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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Perde-se tudo

Todas as pessoas que me rodeiam me dizem que eu sou uma sortuda por viver com pessoas amigas. E é verdade que o sou. Mas por vezes, é mais complicado do que viver com pessoas que nos são desconhecidas ou pouco próximas.

É como quando vivemos com a nossa família de sangue. Porque somos família e nos conhecemos desde sempre, os momentos em que rimos são mais do que aqueles em que discutimos; contudo quando discutimos é a sério. E enquanto que, com pessoas que não conhecemos não corrermos o risco de desperdiçar uma amizade por assuntos triviais, quando se vive com amigos há sempre a própria da amizade em risco se alguma coisa dá para o torto. É especialmente difícil quando vivemos com pessoas cujas personalidades não podiam ser mais diferentes umas das outras. Mesmo que os interesses sejam comuns, quando se trata de lidar com assuntos sérios e a forma como cada uma de nós lida com eles, há diferenças que podem ser prejudiciais à amizade.

Para simplificar, ontem houve uma discussão das grandes cá em casa. Bom, não sei se muitos lhe chamariam discussão, pois foi mais eu a gritar para as paredes do que outra coisa, no entanto a verdade é que foram feridas susceptibilidades e a coisa não está bonita. Eu sou aquela pessoa aqui de casa que, se existe algum problema ou se existe algum assunto mais sério sobre o qual temos de falar, eu sou a primeira a trazer o assunto para a mesa e a tentar resolver as coisas a conversar. Sempre tive imenso jeito para dar sermões. E prego-os, tal e qual como Santo António os pregou aos peixes, eu prego-os aqui em casa. Não tenho problemas em falar sobre as coisas porque, para mim, é assim que elas se resolvem e não existem mal entendidos. Contudo, a pessoa oposta a mim, com quem tive a desavença, é exactamente isso: o oposto de mim. Enquanto que eu prefiro falar sobre as coisas para o assunto ficar arrumado, a pessoa em questão prefere ignorar e não falar sobre o assunto. O que me irrita profundamente. Porque não falar, se só assim é que sabemos a posição e os sentimentos de ambas as partes? A verdade é que eu ontem envolvi-me num monólogo extenso e a pessoa em questão continuava a fazer coisas na cozinha e a ignorar-me, dizendo que não ia falar sobre o assunto "nem hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã". O problema é que, com esta pessoa, é sempre assim. É das pessoas mais acessíveis que já conheci, dá o braço em vez da mão se precisarmos mas, no que toca a encarar os factos e a realidade e a discuti-la como a pessoa adulta que é, tá escasso. E isso deixa-me profundamente irritada. Pior fico ainda quando me faltam ao respeito.

Assobiou. Atreveu-se a assobiar enquanto eu falava com ela, num tom calmo e composto. Assobiou-me enquanto eu lhe dizia que tinha feito algo para a ajudar e lhe facilitar a vida. O coro da discussão nem sequer importa. Deixou de importar a partir do momento em que ela me começa a assobiar. Esqueci completamente qual era o assunto sobre o qual tínhamos de falar. Perdi a cabeça. Fiquei cega de raiva. E se a C. não me tivesse agarrado, tinha feito algo do qual me iria arrepender, apesar de tudo. É das piores coisas que me podem fazer, especialmente pessoas minhas amigas, é faltarem-me ao respeito. Não admito. Não posso admitir. Seja quem for. Fui educada para ouvir a outra parte de forma respeitosa e bem educada. Fui educada para ouvir as pessoas até ao fim e depois, se então achar por bem que não estou para aí virada e não quero falar sobre o assunto, digo com todo o respeito: percebo o que me queres dizer, mas por favor vamos falar sobre isto noutro dia.

Não assobio. Não dou as costas. Não falto ao respeito. 

Magoou. Porque já não é a primeira nem a segunda vez que a pessoa em questão faz algo do género. No que toca a falar sobre assuntos sérios ou quando é preciso nós todas sentarmos-nos e discutirmos algo que é do interesse de todas, esta pessoa age sempre como uma miúda de 12 anos. Não, retiro o que disse, que a minha irmã tem 12 anos e acho que nem ela agiria como esta pessoa agiu. Se tivesse apenas permanecido calada e no fim de eu falar tivesse dito: "okay, percebo mas falamos amanhã", eu ainda aceitava. Mas virar-me costas e andar pela casa a assobiar como se eu nem sequer me estivesse a dirigir a ela? Ultrapassou os meus limites. Eu já gastei muito do meu paleio e da minha saliva a pregar sermões a esta determinada pessoa e ontem tive a prova de que, ela nunca vai aprender com os seus erros. Por muito que eu me passe da cabeça com ela e quase lhe mande um soco à boca, ela nunca vai aprender. E é por isto que, por vezes, viver com amigos não é assim tão bom quanto se pensa. Porque tal e qual como numa relação, o respeito vai-se perdendo. E se o respeito se perde, perde-se tudo, para mim pelo menos. A fé também já a perdi. E são essas as duas coisas que eu preciso de perder para a relação de amizade que eu tenho para com essa pessoa, o deixar de ser. Se me faltam ao respeito e eu perco a fé em vocês, não há volta atrás. Até pode haver, se calhar, mas só com muito esforço e depois de me provarem que, conseguem realmente, aprender com os erros.

Senão... perdeu-se tudo. O respeito, a fé e a amizade.

É mudar e pronto

Mudar de casa não é fácil. Ainda me lembro quando nos mudamos para o Flat 1, já lá vai 1 ano e 4 meses, o stress e a confusão que foi. Fizemos a mudança em menos de um dia, mas foi tudo super apressado e estava tudo ao molho e fé em deus, como se costuma dizer. Contudo, há 1 ano atrás ainda não tínhamos acumulado metade das coisas que agora temos acumuladas nesta casa.

Nunca vi pessoas com tantas canecas, pratos, talheres, roupa, sapatos e coisinhas pequenas insignificantes. Isto já para não falar dos sacos cheios de roupa com bolor que levamos para pôr a lavar e a secar na casa nova. E os pequenos electrodomésticos? Ela é uma tostadeira, um micro ondas, uma chaleira, uma torradeira, uma máquina de fazer arroz, uma máquina de fazer batidos...e eu mando as mãos à cabeça sem saber como raio vamos conseguir transportar isto tudo no próximo domingo dia 29.

É certo que temos carro e a nova casa fica a cerca de 10 minutos de distância, a pé, desta, contudo, é sempre a subir. Ninguém está disposta a carregar malas e caixas super pesadas estrada acima, muito menos com o frio que tem estado. Ontem sai do trabalho e batia o dente, com 2 graus negativos que se faziam sentir e bem. Para piorar ainda mais a situação, ainda tenho um trabalho de 2,000 palavras para começar, a entregar no dia 27. Isto tudo mais o facto de que, vamos ter de limpar esta casa de cima abaixo, incluindo o maldito do bolor nas paredes, a razão maior pela qual decidimos mudar de casa. Ah! E todas nós temos de ir trabalhar e ir para a uni.

Escolhemos uma má altura. Mas se não for agora, se calhar só daqui a mais 1 ano. Esta nova casa foi um completo achado dos deuses. Apesar de os quartos não serem tão grandes como os que temos agora, a casa em si é muito maior, com um corredor amplo que facilmente podemos transformar num espaço comum para podermos conviver todas, tem duas casas-de-banho, o que é óptimo quando se vive com outras 5 pessoas, e, mais importante de tudo, tem uma máquina de secar roupa. Acreditem, nunca eu dei tanto valor a um electrodoméstico como uma máquina de secar roupa, até ter vindo para este país. Mas sobre isso falo num outro post futuro. 

Para além do mais, esta nova casa é num prédio dentro de um condomínio privado, com câmaras de segurança e portões. Fica a 2 minutos das paragens de autocarro que todas nós precisamos para ir para os respectivos empregos e fica a 5 minutos a pé da universidade. E a renda mensal é só mais cara 73 libras do que aquela que estamos a pagar agora para morar numa casa super velha, cheia de bolor, em frente à auto-estrada e completamente desprotegida.

Portanto, conclusão: é uma má altura para mudarmos de casa e virarmos a nossa vida do avesso, contudo, no que toca a mudanças, nunca há uma altura certa.

É mudar e pronto.

Já foi!

Passou o Natal, passou o ano novo e cá estamos, no ano 2017!

Se tivesse que definir o ano de 2016, diria que não foi o pior que já vivi, mas podia ter dado mais de si. Não tanto a nível pessoal mas mais a nível mundial. A nível pessoal, diria que foi um bom ano. Visitei um dos sítios que queria imenso visitar, a Coreia do Sul, conheci e explorei novos sítios, tive um dos melhores aniversários da minha vida, em Brigthon, com amigos que considero família, poupei dinheiro, fui a casa no Natal e conclui com sucesso o primeiro ano da uni.

Para 2017, os planos já são vários. Viajar mais, aproveitar mais as minhas folgas e dar mais atenção à familia e amigos que estão em Portugal e que por vezes são um pouco negligenciados. Quero também investir mais tempo no blog, coisa que já não estou a fazer bem porque já estamos na segunda semana do ano e este é o meu primeiro post de 2017.

Mas tudo se faz com vontade e eu espero tê-la este ano. Acho que é o que quero mais para este ano: vontade.

 

Quase, quase!

Faltam dois dias. As prendas já estão compradas. A mala quase feita. O check-in feito e o bilhete do autocarro comprado.

Tenho andado a sofrer bastante no trabalho. Ser Key Holder não é brincadeira. Mas ando a gostar do novo desafio, apesar de tudo. É uma loja com um ambiente muito melhor, sem dúvida, e ajuda o facto de eu ser amiga de quase toda a gente que lá trabalha. Quanto à carga de trabalho, é sempre assim antes de ir de férias. É quando trabalho mais e mais horas para ao final do mês não ressentir.

Mas a verdade é que, por muito que chore e berre e me queixe, no fim vale sempre a pena. Porque vou poder voltar a passar o Natal com a minha família, quase dois anos depois da última vez que passei o Natal com eles.

E não há recompensa melhor que essa.

E o melhor? Só os meus pais é que sabem. Mal posso esperar para ver a reacção do resto da família, especialmente dos avós...

Estou tão feliz! E como já não devo passar por aqui antes do dia, desejo a todos um feliz Natal, recheado de amor, carinho e alegria, boa comida, bons familiares e bons amigos!

Aproveitem porque eu cá vou aproveitar ao máximo!

Voar

Nunca foi um problema para mim. Voei pela primeira vez quando tinha seis anos. Nem me lembro. Foi um voo de mais ou menos oito horas até Cuba. Lembro-me vagamente de não conseguir dormir e ver o filme dos 101 dálmatas com a minha mãe. É tudo.

A segunda vez que voei foi no dia 6 de Agosto de 2015, quando vim para Londres. Depois disso, já viajei umas quatro vezes mais, todas ida e volta para Portugal. Até ter viajado em Setembro deste ano para a Coreia do Sul.

Nunca tive medo de voar até agora. Para mim voar até era algo satisfatório. A ideia de que uma coisa enorme como é o avião consegue levar uma quantidade imensa de pessoas dentro de si e voar pelos oceanos a tantos quilométricos à hora, sempre me fascinou.

Isto até ter apanhado um belo de um susto. E não, não me refiro a turbulência ou algo do género. O susto aconteceu quando ainda nem sequer tínhamos levantado voo. Já mencionei aqui o episódio, pelo que não o farei de novo, mas a verdade é que vou voar outra vez para Portugal daqui a menos de duas semanas e só de pensar em entrar naquele avião, dá-se me os calores.

Nem sequer as notícias me afectavam como o que se passou me afectou. Acho que sou mesmo daquelas pessoas que, até me acontecer a mim, não me afecta muito.

Não quero voltar a sentir aquilo que senti naquele avião, nunca mais. Mas a possibilidade de tal acontecer existe. E se desta vez não são criminosos a serem deportados e forem mesmo terroristas?

É esse o pensamento que não me sai da cabeça. Este mundo anda doido e eu como testemunhei isso em primeira mão, em doida ando a dar...