vistos fáceis de arrombar. Levaram dois computadores, uns quantos colares que deviam de achar que eram de valor, e algum dinheiro. O pior disto tudo não é terem levado coisas materiais. O pior foi que duas das minhas companheiras de casa e amigas estavam aqui, simplesmente a fazer a vida delas quando isto aconteceu. Uma delas estava na cozinha a lavar loiça e a outra estava na casa-de-banho a tomar banho, daí não terem ouvido barulho nenhum. Também duvido que a pessoa que cá entrou tenha feito assim tanto barulho quanto isso. O nosso chão é todo de carpete, excepto na cozinha, o que faz com que a detecção de alguém a andar pela casa seja mais complicada. A minha amiga que estava na cozinha sentiu uma presença atrás dela a certa altura e jura que viu uma sombra passar pela cozinha, mas julgou que era a minha outra amiga que tinha acabado de tomar banho e passado para o quarto dela. Entrarem pela janela de um dos quartos e depois saíram pela porta do quarto que dá para o jardim e levaram a chave. Se levaram a chave é porque tinham intenção de voltar. E isso deixou-nos ainda mais assustadas. 

A casa onde estamos é num condomínio fechado, com câmaras de vigilância e seguranças. E mesmo assim fomos roubadas. Provavelmente, estas pessoas têm como alvo este tipo de condomínios por serem mesmo isso: fechados e com segurança significa que tem pessoas ricas a morar lá. Somos ricas pessoas mas não temos nada de muito valor a não ser aquilo que levaram, que foi os aparelhos electrónicos e umas quantas libras. Não tendo contacto directo com o senhorio, contactámos a agência a quem alugamos a casa. Eles demoraram dois dias a virem substituir a fechadura da porta para a qual eles tinham a chave. Só hoje é que veio cá um senhor arranjar a janela. Andamos pela casa de faca na mão e evitamos ficar em casa sozinhas. Eu tenho dormido uma média de quatro horas por noite. Cada vez que os meus olhos se fecham, a mesma imagem surge diante de mim: uma figura alta, toda de preto, a cara tapada por uma máscara, a avançar na minha direcção como se me fosse fazer mal.

Violaram o nosso espaço. Eu podia dizer que nunca me senti tão violada como agora, mas outras experiências da vida não me o permitem. Contudo, no que toca a isto, é a primeira vez que me sinto tão...assaltada. Literalmente. Não há outra palavra. Esta casa é mais do que uma casa. É o sítio onde passamos grande parte do nosso tempo. É o lugar para o qual voltamos depois das batalhas que travamos com o mundo cruel todos os dias. O sítio onde podemos ser nós mesmas a 100%, sem medos, sem restrições. O sítio onde podemos ter um bocadinho de sossego e onde podemos relaxar, ser felizes durante um bocado nesta vida que pode trazer muita infelicidade com ela.

Não há nada que não me tenha acontecido este ano. 2017 para mim podia acabar já aqui. Foi, sem dúvida, um dos piores anos da minha vida. Não quero continuar a acordar todos os dias neste ano que me causou tanta dor e mágoa. Estou cansada, exausta deste ano. Foi uma sorte que não aconteceu nada a ninguém - estamos todas sãs e salvas. A parte sã não tenho tanta certeza, mas enfim. Contudo isso não chega. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Esta casa da qual gostávamos tanto nunca mais vai ser a mesma. Nós também já não vamos ser os mesmos. Pensamos sempre que nunca nos acontecerá a nós, até que acontece. Eu sou daquele tipo de pessoa que não liga as luzes de casa sem precisar. Não ligo a luz do corredor se for só ali à casa-de-banho. A luz do meu quarto raramente está acessa. Agora parece que todos os interruptores de luz da nossa casa se avariaram e as luzes têm de estar sempre acessas. Se ouvimos o vento lá fora a arrastar as folhas caídas do outono ou se ouvimos os vizinhos de cima a andar pela casa deles, a nossa mão estica para tocar no cabo da faca que temos debaixo dos nossos colchões.

Assaltaram-nos a casa, mas fizeram muito mais do que isso. Mudaram-nos. Mudaram-me.

Filhos da puta. Onde quer que estejam, quem quer que sejam, espero que o pouco de valor que levaram vos tenha ao menos dado uns trocos suficientes para não repetirem o acto assim tão cedo. Uma parte de mim é isso que deseja. A outra só deseja que morram, muito honestamente.

Nos próximos capítulos...

Sendo este o meu último ano de Universidade, pensar no futuro é algo que tenho feito com muita frequência. Torna-se complicado continuar a evitar a pergunta de ouro que todos me fazem que é: "O que planeias fazer quando acabares o teu curso este ano?" 

É difícil responder a uma pergunta que nos fazemos a nós próprios quase todos os dias e para a qual ainda não temos resposta. Por muito que eu pense no que vou estar a fazer daqui a uns meses, não consigo determinar exactamente o que isso será. Se calhar, para outras pessoas, a resposta seria fácil. Mas eu não sou as outras pessoas. Eu tenho várias opções; demasiadas até. A única que não tenho e também não faço muita questão de ter é de continuar a estudar. Sinto que já não há nada que as instituições de ensino me podem dar depois de acabar a minha licenciatura. E obviamente, o dinheiro não cresce das árvores e já me chega uma dívida de 21.000 libras nas costas, muito obrigada.

Eu acho que não nos devemos condicionar a só uma saída, a só uma opção, a só um futuro. Eu vou completar o meu curso com 22 anos. 22 anos é o quê neste mundo? Quase nada! Ainda há tanto para fazer, tanto para ver, tanto para experimentar e viver, que eu sinto que não posso nem devo condicionar-me aquilo que as pessoas querem ou esperam de mim. Vou explorar, vou continuar a ponderar, vou continuar à procura de várias opções, vários caminhos, possibilidades para a minha vida depois da universidade. Talvez durante 1 ano não faça nada. Talvez fique onde estou e tente poupar dinheiro. 

Talvez me passe da cabeça e volte para Portugal (o que acho pouco provável mas nunca se sabe). Talvez ponha um dinheiro de parte e me inscreva num programa de voluntariado e vou assim, partir para outra aventura. Talvez comece um protejo meu, me foque nisso e veja frutos. Talvez, quem sabe, consiga um estágio numa das casas editoras onde gostaria de trabalhar no futuro e entre já no mercado de trabalho.

Mas não vou escolher agora. Não vou decidir agora. E não vou pedir desculpa por não o fazer. Aos curiosos, assim continuem. Eu também estou curiosa para saber quais serão os próximos capítulos da minha vida. Mas com certeza que, sejam eles quais forem, vão ser aqueles que eu decidi, por mim mesma e não por influência dos outros ou daquilo que eles esperam de mim. 

Afinal de contas, nunca gostei de agradar a gregos ou a troianos. Sempre gostei de ser do contra.

Ao abandono...

Tenho vergonha de escrever isto. Mas é tão estranho escrever em português. Já não estou habituada. Não me interpretem mal, eu continuo a escrever e a falar em português com frequência. Falo com amigos e família a toda a hora mas é diferente. Articular pensamentos e estruturar textos é completamente diferente de quando estamos simplesmente a falar pelo Facebook com alguém.

Deixei o blogue ao abandono. Tive as minhas razões, como pareço ter sempre. E algumas pessoas perguntam-me porque é que simplesmente não apago este blogue e começo um novo, noutra plataforma, talvez até em inglês. E a minha resposta é muito simples. Seria incapaz de tal coisa. Mesmo que deixe de escrever aqui durante semanas ou meses, é um pedaço de mim, da minha vida, nos últimos cinco anos, da qual eu não não consigo abrir mão. Recuso-me. Este blogue viu-me crescer, literalmente. E vocês desse lado também. Eu tinha dezasseis anos quando decidi criar este blogue. Hoje vou a caminho dos vinte e dois. No papel, não parece muito, mas bolas, foram os anos mais críticos e atribulados da minha vida. Por isso não consigo simplesmente apagar o blogue ou deixa-lo ao abandono totalmente. 

Volto hoje, agora, porque o meu coração tem doído bastante com as notícias que chegam aqui. Eu abro o Facebook, abro os sites online de notícias e não se fala de outra coisa. Até já tive clientes na minha loja a falarem-me sobre isso, sem saberem que eu sou Portuguesa. É nestes momentos que me sinto uma má Portuguesa. Estou longe do meu país e portanto, longe dos seus problemas. Por aqui, temos outros problemas com os quais lidar, como por exemplo o tornado Ophelia que andam a anunciar já há uma semana. Mas isso não significa que não me doa ver o meu país e o meu povo no estado em que estão. Se há coisa da qual eu me gabo aqui, por entre os "brits", é do quão bonito o meu país é. Com áreas abertas e verdes, com cor, com vida. Gabo-me das imensas florestas e parques pelos quais podemos passear e aproveitar os belos dias de bom tempo que o nosso Portugal nos proporciona. 

Do que me gabo agora? Ardeu tanto. Não tudo, mas quase. Muito. Temos uma ministra que diz não ter tido férias, enquanto temos mais de 100 pessoas que nunca mais na vida vão ter seja o que for, porque morreram vítimas dos incêndios. Temos um país que aponta dedos - ao governo, aos bombeiros, ao povo. Um país destruído. Completamente. E eu vejo isto a acontecer, aqui no meu quarto em Londres, pelas redes sociais e pela família que vai mandado actualizações da situação e penso que não há nada mais triste do que ver o nosso país a morrer, de todas as formas, e não puder fazer nada. Porque Inglaterra nunca vai ser o meu país. Nem outro país qualquer onde eu possa vir a morar no futuro. O meu país é Portugal. A minha casa eterna. E um dia, gostava muito de poder regressar, a sério que sim.

Mas regresso para o quê? Para o meu país? Ou para uma versão esmorecida e triste do mesmo?

Não sou pessoa de me expressar nas redes sociais, de partilhar seja o que for ou de ir para o Facebook fazer discursos. Mas bolas...estando longe, sinto que não há muita escolha. Então resolvi voltar. Escrever aqui o quanto eu gosto do meu país e o quanto me doí vê-lo neste estado. Estou longe, mas não estou cega. Estou longe, mas não estou muda. Estou longe mas continuo sempre por perto. E continuo Portuguesa. Talvez mais agora do que alguma vez o fui. As teorias são muitas. As opiniões ainda mais. Mas os factos são certos. E os castigos deviam ser aplicados às pessoas que os merecem. Mas isto é algo que vai para além da política, que vai para além da ética. A destruição do nosso país foi um acto inumano. Em relação a isso, não há dúvidas. Só gostava que os dedos parassem de ser apontados em todas as direcções e mais algumas e que as pessoas se juntassem para, finalmente, poder haver mudança. Não sei se é desejar por muito ou não. Mas como Portuguesa que sou, a esperança é sempre a última a morrer.

Gostava que o abandono ao qual me refiro no título fosse ao meu em relação a este blogue. Mas não é, e acho que todos sabemos isso. Mas tal e qual como eu me recuso a abandonar por completo este blogue, só posso desejar que o nosso povo se recuse também a abandonar por completo o nosso país.