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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Não escondam o medo

"We are not afraid".

Circula pelas redes sociais em conjunto com a hashtag #PrayForLondon. Estava em casa ontem, perdida no meu próprio mundo, quando o meu telemóvel dá sinal de mensagem no chat do Facebook. Era a senhora dona minha mãe a perguntar se eu estava em casa e se estava bem. Achei estranho. Apesar de falarmos todos os dias pelo chat do Facebook e apesar de ela, todos os dias, me perguntar se eu estou bem, achei aquele "Estás bem?" diferente dos outros. Respondi imediatamente, pondo de lado o que estava a fazer no momento, porque senti a urgência da pergunta. Não me perguntem como. Respondi que sim, estava em casa e estava prestes a ir lavar a loiça do almoço. Perguntei porquê a pergunta feita daquela forma? E ela respondeu: "Ainda não viste as noticias? Houve um atentado no Parlamento aí."

Bom, fiquei alarmada. Pensei que alguém tinha tentado bombardear Westminster. Acedi logo ao site da BBC News, e assisti ao live que eles estavam a transmitir, em directo no local. Rapidamente me apercebi que não se tratava de uma bomba, mas sim de algo diferente, igualmente preocupante. Um individuo esfaqueou um polícia, atropelou quatro pedestres (um deles português pelo que consegui descobrir) e causou mais uns quantos feridos. Para além disto, causou o pânico, não só na zona de Westminster, mas por todo o país. Em questão de segundos, as redes sociais encheram-se de mensagens de boa fé, de revolta e de medo.

Medo. Medo esse que, por uma razão que eu entendo perfeitamente, toda a gente está a tentar esconder. Hoje, um dia depois do acontecimento, todos nós andamos pelas redes sociais a partilhar fotos e tweets a dizer "We are not afraid". Nos conhecidos "boards" do metro, onde todos os dias é escrita uma mensagem inspiradora, mensagens sobre o que aconteceu são escritas, acompanhadas pela referida frase. Mas eu acho que é tudo uma grande treta.

Eu estou com medo. Eu escolhi esta cidade para viver. Aqui vivo há já quase dois anos. Não faço tensões de me ir embora assim tão cedo quanto isso, apesar de todas as complicações que o Brexit possa vir a causar. Contudo, eu sei perfeitamente que isto é só o começo. O começo de uma jornada que, infelizmente, vai conter muitos mais destes acontecimentos e actos de terrorismo. Porque foi isso que aconteceu. Infelizmente, este país está a ficar mais fraco. O Reino Unido já não é Unido coisíssima nenhuma. Claro que o Brexit é um dos grandes culpados. Mas o pior são as pessoas. As pessoas estão, dia após dia, a esquecer-se que ao final do dia, nós somos todos seres humanos. 

Há seres humanos bons e seres humanos maus. Mas isso é em todo o lado. Só que as pessoas esquecem-se disso quando coisas destas acontecem, que geram o pânico e o medo e a aversão às pessoas que, para eles, são e serem sempre "outsiders". Emigrantes. Mesmo que esse não seja o caso, a verdade é que, isto assusta qualquer pessoa. Eu, que não estou no meu país, estou assustada. Sei lá se amanhã não se lembram de ir ali ao centro comercial onde eu trabalho, que é só o maior centro comercial de North West London, fazer algo do género ou pior?

Estas coisas fazem-nos pensar. E duvidar. E reconsiderar as nossas escolhas e o nosso futuro e o futuro do país e do mundo que habitamos. Faz-nos ter medo. Não escondam o medo que estes acontecimentos nos fazem sentir. Porque é natural termos medo. Somos apenas seres humanos. Dizer que não temos medo não vai fazer com que coisas destas não aconteçam de novo. Ter medo não é vergonha. Vergonha é não fazer nada quanto ao medo que sentimos. 

O telefone lá de casa, ontem, tocou mais vezes do que durante o ano todo quando as notícias chegaram às televisões portuguesas. Pessoas que nem sequer vejo quando vou a casa, a telefonar aos meus pais a perguntar se eu e os meus amigos estávamos bem. Felizmente, nós raramente andamos pelo centro de Londres. Mas podia ter-nos dado na cabeça lá ter ido. É só meia hora de viagem no metro. E nunca se sabe quando ou onde será o próximo.

Porque vai haver próximo, infelizmente. Não podemos mostrar medo, eles pensam. É a única forma de os vencermos. Eu cá também sou assim. Nunca mostro medo. Nunca mostro as minhas fraquezas. Porque se o inimigo sabe as nossas fraquezas, fica um passo mais perto de nos derrotar. Contudo, no que toca a estas coisas, acho impossível pedir às pessoas para se fazerem de fortes. O medo está instalado.

Agora é tentar fazer algo com ele. Não deixar que nos consuma ou impeça de continuar com as nossas vidas. Porque aí sim, caminharemos para a derrota.

Sou má

Sou má. Má, má, má má! Má escritora, má filha, má amiga, má estudante... só me safo no trabalho. Contudo sou má. Passo dias e dias sem vir aqui escrever-vos. Passo meses e meses sem escrever para mim. Falto às aulas porque ando cansada do trabalho. Vou às aulas, não me consigo concentrar porque, na verdade, eles nem ensinam assim nada por aí além. A minha vida é a coisa mais rotinosa que existe à face da terra. Não ligo com frequência à minha avó. Não faço skype com frequência com os meus pais. Não falo com a frequência que devia com os meus amigos.

Sou má. Tão má que começo a odiar-me. Mas pior ainda, sou perdida. Sou uma jovem de 20 anos, a dois meses de completar 21, completamente e totalmente perdida na vida. Os meses passam-se comigo a contar os dias para o dia em que recebo. Penso: ah! é este mês que vou ter dinheiro para ser uma jovem normal e ir ao cinema, ir às compras, ir passear com a família do flat 2, comprar mais livros, isto e aquilo. Depois, todos os meses acontece o mesmo: paga-se a renda, paga-se as contas, paga-se o passe, compra-se comida e o dinheiro que sobra dá para quê? Para limpar o rabo.

Não tenho inspiração. Não tenho vontade. Não tenho dinheiro. Não tenho colos onde chorar por isso choro sozinha. Não tenho mais mentiras para contar à família e aos amigos que não estão aqui. Não tenho mais sorrisos para dar ou mais piadas para contar.

Sou má, principalmente, porque não faço nada para ser boa.

Perde-se tudo

Todas as pessoas que me rodeiam me dizem que eu sou uma sortuda por viver com pessoas amigas. E é verdade que o sou. Mas por vezes, é mais complicado do que viver com pessoas que nos são desconhecidas ou pouco próximas.

É como quando vivemos com a nossa família de sangue. Porque somos família e nos conhecemos desde sempre, os momentos em que rimos são mais do que aqueles em que discutimos; contudo quando discutimos é a sério. E enquanto que, com pessoas que não conhecemos não corrermos o risco de desperdiçar uma amizade por assuntos triviais, quando se vive com amigos há sempre a própria da amizade em risco se alguma coisa dá para o torto. É especialmente difícil quando vivemos com pessoas cujas personalidades não podiam ser mais diferentes umas das outras. Mesmo que os interesses sejam comuns, quando se trata de lidar com assuntos sérios e a forma como cada uma de nós lida com eles, há diferenças que podem ser prejudiciais à amizade.

Para simplificar, ontem houve uma discussão das grandes cá em casa. Bom, não sei se muitos lhe chamariam discussão, pois foi mais eu a gritar para as paredes do que outra coisa, no entanto a verdade é que foram feridas susceptibilidades e a coisa não está bonita. Eu sou aquela pessoa aqui de casa que, se existe algum problema ou se existe algum assunto mais sério sobre o qual temos de falar, eu sou a primeira a trazer o assunto para a mesa e a tentar resolver as coisas a conversar. Sempre tive imenso jeito para dar sermões. E prego-os, tal e qual como Santo António os pregou aos peixes, eu prego-os aqui em casa. Não tenho problemas em falar sobre as coisas porque, para mim, é assim que elas se resolvem e não existem mal entendidos. Contudo, a pessoa oposta a mim, com quem tive a desavença, é exactamente isso: o oposto de mim. Enquanto que eu prefiro falar sobre as coisas para o assunto ficar arrumado, a pessoa em questão prefere ignorar e não falar sobre o assunto. O que me irrita profundamente. Porque não falar, se só assim é que sabemos a posição e os sentimentos de ambas as partes? A verdade é que eu ontem envolvi-me num monólogo extenso e a pessoa em questão continuava a fazer coisas na cozinha e a ignorar-me, dizendo que não ia falar sobre o assunto "nem hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã". O problema é que, com esta pessoa, é sempre assim. É das pessoas mais acessíveis que já conheci, dá o braço em vez da mão se precisarmos mas, no que toca a encarar os factos e a realidade e a discuti-la como a pessoa adulta que é, tá escasso. E isso deixa-me profundamente irritada. Pior fico ainda quando me faltam ao respeito.

Assobiou. Atreveu-se a assobiar enquanto eu falava com ela, num tom calmo e composto. Assobiou-me enquanto eu lhe dizia que tinha feito algo para a ajudar e lhe facilitar a vida. O coro da discussão nem sequer importa. Deixou de importar a partir do momento em que ela me começa a assobiar. Esqueci completamente qual era o assunto sobre o qual tínhamos de falar. Perdi a cabeça. Fiquei cega de raiva. E se a C. não me tivesse agarrado, tinha feito algo do qual me iria arrepender, apesar de tudo. É das piores coisas que me podem fazer, especialmente pessoas minhas amigas, é faltarem-me ao respeito. Não admito. Não posso admitir. Seja quem for. Fui educada para ouvir a outra parte de forma respeitosa e bem educada. Fui educada para ouvir as pessoas até ao fim e depois, se então achar por bem que não estou para aí virada e não quero falar sobre o assunto, digo com todo o respeito: percebo o que me queres dizer, mas por favor vamos falar sobre isto noutro dia.

Não assobio. Não dou as costas. Não falto ao respeito. 

Magoou. Porque já não é a primeira nem a segunda vez que a pessoa em questão faz algo do género. No que toca a falar sobre assuntos sérios ou quando é preciso nós todas sentarmos-nos e discutirmos algo que é do interesse de todas, esta pessoa age sempre como uma miúda de 12 anos. Não, retiro o que disse, que a minha irmã tem 12 anos e acho que nem ela agiria como esta pessoa agiu. Se tivesse apenas permanecido calada e no fim de eu falar tivesse dito: "okay, percebo mas falamos amanhã", eu ainda aceitava. Mas virar-me costas e andar pela casa a assobiar como se eu nem sequer me estivesse a dirigir a ela? Ultrapassou os meus limites. Eu já gastei muito do meu paleio e da minha saliva a pregar sermões a esta determinada pessoa e ontem tive a prova de que, ela nunca vai aprender com os seus erros. Por muito que eu me passe da cabeça com ela e quase lhe mande um soco à boca, ela nunca vai aprender. E é por isto que, por vezes, viver com amigos não é assim tão bom quanto se pensa. Porque tal e qual como numa relação, o respeito vai-se perdendo. E se o respeito se perde, perde-se tudo, para mim pelo menos. A fé também já a perdi. E são essas as duas coisas que eu preciso de perder para a relação de amizade que eu tenho para com essa pessoa, o deixar de ser. Se me faltam ao respeito e eu perco a fé em vocês, não há volta atrás. Até pode haver, se calhar, mas só com muito esforço e depois de me provarem que, conseguem realmente, aprender com os erros.

Senão... perdeu-se tudo. O respeito, a fé e a amizade.

É mudar e pronto

Mudar de casa não é fácil. Ainda me lembro quando nos mudamos para o Flat 1, já lá vai 1 ano e 4 meses, o stress e a confusão que foi. Fizemos a mudança em menos de um dia, mas foi tudo super apressado e estava tudo ao molho e fé em deus, como se costuma dizer. Contudo, há 1 ano atrás ainda não tínhamos acumulado metade das coisas que agora temos acumuladas nesta casa.

Nunca vi pessoas com tantas canecas, pratos, talheres, roupa, sapatos e coisinhas pequenas insignificantes. Isto já para não falar dos sacos cheios de roupa com bolor que levamos para pôr a lavar e a secar na casa nova. E os pequenos electrodomésticos? Ela é uma tostadeira, um micro ondas, uma chaleira, uma torradeira, uma máquina de fazer arroz, uma máquina de fazer batidos...e eu mando as mãos à cabeça sem saber como raio vamos conseguir transportar isto tudo no próximo domingo dia 29.

É certo que temos carro e a nova casa fica a cerca de 10 minutos de distância, a pé, desta, contudo, é sempre a subir. Ninguém está disposta a carregar malas e caixas super pesadas estrada acima, muito menos com o frio que tem estado. Ontem sai do trabalho e batia o dente, com 2 graus negativos que se faziam sentir e bem. Para piorar ainda mais a situação, ainda tenho um trabalho de 2,000 palavras para começar, a entregar no dia 27. Isto tudo mais o facto de que, vamos ter de limpar esta casa de cima abaixo, incluindo o maldito do bolor nas paredes, a razão maior pela qual decidimos mudar de casa. Ah! E todas nós temos de ir trabalhar e ir para a uni.

Escolhemos uma má altura. Mas se não for agora, se calhar só daqui a mais 1 ano. Esta nova casa foi um completo achado dos deuses. Apesar de os quartos não serem tão grandes como os que temos agora, a casa em si é muito maior, com um corredor amplo que facilmente podemos transformar num espaço comum para podermos conviver todas, tem duas casas-de-banho, o que é óptimo quando se vive com outras 5 pessoas, e, mais importante de tudo, tem uma máquina de secar roupa. Acreditem, nunca eu dei tanto valor a um electrodoméstico como uma máquina de secar roupa, até ter vindo para este país. Mas sobre isso falo num outro post futuro. 

Para além do mais, esta nova casa é num prédio dentro de um condomínio privado, com câmaras de segurança e portões. Fica a 2 minutos das paragens de autocarro que todas nós precisamos para ir para os respectivos empregos e fica a 5 minutos a pé da universidade. E a renda mensal é só mais cara 73 libras do que aquela que estamos a pagar agora para morar numa casa super velha, cheia de bolor, em frente à auto-estrada e completamente desprotegida.

Portanto, conclusão: é uma má altura para mudarmos de casa e virarmos a nossa vida do avesso, contudo, no que toca a mudanças, nunca há uma altura certa.

É mudar e pronto.

Já foi!

Passou o Natal, passou o ano novo e cá estamos, no ano 2017!

Se tivesse que definir o ano de 2016, diria que não foi o pior que já vivi, mas podia ter dado mais de si. Não tanto a nível pessoal mas mais a nível mundial. A nível pessoal, diria que foi um bom ano. Visitei um dos sítios que queria imenso visitar, a Coreia do Sul, conheci e explorei novos sítios, tive um dos melhores aniversários da minha vida, em Brigthon, com amigos que considero família, poupei dinheiro, fui a casa no Natal e conclui com sucesso o primeiro ano da uni.

Para 2017, os planos já são vários. Viajar mais, aproveitar mais as minhas folgas e dar mais atenção à familia e amigos que estão em Portugal e que por vezes são um pouco negligenciados. Quero também investir mais tempo no blog, coisa que já não estou a fazer bem porque já estamos na segunda semana do ano e este é o meu primeiro post de 2017.

Mas tudo se faz com vontade e eu espero tê-la este ano. Acho que é o que quero mais para este ano: vontade.